Inside Anima
1 Entre o jogo e a morte
Anima Online, um mundo de fantasia e aventuras repleto de mistérios. Está entre os cinco melhores massive multiplayer online game do Japão, e entre os dez melhores do mundo. Com seu grande sucesso no mundo todo, ele acaba de receber uma inédita atualização onde o jogador pode experimentar uma real experiência com o Typhon Eye (TyE), um óculos de realidade virtual que se adapta a vista in game do personagem. E um garoto está prestes a ser um dos primeiros a ter essa sensação de realidade com o óculos TyE.
Konoe, um garoto de dezoito anos, um dos primeiros na fila da comprar o óculos TyE, vai ter a tão sonhada chance de sentir como é ser seu personagem. E na tela de criação a seguinte duvida, qual classe escolher? Guerreiro, talvez Bardo? Ou ficaria melhor de Invocador? Não... Nenhuma superaria a escolha ideal, Atirador. Não gostava de combate corpo-a-corpo e não tinha muita capacidade para entender todas as habilidades de um mago ou coisa assim, então tinha de ser essa classe. Para as armas ele escolheu duas bestas e o visual acabou criando um personagem muito semelhante a si mesmo. E o mais importante, que também o deixava cada vez mais nervoso, o login com o personagem. Seu coração batia rápido, e estava ansioso para poder entrar com o personagem, até que finalmente o ícone de estabilidade do servidor mudou de vermelho para verde e o botão de iniciar surgiu. A mudança de cores no início e o calibramento da visão foram complicados, mas não levaram segundos até que Konoe pudesse se adaptar a visão do jogo. Era um pouco irritante para ele ver outros personagens correndo e pulando como idiotas, mas alguns deles não tinham TyE para entenderem a sensação de realidade que o mesmo estava tendo, e deixando de lado começou a fazer as primeiras missões de história do jogo. No começo estava até indo bem, os óculos permitiam uma mira que, se fosse critica, o personagem seria capaz de matar um monstro com um único disparo. Mas depois, a jogabilidade com os óculos começou a se tornar complicada, ela bloqueava os benefícios da visão em terceira pessoa, como por exemplo, quando criaturas agressivas atacavam o personagem por trás, ou quando precisava usar o inventario durante uma luta ou qualquer coisa assim, e antes que atingisse o nível oito, ele já se viu cansado de subir de nível. Estava cada vez mais difícil, seu ataques mesmo com críticos de acerto, não conseguiam matar os monstros sem que eles se aproximassem e lhe causassem dano. Até que um guerreiro de mesmo nível se aproximou oferecendo ajuda. Inicialmente, sem muita conversa, os dois criaram um grupo e conseguiram ganhar níveis juntos. Até que chegaram ao nível vinte e cinco em menos de doze horas, e neste nível já era possível a mudança de classe dos jogadores. O guerreiro havia comentado com Konoe que iria pegar Guardião Escudeiro, uma classe que ganhava diversos bônus de defesa e era um ótimo defensor, conhecido pelos jogadores como “Tanker”. Enquanto Eragon estava decidido a se tornar Especialista, uma classe focada em dano crítico que dispunha de diversas habilidades de criação exclusivas, como criação de robôs, armas mecânicas e acessórios para melhoria de habilidades, tanto para o jogador quanto para outros. A