Insignificantemente, você

15 Capítulo quatorze


O inverno se aproximava com certeza, a temperatura confortável já se degradava, dando lugar para brisas constantes e gélidas. O sol parecia desaparecer com mais rapidez, dissipando-se por entre os galhos nus das árvores de troncos grossos e velhos. Havia uma pequena fresta na janela de Hermione, deixando um leve frio escapar pelas cortinas em rosa antigo, a carta-convite de Nott ainda estava sobre a escrivaninha. As luzes do quarto estavam acesas, e no canto, em frente ao espelho, refletia a imagem da garota. Uma jovem adulta que segurava os cabides em frente ao corpo, procurando pela roupa que melhor lhe caia naquela noite. Sentia-se uma adolescente em seu primeiro encontro. Talvez, devesse sentir-se daquela maneira. Nunca tivera a oportunidade de ter um primeiro encontro com Ronald, passara por cima de alguns rituais que antecedem um relacionamento. Com Draco a situação era ainda mais estranha, não tivera um primeiro encontro e nem um segundo. Conheceram-se em algum “esbarrões” pelos corredores, ou quando por acaso se encontravam na torre de astronomia ou nas prateleiras mais fundas da biblioteca. Não estava nervosa, apenas não sabia como agir. Era na verdade, o que se dizia desde o inicio da tarde.

Jogou a roupa escolhida em cima da cama, e então, começou a vestir-se. O vestido azul marinho floreado em tons de vermelho caiu-lhe no corpo de forma leve e solta. Ajeitou o coturno marrom nos pés e jogou um cardigan por cima. No cabelo deixou as naturais ondas soltas, pendendo por suas costas. Pegou a varinha em cima dos pergaminhos sobre a escrivaninha ao canto do quarto e guardou-a dentro do casaco leve.

A campainha tocou, olhou-se uma última vez no espelho e murmurou para si mesma manter a calma. Abriu a porta sorridente, mas a expressão de confusão e decepção não passou despercebida pelos amigos parados de frente à porta. Ronald segurava algumas caixas de pizza, e deixou o queixo cair ao observar a garota. Hermione ruborizou.

—O que fazem aqui? —Desconcertada com toda a situação continuava a encarar os amigos.

—Nós combinamos de comer pizza e jogar conversa fora... Uau, Hermione, você está linda! —Rony não conseguia tirar os olhos das pernas nuas da amiga.

Harry soltou uma risada fraca.

—Mas acho que a produção não é para a "noite da pizza"!

—Então para quem é? —Rony finalmente levantara o rosto, olhava fixamente nos olhos castanhos de Hermione.

Antes que pudesse responder, a visão de Hermione passou por cima dos ombros dos rapazes, seguindo para um jovem de cabelos negros, parado distante de seu gramado. Sorriu.

Harry e Rony viraram-se harmonicamente, seguindo o olhar perdido da garota.

—Como é? —Rony parecia furioso, e com a voz um tanto mais alta, desviou a atenção de Hermione que pediu um segundo para o rapaz ainda afastado.

—Vamos lá, rapazes. —Pediu. —A casa é de vocês, tem cerveja amanteigada e hidromel na cozinha. Depois conversamos!

Não esperou pela resposta, que provavelmente, levaria a uma longa discussão. Aproximou-se de Nott ainda com o sorriso nos lábios.

—Se me permite dizer, você está linda!

Hermione ruborizou a agradeceu em um murmúrio.

Nott ofereceu o braço, e Hermione, de bom grado aceitou-o. Caminharam juntos até o fim da quadra.

—Então, onde vamos jantar?

Nott parou e virou-se de frente para Hermione, um sorriso brincalhão dançava em seu rosto. Esticou a mão.

—Surpresa!

Hermione então entrelaçou seus dedos aos do rapaz e enfim, sentiu a sensação de ser sugada para dentro do próprio umbigo. Jamais se acostumaria.

O restaurante era no centro de Londres, com estilo romântico, era espaçoso, famílias jantavam animadas perto das paredes de pedras. Do lado de fora, uma varanda com mesas dispostas para dois enquanto pequenas luzes brilhavam enroladas pelos ornamentos da madeira talhada iluminando a área externa. Hermione observou o espaço, maravilhada.

—Um restaurante trouxa? Não se sentiria mais a vontade em algum bruxo? —Perguntou após sentarem-se do lado de fora, respirando a brisa do fim de outono.

—Na verdade, gosto desse lugar! —Um garçom com um bloco entre os dedos aproximou-se. —Posso escolher por você?

Hermione afastou o cardápio.

—Surpreenda-me! —Sorriu.

Theodore sussurrou algo para o garçom, que lhe lançou um sorriso sugestivo e assentiu, retirando-se pelo labirinto de mesas.

