A diretora abriu a porta do salão e entrou, pomposamente, sendo seguida pelos professores. Posicionou-se ao lado do pedestal e a coruja abriu as asas, voltando e se tornar o metal dourado que era. Minerva olhou para os professores posicionados na mesa atrás de si, assentiu para cada um deles e olhou para todos os familiares e amigos dos formados. Limpou a garganta e sorriu para os bancos vazios na sua frente.

—Apresento a vocês, os alunos da Corvinal! —O salão explodiu em palmas enquanto os Corvinos orgulhosos entravam. Cada casa havia escolhido um representante, para entrar na frente de todos e liderar. Luna, com seu ar sonhador apareceu na frente, seu vestido criativo e chamativo, de um azul claro com detalhes em prateado. Movimentou a varinha graciosamente, as bandeiras com o símbolo da escola se tornaram azul com bronze, seguido por uma águia símbolo da casa, que voou pelo corredor entre os bancos, soltando seu grito agudo. Receberam aplausos, que cessaram assim que a diretora movimentou as mãos e os alunos sentaram-se.

—Com vocês, Sonserina! —Blásio Zabine liderou os Sonserinos, mesmo depois de ter ajudado Draco durante a batalha. As bandeiras se transformaram verdes e prata, com serpentes estampadas em cada uma. Da varinha do garoto, uma serpente se rastejou pelo corredor entre os bancos, e antes que atingisse o pedestal de Minerva, se desfez.

A diretora sorriu indicando os assentos para a casa da Sonserina. As palmas pararam e todos voltaram o olhar para as portas ainda fechadas, que eu poucos segundos se abriram, com a voz da diretora dizendo:“que entre a Lufa-Lufa”. Susana Bones empunhou a varinha com ferocidade, encantando a todos os presentes. As bandeiras tornaram-se amarelo e preto, com um texugo desenhado em cada uma. De sua varinha, o animal símbolo da casa saiu como se dançasse, andou ao lado da aluna e despareceu com uma explosão.

—Enfim, queria chamar ao salão os alunos da Grifinória! —Palmas ecoaram fortemente pelo Salão assim que as portas se abriram. Obviamente, na Grifinória havia sido decidido que Hermione lideraria a casa, assim como fez na batalha. A Grifinória entrou na frente, com o chapéu preso na cintura e com a cabeça levantada. Levantou a varinha e as bandeiras penduradas no céu estrelado do Salão Principal, se tornaram vermelho escarlate e dourado, com leões gravados em algumas. Fez um gesto diferente com a varinha, e um majestoso e imponente leão saiu de sua ponta, como um patrono corpóreo, porém vermelho com um brilho discreto em dourado. Com um sorriso satisfeito no rosto, seguiu o leão, enquanto o restante de seus colegas a seguiram. Ao chegar perto de onde Minerva estava posiciona, o leão soltou um rugido alto e silenciador, antes de desaparecer gradativamente.

Os quatro representantes das casas posicionaram-se em um circulo, levantando as varinhas, uma bolinha de luz saiu da ponta de cada uma, transformando as bandeiras vermelhas, em pretas com o símbolo da escola no centro da cada uma delas. O salão novamente explodiu em palmas. Os representantes voltaram para seus lugares, e Hermione não se segurou em sorrir para os amigos que assistiam sentados mais atrás.

—Pois bem, vamos começar! —Minerva virou-se para os professores com um sorriso nos lábios. Chamou aluno por aluno até a frente, por um pergaminho enrolado. Colocando sobre suas cabeças o chapéu pontudo. Hagrid abraçou Hermione, assim como outros alunos. Professores despediam-se dos alunos de tantos anos com um singelo aperto de mãos ou um abraço carinhoso e forte. Assim que todos já tinham os chapéus na cabeça, a diretora ajeitou o vestido longo — verde esmeralda e colocou-se em frente ao pedestal, pegando um pergaminho. —Assim como vimos essa noite, temos tantos alunos se formando e seguindo a vida, porém, não pudemos ver alguns desde o inicio da guerra. Um memorial foi criado no sexto andar, e esta noite, não contive minha curiosidade e abri um envelope depositado perto das fotografias. A propósito, agradeço ao aluno que encheu o local de flores e acendeu as velas. E ao mesmo tempo, peço desculpas ao aluno que depositou a carta, pois não foi um comportamento educado da minha parte, porém, gostaria de ler.

Um burburinho entre os alunos tomou conta do salão, todos queriam saber quem havia deixado a carta que seria lida, apenas duas pessoas sabiam a identidade do aluno misterioso. E então com um gesto da diretora, todos se calaram para ouvir.

