Insônia
1 Nove letras. Um motivo. Nico Robin
Notas iniciais
Os encontros começaram há alguns meses, com toda a discrição de ambas as partes. Na maioria das vezes, tudo acontecia no Ninho do Corvo, ou então quando atracavam numa nova ilha. Zoro e Robin sempre achavam um jeito de fugir, nem que fosse por um instante, de seus companheiros. As noites de vigília – se é que havia algum tipo de atenção quanto aos eventos externos – eram transformadas em noites de intenso prazer.
Mas hoje, tudo parecia mais difícil. Não era a noite de vigia de nenhum dos dois – era a vez do Chopper; não haviam atracado em nenhuma ilha, estava quase impossível não pensar um no outro e para piorar estavam com uma maldita insônia. Em vários momentos, a mente do espadachim vagava nos momentos passados com a morena, seus toques, os arranhões em suas costas, os beijos deliciosamente vorazes, os gemidos da voz mais prazerosa que ele já escutara e os sussurros dela chamando pelo seu nome. Não kenshi-san, mas por seu nome, Zoro.
A partir daí, seu desejo pela arqueóloga foi se tornando mais intenso, parecia que algo estava prestes a explodir dentro dele, seu corpo estava quente, derramando litros de suor e sua zona íntima, alterada.
Maldita hora, em que fui pensar naquela mulher. Porra Zoro!
O rapaz travava uma forte discussão consigo, os roncos dos outros lhe enchiam os ouvidos e somando tudo isso, o sono não vinha de jeito nenhum. Decidiu por fim levantar-se e ir até a cozinha do Sunny, tomar algo forte que o ajudasse a dormir.
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Robin se encontrava deitada na sala de convivência do navio, o livro apoiado em sua barriga era grosso e se referia a ruínas de cidades antigas; o aquário atrás dela, vibrava em vários tons de azul e os peixes nadavam no mais puro sossego. Tinha ampla visão da cozinha e do corredor a sua frente. Uma de suas pernas descansava no encosto do sofá, enquanto a outra se apoiava no assento. Vez ou outra devaneava sobre seus encontros com o espadachim, o jeito como ele lhe tocava, forte e gentil ao mesmo tempo, as palavras desconexas que lhe dizia ao pé do ouvido, a fala rouca e carregada de sensualidade e lembrava-se dela, de como se desdobrava em prazer e se descontrolava nos braços do musculoso rapaz. Permitia-se pensar em coisas assim, de vez em quando, mas dessa vez as peças estavam muito além de seu domínio.
Roronoa chegou à cozinha ainda em estado febril, buscando acalmar os ânimos do seu “amigo”, lutava pra tirar a morena de seus pensamentos e, quanto mais tentava, ainda mais fixas as imagens se tornavam.
O espadachim se dirigiu ao armário e pegou a primeira garrafa de saquê, o líquido descia quente em sua garganta deixando-o mais calmo, mas seu erro foi virar-se de costas para o balcão e se deparar com a cena que o fez cuspir a bebida que ainda lhe restava na boca. Ela estava ali, o motivo de toda a desordem que acontecia com sua mente e com seu corpo nesta noite. Como se não bastasse sua presença, ainda tinha que o ser numa posição pra lá de provocativa: as coxas brancas que por muitas vezes abraçavam-lhe a cintura, estavam ali totalmente descobertas; o tecido da saia era fino e da maneira como a moça deitava, deixava boa parte das nádegas à mostra, contribuindo para o estado de espírito exaltado do rapaz.
A arqueóloga levantou a cabeça no momento em que Zoro cuspia uma boa quantidade de saquê. A expressão do mesmo era de pura surpresa, estava estampado em sua face que ele não esperava encontrá-la ali.
— Algum problema kenshi-san? Parece nervoso... — ela se dirigiu a ele de maneira suave, em seus lábios descansavam mais um daqueles típicos sorrisos.
— Claro que não! Eu apenas engasguei, é só isso. — Zoro respondeu rápido, as palavras embolando em sua língua. “Mas por que diabos ela tinha que estar ali?! Merda, mil vezes merda!” e de novo o espadachim confrontava a si mesmo, num debate mental.
— Tem certeza? Quer que eu chame o Chopper? Com certeza ele está acordado, o posto é dele hoje. — a mulher continuava provocando-o. Sentou-se da maneira correta e pôs-se a encarar o homem a sua frente.
— Já disse que não precisa. E o que você faz aqui? Não deveria estar dormindo? — a agressividade tomou conta de sua voz, a irritação dele parecia entretê-la.
