(In)sensível
1 (In)sensível
Notas iniciais
Becos desertos eram assustadores. E ficavam ainda mais assustadores quando estava de noite, você estava sozinho e sendo procurado por comensais da morte e sequestradores que ganhariam uma boa quantia pela sua cabeça.
Perigo. Rony Weasley podia sentir o perigo na névoa fina que cobria a superfície daquele chão frio e cheio de lixo. Os passos ecoavam ao longe, o cheiro de bebida e drogas enchia seu nariz. O cheiro do crime.
Os passos chegavam cada vez mais perto. Rony respirava e se mexia cada vez menos. Dez segundos foi o tempo necessário para pegar sua varinha e fazer um feitiço de camuflagem. Eles viraram o beco sem vé-lo. Ele se salvou. De novo.
Quando sentiu que estava seguro, ele parou de se camuflar. Tremia de frio. Suas roupas rasgadas não ajudavam em nada.
Talvez ele não estivesse daquele jeito se tivesse ouvido Hermione algumas horas atrás, quando seus olhos estavam cheios de lágrimas e ela pedia que ele não fosse imbora. Se não tivesse sido egoísta e guardado seu sentimentos só para si. Ele ainda estaria tremendo de frio, é claro. Também estaria se sentindo mal, torturado, desesperado. E ainda estaria correndo perigo. Talvez não tivesse tanta diferença assim.
Mas ele fracasou. De novo.
Ele ainda se lembrava daquele medalhão. Apertando sua garganta, seu pesadelo. Era como uma droga. Suas ilusões. Ele não queria se livrar delas, queria saber da verdade oculta de sua vida, não queria mais ser uma sombra.
Suas lembranças vieram a tona ao usar o medalhão. Ele tentando se destacar entre seus seis irmãos muito mais habilidosos do que ele. Ele tentando ganhar algum mísero tempo com seu pai, que trabalhava incansavelmente em seu mísero emprego. Chorando após uma brincadeira de Fred e Jorge, lhe dizendo que seria um aborto mágico. Tentando ganhar algum dinheiro vendendo seus sapos de chocolate para ajudar a comprar os livros de seus irmãos mais velhos. Planejando resgatar Harry da casa de seu tios que o maltratavam. Dizendo a Sirius Black que teria que mata-lo caso quisesse matar a Harry, quando acreditava que ele era um assasino. Se frustando por Hermione não acreditar que ele foi monitor junto a ela. Se sentindo humilhado pelos insultos de Draco Malfoy, outra alma desesperada. Tentando ir bem como goleiro no quadribol enguanto tremia de medo de ir mal. Não conseguindo fazer nada além de se preocupar com Harry quando o amigo estava em uma missão com Dumbledore.
Garoto insensível.
Talvez Hermione estivesse errada quanto a isso.
Alguém o vigiava ao longe, a perdição. Deseperado, fez uma magia que mudava a aparência. Um bar de esquina lhe serviu por um momento. O cheiro de bebida lhe trazia de volta para o seu passado em que era comum conviver com pessoas, ultimamente só convivia com seus dois melhores amigos atormentados.
O dono do bar lhe ofereceu a cura de sua aflição e a de tantos outros. Ele recusou, drogas só o deixariam mais pertubado. Nunca seriam uma cura. Mas o que seria, então? Porque era tão difícil para ele se abrir? Ser o que era por dentro?
Vulnerável e traiçoeiro. Era como ele se sentia. Porque aquilo o afetou tento?
Seu melhor amigo estava naquela barraca fria agora, o peso das mortes em suas costas. Sua paixão buscava respostas que pareciam não existir. Talvez pensassem que ele nunca voltaria. Insensível.
Claro que ele iria retornar, só desejava ficar um tempo sozinho, pelo menos uma vez. Sem Hermione, sem Harry, sem ninguém. Talvez o medalhão que desejasse isso por ele.
Se ele sentia as coisas com tanta intensiade, talvez não fosse exatamente fraco. Porque teria um covarde na grifinória, afinal?
Egoísta, desleal… Ele não era assim.
No final faria o certo, voltaria para seus amigos, mesmo ferido e perdido, ele retornaria. Mesmo que aquilo significasse ouvir aquele maldito rádio para saber se sua familia estava bem, ou voltar a usar aquele maldito medalhão. Mesmo que Hermione fosse querer matar aquele garoto sensível.
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