Insignificantemente, você
42 Capítulo quarenta e um
Draco fez com que Hermione se aquecesse, preparando chocolate quente e aquecendo os pãezinhos de mel no fogão que, demorou alguns minutos para conseguir usar. A garota ficou ali, apenas observando-o com todo o jeito cuidadoso e atencioso.
—O que acha de sairmos? Beber alguma coisa, talvez! —Propôs ao loiro. Reunindo coragem.
—Beber? —Parecia não acreditar. —Está me convidando para sair?
Hermione pensara muito sobre seu relacionamento com Draco, e talvez tentar uma vez mais, por mais rápido que fosse, não seria algo ruim. Para nenhum dos dois.
—Tipo um encontro, Granger? —Continuou a questioná-la.
Hermione corou um pouco, tentando sorrir, imaginou o quão patética poderia parecer.
—Sim. O que acha? —Deixou a insegurança transparecer. —Se não quiser, vou entender!
—Eu aceito com uma condição!
A castanha assentiu, aceitando sem sequer ouvi-lo.
—Me responda com sinceridade. O que te fez mudar de ideia? —Cruzou os braços como se a desafiasse.
—Draco, é só um encontro. —Respondeu com indiferença. —Aceita?
—Amanhã, às 20h. —Respondeu. —Preciso voltar para o St. Mungus. Devem estar precisando de mim por lá. Nos vemos amanhã?
Hermione assentiu.
—E preciso que me avise caso sua cicatriz aí, doa quando usar magia novamente. Certo? —Hermione assentiu novamente e viu Draco entrar na lareira, desaparecendo entre chamas verdes.
***
Hermione voltou para sua casa, mas antes foi visitar Gina no hospital, explicando para todos que já se sentia melhor e que voltaria para casa. James Sirius Potter era rechonchudo e rosado, tinha os cabelos bem escuros, mostrando o DNA de Harry presente no bebê. Havia leves sardas sobre seu narizinho que, de acordo com o médibruxo, desapareceriam logo. Hermione confidenciou para Harry sobre Draco e o que sentia. O rapaz aconselhou-a e aproveitou para deixá-la em casa, segura.
O sol já começava a se pôr no horizonte, e Hermione não perdeu tempo. Tomou um longo banho, ajeitou os cabelos com a mesma poção que usara no quarto ano, para alisar seus cabelos. Mas usara dessa vez, pouquíssimas gotas, apenas para ajeitá-lo melhor. De repente caminhou até o guarda roupas e parou, observando cada milímetro do móvel. Passou os olhos por alguns vestidos, e atirou-os sobre a cama. Um por um, foram jogados na pilha do “não”, mas foi observando a pilha do “talvez” que teve uma ideia que, julgava maravilhosa. Não era um vestido, mas nas atuais circunstancias, não gostaria de exibir a cicatriz em sua perna. A calça jeans entrou rapidamente, a blusa de lã bege escorregou por seus braços, o sobretudo azul lhe aqueceu logo de cara. E para enfrentar o frio com os pés aquecidos, uma bota de cano curto serviria. Olhava-se uma última vez quando a campainha tocou. Pegou a varinha na cabeceira da cama e correu para o andar de baixo.
—Você está linda! —Draco disse, quando a garota abriu a porta.
—Draco... Você também! —Disse, finalmente reparando no rapaz. —Aonde vamos?
O rapaz parecia abobalhado, não havia sequer pensado nisso.
—Bem, o Três Vassouras ainda está aberto... O que acha? —Hermione sorriu. —Desculpe, mas não consegui pensar em nada melhor!
Hermione assentiu, como se estivesse mega feliz.
—Está perfeito, sinto falta de lá. —Caminharam juntos até a esquina, onde aparataram com a certeza de que vizinho algum os olhava.
Hermione não abrira mão de morar em um bairro trouxa, mas 80%dos vizinhos eram bruxos. Então os estalidos do lado de fora eram normais tanto para Hermione quanto para os outros.
A taverna seguia vazia, assim como nos tempos de Hogwarts. Ao menos, durante a noite. Sentaram-se no canto e pediram rapidamente. Não era um jantar, apenas salgadinhos e dois canecos de cerveja amanteigada que, desceu esquentado suas faringes. E logo seus corpos por inteiro.
