Insanity

22 Cara a Cara com o Inferno


Notas iniciais
Prometo responder os comentarios logoooooo espero que gostem anjosssss Boa leitura!

Cara a Cara com o Inferno

O corredor estava tão vazio de quando me lembro, ao som dos meus suspiros falhos e do meu choro esganiçado, tentei me esconder o máximo que eu podia. Entrei pela primeira brecha que vi e corri até lá. Envolvi meu rosto com as mãos e me deixei chorar, pelo menos isso. Deixei para lá aquela armadura que vesti na sala de Forward, deixei por um segundo me tornar frágil.
A primeira coisa que passou pela minha mente era como tudo isso era minha culpa. Absolutamente tudo. Eu nunca teria passado por uma situação daquela se eu tivesse sido mais esperta, mais profissional.
O que iria acontecer com Landom agora? Forward deixou claro que nunca deixaria ninguém atrapalhar o seu futuro, qual fosse o relacionamento entre os dois, estava claro que havia mais favores e confraternidade do que eu podia saber. Havia algo no passado de Landom que ele ainda não havia me contado, passado esse que Forward participava. Qualquer que seja seu significado, eu estava totalmente fora desse circulo. E isso me machucava mais do que a descoberta do meu envolvimento com Landom. Eu estava fora.
– Eu fui tão burra... – resmunguei para mim mesma, chutando a parede com fúria e voltando ao corredor.
Como eu tinha me deixado levar? Estava claro que uma hora ou outra Prof. Forward saberia. E o que ele faria? Exatamente o que tinha feito. Talvez pior do que imaginei. Tratando-me como uma daquelas garotas que dão em cima de seus professores afim de ganhar pontos extras para fecharem o semestre; ele não me conhecia o suficiente para dizer tamanha mentira. Eu tinha que ter ouvido tudo aquilo calada?
Eu fui tão burra. Cega. Estúpida. Eu não deve...
Sofri um leve puxão e virei-me com tudo para trás. – Precisamos conversar. — alguém disse em alto e bom som.
Era Landom Bale. Eu teria ficado contente por ele ter vindo atrás de mim, mas levando em conta da sua expressão, da fúria que carregava em seus olhos e do que eu havia dito na ultima vez que eu tinha olhando para ele, eu fiquei assustada.
– O quê? O que você quer?
– Uma explicação.
– Já te dei uma. – eu me soltei. – Vamos ser maduros, Landom. Cada um segue seu caminho.
– Foi a coisa mais idiota que já ouvi na vida. – ele bufou.
– Bem, essa idiotice é a única coisa que tenho para te dizer. Tenho que ir agora, tenho aula.
– Não tem não. – ele resmungou. – Seja franca comigo, Bella. Tudo que você disse ali foi uma maneira de deixar Forward menos furioso.
Eu não respondi.
– Não tem verdade alguma.
– Ah, e como você sabe disso?
– Eu sei quando você mente. – disse, próximo. – Você sempre se segura firme, tentando parecer convincente, limpa a garganta antes de falar, acha que conseguindo dizer em alto e bom som conseguirá convencer melhor. Mas não a mim. Dê-me algum crédito, eu te conheço.
– Pelo amor de Deus, vamos esquecer isso.
– Então me dê um motivo convincente.
Engoli em seco. De tudo que eu já havia dito ele queria algo mais? O que mais eu diria? Não estava estampado no meu rosto que eu queria distância?
Hm, claro que não estava, porque eu não queria. Eu sou tão fraca. Queria dizer a ele que sim, eu o amava, queria dizer o "também", que era recíproco, que eu nunca tinha sentido isso por ninguém, nunca tinha passado pela minha mente se apaixonar tão rapidamente por alguém. Mas foi assim, lento e gradual, um pouco mais rápido que o normal, me apaixonei pelo o cara que acabei de destruir seu futuro.
Eu tinha que tomar uma atitude definitiva.
– Já lhe dei o suficiente, Landom.
– Tudo que você me disse soa tão falso, Bella. Essa pessoa não é voce.
– Nos conhecemos em algumas meses Landom e não em anos. — relutei.