"Não sei como começar essa carta, já devo tê-la escrito milhares de vezes e, no entanto parece que nem ao menos comecei a pensar no que depositar no pergaminho. Isto é algo que venho tentando fazer há meses, mas me falta coragem, coragem que eu deveria ter. Naquele dia cinza, lutei, lutamos, com toda força possível, com medo de perder, deixamos pessoas de quem gostávamos para evitar a aflição que sentiriam, mas de certa forma foi em vão, perdemos aqueles com quem realmente nos importávamos. Lembro-me de não ter a chance de respirar entre tantos feitiços que vinham na minha direção. Não sei como ainda estou aqui escrevendo, quando um lampejo verde passou pelo meu cabelo, simplesmente não sei a resposta. Continuamos vivos depois de tanto sofrer com as perdas realmente significativas e não consigo pensar naquele dia sem derramar uma lágrima. E é com muito pesar que digo que estamos nos formando, terminando a escola e começando nossa vida longe desse castelo, o qual passamos a maior parte dela. Lugar mágico que descobrimos aos onze anos e aos dezessete nos despedimos. É impossível não andar pelos corredores e lembrar das paredes caídas, dos vidros estilhaçados no chão ou dos nossos amigos tentando se proteger com a varinha. É difícil assistir aos jogos de Quadribol e não se lembrar de grandes jogadores que voaram por ali. Ou molhar os pés no lago negro, sem lembrar-se de um campeão do Torneio Tribruxo que já nadou durante uma hora ali. É difícil ter uma aula de defesa contra as artes das trevas e esquecer um professor que fez a diferença, ou até mesmo poções e estudo dos trouxas. Sinto falta do tempo em que alguns alunos se reuniam na Sala Precisa para aprender feitiços, enquanto outros, apenas tentavam ajudar uma professora a encontrar a rebelião. Ou, quando essa mesma professora, foi bombardeada por fogos de artifício, livrando todos dos N.O.M.s. Entre tudo, sinto mais saudades daqueles que não estarão esta noite comigo naquele Salão, pois não tiveram a chance de viver para construir um futuro. Vou sentir falta dos abraços carinhosos que receberia dos amigos queridos, e diria o quão orgulhosa eu estava de todos que chegaram ali e como esse dia se tornou perfeito. Mas hoje, o máximo que posso fazer, é agradecer a todos que seguiram ao meu lado e que agradeço cada conselho e abraço. Esses sim são heróis. —Minerva olhou para o público choroso antes de pronunciar com clareza, a ultima frase. —Ainda tenho pesadelos.

Algumas garotas estavam com os rostos chorosos afundados nos ombros dos namorados, amigos e colegas. Os familiares se abraçavam com a triste lembrança. Professores, discretamente limpavam uma ou outra lágrima teimosa. Neville abraçou Hermione pelo o ombro, protegendo-a das poucas lágrimas que escorreram, conseguindo controlar o choro.

—Assim como a pessoa que escreveu a carta, me sinto orgulhosa em dizer, que todos os alunos que não estão presentes aqui hoje, são heróis! —Suspirou dobrando o pergaminho e guardando-o junto ao pergaminho da chamada. —E novamente, com orgulho, digo a vocês, que estão formados!

Todos os alunos jogaram os chapéus negros para o alto, caindo como uma chuva de tecido negro sobre os abraços calorosos. Gina apertava Luna e Hermione em um abraço único e logo já corria para os braços do namorado e da família —grande. Hermione abraçou alguns colegas, e vagarosamente, caminhou até os Sonserinos. Zabini percebeu a aproximação da garota e murmurou algo incompreensível para Draco, e saiu de fininho. O loiro demorou a virar-se, mas quando virou o corpo, percebeu uma Hermione encabulada com um sorriso. Recebeu um aceno e riu.

—Conseguimos. —Disse sem jeito. Era claro que havia outras palavras a serem ditas, mas parecia que Hermione as bloqueava mentalmente. Sentia-se propenso a qualquer impulso, mas repulsivamente, os prendeu em seu interior, esperando algum movimento da garota. —Parabéns!

Hermione estendeu a mão, em um ato brusco e dissimulado. Draco assentiu em resposta a todas as palavras anteriores e apertou sua mão, com o ímpeto pensamento de puxa-la para um abraço. Queria no fundo, uma aproximação mais intima, como a do dia em que, Gina quase os pegou andando juntos. Estava preparado para abraça-la, mas não o fez. Ao invés disso, apenas deixou-a partir com um sorriso nos lábios para beijar o namorado ruivo, parabenizando-a veemente.

Notas finais
Espero que gostem, e peço desculpas pela demora! Até