Insignificantemente, você

28 Capítulo vinte e sete


Minutos se passaram até que a marca de Hermione parasse de arder e queimar, a água fora uma solução perfeita para a ardência. Draco fechou o registro, desligando a água e cessando com o resfriamento. Hermione se levantou e saiu da banheira, Draco seguiu-a, ambos molhavam o assoalho. A garota caminhou até o armário de madeira clara, de onde tirou duas grandes toalhas felpudas. Entregou de bom grado uma para o rapaz que aceitou-a.

—Devo ter algo que sirva em você, se importa de esperar aqui? Vou me trocar, é rápido! —Naquele momento nenhum dos dois pareceu se lembrar de que com um floreio da varinha suas roupas estariam secas novamente. O rapaz assentiu e começou a despir-se.

Mesmo com a porta quase totalmente fechada, Draco sucumbiu ao desejo de espiar. No quarto, Hermione fechava os últimos botões de uma camisa branca, obviamente masculina, pois cobria metade de suas pernas. Voltou para o fundo do banheiro quando a garota movimentou-se, pegando mais algumas peças de roupa do armário.

Bateu na porta delicadamente com os nós dos dedos, empurrou-a. Prendeu a respiração ao ver o loiro sem camisa. O abdômen levemente definido, os braços assim como se lembrava, continuavam musculosos na medida certa. Corou ao perceber que Draco a encarava. Desconcertada, entregou-lhe a muda de roupas. Antes que pudesse sair, teve o pulso puxado, esbarrando contra o corpo do Sonserino. Seu olhar examinou-o minuciosamente, agora mais de perto.

—Por que tem tanta roupa masculina no seu armário? —Draco ainda segurava-a contra seu corpo, com firmeza o suficiente para não deixa-la escapar.

Hermione corou.

—Eu tenho amigos e... Acho que não preciso explicar isso para você! —Arqueou uma sobrancelha.

Draco riu e então, passou seu braço livre pela cintura de Hermione, deixando-a agora, sem escapatória. Seu hálito era refrescante e deixou-a extasiada por breves segundos. Roçou seus lábios no pescoço da garota, e próximo ao seu ouvido, sussurrou:

—Não me provoque, Granger! —Hermione não pode deixar de rir do jeito que seu nome saíra, abafado e com grande desejo.

Hermione para entrar no jogo, apertou-se contra Draco, da forma que seus lábios encostassem-se ao queixo do rapaz, sorriu, sentiu o formigar em sua barriga.

—Jamais faria algo assim! —Girou nos calcanhares e saiu sorrindo. Gritou do corredor. —Vou preparar algo para comermos, estou cheia de fome!

Draco riu.

Quando entrou na cozinha, Hermione misturava em uma grande tigela o que parecia ser massa de bolo. Alguns utensílios flutuavam a sua volta. Sentou-se no balcão e com visão privilegiada, observou atentamente as pernas da garota. Ansiava por outro momento mais íntimo, mas não apressaria. Sabia também sobre Nott, algo que teria de cuidar em breve.

—Poderia ao menos disfarçar, ou minhas pernas estão lhe incomodando? Posso colocar uma calça se assim preferir! —Hermione usara o sarcasmo que há anos aprendera a conviver.

—Estava pensando, suas pernas foram apenas uma distração a mais! —Levantou-se. —Quer ajuda?

Hermione negou com um balançar de cabeça.

O café da tarde transcorreu bem. A marca que Hermione carregava agora, não ardeu durante o restante do dia. Estavam sentados no tapete, escorados no sofá, um de frente para o outro. Conversavam e riam.

—Será que “isso” arde nas outras pessoas, ou é só comigo? —Perguntou tocando a cicatriz por cima do fino tecido branco.

—Está ardendo? —A resposta foi negativa. —Não sei. Podemos mandar cartas para algumas das pessoas.

Hermione assentiu.

A garota explicou para um curioso Sonserino como funcionava a televisão, mostrando-lhe as funções do controle remoto e as configurações de imagem. Viu-o arregalar os olhos diante das cenas de filmes e novelas. Draco parecia uma criança diante do maior parque de diversões.

—Impressionante! —Sem piscar, continuava vidrado nas imagens decorridas de falas fúteis.

Hermione apenas ria.

—Nem tanto...

Pegou-se observando o loiro, o traçado forte de seu queixo mal barbeado e os lábios comprimidos em uma linha reta lhe deixou atordoada. Draco percebera para onde os lábios de Hermione olhavam tão concentradamente. E como se houvessem combinado, pularam um nos braços do outro, colando os lábios com a ferocidade de felinos selvagens. Com agilidade, Draco colocou Hermione em seu colo em poucos segundos, apertava-a em todos os lugares possíveis, decorando cada centímetro do corpo a garota. Hermione por sua vez, não controlara seus movimentos, enrolando seus dedos nos fios loiros, de forma que o puxava cada vez mais, não o deixando afastar-se.

Tudo se tornou intenso, quando o tapete fez o papel de um confortável colchão. Com as costas apoiadas no felpudo objeto decorativo, apertou-se ainda mais em Draco, espalmando suas mãos nas costas largas do loiro, tocando seus músculos por cima da camisa. Os lábios apressados passaram para o pescoço de morena, que com a visão turva, tentava desabotoar a camisa. Draco, por sua vez, apenas passeava com as mãos ágeis por dentro da blusa da garota, explorando cada centímetro de pele quente a macia. As mãos rápidas passearam pelas longas pernas — nuas —de Hermione

As chances de que algo ocorresse foi exterminada pela porta da frente que bateu com força, liberando o frio forte que entrou na casa. Hermione empurrou Draco, tirando-o de cima de si, e aflita, encarou Harry com um sorriso sugestivo nos lábios.

—Espero não ter atrapalhado nada! —Cruzou os braços e encostou a porta com um movimento da varinha.

Draco murmurou “não mesmo”, era evidente a irritação — encobrida pelo sarcasmo — por ter sido atrapalhado em tal momento.

—Não atrapalhou! —Respondeu Hermione, ajeitando a roupa amassada. —O que aconteceu?

—Se importa de preparar um café? Rony e Nott devem chegar logo!

Hermione assentiu, passando pelo amigo e se dirigindo para a cozinha, lançando um olhar rápido ao loiro.

Harry permaneceu ali, encarando o Sonserino com firmeza.

—Que foi, Potter? —Perguntou com sarcasmo. —Acho que você e sua esposa fazem o mesmo, ou estou errado?

—Apenas cale a boca... —Suspirou. —E não a magoe!

Draco sorriu presunçoso.

E da sala, o rapaz ajeitou os óculos, gritando:

—Nem todos estão acostumados a te ver sem calças, Hermione!

Como um foguete, a garota correu pelas escadas, fechando-se em seu quarto para trocar-se. Os rapazes chegaram poucos minutos depois e então, a tensão pareceu inundar a casa de Hermione, nem mesmo o aroma e café recém-passado amenizava a situação.

—E então? O que está acontecendo?

Notas finais
Olá, espero que gostem!