Insanity
7 A Garota da Livraria
Notas iniciais

A Garota da Livraria
A Sra. Brittson estava retirando seus pertencem do balcão onde, a partir de hoje, seria o meu local de trabalho. Não era muita coisa, agora eu era a nova garota da livraria da Open Page da família da Candice, de qualquer forma, era melhor do que servir bebidas ou agüentar mulheres me enchendo a paciência para pegar roupa, provar roupa e guardar roupa. Este era o trabalho perfeito.
– Está indo bem, mãe. – eu disse numa segunda tentativa.
Tiara tinha deixado uma mensagem no meu celular quando acordei esta manhã, depois dos meus sonhos proibidos com o Landom, estava escrito que eu precisava retornar a ligação urgente. Preferi fazer isso enquanto esperava a Sra. Brittson.
– Ah, Bella, você mal me dá noticias, nem telefona para o seu pai, qual te deu um cartão de créditos sem limites. Você poderia comprar um carro, se quisesse.
– Mas não quero. – minto, eu quero, porém, menos com o dinheiro do meu pai.
– Ele esperava que você fosse pelo menos avisá-lo sobre as aulas, ou as matérias.
– Mãe... – resmunguei. – Estou aqui a uma semana, quando tiver algo legal para falar, eu direi.
Ela suspirou no telefone.
– Certo, agora seja mais legal com ele, e por favor, me ligue pelo menos uma vez por semana, só estou pedindo uma.
– Tudo bem, mãe, desculpe, essa semana passou tão depressa que nem vi o tempo correr, desculpe mesmo. – olhei pela janela, observando o trafico.
– Está tudo bem. – ela disse, mais calma. – Mas então, está gostando das aulas?
– Meus professores são otimos, tirei A num trabalho sobre imperialismo, estou gostando bastante. – disse evitando contar certos detalhes.
– É maravilhoso. Você está gostando das pessoas? Elas são legais?
– São, minha colega de quarto é fantastica, vou trabalhar na livraria da família dela. O melhor emprego que eu podia ter. – me encostei na vidraça estendida.
– Sério? Estou tão orgulhosa de você Bells, seu pai certamente deve estar. Procure ligar para ele, tudo bem?
– Ok, vou arrumar algum tempo. – eu disse, sem muita vontade. – E Kate? Vocês estão se virando aí?
Mamãe suspirou.
– Estamos indo, Kate está com saudade, não menciona nada, mas eu sei que ela morre de saudades.
– Eu também estou, quando aparecer algum feriado prolongado, eu estarei aí o mais rápido possivel. – eu a confortei, sentindo o mesmo principio de saudade apertar o peito.
Ao mesmo tempo que um carro buzinou do outro lado da rua, a Sra. Brittson apareceu meio atarefada ao meu lado.
– Está tudo pronto. – ela me avisou com um sorriso animado no rosto.
Acenei para ela concordando.
– Mãe, tenho que desligar, estou no meu horario na livraria. Te ligo quando puder
– Tudo bem. Boa sorte.
– Obrigada. Sinto sua falta.
– Eu também. – e desligamos.
Voltei-me para o balcão mais do que organizado, a Sra. Brittson estava ajeitando os ultimos detalhes antes de me aproximar.
– Era sua mãe? – ela me perguntou com educação.
– Era sim. Estava perguntando sobre a faculdade.
– Imagino. Ela deve estar preocupada com a distância. – ela completou me olhando. – Pronto. Deixei tudo ao seu alcance, você se lembra do que eu disse?
Eu fiz que sim com a cabeça.
– Se eu não tiver certeza sobre algum livro, entro no computador e digito o nome que ele instantaneamente irá procurar nas prateleiras. No caso de algum pedido, eu anotarei no bloco. Se alguém tiver que entregar, terei que procurar as fichas na... – tive um segundo de duvida. – Nas fichas embaixo do balcão.
– Ótimo, se você se lembrar disso tudo, se sairá mais do que bem.