missão de mudança de classe exigia que um grupo de quatro personagens fosse capaz de completar um calabouço, também conhecida como dungeon, onde os jogadores teriam que conseguir um item que se adiquire derrotando o boss do calabouço. Depois de adquirirem mais cinco níveis, os dois resolveram encarar a dungeon só com eles mesmos. Assim começou a missão, um salão escuro e sombrio, que ficava sob a catedral abandonada, ao norte da cidade inicial. Os monstros eram desde zumbis níveis baixos, nas câmaras mais rasas, até espectros amaldiçoados ou esqueletos de guerra nas mais profundas. De acordo com o manual, o boss seria um grande dragão esqueleto com quinze mil pontos de vida, revestido com um manto de espectros imortais que só se desfazia a cada dois minutos, seria algo difícil apara eles derrotarem, se houvesse algum boss. A câmara final estava vazia, apenas com quatro pedestais no centro da sala, dois deles destruídos. Konoe entendeu que deveriam ambos os jogadores colocarem as mãos para que algo acontecesse, talvez isso despertasse o boss acreditava ele, e vendo o que ele fazia, o guerreiro fez o mesmo, e ao colocarem as mãos sobre os pedestais, um ser encapuzado surgiu em um circulo que havia no centro da sala, mas ele permaneceu imóvel, até que Konoe tentou tirar as mãos e viu que elas estavam presas ao pedestal. Um riso baixo e sombrio entoou vindo do ser encapuzado. Ambos os jogadores estavam sem entender até que suas estatísticas de vida, poder de habilidade e vigor começaram a sumir do painel, seguidos pelas informações de nome e nível. Vendo o desespero dos dois, a sombra se aproximou um pouco deles, levantando as mãos para o alto, mostrando um par de mãos esqueléticas, ele começou a pronunciar diversas palavras em um idioma diferente, que não estava sendo traduzido pelo jogo, até que foi possível entender algumas das frases que ele dizia, como: “Está na hora, a semente que um dia brota, agora morrerá em sua agonia eterna”, “as flores do amanhã adubaram essas terras, retornando para onde vieram “está na hora de vocês mostrarem o verdadeiro motivo de estarem aqui, se tornem parte deste mundo e encontrem a saída um no outro”. Enquanto a criatura pronunciava isso, diversos símbolos roxos se formavam entre os vãos das rochas esculpidas no chão. E depois de um intenso brilho negro, Konoe se viu na cidade dos mecânicos, conhecida como Nanoline, suas informações estavam normais, podia ver novamente suas barras de status, exceto pelos atalhos rápidos e pelos ícones de acesso imediato, e quando foi apertar a tecla “esc”, viu que não sentia mais o teclado e o mouse. O que mais o assustou foi que ao tentar tirar o óculos TyE, ele não conseguia, não sentia mais os óculos. Aquilo causou um pânico temporário, mas logo foi surpreendido ao ver a aba indicando que o grupo dele com o guerreiro, cujo apelido era Fenris, o ícone dele havia mudado, antes era uma Espada e um escudo, agora só tinha um escudo com um brilho. Enquanto no de Konoe, o ícone de um arco mudou para o de uma engrenagem. Ele pode pela primeira vez sentir algo no jogo, e era sua mochila, que ao pegar pode ver uma esfera de ferro, com alguns buracos e algumas engrenagens aparecendo, e uma manopla com um símbolo também de uma engrenagem.
