Insignificantemente, você
19 Capítulo dezoito
Em poucos dias o gêmeo Weasley foi liberado, sem nenhuma sequela, exceto a cicatriz em “X” que não desaparecera. Hermione, fora comemorar com os rapazes e Gina a melhora do ruivo. O Três Vassouras continuava o mesmo dos anos em Hogwarts, apenas é claro, mais deserto depois do ataque à cidade. Sentaram-se confortáveis em alguma mesa e pediram canecos de Cerveja amanteigada, a de Hermione, com um pouco de gengibre. Noite à dentro, conversaram e gargalhavam de palhaçadas. Harry e Gina foram mais cedo, com a ruiva reclamando de dores e o enorme peso que a barriga lhe causava. Rony foi logo depois, explicando que teria que ficar com seu grupo no Ministério no dia seguinte, e que avisaria qualquer novidade ou mudança. E então, na noite fria de inverno que se aproximava, Hermione permaneceu na taverna com George.
—Posso fazer uma pergunta? —Sorriu, cobrindo o rosto corado pelo frio.
—Já fez, mas lhe deixo fazer uma segunda... Ou terceira e quarta!
Hermione mostrou a língua em um ato infantil, e riu sozinha. Respirou como se preparasse para algo muito difícil, soltou a caneca da bebida e limpou os lábios com a manga do casaco.
—É que eu fiquei curiosa, aquela marca no seu peito! —Começou o que poderia ser um longo monólogo. —Você disse que levou uma pancada na cabeça. Por que se dariam ao trabalho de lhe ferir se você já estava desacordado? Não poderia mais impedi-los... Você lembra-se de vê-los fazendo algo assim com outra pessoa?
—Sinto muito, mas foi o que eu disse. Vários bruxos correndo e de repente, tudo ficou escuro. Minha cabeça ainda dói! —Explicou novamente.
—Isso não faz sentido! —Tinha uma das mãos nos lábios, como se roesse as unhas. Repetia os fatos na sua cabeça, e de repente, um estalo em sua mente lhe fez despertar para as possíveis “pistas”, como em um romance policial. —A não ser que...
De supetão e sem aviso prévio, levantou-se, jogando a bolsa no ombro. Antes que pudesse correr, George lhe parou:
—O que está tramando senhorita Granger? —Perguntou colocando o cachecol no pescoço da amiga.
—Juro que lhe explico depois, mas agora preciso realmente ir! —Esticou-se, beijando a bochecha do ruivo e então, correu para fora do estabelecimento.
A neve começava a cair e já não era sem tempo, o inverno se aproximava, mas nenhum sinal da neve. Até então. Sorriu para os pequenos flocos brancos que se acumulavam em seu cabelo, a sensação do frio agora constante, e por fim, aparatou. Chegou ao St. Mungus decidida do que faria, ignorou a atendente no balcão e seguiu diretamente para os quartos, ou melhor, o quarto desejado. Leu o prontuário na porta e respirou, tocou a maçaneta fria, mas antes que pudesse gira-la foi interrompida.
—Hermione! —Virou-se surpresa, soltando o metal frio e dando alguns tímidos passos em direção ao loiro de jaleco.
—Ah, com vai Draco? —Afastou a franja despenteada dos olhos, jogando-a para trás da orelha. Abaixou o olhar, e levantou-o sorrindo.
O loiro a analisava friamente. —Vou bem... Por que está cheia de neve? —Delicadamente, afastou os pequenos flocos dos fios castanhos de Hermione, que agradeceu. —O que está fazendo aqui?
—Eu queria ver o Nott! —Sorriu com complacência, tentando soar mais animada possível, inspirou-se em Luna e seu sempre sorriso largo.
O rosto de Draco ficou pesado, a expressão de desgosto não passou despercebida pela garota. A ira em seus olhos era visível de longe, talvez fosse até mesmo, preocupante.
—Ele está repousando, terá que esperar! Se me der licença... —Antes e qualquer objeção da castanha, Draco simplesmente apertou a prancheta colorida contra o peito e saiu em passos firmes e pesados.
—Claro!
Sentou-se em uma das cadeiras no corredor, esperava lendo um grosso exemplar que ganhara de um “admirador secreto”. E então, os ponteiros do relógio pareceram girar rapidamente, sem controle de velocidade. Quando Hermione percebeu, já passava das três da manhã. Bufou irritadiça com a demora. Jogou a cabeça para trás, fechando os olhos para proteger-se da luminosidade excessiva. Os olhos enceguecidos piscaram diversas vezes, até que acostumassem-se coma a luz. Os minutos passavam-se. Caminhou em frente à porta, tentando enxergar alguma coisa quando uma curandeira entrava no quarto, ou saia do mesmo. Apoiou as mãos na parede, em seguida a testa.