Ocupei seu lugar atrás do balcão e pude sentir as primeiras reações de ansiedade. Era minha primeira vez em um emprego e se tornava cada mais difícil. Era só esperar que tudo desse certo no final.
– Candice disse que passará aqui depois dos testes, ela vai te ajudar, não se preocupe, você se sairá bem, qualquer coisa me ligue.
– Tudo bem. – digo, enrolando os cedos entre si e acenando para a Sra. Brittson.
– Ok. Boa sorte, Bella.
Ela sorriu grande enquanto ajustava os oculos e tomava-lhe os pertences, como a bolsa que segurava nos frágeis ombros.
– Ah, Sra. Brittson. – eu a chamei de repente.
Ela ergueu a sobrancelha para mim.
– Queria agradecer pela oportunidade, sabe, de ter dado o emprego para alguém sem experiência.
– Eu sei que você será ótima Bella, o prazer foi todo meu.
Ela se despediu e eu fiquei para trás com as diversas prateleiras, a central de ar congelando meu cérebro e meus dedos tremulos agarrados entre si. Esse dia seria não apenas longo, mas ansiosamente dificil. Segurei o bloco que a Sra. Brittson havia me dado e começei a folhear as páginas, deveria ter alguma coisa aqui que me deixasse mais tranquila, como algum pedido, alguma advertência para que eu já soubesse por onde começar. Não havia nada para esse dia, exceto para os próximos. Deixei o bloco de lado e resolvi tentar conhecer o programa que se usava para buscar livros cadastrados na livraria. Passo a passo, não tinha como eu errar, era só escrever o nome do espaço em branco onde dizia “pesquisar” que automaticamente apareceria o número e a sessão em que o livro se encontrava. Eu podia agora respirar com mais facilidade.
Ou não.
Quem eu estava enganando, toda essa frustração tinha duas palavras. Landom Bale. Eu queria vê-lo, queria poder olhar para ele, queria tudo isso e mais um pouco. Mas me borrava de medo. Certo, eu não podia estar tão eufórica para ver alguém que eu mal conhecia, mas eu estava. Meus pensamentos vagavam pelo toque do seus lábios no meu e eu não conseguia não sorrir com o sabor que ficou nos meus pensamentos.
Por favor Bella, você não é mais uma adolescente do ensino médio. Respirei firme e tirei esses pensamentos da minha mente.
Dentre os próximos minutos que se estenderam, eu pude finalmente relaxar com o silencio que se percorria, exceto pelo rádio pequeno e até um pouco velho onde uma musica desconhecida tocava no volume baixo, apenas para se ouvir quando estivesse tão silencioso como está agora. Deixei de lado meus pensamentos por um milésimo de segundo (os que clamavam por Landom) e a porta fez o barulho de aberta, um grupo de adolescente entrou disperso e com conversas paralelas, olharam para mim muito rapidamente e se dissiparam com as mesmas conversas. Pelo menos eles me darão um tempo para relaxar.
Fiquei observando o grupo entre as prateleiras, pegavam, liam as capas e devolviam os livros freqüentemente, até que um deles parece ter achado o que procurava. O garoto devia ter quinze anos, deveria ser alguns centímetros mais baixo e parecia tímido quando chegou perto do balcão.
– Qual o preço desse?
Eu segurei lentamente o livro em minhas mãos e procurei no computador, percebendo que eu estava mais tranqüila do que imaginei que estaria, ao invés do garoto.
– Dezoito pratas. Vai levar?
Ele fez que sim com a cabeça e puxou a bolsa das costas. Eu teria rido com a sua dificuldade, se eu não tivesse muito ocupada olhando para a porta recém aberta. Landom estava sozinho e parecia ter acabado de sair da faculdade, ele tinha a bolsa pesada nos ombros, o cabelo desgrenhado talvez por causa do capacete e usava óculos de grau quadrados que lhe caía muito bem, era uma parte mais séria do Landom que eu nunca tinha visto. Quando a porta se fechou ele se virou para o balcão e nos encaramos, meio tímidos, meio surpresos.