– Bella, ouça-me. — disse. — Você me ouviu dizer as palavras não ouviu? "Aquelas palavras"! Você sente a mesma coisa que eu sei.
Ah, eu iria quebrar seu coração, mas era a única forma de manter suas chances aqui intactas. Eu não queria isso.
– É tarde demais. — sussurrei. Seus olhos pareciam tão incrédulos, acusando-me de uma falsa verdade, tentando observar meu passo em falso, tentando encontrar uma brecha da minha mentira. Eu não podia continuar aqui, não podia continuar falando como se houvesse alguma verdade nisso. Eu tinha que ir. — Agora me deixe em paz. — quase gaguejei, tentando me obriga a não chorar. — Você deve ter alguma tutoria agora, alguma turma para lecionar. Se eu fosse você aceitava o convite do Forward
Ele bufou.
– Não é sobre isso que eu quero conversar, Bella. Você sempre toma as decisões sozinha. Nunca é sobre o que nós pensamos.
– Não existe mais nós. – eu gritei. – Por favor, me dê um tempo. Por favor, apenas me deixe ir. Me deixe ir. Esqueça. Esqueça! — não fui forte para impedir que uma lágrima caísse, mas a limpei a tempo antes que outras a acompanhassem.
Landom ficou quieto, olhando-me quase enlouquecer. Eu queria meu quarto, queria me enterrar na minha cama e pensar sobre coisas avulsas, qualquer que fosse, ligar para minha mãe, ouvir as novidades da escola da minha irmã, encher minha cabeça de besteiras e poder dormir em paz. Eu queria por um dia tirar todas essas frustrações da minha cabeça. E ao mesmo tempo queria dizer a ele que o amava, mas não queria ter o risco de Landom perder sua única chance na universidade, ele era um formando e Forward era aquele que abriria as portas.
– Bella...
– Por favor. — sussurrei.
Ele suspirou, fechou os olhos por um longo segundo antes de abri-los para mim, azuis e intensos.
– OK. Você está livre para ir. – foi a ultima coisa que me disse.
Confesso que nunca esperei que esse momento chegaria. Eu tinha implorado para que ele me deixasse ir e agora que havia me dito as palavras, era como se eu nunca quisesse deixá-lo. Por mais intimo que fosse, por mais profundo que fosse, eu não queria ir embora, queria que ele me tomasse nos braços e dissesse que nunca iria desistir de mim não importando o que eu fizesse, o que eu dissesse, ele sempre seria aquele que nunca desistiria, nunca me deixaria ir.
Mas, dessa vez, ele me deixou ir. E eu fui, engolindo em seco, engolindo as dores e as vontades de voltar e dizer toda a verdade, eu fui. Quanto mais longe eu ia, mais sentia que iria despencar a qualquer momento.
O sofrimento parecia preso na garganta, prestes a explodir, as lágrimas enterradas esperando a abertura certa para despejarem. Eu havia conseguis definitivamente o que eu estava procurando, não o que eu queria, mas sim o que procurei. Landom tinha desistindo de mim e parecia que meu coração estava sendo arrancado por lobos.
Era possível sofrer mais do que isso por alguém que você mal conhecia? Parecia que era.
Mal mantive minha concentração quando esbarrei em alguém. No terceiro corredor a direita, há alguns metros da escada e para o corredor dos quartos, eu vi o inferno cara a cara.
– Bella? Bella Boehm? — sua voz tinha a mesma sonoridade de que me lembro e isso torturava a minha alma. — Você estuda aqui?
Minha garganta secou.
– S-Scott? Que-que que você ta fazendo aqui?
Aquele mesmo par de olhos castanhos, observadores, admiradores, mas agora não faziam meu coração acelerar daquele jeito. Agora apenas de susto.
– Estou fazendo uma visita. Meu pai se separou de novo. — ele revirou os olhos. — Você se lembra da barra.
– Ele não está mais com a Sue?
– Ah, não. Faz um mês. — ele explicou.
– Sinto muito. — mesmo que ele não parecesse sentir, tive que dizer.
– Está tudo bem. — ele deu aquele sorriso de ponta a ponta que eu adorava. — Então é isso... A mesma coisa de novo. Tivemos que mudar os planos. Ele arrumou uma transferência de trabalho e viemos para cá. E nesse momento estou conhecendo a faculdade para estudar.