— Ora, estou sem vontade de dormir, assim como você, Zoro. — a última palavra lhe saiu dos lábios num tom baixo e sensual, chegando aos ouvidos de Roronoa e fazendo-o estremecer.
Tudo que ele queria agora era que ela não se levantasse, que permanecesse no sofá, que voltasse a ler seu livro, que lhe dissesse boa noite e então seria a sua deixa. Havia nele agora, duas partes que brigavam entre deixar seus instintos mais primitivos tomarem conta ou que seu bom senso lhe fizesse voltar ao alojamento e dormir. E, além disso, eles não poderiam fazer nada na cozinha – com toda certeza isso acordaria os outros. Mas Robin fez exatamente o contrário, deixou o livro no assento e se pôs de pé. Com toda a suavidade, ela caminhou até o espadachim e apoiou suas duas mãos no peito nu dele.
Sua visão se estreitou sobre a enorme cicatriz em diagonal no tórax do companheiro. Essa era uma parte que muito atraía a jovem, aquilo o tornava ainda mais sexy e pra acompanhar, ainda havia aquela outra marca em seu olho. Seus dedos percorreram os músculos, passaram pela cicatriz e sua boca se atreveu a beijá-lo num ponto próximo ao pescoço.
— Qual é o motivo da sua insônia, kenshi-san? Há quanto tempo tem pensado em mim? — ela sussurrava. Seus olhos agora, fitavam os dele e em nenhum momento ela buscou quebrar o contato. Os rostos estavam tão próximos, que ambos sentiam a respiração do outro. Suas mãos rodearam o pescoço do rapaz, aproximando-os ainda mais, os lábios quase se encontravam, mas ela não quis dar o último passo.
Em resposta, Zoro inverteu suas posições e agora ela é quem era comprimida contra o balcão. Em sua mente, o pouco que restava de sanidade, lhe pedia pra parar, mas seu outro lado, o instigava a se tornar selvagem, esquecer as consequências, atender a tentação e se perder nas curvas da bela mulher que o provocava. O espadachim passou sua mão à cintura da moça e outra à sua nuca beijando-a de forma lasciva. Seu cenho estava franzido e seus braços apertavam cada vez mais a arqueóloga, excluindo todo o espaço que poderia haver entre eles. Seus beijos desceram ao pescoço da mulher, alternando entre carinhos e mordidas, que lhe arrancavam gemidos.
Nada poderia impedi-lo agora, sentia-se cada vez mais perto da insanidade – “que se foda quem acordar agora” – seu corpo ansiava por cada pedaço de Robin, ele precisava dessa descarga, sentia que explodiria se não pudesse tocá-la nesta noite. Ela lhe dera sinal verde ao se aproximar daquela maneira, sendo assim, ela também o desejava e ele realizaria isso.
Zoro ergueu-a em seus braços e a sentou na mesa, era o encaixe perfeito. Robin afundou suas mãos nos cabelos verdes do espadachim aprofundando o beijo que lhe invadia cada canto da boca, suas pernas puxavam-no para mais perto. O rapaz apertou-lhe as coxas com vontade, fazendo a arqueóloga apoiar-se na mesa com as mãos e inclinando-se ainda mais sobre ela. Das coxas, Zoro transpassou suas mãos por debaixo da blusa da morena, percorrendo até seus seios, seus polegares rolavam nos mamilos dela.
A intenção de Zoro era tomá-la ali mesmo. O risco de algum de seus companheiros flagrarem os dois na cozinha, só aumentava a adrenalina. Sua atenção agora era direcionada a despir a parceira, mas ela o impediu, o que causou um pouco de confusão nele.
— Me leva pro quarto... — a fala entrecortada e cheia de desejo da mulher, lhe arrepiava. Ele faria o que ela estava lhe pedindo, é claro, mas achou que a mesma se esquecia de alguma coisa.
— Mas e a Nami? — ele perguntou confuso.
— Ela não está lá... Não dá pra explicar agora, me leva pro quarto. — era difícil abandonar os lábios do espadachim pra falar qualquer coisa que fosse. Suas mãos continuavam no cabelo dele e conversavam entre beijos.
Ele obedeceu. Com Robin no colo, fez o trajeto até o quarto das mulheres, o que foi um pouco difícil, o corredor estava escuro e cessar os beijos era algo fora de questão. Ao chegar, empurrou a porta com o pé, o mais silencioso que conseguiu e fechou-a do mesmo modo. Aproximando-se da cama, Zoro se jogou com a arqueóloga sem hesitar. Pôde então livrá-la da blusa, afundando-se em seu pescoço, trilhando um caminho até seus seios, que não demoraram a ser totalmente devorados pelo rapaz. Ela mordia os lábios e alguns gemidos lhe escapavam incitando ainda mais o insaciável espadachim.