– Aqui. – o garoto me despertou.
Pisquei algumas vezes e peguei as notas, contando o troco logo em seguida. Devolvi cinco pratas.
– Obrigado. – ele sorriu antes de juntar-se aos seus amigos com o livro embrulhado na sacola.
Acenei de volta. Tudo bem, era apenas o Landom e eu tinha que manter minha integridade como se nada tivesse acontecido. Como por exemplo pensar nele desde que abri os olhos esta manhã. Além daquele terrível (porém delicioso) sonho que eu nunca deveria ter sonhado, eu estava corando agora só por lembrar disso. Ouvi o baque logo em seguida do meu receio, Landom tinha se aproximado do balcão e colocado o capacete em cima dele.
– Não sabia que estava trabalhando aqui. – ele disse primeiramente antes de eu encará-lo.
Olhos rasos de tão azuis que eram.
– Consegui a vaga hoje. – disse-lhe tentando não parecer nervosa. – A Sra. Brittson é mãe da minha colega de quarto, então...
– Isso é legal. – ele sorriu de lado a lado. Meus batimentos cardíacos aceleraram.
Meu coração podia ser mais fraco que isso?
– E está gostando? – Landom colocou os braços em cima do balcão e se apoiou. Uma mecha do seu cabelo estava fora dos outros fios e isso me atentava a tirar, mas segurei firme meus dedos.
– Até agora, sim. Mas estou um pouco nervosa. – confessei.
Landom sorriu de novo e por um breve segundo ele encarou o grupo de adolescentes do lado direito. Era o momento exato para poder mirá-lo e não parecer insana. Mas eu não podia negar, toda aquela masculinidade, o rosto firme, o maxilar trincado, o nariz simétrico e reto, os lábios deliciosamente carnudos um pouco para não confundi-lo com Christian Bale ou mesmo uma missigenação com Ian Somerhalder. O cabelo tão liso e absurdamente negro trazido para trás em gestos delicados, sem contar os olhos, azuis, ímpetos, marcantes. Landom Bale não era apenas um homem charmoso. Era O Homem de todos os sonhos fantasiosos das mulheres.
– Você está fazendo sucesso. – ele se virou para mim rápido de mais. Queria ter tido mais tempo para admirá-lo.
– O que disse?
– Acho que você tem um fã clube. – ele olhou sorrateiramente para o lado e depois me encarou.
Ele estava falando de três garotos encostados na parede e conversando, mas olhavam para a mim cada gesto, um deles sorriu e se virou para seus amigos, como se fosse um meio de não parecer ter sido pego.
– Eles estão apenas...
– Te encarando. – ele me completou. – Que insanidade, nem disfarçam. Nem passa pela cabeça deles a ideia de eu poder ser seu namorado.
Eu corei.
– Podemos mudar de assunto? – quase implorei.
Landom me encarou.
– Como queira. – disse-me sem perder o divertimento. – Como você está? Não a vi no campus desde o final de semana.
– Estava na casa de America. – respondi, sem querer dar detalhes ou nos fazer mencionar aquela trágica noite.
– Achei que tivesse me ignorando.
Eu o olhei logo em seguida, pasma.
– Eu? Nunca.
– Ainda bem que não. – encarou o nó dos seus dedos. Agora só havia um arranhão para lembrar das evidências. – Fiquei pensando que tinha sido por causa do que eu fiz.
– Do que você fez? – agora eu estava completamente perdida.
– Sim. De eu ter te beijado.
Minha pele esfriou num segundo e perdi toda a serenidade de pensar numa explicação lógica e adequada.
– No fundo não me arrependo de nada. Mas se fosse esse o motivo, de você ter me evitado, eu realmente me arrependeria de ter causado algum pensamento sobre mim a você, não queria ter sido indelicado.
– E não foi. – disse-lhe no pesado silencio que eu fiquei. – Não há nada para se arrepender, eu apenas não estive no campus, não o ignoraria.