Ao tirar a bola da bolsa, Eragon foi surpreendido por vê-la soltando fumaça e abrindo uma parte da frente do corpo, mostrando o que seria um olho robótico, seguido do surgimento de pernas e braços minúsculos que saiam pelas extremidades da esfera. E ao vestir a manopla, pode sentir algo entrando na sua mão e começando a girar. A principio doeu muito, mas logo a dor cessou, e ao tentar disparar algo com a manopla, viu um arco se formando sob a palma de sua mão. Eragon estava se adaptando ao novo equipamento até acompanhar na janela do grupo que a vida de Fenris começou a descer bem devagar, seguida de uma recuperação normal, e se lembrando da ultima frase que a criatura misteriosa disse, sobre encontrarem a saída um no outro, Konoe então correu para o quadro de missão mais próximo e pode ver um pequeno mapa do continente, marcado com dois pontos, um azul e um vermelho, sendo que o vermelho estava em movimento, partindo da cidade Bélica, em direção a onde ele estava. Acreditando que aquele marcador vermelho era Fenris, Konoe anotou o máximo possível do mapa em um papel, desbloqueado nível um em cartografia e desbloqueando também a visualização dos pontos azul e vemelho. Konoe sabia que os monstros no caminho eram de níveis elevados, e que levariam dias até que se encontrasse com Fenris, e para ajudar, não conseguia abrir o menu do portal da cidade, então teria de ser a pé mesmo. E o garoto foi caminhando tranquilamente, durante algumas horas os campos ao redor da onde estava teriam apenas monstros de níveis baixos e não agressivos até que começaram a vir os monstros mais complicados, foi quando viu que sua habilidade de critico havia sido dividida com a de força, e disposto a se contradizer, ele imaginou um grande martelo e assim se fez de sua manopla, um machado incandescente que consumia quinze pontos de poder de habilidade por minuto, e nisso o caminho começou a ficar mais limpo e seu nível foi subindo rapidamente, e o de Fenris também, a cada nível que ele subia, Konoe subia mais um. E depois de dois dias de viagem, Konoe pode ver no mapa que os dois pontos estavam quase próximos, quando uma seta vermelha surgiu em baixo do painel do grupo, como se indicasse para que lado ele deveria ir, e não demorou para que ele visse Fenris vestindo uma armadura branca e dourada, e um grande escudo com o símbolo da capital bélica. Os dois ficaram realmente felizes por se encontrarem, durante todo esse tempo, a única referencia que eles tinham era um ao outro, e mesmo depois de diversas batalhas lutadas no caminho, e de lutas quase perdidas, os dois estavam juntos novamente, agora ambos no nível sessenta. Mas ainda tinham um problema, como iriam voltar ao normal? Konoe se lembrou novamente do que a criatura havia dito na dungeon que eles haviam mudado de classe, sobre terem de encontrar a saída um no outro, até que se lembrou de mais um trecho, onde ele também dizia que: “as flores do amanhã adubaram essas terras, retornando para onde vieram”. Talvez fosse um sinal de que eles deveriam retornar para a dungeon e enfrentar a criatura encapuzada. Fenris nem chegou a discutir sobre essa teoria e já foi indo em direção a onde ficava o calabouço, seguido por Konoe, que sempre comentava algumas coisas, como achava estranha não ver nenhum outro jogador além deles mesmo, ou de como os personagens das vilas, NPC’s, se comportavam de forma mais realista. Chegou até a dizer que achava que o jogo na verdade era mais real do que ele pensava, mas o que o surpreendeu foi a pergunta de Fenris, na qual ele disse: “E se nós estivermos entre a vida e a morte e é este jogo que esta decidindo se vivemos ou não?”. Aquilo fez Konoe parar por um momento, não queria morrer, e nem tinha passado pela sua cabeça tal ideia, mas agora que Fenris havia dito aquilo, tudo passou a fazer sentido, mas não queria deixar esse mundo, e queria poder jogar mais vezes ao lado dele. Ele então resolveu fazer uma proposta, se ambos saíssem vivos daquele jogo, combinariam de se encontrar na vida real. Fenris concordou com a aposta, mas disse que só valeria depois que ambos derrotassem a criatura na dungeon. E na porta do calabouço, ambos viram uma senhora bem velha e baixinha, com a identificação de “Patricia” no nome de NPC, e foram surpreendidos por verem ela falando: “Anima não prende, nem solta, ela apenas traz o que deve ser para que possa ser. Anima vem da alma para o corpo, do mundo para o universo, e para que um viva com o outro, anima é necessária, a alma é necessária.”