Insanity

15 Capítulo 15


Notas iniciais
http://www.youtube.com/watch?v=OmLNs6zQIHo

Tom...


As palavras, na maioria das vezes barulhos vinham constantemente da sala e só assim consegui perceber que o jantar já havia começado.

Ouço sons abafados de choro a distancia e sei exatamente de quem está vindo. Bill pode ser outro agora, mas ele ainda é uma parte conhecida de mim. A parte que eu conscientemente machuquei.

Mesmo assim, não consigo me mover para longe dela. Tão vulnerável e tão distante em seus pensamentos que nem ao menos consegue sentir minha presença.

– Porque está fazendo isso? – Eu me aproximo dela sussurrando em seu ouvido e a vejo arrepiar-se, não porque sentiu minha presença, mas por que parece ter sentindo frio subitamente. – Me dê uma razão. – Eu peço a ela.

Ela passa as mãos por seus braços tentando de alguma forma aquece-los, mas parou assim que viu os dedos de Bill marcados em sua pele pálida.

– Vamos Kate me dê uma razão. – Eu falo um pouco mais alto, mas ela da às costas e começa a caminhar em direção a sala, parando um momento no corredor.

– Você é a razão. – Ela diz levando a mão ao estomago, — A razão para que eu consiga agüentar tudo isso. – Continua e eu imediatamente me dou conta de que não está falando comigo.

Sinto meu estomago embrulhar e caminho em direção a sala, passando por ela sem olhá-la. Tento chegar perto de minha mãe, mas ela também não percebe minha presença. Há pessoas em volta dela e supostamente falam sobre nos, enquanto por um segundo tenta deixar que tudo pareça estar normal, ignorando o fato de que Bill bateu em Kate.

– Eles não são mais tão iguais. – Mamãe diz a outra mulher que não faço idéia de quem seja embora esteja em minha casa.

– Talvez você não consiga notar, mas para mim eles são exatamente a mesma pessoa. – A mulher exclama, como se nos conhecesse.

– Para mim também. – Minha tia fala entrando na conversa. – Sempre os mesmos gostos, as mesmas vontades, os mesmos sonhos.

– Há sim, lembro-me como se fosse hoje as brigas assim que acordavam de um mesmo sonho. – Vovó concorda com ambas.

– Sim, vovó tem razão era inacreditavelmente difícil convence-los de que era apenas um sonho. – Todas começam a rir, enquanto mamãe se mantém serena por algum motivo, talvez ela saiba mais do que eu presuma.

A história agora lembrada por elas vem á tona em minha cabeça e me questiono se há possibilidade de ter acontecido outra vez.

Bill e eu, presos em um mesmo pesadelo, como bruxas que nos assombravam nos sonhos em nossa infância esse agora poderia ser o pior de todos.

Aquele que acabaria com nossos sonos e também com nossas vidas.

Arrastei meus pés lentamente até chegar perto de kate outra vez. Ironicamente Bill fez o mesmo, mas agora em silencio, totalmente diferente de algumas horas atrás ele apenas conversa com ela, fazendo pequenos carinhos em seu rosto ou alisando seus cabelos.

Mas quando ela se afastou a ilusão de que tudo estava bem foi quebrada outra vez, e então eu me dei conta de que ele estava fazendo aquilo apenas para manter a aparência de casal perfeito na frente de todos.

– Está evitando todo mundo. – Ele diz a ela enquanto acena levemente a cabeça para alguém. – Não foi isso que combinamos.

– Estou com dor de cabeça. – Disse ela.

– Arrependida? – Ele blasfemou e ela imediatamente o olhou.

– Não posso estar arrependida por algo que não fiz.

– Eu adoro isso. – Bill leva sua mão aos cabelos dela empurrando-os de leve para trás da orelha. – A forma como você mente pra mim. – Ele sussurra aproximando-se de seu ouvido – Até consigo sentir pena.

– Não preciso que sinta pena de mim. – Ela se afasta, mas ele logo a puxa pela cintura selando seus corpos.

– Bom... Um traço de personalidade. – Ele ri, e subitamente aproxima seus lábios dos dela depositando pequenos selinhos. — Você é muito tolerante comigo, sabe?

– Eu sei – Ela responde assustada.

– É uma verdadeira falha de caráter. – Zomba ele.

– Eu nunca disse a você que era perfeita. – Ela o olha estranhando a repentina mudança de humor

– Eu sei. – Resmungou rindo. – Eu lembro exatamente o que você disse quando nos conhecemos... “Eu nunca mentiria pra você Bill.” – ele enfatizou.

– Eu nunca menti. – Ela tenta lembrá-lo, mas Bill não parece estar disposto a ouvir suas mentiras.

– Você não está feliz, sinto isso há muito tempo.

– Eu não estou. — Disse ela com cuidado. – Não neste momento.

– Posso pedir a ele que a toque de novo, talvez possa sentir-se melhor outra vez. – Ele diz e isso me soa um tanto masoquista. Bom talvez ele seja... Talvez ambos sejamos.

– Você não vai conseguir. – Ela o olha enojada — Você está pensando que eu tenho raiva de você, mas não tenho. – Ela o observa com um peso no olhar – Você só está tentando me machucar com isso.

– Você pelo menos o ama? – Ele a solta de repente e Kate desequilibra-se enquanto procura um apoio qualquer.

– Sim eu o amo. – Ela fala com plena certeza, e eu a encaro pronto para ouvir o pior.

– Como ama a mim? – Bill a questiona em tom vacilante.

– Amo ele como meu irmão. – Ela diz calmamente e eu aproximo-me dela.

Bill sai enfurecido e eu não sei o que fazer. Era isso? Não era? O que ele queria tanto ouvir.

Examinei seu rosto procurando sinais de negação, mas não achei nenhum. Levando-me a crer que o que acabara de falar era a mais pura verdade.

Deixando claro ao menos para mim, que nossa noite não passara de um sonho, um delírio criado por mim e passado inconscientemente para meu irmão.

E este estava sendo o pior momento, por que só agora havia me dado conta de que não poderia voltar atrás e me arrepender do que tinha feito até aqui.

E o tempo infelizmente tornaria isso tudo ainda mais difícil...

Notas finais
Obrigada a quem está lendo e comentando. Obrigada também a quem lê, mas não comenta. E pra você que não gosta ou não quer comentar aqui, mas tem alguma dúvida com relação a essa fic ou seus personagens... Tire-as em meu twitter: @Pam_Oliver
Obrigada de qualquer forma. =)