Landom me observou dizer.
– Sem arrependimentos? – ele perguntou sujestivamente.
– Sem arrependimentos.
– Então sairia comigo se eu a convidasse?
Eu não tinha uma resposta para essa pergunta e agradeci quando a turma de adolescentes se aproximaram. Landom e eu trocamos olhares, o meu era confuso e o dele era completamente objetivo.
– Eu te encontro no campus então, você me dá a resposta depois. – ele piscou para mim e pegou o capacete de cima do balcão.
Eu o vi sumindo aos poucos e tive que evitar todos esses pensamentos confusos para atender os adolescentes que me esperavam. Tirando a conversa com Landom, o resto do meu dia na livraria tinha sido cansativa, lenta e sem pensamentos conturbados.
Kayle apareceu alguns minutos depois que fechei a livraria junto com Candice, que chegou na ultima hora. Ela me ajudou com a fechadura e lhe entreguei a chave, meu dia finalmente tinha chegado ao fim aqui. Quando entramos no carro, eu não pude não falar sobre Landom.
– Ele te convidou para sair? Com todas as letras? – Kyle me perguntou aparentemente mais animado que eu.
– Yeah, ele me convidou.
– E por que a cara de enterro? – Candice resmungou indignada. – Landom Bale acabou de te convidar para sair e você está parecendo que prefere enfiar a cara no vaso e beber agua da privada.
– Ah, céus, não é isso. Mas não tenho certeza, estou nervosa. Como vocês disseram, é Landom Bale.
– E você é Bella Boehm.
Revirei os olhos para Can.
– Vocês não entendem. – começei a roer a unha do meu dedo midinho. – Sou a novata. Ele é... veterano. Literamente “O Veterano”, o mais gato e mais chamoso. Por que ele estaria interessado em mim?
Apesar de não entender o motivo de Landom ter se interessado por mim, eu ainda pensava na noite anterior. Ele tinha me salvado das tentativas exacerbadas de Trey tentar transar comigo e tudo que eu sentia era meu estomago embrulhado e vergonha. Landom queria realmente sair com essa garota?
– Não faça drama Bella, você é maravilhosa.
– Lady Bella, me escute. – Kayle moveu os olhos para mim. — Vai atrás dele e diga sim, se rolar algo mais, ótimo, se não rolar, você terá outras opções, apesar de que não exista alguém mais excitante do que ele.
– Kayle! – eu o repreendi.
– Não posso fazer nada Lady Bella, Landom atrai também os gays. – ele deu de ombros e estacionou o carro no estacionamento da faculdade.
Eu não queria enfrentar ninguém, por isso segui com Candice até o nosso quarto para poder tomar meu banho finalmente. Com o calor de Silsvilly, eu agradeci pela opção de agua gelada no corpo. Meus pensamentos não ficaram mais organizados que antes, mas eu tinha relaxado uns oitenta por cento. Quando sai enrolada do banho, Candice estava olhando para o notebook na sua pesquisa de componentes químicos para seu teste de amanhã, ela estava tentando fazer um texto para convencer seu professor.
– Está indo bem com isso? – perguntei enquanto abotoava meu sutiã por trás da toalha.
– Por enquanto sim, só esperar que meu professor não me atire da sala quando ler isso.
Eu sabia que existia muitos professores rígidos na faculdade, mas não alguém como o Sr. Forward.
Alcancei a parte de baixo da minha lingerie e procurei uma calça jeans azul e uma blusa branca de mangas médias para vestir. Em alguns minutos eu estava perfumada, de cabelo desembaraçado e vestida.
– Está na hora do jantar, vamos? – Candice me chamou da porta.
Respirei fundo e fui.
Os corredores estão movimentados e agradeci não ter encontrado Landom por eles. Porque primeiramente eu não tinha uma resposta e segundo porque eu não ter uma resposta queria dizer que eu estava dizendo não e esse não era meu objetivo. Meus ultimos contatos com caras levaram ao fim de uma amizade e um quase assédio sexual. Sim, eu tinha motivos para ficar hesitante.
