Insanity

1 Prólogo.


Notas iniciais
Espero que tenha paciência e que aproveite a leitura!

Insanity,
by Bebells
Prólogo.

A dor sumiu. Não sentia mais nada. Eu não precisava. Encarei tanto aquela luz branca que quase me cegou. Mas era tudo tão divino. Eu não estava com medo de nada. Eu precisava ir em frente. Eu precisava. Mas a morte parecia ser tão boa, ela me chamava, ela era minha amiga...

ANOS ANTES

A quinta vez que mudo de colégio em três anos. Quando tudo começa a dar certo com alguém ou alguma coisa, eu tenho que me mudar. Minha mãe não conseguiu mais se acertar na vida depois da morte do meu pai quando eu tinha treze anos. E agora, três anos depois, minha mãe virou uma vagabunda de esquina, dependente química com dois filhos pra criar. Dois filhos, gêmeos de dezesseis anos pra criar.

Não posso dizer que eu levo uma vida fácil. Normalmente, eu tenho que ser a mãe da casa. Na verdade até já tirei minha mãe de algumas encrencas por causa de drogas. Já tive que dormir com um cara para ele deixa-la em paz. Mas, além disso, sou eu quem cuida do meu irmão. E é meu irmão quem cuida de mim. Eu daria a minha vida por ele. Qualquer coisa.

Isso cansa, e muito. Sempre mudando. Nunca paro no lugar. Mas apesar de já ter passado por cinco cidades de cinco estados diferentes, uma coisa eu percebi. As pessoas são sempre as mesmas. Tanto como aparência e como espiritualidade. É tudo igual mesmo sendo diferente. Pessoas que se importam apenas com o que vestem e como devem ser vistas em sociedades, do que se importar com o que vem a seguir. Ou seja, a elegância é apenas por fora. Pois por dentro, não existe nada.

Toda a vez que escuto o sino da igreja tocar as sete da manhã arrependo-me amargamente de ir dormir tarde. É incrível. Preciso sempre de um bom e forte café preto pra ficar acordada até a hora do almoço, pelo menos.

Sempre levanto primeiro. É bom, afinal, o banheiro é todo meu. Demoro normalmente, 30 minutos pra me arrumar. Não é fácil ajeitar minha juba de leão e ainda pintar os olhos. Saio do banheiro e dou de cara com meu irmão dois minutos mais velho que eu. Acho que nem enxergando direito ele está de tanto sono. Entra no banheiro e ainda fecha a porta com força. Chegou até dar um choque de realidade.

PAM!

Outro dia começou.

Aquele movimento de sempre. De fundo, dá pra se ouvir sirenes de policia ou de alguma ambulância. Crianças a todo o vapor gritando e brincando. Adolescentes da minha idade correndo em direção ao portão da escola, todos animados pelo primeiro dia de aula. E no meio disso, eu... E meu irmão, é claro.

A poucos metros da escola, eu paro. Meu irmão para junto. Lança-me um olhar reconfortante, me puxa pra um abraço e dá um beijo da minha testa. Conheço-o desde que nasci e sei o que ele quis dizer com tudo isso.

“Estou aqui para o que der e vier.”

Eu suspiro. Que vida...

Odeio começar em escola nova. De verdade. Nem eu e nem meu irmão conseguimos nos adaptar direito em alguma. Ou quando estamos quase lá, nos mudamos. É um saco. Espero que pelo menos uma vez na vida, minha mãe não se meta em encrencas... Grandes.

E pelo jeito, essa escola publica que fica no norte de Los Angeles tem uma tradição. Teremos aulas normais até o intervalo e depois tem algumas atividades de interatividade para os alunos. Principalmente novatos... Idiotice, em minha opinião.

A pior das piores coisas em uma escola é o recreio. É nessa hora que você percebe quem é quem, e o quanto as escolas são cheias de animais selvagens em busca de comida, ou uma boa mesa para sentar, apenas para jogar o cabelo para o lado e dizer o quanto é maravilhosa (o).

— Alunos e alunas – E começou... – Primeiro dia de aula, todos sejam bem-vindos. E como alguns conhecem, temos uma tradição nesta escola. Com o objetivo de interatividade, iremos fazer alguns jogos para vocês. E para começar, iremos separa-los em cinco grupos diferentes. – Eles devem pensar que temos cinco anos de idade. Só pode. – Olhe para a cor da sua faixa que as meninas lhe entregaram e venham até os seus representantes aqui do lado do palco. Se divirtam e boa sorte.

Adivinhe, eu e meu irmão nos separamos. É. Ele é vermelho e eu azul. Que maravilha.

- Ei, coisinha loira – Espero que não tenha sido comigo. – Ei guria! – Pelo cutucão que levei nas costas, foi comigo. – Você é do nosso time. Seja útil e vai sentar na arquibancada.

Se assim serei útil, que assim seja.

De qualquer maneira, não fiz questão nenhuma de prestar atenção no que estava acontecendo. Era ridículo. Como que as pessoas naquela escola aguentavam? A diretora era uma senhora que não dou um dólar por ela, e junto, tinha um ajudante. Coitado. Deviam transar. A escola tinha uma aparência antiga demais, como se tivessem construído onde já fora uma prisão. E os alunos, pareciam vir de fábrica, todos iguais, só mudava a cor do cabelo, mas a essência igual. Que tortura...

Observei meu irmão de longe. E já dava risada com mais um garoto. Ele sempre se dava melhor com as pessoas do que eu. Tinha essa facilidade. Era um loiro alegre, nas horas vagas. Mas não tenho o que reclamar dele, ele sempre me cuida. E eu cuido dele, é claro.

Eu estou sentada na arquibancada, apenas mexendo a cabeça de um lado para o outro pra acompanhar alguma coisa que esteja acontecendo, tentando achar o interessante dessa competição. Minha nossa, que calor que faz esse ginásio. Odeio suar. Odeio fedor. E pra variar, do meu lado tinha um gordo, que recém chegou de um jogo de futebol... E que fedor. Eu me recuso a aceitar isso.

Acho que na hora que levantei pra ir embora, esbarrei em uma menina loira e sem querer — querendo — acabei derrubando o líquido que ela tinha em mãos. Parei, olhei. E dei de ombros. A menina estava a fim de gritar. Apenas virei de costas e sai. Quando cheguei ao topo da arquibancada, ouvi um grito. Que dó...

Devo ter ficado uma meia hora sentada em um dos corredores da escola, afinal, nenhum dos alunos tinha a permissão de sair da escola enquanto aquela gincana não acabasse.

Tédio.

Sorri de canto lembrando uma frase de um amigo não mais amigo da escola de Nova Iorque: “sabe por que as pessoas bebem? Pra aguentar a vida. Beba e viva”.

- Oi, maninha. – Naruto sentou do meu lado me oferecendo uma coca cola. Cadê o álcool?

- Olá. Também não aguenta mais isso?

- Não, e o pior é que isso é em todas as escolas que vamos. Acho que a melhor até hoje foi a do Texas...

- Você só gostou porque tinha aquelas líderes de torcida rebolando e esfregando os peitos e a bunda bem pertinho de você.

Ele deu risada – Verdade. Mas e você, vai se isolar de novo?

- Bom, digamos que meu primeiro dia nunca é tão bom assim.

É tão bom sentir o abraço dele. Ainda bem que o tenho. Não sei o que seria de mim sem ele.

Notas finais
Bom, foi isso. Espero que tenham gostado pelo um pouquicho, sabe?
De qualquer maneira, se gostou, fique a vontade de comentar, favoritar e blablabla (só se quiserem).
Mas enfim, abraços.
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.