Aquela manha de quinta feira nascera cinzenta e com cheiro das folhas molhadas pelo orvalho matinal, a jovem Condessa observou por alguns minutos o céu que anunciava uma tempestade a caminho no horizonte de suas propriedades que se perdiam de vista. Angelique continuava usar suas vestes de luto, mas a fita de cetim que prendia seus sedosos fios louros era carmesim.

Suas delicadas mãos seguravam firmemente nas barras de ferro da sacada, um ótimo lugar para avistar toda a parte dos fundos e o imenso labirinto onde vivera seus piores pesadelos que ainda faziam sua pele se arrepiar, mas o canto de um corvo chamou lhe atenção e rapidamente seus olhos azuis pousaram sobre ave moribunda que sobrevoava suas dependências.

Lembrara do que sua mãe costumava dizer a respeito dessas aves, rapidamente a jovem Condessa afastou-se de perto das barras de ferro e fechou os punhos como se quisesse se proteger de algo.

Sainte Mère de Dieu, qui enlève mauvaises autour de moi et de mon cœur.Lla protection de mon esprit. – resmungou uma pequena reza que aprendera com sua antiga ama a verdadeira Lenore, quando ainda era apenas Lady Le Blanc.

Ange apressou seus passos na direção de seu quarto, fechando as portas atrás de si em forma de prevenção contra um possível mau olhado, sua mente estava confusa e aterrorizada por causa da presença daquele pássaro por um minuto acreditou que fosse as maldições que Lady Point Du Lake lhe rogara no dia anterior.

Mal sabia que aquele pressagio ruim na verdade viera na direção do castelo do Lord Gerard Point Du Lake que por sua vez cuidava de forma rígida de seus campos antes da colheita do trigo como sempre fazia no inicio de Dezembro quando os grãos já estavam começando a secarem devido ao alto nível de umidade no ar.

- Lord Point Du Lake, novamente as cercas próximas ao riacho estão estouradas. – anuncia um de seus criados.

Gerard parou o que estava analisando e se vira na direção de seu criado com um olhar carregado de fúria.

-Maldição. – berra.

Chamando a atenção dos demais criados que estavam fazendo a colheita do trigo, Lord Point Du Lake caminhou na direção de seu belo macho de sangue puro e em questão de segundos montava no enorme animal e saía em disparada na direção da residência dos McNare, os antigos rivais que seus antepassados tiveram que expulsar de suas terras.

O criado observava seu senhor cavalgar na direção oposta do riacho Dubhagen que ficava aos pés da propriedade dos Point Du Lake, com apenas um gesto faz os demais criados o seguirem.

- Meu senhor está indo para o lado errado. – berra o criado sem muito sucesso.

A tempos que Lord Point Du Lake estava disposto a tirar a limpo os pequenos roubos que estavam ocorrendo em suas terras, desconfiava do filho bastardo de August McNare, um rapaz sem honras fruto de uma traição com uma criada chamado Maureen. McNare o único herdeiro do clã, pois era evidente que a pobre Janine era seca feito a casca de uma árvore morta.

Gerard praticamente invadira as fronteiras que limitava a linha entre as duas propriedades seguidas por seus homens armados com suas espadas presas em suas cinturas para uma precaução.

- August McNare. – berrou lord Gerard sobre seu belo animal.

Os criados da propriedade de lord McNare aproximavam-se empunhando suas espadas, sem delongas um homem de altura mediana e com cabelos avermelhados surgiu por detrás do imenso balcão onde guardavam os fenos.

- Não o desejo em minhas propriedades, pois seus pés trazem presságios ruins para minhas terras. – grunhiu.

Lord Gerard Point Du Lake saltou de seu animal e o encarou de forma profunda e carregada de rancor.

- Mande seu pequeno bastardo parar de arruinar minhas propriedades ou terei que ensiná-lo a ser um homem de verdade desafiando-o. – vociferou.

Lord McNare encarou-o por sobre os ombros demonstrando que era soberbo.

- Então não deixe sua maldita vontade passar, enfrenta-o. Pois suas calunias são tão infames quanto às terras que possui. – disse cuspindo aos pés do Lorde Point Du Lake. – Chamem Maureen. – ordenou.

Sem demoras um rapaz alto de físico robusto surgiu entre os homens do Lord McNare segurando uma espada de dois fios. Não poderia acatar aquela afronta diante de seus homens, mostraria para aquele bastardo.

- Mandou me chamar pai? – quis saber.

Lord McNare apenas balançou a cabeça.

- Esse homem afronta seu pai chamando-o de bastardo, deve honrar nosso brasão aceitando a luta. – ordenou.

O jovem virou-se na direção de Lord Point Du Lake e cuspiu na direção de seus pés aceitando o desafio.

- Que seja feito o desafio. – disse Lord Point Du Lake.

Maureen segurou firme sua espada e partiu na direção de Gerrad desferindo um golpe ágil e pesado, Lord McNare sabia que os antepassados de Lord Gerard eram hábeis com as espadas porém não temeu por seu filho que tinha uma boa ginga para desviar-se dos golpes que eram desferidos na sua direção.

Mas não se pode apostar apenas nas habilidades de seus antepassados, pois Lord Point Du Lake estava velho demais para enfrentar um desafio principalmente de um rapaz recém saído das fraudas. O peso de sua idade o deixava lento em seus movimentos.

Até que por fim Maureen McNare desferiu seu golpe favorito que sempre usava para matar os porcos: desviou do golpe de Lord Point Du Lake e gravou a espada nas costas dele bem sobre o coração fazendo o cair sobre seus joelhos exatamente quando um trovão explode sobre o céu cinza e as primeiras gotas de chuva começam a cair sobre a terra.

- Carregue a dor de perder para um bastardo para seu maldito tumulo, Lord Point Du Lake. – sussurrou nos ouvidos de Gerrard.

O jovem Maureen levantou-se e caminhou na direção de seu pai que festejava a morte de seu pior inimigo deixando assim sua honra imaculada novamente, Lord Point Du Lake murmura pequenas palavras indecifráveis antes de cair de cara na lama.

Lord August McNare autorizou que os homens de Point Du Lake carregassem o corpo já moribundo de seu senhorio para fora de suas terras.

“A maior glória é a pior maldição que um Homem pode carregar, deixando o soberbo e cego para o mundo que nunca desfrutara, pois tem seu final trágico nos braços gélidos da morte.”

Notas finais
Queremos agradecer a leitora Fran Malfoy por ter deixado uma recomendação no capítulo anterior.
Obrigada, linda!
Dessa & Candace