Quando chegamos no refeitório fomos seguindo o caminho para a nossa mesa de costume. America estava como sempre ao lado de Paul, seus braços finos envolvia o pescoço do seu namorado enquanto dividiam um momento intimo. Sierra estava no lugar habitual, um espaço livre para mim e outro para Candice. Kayle ficava na porta da mesa ao lado de Tate, cujo foi o ultimo a nos ver aproximando. Sierra sentava no lado direito de Candice e eu na ponta, no seu lado esquerdo perto de Kayle.
– Já pensou na sua resposta? – ele se inclinou para mim e sussurrou. – Eu diria sim.
Empurrei seus ombros para trás numa tentativa de mostrar que eu não queria falar sobre isso.
– Vocês já comeram? – roubei uma cenoura do prato de Kayle e mordisquei.
– Eu estava faminta, foi mal Bells. – eu vi a cara angelical de Sierra inclinar para frente.
– Tudo bem. – eu disse, dando de ombros. – Você vai querer alguma coisa, Can?
Ela estava ocupada demais trazendo seu notebook rosa para a mesa.
– Vou comer alguma coisa das maquinas quando eu for para o quarto. Mas obrigada, Bells. – ela levantou o olhar para mim e sorriu.
– Sendo assim, vou só então.
Desviei da mesa e me coloquei totalmente de pé.
– Espere aí, eu te faço companhia. – Kayle se levantou levando consigo parte da sua cenoura.
Ele certamente estava curioso o suficiente para me acompanhar e descobrir que decisão eu havia tomado em relação a Landom. Nós percorremos o trajeto até os balcões transparentes do refeitório onde algumas cabeças brancas por causa dos uniformes branco gelo que os cozinheiros vestiam ficavam, haviam dez pessoas a nossa frente quando chegamos, mas fui ligeiramente pegando minha bandeja.
– Ele não está aqui. – disse-me Kayle aparentemente observador roendo o dedinho midinho enquanto media cada centímetro do local.
– Não encare ninguém Kayle, por favor.
– Mas se eu o encontrar primeiro posso te preparar psicologicamente, Lady Bella. – explicou como se fizesse muito sentido.
Andamos um pouco.
– Você nunca me disse o que aconteceu naquela noite na casa da America. Ele parece bem interessado. – seus olhos observadores voltaram-se para mim.
– Não aconteceu nada. – evitei contato.
– Minta melhor, Bells.
Revirei os olhos.
– Não foi nada demais, — disse aos poucos encarando-o. – talvez apenas, hm, um...
– Um? Um o quê Bells? – Kayle esticou o pescoço e se aproximou muito curioso.
– Um beijo. Ou dois. Bem, foi só isso.
Um sorriso de lado a lado cresceu no seu rosto limpo de tratamento. Estava mais para o sorriso malicioso e maléfico do Kayle.
– E você diz assim na maior cara dura? Bells, quase morri de curiosidade e agora me conta que rolou tudo, menos nada? Por isso que ele está interessado, Bella ele quer repetir, entendeu? – seus olhos de águia me encaravam fixamente.
– Ou apenas queria me conhecer melhor. Quer saber, estou cheia desse assunto.
Andei mais um pouco, quase perto o suficiente para começar a escolher e ser atendida.
– Ele beija bem?
Eu olhei atônita para ele.
– O quê? – ele me olhou inocentemente. – Ele é puramente hetero, nunca vou poder saber o gosto do beijo dele, então você podia parar de ser egoista e dividir a sensação com seu amigo gay.
Abri bem os olhos e reparei que tinha alguns meninas a nossa volta.
– Se continuar falando alto desse jeito, todo mundo vai saber.
Ele deu de ombros.