—Está com frio? —Draco perguntou para Hermione, já preparando-se para tirar o casaco. Mas Hermione adiantou-se a agradeceu, dizendo que sentia-se ótima. —Vai voltar ao Ministério?
—Sim. Pretendo voltar logo, sinto falta do trabalho e além do mais, tenho uma turma em treinamento que me espera! —Sorriu. —Eles são bons, sabe? Fazem tudo o que eu mando, alguns eu sei que não conseguirão, mas tem jovens com futuros promissores ali. Talvez não como aurores, mas em algum outro departamento. Tem até um aspirante à curandeiro. Fala toda hora sobre ferimentos e doenças mágicas. A varíola de Dragão é a favorita dele.
—Você está nervosa com o nosso encontro? —Perguntou como se não tivesse ouvido nenhuma palavra.
Hermione virou o caneco, aquecendo-a tanto que suas bochechas coraram impiedosamente.
—Um pouco!
Por cima da madeira velha, Draco procurou pela mão de Hermione e segurou-a carinhosamente, acariciando a pele macia com o dedão. Sorriu melancolicamente.
—Você sabe que não precisa ser um encontro, não é? Apenas uma cerveja amanteigada, — Suspirou cansado. —apenas isso.
Hermione cobriu os dedos de Draco com sua mão livre, o que fez o rapaz olhá-la.
—Eu sei que o que eu disse naquela floresta foi rude e possivelmente algo que possa tê-lo magoado, mas não fui sincera. Meus sentimentos não mudaram em relação ao tempo em Hogwarts e acho que os seus também não. Eu apenas estava insegura, pois na guerra, você disse coisas e... Fez coisas que eu lamentei. Mas não julgo, nunca o fiz de verdade. E bem, estou disposta a tentar se você estiver.
O silêncio pareceu sufocá-la, a esperança se esgotava como uma ampulheta, a cada segundo que esperava uma quantidade de grãos de areia se dissipavam. Sentiu-se momentaneamente vazia, os lábios encrespados de Draco lhe sorriram de repente.
—Você realmente acha que eu seria capaz de dizer “não”? Escute bem, pois não irei repetir uma só palavra! —Hermione olhou-o curiosa. —Na guerra, eu procurei por você com todas minhas forças, mas obviamente seus feitiços de proteção seriam bons demais para serem notados. Um dia, saí sob o efeito da Poção Polissuco com alguns sequestradores —você sabe, não é difícil imitar Scabior — e escutei um som, era galho quebrando. Não foi difícil ligar uma coisa à outra. Mas foi o seu perfume Hermione, foi o seu perfume que me deu certeza de que continuava viva. Depois disso claro, você foi capturada, agradeci muito ao Dobby quando ele chegou e ajudou vocês. Eu não podia deixá-la se machucar... Fora que minha mãe me enfeitiçou para ficar imobilizado. Depois disso vi você e o Weasley juntos.
"No último ano, quando voltamos para Hogwarts tive esperanças. Dei aula de voo para você, e devo confessar que foi apenas uma maneira de me aproximar. Ms você não parecia interessada. Nem mesmo quando quase nos beijamos para sua amiga Weasley não vê-la."
“Hermione, quando você apareceu no St. Mungus e me contou que não tinha namorado, acredite quando digo que um sentimento voltou tão depressa que não soube dizer o que era. Éramos imaturos em Hogwarts, não conseguiríamos passar por aquilo antes, mas agora podemos. Eu amo você.”
Hermione sorriu com os olhos brilhando em lágrimas, não chorou, apenas abriu ainda mais o sorriso.
—Por favor, Draco. —Fechou os olhos, como se quisesse se deleitar com o sentimento. — Repita isso, mais uma vez.
—Quando eu comecei eu disse que não repetiria uma só palavra, Hermione. —Disse.
—Suas três ultimas palavras. Por favor. —Pediu mais uma vez.
Draco sorriu.
—Eu amo você!
Hermione assentiu e olhou para cima, segurando as lágrimas. Repreendeu-se por ser emotiva ao ponto de chorar com um declaração.
—Eu também! —Empurrou a cadeira para trás, o que provocou um agudo rangido. Aproximou-se do rapaz e beijou-o com vivacidade.
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