Hermione voltara ao trabalho mais eficiente do que um dia já fora, em seu primeiro dia após o acidente arrumou as escrivaninhas desorganizadas dos amigos e terminou ou corrigiu relatórios inacabados. Quando Harry ou Rony diziam para que parasse, começava o longo monólogo explicando que passara tempo demais em casa para descansar. Ansiava por outra missão em campo, por mais que tivesse facilidade com relatórios, sentia falta da adrenalina durante um ataque. Pedira ajuda de Harry, queria aproveitar o tempo que sobrava. Posicionou-se no centro da sala longa — lembrava-lhe muito a sala precisa.

Harry se aproximou com uma fita grossa entre as mãos. —Tem certeza de que quer fazer dessa forma? Pode se machucar!

—Ora Sr. Potter, ande logo com isso, não estou em batalha ainda. —Fechou os olhos e gesticulou com as mãos, convidando-o a se aproximar.

O moreno deu de ombros e vendou a amiga.

—Certo, Harry, contarei até cinco e quero você afastado, posso lhe acertar. —Hermione falou em alto tom, resultando em longos ecos pela sala trancada e agora, escura. Tirou a varinha do bolso do uniforme cinza e empunhou-a. E então, sibilou os últimos segundos do amigo. —3,2,1...

Tranquilizou sua respiração, esperando pelo som das faíscas que Harry lançaria para que acertasse sem o uso da visão. Fora apenas um ruído baixo, talvez até mesmo o som dos sapatos de Harry sobre o chão escorregadio, contudo, não hesitou em lançar uma faísca vermelha na direção do som.

—Errou! —A voz de Harry ecoara entre as pilastras circulares.

Hermione sorriu e lançou as mesmas faíscas em direção ao som da voz do amigo. Ouviu uma risadinha baixa em suas costas, mas antes que pudesse virar, fora lançada no chão, perdendo a varinha entre os dedos.

—Isso não é justo! —Ralhou enquanto tateava o chão, a fim de encontrar a varinha.

—Diga isso para os comensais!

Hermione era “durona”, — como Rony dizia quando queria elogiá-la antes de bagunçar os cabelos ondulados e volumosos — talvez até mais do que os rapazes, não desistia facilmente das batalhas, mesmo quando pareciam perdidas.

—Que tal deixarmos isso justo? Apague as luzes e eu tiro a venda. —Propôs.Logo, a voz de Harry lhe permitiu tirar a venda que tanto incomodava os cílios longos. —Quem perder paga o Hidromel.

A voz de Rony ecoou junto de uma risadinha.

—Acompanhado, Potter? —Perguntou imitando com perfeição Draco nos tempos de escola.

O amigo riu alto. —E você queria usar somente a audição...

Hermione revirou os olhos.

—Saiba... Meu velho amigo, que ouvi perfeitamente quando Rony entrou na sala, a propósito, também percebi que mais três aurores entraram junto, e desde então, não saíram de perto da porta!

—Cara, você está ferrado! —Rony falou para Harry que já se agitara para sair do lugar.

—Ela ainda está sem a varinha! —Retrucou alto, e logo correu, evitando a atenção de Hermione.

Um pigarreio alto tirou ambos os rapazes da distração que se formara.

—Será que as garotas podem calar a boca para começarmos?

A sala entrou então em silêncio profundo.

Hermione sentiu a presença de alguém em suas costas, e rapidamente, alternou o peso do corpo entre suas pernas, iniciando deliberadamente com um soco baixo — não queria acertar o rosto do amigo, apenas desarmá-lo. Ouviu um cambaleio, mas nenhuma varinha cairá, continuou a aproximar-se do amigo. Harry defendeu-se, não proferindo socos como a amiga, mas defendendo-se deles, desviando das velozes mãos de Hermione.

—Pare de facilitar isso, Potter! —Ralhou enquanto desviava da mão do rapaz.

Ouvindo aquilo, Harry imediatamente segurou as mãos de Hermione e girou-as, fazendo com que a garota colasse ao seu corpo, indefesa. Hermione permaneceu imóvel, qualquer movimento era inútil. Por breves segundos respirou com dificuldade, devido ao aperto do amigo, porém tinha uma única chance, e então, agarrou-a. Escorregou a mão até o coldre na perna de Harry, puxou a varinha lentamente, enquanto o suor em sua testa começava a escorrer. Ao ter a varinha em mãos, conseguiu desvencilhar-se, e então, foi sua vez de prensar o garoto em suas costas, mas por sua vez, ameaçadoramente apertava a ponta do objeto mágico contra o pescoço do rapaz.

—E então, Potter? —Sussurrou contra o ouvido do rapaz, que tateava os bolsos.

Harry levantou as mãos em rendição.

—Ron, acenda as luzes! —O garoto gesticulou e as luzes acenderam-se instantaneamente.

Todos olharam para Hermione que ainda segurava a varinha firme no pescoço de Harry. Rony riu e aproximou-se da varinha de Hermione, caída em seus pés.

—Eu não disse que você estava ferrado? —O ruivo gritou, enquanto Hermione devolvia a varinha de Harry, fazendo-o rir alto. Aproximaram-se do rapaz sardento. —Aonde vamos?

Harry e Hermione se olharam.

—Três Vassouras!

E então, após piadas para cima de Harry que perdera para uma “garota”, aparataram.

A taverna estava cheia, alguns bruxos de mais idade jogavam xadrez e bebiam freneticamente, outros, mais jovens, namoravam pelos cantos mais escondidos, enquanto uma pouca porcentagem, lia enquanto bebia algo quente.

Sentaram-se em um canto, ignorando jovens barulhentos. Fizeram os pedidos e esperaram, enquanto é claro, Ronald aproveitava para brincar com Harry que pagaria a conta naquela noite.

—Isso que ela passou duas semanas lendo! —Hermione riu do comentário o amigo.

Harry olhou para Hermione como se pedisse permissão, Hermione concordou imperceptivelmente.

—Se eu fosse você não ria tanto, na segunda é você quem vai ter que duelar com ela! —Harry riu da expressão assustada do ruivo.

Ronald olhou para Hermione que tirou o caneco dos lábios e levantou-o, como uma saudação.

—Oh não, eu quero alguma vantagem. —Implorou.

—Nem pense nisso, você já estará com a varinha, quer mais o quê? —Harry sorriu por Hermione que tentava manter-se séria.

—Mérlin! —Balbuciou.

A garota começou a rir abobadamente.

Após as crises de risada e conversas sem sentido, Hermione teve a visão atraída para um rapaz loiro que passava apressado pela porta do estabelecimento. O jeito de caminhar, o modo que as mãos permaneciam afundadas no bolso do casaco, e a pele pálida lhe era familiar. Draco Malfoy. Rony cutucou-a.

—O que está olhando? —Seguiu o olhar, até parar nas costas do rapaz sentada diante do balcão. —Ah, o Malfoy.

—Por falar nele, Hermione. Ele não ficou lhe importunando durante sua estadia no St. Mungus? —Harry perguntou preocupado enquanto bebericava o caneco já quase vazio.

—Ah, é claro que não. —Falou desconcertada enquanto as imagens da última conversa passaram pela sua mente. —Você se lembra que depois da guerra nós paramos com as desavenças...

Harry assentiu.

—Como poderia!?

Rony parecia absorto ao que acontecia na sua volta. Hermione sorriu e terminou a bebida encolhendo os ombros.

Notas finais
Espero que gostem, prometo que nas ferias postarei mais! Beijos e até