– Saber que você pegou o garoto mais gato da universidade? – Kayle sorriu. – É por isso que eu digo que o mundo não é justo, você tem o Landom nas mãos enquanto pessoas como eu, que lamberiam o pé dele, não tem.
Minhas bochechas coraram.
– Será que podemos mudar de assunto?
Virei-me e tentei tomar minha mente com as opções que tinham para escolher no grande vidro, entre pizza, bolinhos e outros salgados. Isso estava ajudando pelo menos, pois Kayle ficou quieto. Tempo até demais.
– Ah-não! – Kayle resmungou baixinho. – Você não sabe quem está vindo aí.
Meu coração entrou em descompasso e por um segundo tive medo de olhar para onde Kayle olhava. Respirei fundo e tentei ser mais corajosa. Ergui o rosto. Não é o Landom. É Trey.
– Se você quiser, eu mando ele pastar logo, logo, Bells. Eu ainda sei socar caras tarados e metidos.
Respirei firme. Preferia enfrentar a indecisão do Landom do que a cara de repulsa que eu estaria se visse o Trey. Ele estava se aproximando o que queria dizer que ele estava vindo para falar comigo. Isso não podia ser pior.
– Oh-não-não. – Kayle resmungou novamente. – Adivinha quem está entrando pela outra porta do refeitório?
Eu olhei para outra extremidade sentindo minha pele gelar. Landom estava impecavelmente sexy num jeans azul e uma blusa xadrez vermelha, o cabelo penteado para trás e hoje não usava óculos de grau. Estava descontraído e mais divertido, com um sorriso transparente no rosto, ele estava olhando longe, procurando por algo ou alguém. Enchi meu peito de esperança e pensei que ele estivesse atrás de mim.
– Ei, Bella. – ouvi a voz do Trey interromper minha observação.
Desviei hesitante do Landom para o Trey, sentindo que queria cavar um buraco e me enterrar a falar com ele. Apesar da raiva que eu estava nutrindo, Trey estava impecavel numa blusa de gola V e jeans Levi’s, do tipo que Sierra aprova. Isso me fez lembrar a festa. Senti-me enojada quando me lembrei de suas mãos passeando pelo meu corpo.
– Oi, Trey.
– Queria muito falar com você. – ele disse timidamente, as bochechas vermelhas.
– Talvez ela não queira falar com você, docinho. – Kayle se aproximou de mim na defensiva.
A expressão de Trey queria dizer que ele não acreditava que eu tinha contado também ao Kayle. Eu me senti ainda mais enraivada.
– É muito importante? – perguntei, indiferente.
– É, muito. – ele piscou algumas vezes e deixou de encarar o Kayle. – Eu precisava, ahm, você sabe...
Ele ficou ainda mais timido.
– Será que não podemos falar isso... Longe daqui?
Engoli em seco.
– Ela está ocupada. – Kayle falou novamente, mais duro e frio do que eu.
– Por favor Bella, é urgente.
Eu tinha uma escolha a fazer. Ficar e esperar que Landom se aproxime e faça a grande pergunta novamente. Ou ir com Trey e esperar que ele se desculpe por tudo aquilo que me fez. Eu estava completamente divida, uma parte de mim queria ver e falar com Landom novamente e a outra queria se ver livre dessa maldita sensação que Trey me deixou naquela noite e isso se resolveria com ele me pedindo suas devidas desculpas.
– Tudo bem, não demore muito, eu ainda tenho que jantar.
– Tem certeza, Bells? – Kayle segurou meu braço. – Não quer que eu vá com você?
– Será melhor em particular. – Trey nos interrompeu.
Suspirei com pouca paciência.
– Tudo bem Kayle, você pode pegar para mim uma sopa? – pedi e quando recebi seu consentimento entreguei-lhe minha bandeja e saí logo atrás de Trey.
Não era essa a escolha que eu queria nesse momento, mas por enquanto, era a mais correta. Eu tinha que dar uma chance ao Trey, essa seria a ultima e de qualquer forma seria bom para mim e bom para ele, nos entendermos. Quando saímos do refeitório e dobramos a esquerda, caminhamos poucos metros depois da porta de entrada e paramos.
