Eu não estava acreditando que estava mesmo naquele avião.Não tínhamos nem decolado, mas eu já estava doida.

Não era a primeira vez que eu viajava de avião, ou que ia para o Rio visitar minhas amigas, mas daquela vez era diferente. Daquela vez eu demoraria para voltar.

Minha mãe teve muito trabalho pra conseguir combinar todo o intercâmbio de Curitiba, já que eu ia partir do Rio de Janeiro, mas ela sabia como era importante para mim partir com minhas melhores amigas, mesmo ela sendo virtuais.

Por isso desta vez minha mãe estava indo junto comigo. Eu não ia ficar uma semana na casa da Polly, não estava indo para a grande festa de ano novo da Belah. Eu estava indo embarcar para o Canadá, e só voltaria em um ano. Não era de impressionar que ela quisesse me levar no aeroporto!

Mal decolamos e eu precisei ir ao banheiro. A ansiedade era tanta que eu nem tinha me lembrado de ir antes de embarcar!

Pelo visto eu não era a única que teve aquela ideia. Havia uma fila enorme! Eu devo ter ficado uns dez minutos em pé antes de poder entrar.

Quando finalmente a pequena porta se abriu, entrei. No espelho via uma menina normal, de olhos e cabelos castanhos, nem alta nem baixa. O cabelo sempre embaraçado, por mais que eu arrumasse...

Quando voltei à minha poltrona, percebi que minha mãe estava chorando.

- Mãe, o que houve? — Perguntei, abraçando-a. — Está tudo bem?

- Ah, Alice... Eu te amo tanto... — Disse, enxugando as lágrimas. — Você é minha filha mais nova, meu bebê... E agora vai abrir suas asas para o mundo e...

- Ah mãe... Eu vou sempre ser seu bebê, ok? Sempre vou voltar para casa...

Ficamos por um tempo abraçadas. Eu estava quase chorando também. Eu e minha mãe sempre fomos muito emotivas.

Acabamos por nos acalmar. E pela janelinha do avião eu já podia ver o Cristo Redentor. Ele estava como eu, de braços abertos, pronta para abraçar um novo futuro.

Notas finais
~Capítulo por Alice Winter.