Insanity
11 Capítulo 11
Notas iniciais
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Bill...
Finalmente, depois de alguma hesitação, respirei fundo a fim de conseguir forças para poder conversar com ela sobre isso, eu sabia exatamente onde Kate queria chegar e sinceramente eu não estava ansioso para este momento.
-Ajudar você a me esquecer? — Perguntei calmamente — Porque eu faria isso?
- Por que está seria a melhor forma de acabar com o sofrimento de todos nós. — ela respondeu mecanicamente.
E olhando seu rosto naquele momento tudo que eu conseguia pensar era que de alguma forma Kate tentava brincar de propósito com minhas emoções... Como um castigo talvez.
- Um tipo de troca? – Falei já com tom alterado, assustando-a de inicio — Você me esqueceria e em troca eu também estaria esquecendo você?
- E se isso for o certo a ser feito? – Ela questionou.
-Aí está o problema... Isso não é certo e não há nenhuma chance de chegarmos a essa conclusão. – Gritei com desprezo.
Ficamos em silencio durante algum tempo porque simplesmente estava sem palavras, e me sentia exausto. Ela estava me fazendo sofrer pelo que eu fizera, mas pelos meus cálculos de certa forma eu já tinha pago.
- Bill? – Virei minha cabeça para trás para olhar para ela e a encontrei me observando calmamente.
- Sim.
- Lembra quando eu falei a você sobre meu irmão? – Ela perguntou empalidecendo.
- Sim, mas porque que está tocando neste assunto agora? – Disse confuso com a repentina mudança de conversa.
- Tay estava apaixonado por uma garota quando morreu. – Ela continuou ignorando totalmente minha pergunta. — Ela não o quis, não sentia o mesmo por ele... — Kate sorriu sem graça e eu pensei em pedi-la para não continuar, pois sabia que tocar no nome do irmão não era fácil para ela. — E então ela ficou noiva e partiu para outro lugar... – Ela continuou fazendo gestos com as mãos, tentando me explicar. — Nós achávamos que ele fosse superar, mas não foi o que aconteceu.
- Então ele... – Fechei meus olhos pedindo que ela não continuasse.
- Sim... – Ela suspirou fechando os olhos – Tay se suicidou.
Disse em fim, e então eu corri para perto dela segurando sua mão, acreditando que naquele momento pela primeira vez kate fosse se entregar a mim totalmente como nunca até agora havia feito.
Mas como sempre, com seu suspiro profundo ela também levou as lagrimas junto com o ar, e eu começava a notar o quão forte ela era, ou ao menos tentava ser.
- E você acha que Tom... – Claro... Eu pensei... Tudo fazia sentido agora e ao olhar para ela notei que ela podia ler meus pensamentos.
- Eu sei que não Bill... Não é o que eu quero dizer. – Ela disse.
- Eu não entendo — Perguntei, saindo do meu estado de choque. — Aonde quer chegar?
- Foi por isso que eu não me afastei do Tom... Eu precisava cuidar dele... E eu fiz isso por você. – Confessou.
- Cuidar dele?
- Eu fiquei com medo Bill, vi meu irmão morrer e não estou falando na hora em si, mas de todos os dias que a antecederam. – Ela suspirou continuando... – Eu vi o quanto ele sofreu.
- Acha que Tom estava perto de um sentimento como esse? — Eu finalmente digo, com a voz tremula. – Não conhece meu irmão. – Concluo ligeiramente nervoso.
- Não foi o que eu disse. – Ela diz de mansinho.
Eu inspiro fundo, e espero todo o ar sair. Posso sentir os primeiros traços de raiva de verdade tomando conta de meu rosto, mas ainda sim, tento me manter calmo.
- Ontem... Ontem à noite você disse que o amava. – Falo tentando tirar de minha mente o fato de que as horas que ela tinha passado com meu irmão não eram nada mais que amizade.
- Sim... E eu estava falando sério. – Ela responde abertamente e isso me deixa um pouco abalado.
- Mas é porque você tem nele a lembrança do seu irmão. – Eu pergunto temeroso, por que é exatamente nisso que quero acreditar.
- Não... Não totalmente. – Ela diz, e eu posso ver o quanto está se culpando.
- Você queria ajudá-lo porque ficou com medo que ele fosse tão fraco quanto seu irmão foi. – Tentei novamente, não querendo chegar a nenhuma conclusão precipitada.
- Não... Você não entende... Tay não foi fraco, ele estava doente. – Ela diz rancorosa.
- Tom não está doente. – Gritei.
- Eu nunca disse que estava... – Ela me olhou assombrada – Eu apenas quis me certificar de que isso não fosse acontecer.
- Você acha mesmo que é a pessoa mais indicada para isso?
- Não. — A culpa estava escrita claramente no rosto dela.
- Pare de mentir.
- Não estou mentindo... — Ela disse, com os olhos completamente abatidos. — Eu só queria que entendesse que fiz isso por você... Porque queria trazê-lo de volta e queria que ele aceitasse que na verdade não me ama.
- Ele ama você, ou talvez ele apenas esteja confundindo. — Eu não conseguia esconder a raiva em minha voz
- Talvez, e é por isso... Exatamente por isso que quero que entenda Bill... –Eu não posso mais ficar aqui, não posso ficar com você.
- Não quer dizer isso... Você não tem que ir embora por isso, é minha esposa.
- Eu não sou ninguém... Não sou ninguém. — Sua honestidade fez com que ficasse dolorosamente claro que ela acreditava no que estava dizendo.
- Porque está dizendo isso?- Eu fecho meus olhos, ciente de que a hora da verdade chegou. — O que quer dizer com isso?
- Exatamente o que você entendeu. — o Silêncio foi repentino.
- Kate? ... Não está falando sério... Está? – Perguntei já completamente apavorado em pensar nesta possibilidade.
- O que espera que eu faça? – Perguntou com a voz vacilante.
- Que não me peça para escolher. – Eu pedi.
- Não há o que escolher Bill... Você tem que ficar com seu irmão. – Ela falou e por mais que isso me doesse sabia que ela tomaria essa posição.
- Está me deixando? — Eu mal conseguia ouvi-la — É isso?
- Sim. – Disse ela baixinho, sem me olhar.
- Não pode estar falando sério. – Supliquei.
- Só estou dando a você a chance de não ter que escolher... — Sussurrou.
E naquele momento olhando para ela, eu me dei conta de que tinha razão e que mesmo que eu não quisesse ou pensasse assim, chegaria o momento em que eu teria de escolher, os fatos me levariam a isso e Kate sabia exatamente qual seria minha decisão.
Essa era a primeira vez que eu podia sentir o abismo entre nós...
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