– Sinto muito ter interrompido você, mas precisava resolver tudo. – ele disse sem demora. – Eu fiquei pensando no que houve aquela noite nesses dias e confesso que algumas coisas eu não consigo me recordar, mas sei que ultrapassei o limite com você naquela noite.
– Pelo menos disso se lembra. – cruzei os braços.
– Desculpe, desculpe mesmo Bella. Eu nunca cheguei a esse ponto, batizaram a minha bebida, eu não estava consciente do que estava fazendo.
– Tudo bem Trey, eu acredito em você. A única coisa que não me fez te odiar ao ponto de nunca olhar na sua cara, é a ideia de você ter extrapolado na bebida.
Ele corou um pouco e ficou olhando para a ponta dos pés.
– Tive que pensar muito para criar coragem e vir falar com você. Estava me sentindo um idiota, mas ainda bem que você me deu uma chance.
Acenei, concordando.
– Era o maximo que eu podia te dar, depois de tudo. – suspirei, relaxando os ombros. – É só isso? Eu preciso voltar.
Ele me impediu de sair segurando meu braço.
– Obrigado. – ele disse encarando-me.
Voltei alguns passos e olhei para ele.
– Está tudo bem Trey. Fique tranquilo.
Ele deu um meio sorriso e andou um pouco na minha direção, eu recuei por medo, mas percebi que ele só queria terminar o momento com um abraço. Eu tive que segurar a respiração para receber seus braços frouxos ao redor dos meus ombros. Ele se afastou logo depois.
– Obrigado por ter me dado esse chance. – ele disse de novo, aparentemente preocupado com isso.
Percebi que ter escolhido conversar com Trey tinha sido a melhor escolha, ele parecia realmente arrependido.
– Era tudo que eu podia faz...
Alguém fechou a porta com muita força e saiu pisando duro no chão, para o lado oposto onde Trey e eu estávamos. Consegui encarar as costas do individuo. Eu e Trey percebemos que se tratava de Landom Bale.
– Ele estava ali a muito tempo? – ele me perguntou voltando a me encarar.
Levei alguns segundos para assimilar sua pergunta e a aparição de Landom. Se por um momento que tinha estado mais leve com as desculpas do Trey, agora eu me sentia enrascada, frustrada.
– Não sei, eu realmente não sei.
– Era o Landom Bale, não era?
Eu fiz que sim com a cabeça.
– Por que? – devolvi a pergunta, precisava colocar meus pensamentos em ordem.
– Nada... só um pensamento vago. Você sabe quem era o homem de mascara? – ele me perguntou de repente.
– Como?
– O homem com mascara. Pensei por um segundo que fosse o Landom, nós não temos um relacionamento... digamos amistoso. Mas acho que não era ele. Você se lembra?
Eu fiz que não com a cabeça.
– Também tinha bebido um pouco aquela noite. Era só isso Trey? Eu preciso voltar. – eu disse, impaciente.
– Na verdade, era apenas isso.
– Ok, até mais. – e lhe dei as costas, andando apressadamente para dentro do refeitório.
A mesma multidão e andando mais um pouco, aproximei-me da minha mesa habitual. Kayle tinha acabado de chegar com a minha bandeja e a minha sopa e quando me viu fez questão de se inclinar na minha direção.
– Eu até ia tentar impedir ou te avisar, mas estava sem o celular. – ele me disse num tom mais baixo.
– Avisar?
– Landom viu você e o Trey saindo juntos. Foi logo em seguida, achei que ele ia até vocês, mas ficou segurando a porta por um tempão até que se enfureceu e saiu. Ele viu alguma coisa?
Eu abri a boca pasma. Não disse nada no próximo segundo até encaixar tudo.
– Trey me abraçou. – eu disse depois de um segundo pensando. – Porra Kayle, Landom acha que estou ficando com o Trey.
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