Inocência e Desejo
32 Capítulo 32
A luz suave da manhã começava a dissipar a névoa na reserva de La Push. No quintal da casa de Quim, o aroma de café fresco misturava-se ao ar salgado do mar. Jacob estava sentado em uma das cadeiras de madeira do alpendre, segurando uma pequena caixa de veludo preto entre os dedos grossos, abrindo e fechando o fecho de metal em um ritmo nervoso.
Quim saiu da cozinha trazendo uma bandeja com duas canecas fumegantes. Ela pousou o café na mesa de centro e cruzou os braços, encarando o irmão com um sorriso cúmplice e divertido.
— Se você continuar apertando essa caixinha desse jeito, vai quebrar a mola antes da festa, Jacob — brincou ela, sentando-se à frente dele.
Jacob soltou um suspiro profundo, passando a mão livre pelo rosto antes de guardar o anel com cuidado no bolso da jaqueta.
— Eu só quero que seja perfeito, Quim. A Nessie passou quatro anos carregando o peso de uma mentira para me proteger. Ela merece tudo o que eu não pude dar a ela no passado... uma festa linda, a família reuniada e a certeza absoluta de que ela é a única mulher da minha vida.
Quim sorriu, o olhar transbordando carinho pelo irmão.
— E vai ser perfeito, Jake. Eu já conversei com a minha mãe e com a Bella. Nós vamos organizar um jantar ao ar livre na praia, perto do penhasco, com as luzes de corda entre as árvores e a fogueira central. O Embry já está cuidando da música com os rapazes, e o Edward garantiu que a família Cullen estará presente sem criar nenhum clima tenso.
— O Edward aceitou vir? — perguntou Jacob, erguendo as sobrancelhas com uma sombra de surpresa.
— Ele fez questão, Jake — confirmou Quim. — Ele disse que ver a Renesmee feliz do seu lado é a única forma de ele finalmente alcançar a paz. A Nessie não desconfia de nada. Ela acha que vai ser apenas um jantar simples para comemorar a reabertura da livraria.
Jacob encarou o horizonte, um sorriso sincero e apaixonado iluminando seu rosto.
— Obrigado, mana. De verdade. Quando o sol se pôr naquela praia... eu vou fazer dela a minha esposa.
Enquanto os preparativos do noivado começavam em segredo na reserva, a atmosfera na casa de Claire era de absoluta tranquilidade.
Na cozinha espaçosa e iluminada, a bancada de granito estava coberta de farinha de trigo, tigelas e ingredientes para um bolo de maçã e canela. Seth estava em pé diante do balcão, com as mangas da camisa dobradas até os cotovelos e a ponta do nariz suja de farinha, enquanto tentava bater uma massa com um batedor manual de forma exagerada.
Claire, sentada em uma banqueta alta ao lado, segurava a barriga de cinco meses com uma das mãos e ria sem parar do empenho dele.
— Seth, você está batendo essa massa como se estivesse jogando basquete! — debochou ela, cobrindo a boca com a mão. — Se continuar assim, o bolo vai virar uma pedra!
— Ei, respeite o chefe Clearwater! — brincou ele, fazendo uma pose dramática e fingindo ofensa. — Eu estou colocando amor e dedicação nessa receita. O nosso bebê precisa de nutrientes de alta qualidade!
— "O nosso bebê"? — repetiu Claire, a voz caindo para um tom suave, o sorriso mudando de provocativo para algo profundamente tocado.
Seth parou o batedor sobre a tigela. Ele olhou para Claire, percebendo a escolha espontânea das suas palavras. Nos últimos dois meses, ele estivera presente em cada ultrassom, ajudara a pintar as paredes do quarto do bebê e passara noites inteiras naquela mesma cozinha fazendo chá para acalmar os enjoos dela. A cumplicidade entre os dois havia deixado de ser apenas uma amizade para se tornar o porto seguro de ambos.
Seth pousou o utensílio na bancada, pegou um pano limpo e aproximou-se devagar de Claire.
— Você sabe o que eu quero dizer, Claire... — disse ele com a voz doce e genuína, usando o pano para limpar delicadamente uma mancha de farinha na bochecha dela. — Eu sei que o pai biológico é o Jacob e que ele vai ser presente... mas o carinho, a proteção e o amor que eu sinto por essa criança que está crescendo aí dentro... é de pai. E o que eu sinto por você... não cabe mais na palavra amizade.
Claire prendeu a respiração. Seus olhos castanhos buscaram os dele, brilhando com uma emoção represada por semanas.
— Seth... eu tive tanto medo de me abrir para alguém de novo — confessou ela em um sussurro embargado, levando a mão ao rosto dele e acariciando a pele quente da sua bochecha. — Eu achei que meu coração tinha se fechado para sempre depois do Jacob. Mas você... você trouxe luz para a minha vida quando tudo era escuridão.
— Você não precisa ter medo comigo, Claire — prometeu Seth, encurtando a pouca distância entre eles e segurando a cintura dela com imensa delicadeza. — Eu estou aqui por inteiro. Para você e para o nosso bebê.
Claire sorriu através das lágrimas que ameaçavam rolar, e não recuou.
Seth inclinou a cabeça e selou seus lábios nos dela em um beijo calmo, doce e acolhedor. O toque começou suave, repleto de respeito e gratidão, mas rapidamente aprofundou-se quando Claire envolveu o pescoço dele com os dois braços, puxando-o para mais perto. O sabor de canela e a quentura daquela entrega selaram o nascimento definitivo de um novo amor — puro, verdadeiro e curativo — no meio do cheiro de bolo assando na cozinha.
Quando se afastaram devagar, Seth manteve a testa apoiada na dela, ambos arfando com sorrisos radiantes nos lábios.
— Acho que a massa do bolo vai ter que esperar um pouco — brincou Seth baixinho.
— Deixa a massa — respondeu Claire, rindo e puxando-o para mais um beijo.
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