Mas ele queria mais, ansiava por mais e percorreu com a língua toda a extensão do tronco dela, parando no cós da saia que ela ainda usava. Lançou-lhe um olhar maroto e despiu-a por completo, para então, tocar o seu íntimo.
Robin gemeu, em alto e bom som, a sensação de tê-lo ali, invadindo-a, provando-lhe da maneira mais intensa, lhe causava espasmos. Zoro brincava com sua língua no sexo da parceira, enquanto estimulava seu clitóris com o dedo e introduzia-o em seu interior. Ela se contorcia, arqueava as costas, as mãos inquietas repuxavam o lençol e embrenhavam nos cabelos do rapaz. Beirava a loucura e num ímpeto de prazer puxou-o para cima, beijando-lhe intensamente.
Com a ajuda de seus poderes da Hana Hana no Mi, a arqueóloga retirou a calça do espadachim, tocando seu membro totalmente exposto. Zoro estremeceu, deixando escapar um som gutural. As mãos quentes e gentis dela roçavam em seu pênis, fazendo-o experimentar as mais diversas sensações. As mãos dele passeavam na lateral de seu corpo, desde seu seio até sua coxa. Ela sentia-se pronta e ansiava pelo momento em que ele estivesse dentro dela.
Robin ofereceu maior espaço entre suas pernas e Zoro entendeu o que ela queria. Guiado pelas mãos dela, o espadachim roçou seu pênis no íntimo da arqueóloga e então a penetrou, lenta e intensamente.
E ele ouviu, ouviu-a gemer, chamar pelo seu nome, com aquela voz que teimava em se fazer presente em seus sonhos e a sentiu arranhar suas costas. Aumentou a velocidade das estocadas; a cabeceira da cama ia de encontro à parede de madeira, e os sons, emitidos por ambos, não eram nem um pouco controlados. Zoro puxou a morena consigo, ambos estavam agora sentados, sua boca chupava-lhe os seios, seus olhos fixos nos dela, quase se perdendo no azul de suas orbes e suas mãos ditavam o ritmo. Robin cravou suas unhas no ombro dele, mordendo os lábios para controlar seus gemidos – o que era quase impossível –, o olhar semicerrado.
Os movimentos se tornaram mais lentos e profundos, por fim, atingiram o ápice. As vozes se confundiram num uníssono de prazer que inundava cada centímetro de seus corpos exaustos. Zoro enlaçou seus braços em Robin, beijando o rosto da arqueóloga. Respiravam ainda oscilantes, os corações batendo forte contra o peito.
— Puta merda morena! Você me tira do eixo... — o espadachim disse ao recuperar um pouco do fôlego. Ela sorriu baixinho acariciando o rosto dele. Não sabiam que horas eram; já poderia ter amanhecido com toda essa brincadeira e ele não poderia se demorar na cama com ela. — Preciso voltar ao alojamento.
Depois de um tempo considerável, que gastou com os lábios da arqueóloga, Zoro se levantou, não sem antes beijar Robin mais uma vez, e vestiu-se. Dirigiu-se a porta do quarto, mas sua mão parou na maçaneta. Houve um momento de hesitação, então o espadachim finalmente disse o que queria, com um ar despreocupado de quem admite algo extremamente importante, mas não quer que os outros o percebam.
— Ei, — virou-se para a morena com um sorriso. — nunca disse isso a alguém... Pode parecer estranho e precipitado, mas acho que estou apaixonado... – respirou fundo. — Por você. — e finalmente saiu do cômodo.
Robin não teve tempo de responder. Mal as palavras lhe caíram aos ouvidos, o espadachim já tinha fechado a porta atrás de si. Então a moça se deixou cair novamente na cama, surpreendendo-se com o sorriso que brotava em seus lábios, provocado pelas palavras do kenshi-san.
Zoro saiu disparado pelo corredor, tomando o caminho do alojamento masculino. Admitir o que sentia para a mulher tinha sido um dos feitos mais difíceis de sua existência, ainda que ele não tivesse transparecido. Mas agora o tinha feito, e carregava um grande alívio no peito além daquele sentimento novo e arrebatador.
Ambos sentiam-se plenos e felizes, mas também cansados e doloridos pela intensa atividade dos dois naquela noite.
Adormeceram.
Tinham finalmente encontrado o remédio para aquela insônia.
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