Meu coração está disparado. É uma sensação apertada e sufocante, que altera o ritmo de minha respiração, me deixando em estado de alerta. Rolo da esquerda para a direita, viro metade do corpo de lado e deixo o resto virado para baixo, de bruços. Dobro uma perna, depois a outra, tendo que mudar de lado novamente.

Fecho os olhos com força e a angústia me toma. Não consigo dormir de jeito nenhum. Por mais que afaste meus pensamentos, tente mudar o foco, o rumo da minha imaginação, acabo voltando para o mesmo assunto que me deixa agitada, ansiosa, receosa e apavorada.

Viro de novo, dobrando a outra perna e esticando a que estava dobrada. Aperto o travesseiro e sinto a garganta fechar, os olhos mesmo ainda fechados arderem e um pânico quase irracional me dominar.

Abro os olhos, olho em volta pelo quarto. Nada. O cansaço se faz presente em cada célula de meu corpo, mas o sono sumiu. Não consigo me entregar aos braços de Morfeu. Há algo me incomodando. Preciso botar para fora.

Uma entidade prateada parece clamar meu nome mudamente do banheiro, chamando-me, seduzindo-me, mas me recuso a me levantar. Sei que sairei machucada se for.

Acendo a luz e procuro meu caderninho e uma caneta azul, pois detesto canetas pretas (a não ser as bem fininhas que meu pai tem, que no entanto são caras demais). Abro o caderninho, procurando um espaço vazio na segunda lacuna, pois a primeira já está preenchida com datas e horários. O título em cima da página é "Horários da tentação". Curioso que eu os intitule assim. Mas é a realidade.

Anoto então a data e dou uma rápida olhada no visor de meu celular, anotando a hora. Por algum milagre inexplicável, metade da vontade de ir ao banheiro parece ser transferida para o papel, o que é uma santa terapia.

Fecho o caderninho, largando-o no degrau de minha cama, juntamente com a caneta, que se perde no mundo de coisas que atulhei ali. Sim, meu degrau está um lixo, mas não quero arrumá-lo. Gosto dele assim.

Volto a me deitar, ainda angustiada, mas um pouco menos. Fecho os olhos, me cubro direitinho, aumento a temperatura do ar. Dobro uma perna e estico a outra, ficando meio torta, mas confortável.

Tentando me concentrar em manter a respiração regular e os batimentos cardíacos calmos, vou conseguindo aos poucos esquecer do assunto.

E então ele volta. Tento repeli-lo, com algum sucesso, mas ele continua me incomodando, no meu subconsciente. Me amaldiçoo por ser tão fraca e vulnerável na hora de dormir. Poderia estar sonhando com quem amo. Poderia estar sonhando com serial killers me perseguindo. Poderia estar sonhando com pôneis pulando de um abismo. Poderia sonhar com a aparência da Morte. Qualquer coisa é melhor do que voltar àquele assunto.

Novamente, consulto o visor de meu celular. Já se passou quase uma hora desde que olhei da última vez. Somado ao tempo que passou desde que me deitei no intuito de dormir, devem ter se passado, no mínimo, uma hora e meia.

"É por isso que detesto tentar dormir quando não estou exausta..." — reclamo para mim mesma, finalmente entendendo porque geralmente me obrigo a ficar até tão tarde acordada, até os olhos não se aguentarem mais abertos.

Abraço com força o travesseiro, como se fosse meu anjo da guarda, tentando visualizar qualquer cena na cabeça para afastar os pensamentos.

Em algum momento desta luta, sou vencida pelo cansaço, assim adormecendo.

Notas finais
Obrigada por ler. D: Isso vem acontecendo bastante comigo de noite.
Se quiser, pode deixar review. ^^
Beijos :*
Suh
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!