. Assustados com as palavras da senhora, os dois engoliram seco antes de abrirem os portões da catedral, e deram de cara com a criatura encapuzada, logo no primeiro salão da dungeon. Fenris estourou todos os buff’s que tinha para que pudesse proteger Konoe, enquanto ele usava a manopla para trazer seu golem, o que antes era uma bolinha de sucata, agora era um titã de ferro movido a vapor que estava equipado com as melhores armas disponíveis em suas evoluções, prontas para ajudarem Fenris a distrair o boss. Konoe abaixou os óculos mecânicos em sua cabeça, mostrando as informações do monstro. Seu nome era Unanimo, e o mais assustar era sua vida, sessenta milhões de pontos de vida. Aquilo quase desanimou Konoe, mas ele viu o olhar confiante no rosto de Fenris, e decidiu que se fosse para morrer em batalha, que fosse ao lado dele, pois não teria companheiro melhor para enfrentar a mesma batalha na vida. E assim começaram as primeiras fases de batalha, Konoe havia invocado uma bazuca com sua manopla enquanto seu golem usava um perfurador no braço direito e uma arma de plasma a vapor no esquerdo. Fenris havia pressionado o boss contra a parede, enquanto o golem perfurava a barriga da criatura, causando um aumento de dano continuo. Em poucos minutos de batalha, a vida da criatura já havia atingido a metade, quando o mesmo urrou, lançando o golem e Fenris para longe. Ambos estavam desnorteados. Konoe não podia fraquejar agora, foi quando ele levantou a bazuca para o alto, e uma enorme engrenagem rúnica surgiu sobre sua cabeça, e outra sobre o boss. E foi com um único tiro, que uma chuva de balas começou a cair sobre Unanimo. Sua vida caiu mais da metade, e Konoe se viu desgasto de poder de habilidade, mas por sorte Fenris estava de volta a ativa e seu golem também. Ambos partiram para cima da criatura, deixando-a como apenas cem mil. Era hora de finalizar, os dois já haviam atingido o nível sessenta e quatro, um a menos do nível máximo, e aquela batalha iria dar o ultimo nível acompanhada da saída e eles sentiam isso. E com um golpe de misericórdia, Fenris esmagou o boss contra o chão, usando sua habilidade “verdade esmagadora” que ao se desfazer, dropou dois itens, um chamado de “Chave da Liberdade”, e outro chamado “Cadeado da Libertação”. Fenris segurou o cadeado, e deu a chave para Konoe, que disse: “Você vai me encontrar não vai? Nós vamos nos ver de novo, fora desse jogo! Nós vamos ficar juntos novamente não é?”. Fenris então disse: “Com esse cadeado eu sempre vou estar preso a você, onde quer que vá, você só precisa dessa chave para que possa me encontrar.”. Konoe estava triste e exausto, mas sabia que era hora de ir, e colocando a chave no cadeado, ele girou-a, liberando um enorme brilho que o cegou por um momento, até se ver diante da tela “Você atingiu o nível máximo” acompanhado de uma desconexão. Os óculus TyE ainda marcavam a mesma hora e data do dia em que havia logado no jogo, mas a tela ao fundo estava cinza com uma mensagem de erro no servidor. Ele então achou que tivesse pego no sono, pelo menos teria pensado isso, se não fosse pelo pingente de uma chave dourada em sua mão direita. Ele a apertou com força e sabia que nada daquilo foi um sonho. Mas os dias se passaram e nada de encontrar Fenris, até que um certo dia, na faculdade, Konoe foi surpreendido com a transferência de um novo aluno, que havia se mudado, e sua vaga foi realocada para faculdade dele. O que ele não sabia era que esse garoto acabou sentando ao seu lado, e com todo o respeito, ele se apresentou: “Muito prazer, eu me chamo Fernando, mas alguns amigos me chamam de Fenris, é um prazer... Nossa que legal, você tem um pingente de chave que se parece muito com o meu de cadeado.”. Ao ver aquele pingente, Konoe quase se deixou sirtar de alegria, mas ele já sabia, pois é como um trecho do que aquela senhora disse: “Anima não prende, nem solta, ela apenas traz o que deve ser para que possa ser. Anima vem da alma para o corpo, do mundo para o universo, e para que um viva com o outro...”.
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