O meu queixo caiu um metro. Scott iria estudar aqui? Na minha mesma faculdade? O que o destino estava planejando? Que eu me ferrasse de vez com a volta do meu pesadelo do passado?
– E-estudar? Aqui?
– É. Meu pai disse que é uma das melhores e parece mesmo. — ele deu uma olhada em volta.
Eu tinha que acordar, só podia ser um sonho, ou pior, um pesadelo.
– E você? Esta aqui há muito tempo?
Pensei em me beliscar, mas soaria estupido fazer isso depois de vê-lo em carne e osso na minha frente. E ainda falando do mesmo jeito que me lembrava.
Despertei.
– Dois meses. Jornalismo. — fingi um falso sorriso.
– Que legal. Muito legal mesmo, você estudar aqui. Está gostando?
– Ah, sim, muito. — tirando o fato que acabei de perder meu namorado e ganhei um ex que partiu meu coração, o resto está ótimo.
– Isso é bem legal, vamos poder nos ver todos os di... Ei, estava chorando?
Franzi a testa. Senti minhas bochechas arderem? Como ele havia percebido?
– Ah, não, não. — tentei pensar em alguma mentira. — Eu estava na biblioteca e você sabe como sou sensível a poeira. Acho que ardeu os olhos também.
Scott era várias cabeças mais alto do que eu, estava até mais forte, mas ainda tinha aqueles olhos observadores de que me lembro, daquele meu amigo fiel que eu conhecia.
– Tiara ficaria louca se te visse assim, ela já iria de entupir de remédios. — ele riu. Sorri rapidamente. — Ah, sabe o que seria legal agora? Já que você conhece o lugar melhor que eu, bem que você podia me mostrar tudo, o que acha?
Lembrei-me do Trey. Ele não deve ter tido absolutamente nenhuma ajuda dele, afinal o que ele tinha o Trey não fazia questão... Espere, ele quer que eu mostre o lugar para ele?
– Agora? — pense em algo para fazer... pense em algo para fazer. — Estou tendo tutoria. Meu professor de economia me concedeu uma segunda chance para o teste que perdi. Sempre tenho hora marcada. Falando nisso estou atrasada. Desculpe.
Ele fez uma careta.
– Ah, tudo bem. Eu me viro.
– Sinto muito mesmo. — no fundo não sentia nada, só queria fugir dali.
– Está tudo bem. Boa sorte com o teste.
– Obrigada. Ah, e seja bem-vindo. — eu me afastei, sorrindo como uma maluca ganhando liberdade.
– Te vejo por aí.
Eu acenei. Quando me virei para partir, pude dobrar o próximo corredor e correr. Eu tinha que contar a Sierra. Tinha que contar a história toda ou eu explodiria por dentro. Não bastava tudo que me acontecera na sala do Forward e meu término definitivo com o Landom, eu teria que aguentar a chegada do Scott na faculdade? Isso era alguma maneira de me fazer ficar pior do que eu já estava? Pois se fosse, estava funcionando muito bem.
Corri o máximo que pude, pulei alguns degraus quando cheguei as escadas e disparei para o quarto de Sierra. Por sorte, Candice poderia estar lá e eu contaria tudo de uma vez a todas elas. Antes de me trancar no quarto e chorar, eu precisava de uma noite das garotas. O destino parecia estar fazendo a travessia, entre mim e Landom, entre mim e Scott, até onde isso iria chegar?
Mal respirei quando aproximei-me da porra de Sierra. Bati quatro vezes desesperadas e ela foi aberta. Eu estava certa, todas estavam ali fazendo alguma espécie de dia de beleza com vários esmaltes e cremes espalhados pelo carpete.
– Que cara é essa, Bella?
– Parece que viu um fantasma! — America disse, atendendo a porta para mim.
– Foi quase isso. Acabei de destruir meu futuro e para piorar, eu vi alguém que fez a mesma coisa comigo... mas no passado.
– Dios mio, chica, diga logo ou vamos ter um ataque.
– Okay. — suspirei. — Forward descobriu tudo. E acabei de me encontrar com o Scott.
Essa seria uma tarde longa e uma noite pior ainda.