—E então, ao que devo a honra do convite para jantar? —Cruzou os dedos e apoiou o queixo sobre as mãos.

O rapaz riu.

—Querer sua companhia em um encontro casual não vai lhe convencer, não é!?

—Não mesmo!

Riu novamente, agora, mostrando a fileira de dentes extremamente brancos e brilhantes.

—Certo, não confie nos Sonserinos, sempre temos segundas intenções! —Hermione assentiu. —Bem, você é uma mulher.

—Não diga! —Ironizou, observando o garçom serviu sua taça com vinho tinto.

—Deixe-me terminar, mocinha! Você é uma mulher forte, decidida, inteligente e muito bonita. A questão é: quais razões eu teria para não, e vou repetir, para não, convida-la para jantar?

Hermione sentiu o rosto queimar.

—Acredite Hermione, não sou o mesmo idiota que fui há anos atrás. E queria provar isso para você! —Deslizou a mão pela toalha, segurando a mão de Hermione.

Ambos trocaram sorrisos reconfortantes.

O jantar ocorreu de maneira simples e lenta, a base de conversas e lembranças do tempo de Hogwarts. Hermione dividiu seu prato com Nott, alegando que não conseguiria comer tudo.

—Então, por que esse interesse em virar Auror?

—Não sei exatamente, acordei um dia e resolvi me inscrever. Kingsley disse que todos que lutaram contra você-sabe-quem tinha uma chance de se tornar Auror, mesmo quem tem a marca negra... Mas confesso que com isso foi mais difícil!

A marca negra aparecia na barra da manga de sua camisa branca. Hermione pegou sua mão estendida e apertou-a, confortando-o.

—Minha vez de fazer as perguntas! —Sorriu. —Eu comecei no curso de aurores logo que a Senhorita Granger sofreu um acidente, era só o que os novos alunos falavam pelos corredores. Como foi esse acidente?

Hermione abriu a boca, logo depois, deixou um sorriso tímido transparecer.

—Estávamos atrás de alguns comensais foragidos e foi como uma emboscada, de repente eles haviam nos cercado. Harry e Rony ainda conseguiram pegar alguns, mas eu estava batalhando contra vários ao mesmo tempo e de repente o meu feitiço de proteção explodiu e eu perdi a varinha entre as folhas. O primeiro feitiço que me acertou foi Diffindo e o outro... —Suspirou. —Sectumsempra.

Nott arregalou os olhos, mas sorriu.

—Entende porque disse que você é forte? Quase morreu e há alguns dias estava dando ordens em todo o Ministério!

Hermione riu.

—Não é tão fácil assim se livrar de mim!

Theodore assentiu, pedindo a conta em seguida.

—Vamos, vou te levar em casa! —Ofereceu novamente o braço para a garota, que aceitou-o.

Andaram de mãos dadas até a porta da casa de Hermione, e então, sob a luz fraca da lua cheia, fixaram seus olhares.

—Gostei muito de hoje, Nott! —Hermione sorriu timidamente.

O rapaz nada falou, agiu, na melhor das hipóteses. Sua mão rápida deslizou pela bochecha de Hermione, parando atrás de sua orelha, segurando seu rosto. Aproximou o rosto lentamente, tortuosamente. Mal encostou os lábios aos da garota quando o ruído da porta se abrindo lhe fez afastar-se abruptamente. Rony estava encostado no batente da porta, observando-os com uma carranca.

—Nos vemos mais tarde, Hermione! —Dito isso, Nott puxou-a pela cintura rapidamente, beijando-a nos lábios rosados.

Deu as costas ao ruivo e saiu andando pela trilha de pedras sobre o gramado. Hermione virou-se para o amigo com as orelhas extremamente vermelhas.

—O que é isso Hermione? —Perguntou com os braços apertados contra o peito.

—Isso o quê? —Entrou na sala, jogando-se no sofá.

Rony bufou, batendo a porta de entrada com força.

—O que está acontecendo? —Harry caminhava lentamente, cansado, ajeitava os óculos redondos no rosto.

—Hermione está confraternizando com o inimigo novamente!

—Inimigo? Esqueceu-se de que ele lutou contra Voldemort ao nosso lado? —Falseou indiferença na voz.

—Vamos lá Harry, concordo comigo, ela está ficando louca! Acho que o Malfoy lhe deu alguma poção errada! —Ronald continuava a falar.

Harry olhou Hermione, que continuava jogada no sofá, sem preocupação.

—Ela é adulta Rony, sabe se cuidar! —Bocejou. —Vamos para casa, preciso dormir!

Puxou o amigo pela manga da camisa e antes de fechar a porta da frente, gritou:

—Hermione, deixamos pizza na geladeira!

Notas finais
O.k, estou férias com o computador livre para escrever! Comentem, favoritem e me contem o que estão achando ;)