—Deveria ir para casa, ele provavelmente só vai acordar no meio da manhã ou no começo da tarde. A poção para dor estava bem forte! —Draco falou, aproximando-se vagarosamente de Hermione. Tocou seu ombro, puxando-a para olhá-lo nos olhos.
Hermione negou.
—Preciso estar aqui quando ele acordar. É muito importante! —Esfregou as mãos no rosto, visivelmente cansada.
O rapaz revirou os olhos e bateu com o punho na parede.
—Você vai pra casa comigo, e amanhã voltamos juntos e você vê o Nott. Fechado? —Sorriu constrangido com o próprio convite, mas esticou as costas, parecendo mais alto e confiante na visão da garota.
—Não vou tirar você da sua cama, não me importo de ficar aqui, é sério! —Assentiu em agradecimento, voltando para as cadeiras pouco confortáveis.
Draco riu e voltou a se aproximar da garota.
—Não, você não entendeu. Você vai comigo, Hermione. —Esticou a mão, oferecendo-a. — E eu tenho um quarto de hóspedes, não se preocupe!
Hermione então entregou sua mão ao loiro. Entregando a si, o leão para a serpente. Saíram do hospital, e na neve fria, aparataram.
Em frente a casa, Hermione desequilibrou-se, apoiando-se no rapaz ao seu lado. Com um sorriso presunçoso no rosto, Draco a segurou pela cintura. Estendeu uma mão, mostrando sua simples, porém espaçosa casa.
—Uau! —Exclamou surpresa, reprimindo um bocejo. —Para um Malfoy, você não puxou nada o lado... Extravagante de viver!
Draco assentiu sorridente.
—Vamos, vou preparar um café e depois te mostro o quarto! —Guiou-a pela cintura para dentro da casa. —Sinto muito pelas caixas, espero que não se importe!
A sala era espaçosa e bastante ampla, no canto, ao lado da escada, uma lareira jazia apagada. Várias caixas empilhadas e espalhadas pelo local mostravam o pouco tempo do rapaz na própria casa. Mesmo com as caixas, um pequeno sofá com duas poltronas ao lado estava intocado.
—Fique a vontade, vou preparar um café. —Deu alguns passos para onde parecia ser a cozinha, mas voltou. —Coloque isso, ainda está frio por aqui sem a lareira!
De cima de uma caixa, pegou o cachecol Sonserino, e colocou por cima de Hermione, que se encolheu e sorriu. O rapaz preparou o café com todo o cuidado do mundo, quando servido, levou a xícara até a sala, onde Hermione adormecera. Sorriu com a visão da garota teimosa que insistira para ficar no hospital. Bebericou seu café e o largou em cima de alguma caixa. Aproximou-se lentamente, como um tigre prestes a caçar e em seus braços colocou Hermione. Desviando das caixas carregou a garota até seu quarto, beijou sua testa e cobriu-a. Mas ao virar-se, bateu no abajur que quase caiu, provocando um som alto o suficiente para acorda-la.
—Draco? —Hermione levantou o rosto, apoiando-se nos cotovelos e coçando os olhos. Observou o ambiente a sua volta. —Esse é o seu quarto, você disse que tinha um quarto de hóspedes!
Jogou as cobertas para longe, e estava prestes a levantar, contudo o rapaz interferiu.
—Tenho um quarto de hóspedes, só que ele está vazio. Nenhuma almofada sequer! —Riu-se. —Fique na minha cama, vou ficar na poltrona reclinável... Do seu lado, praticamente. O que já é muito!
Ruborizou fortemente, antes de propor:
—Podemos dividir a cama, bem, e-ela é bem espaço-osa... —Gaguejou e repreendeu-se pelo momentâneo ataque que uma garota de quinze anos daria ao falar com algum rapaz. Sorriu.
Draco aproximou-se, depositando sua mão na nuca da garota. —Por mais que eu realmente queira, a poltrona está ótima por hoje! —Puxou-a, beijando-lhe a testa.
Hermione assentiu, deixando as mãos no peito. Deitou-se novamente, observando o rapaz que pegava alguns cobertores no armário que ocupava uma parede inteira. E após algumas piscadas, adormeceu.
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