Inocência Roubada
1 Chapitre - Invité D'honneur
Notas iniciais
A ama terminava de amarrar os lindos laços do vestido da pequena Angelique com dificuldades, pois a jovem estava irrequieta enquanto olhava para a bela boneca de porcelana que estava nos braços de sua irmã caçula.
– Srta. Ange fique calma, desse jeito fica difícil conseguir terminar de arrumá-la. — Lenore chamava a atenção da filha de seus patrões que sempre lhe dava trabalho na hora de arrumá-la.
– Ande logo com isso, Lenore, não quero que Zélie estrague minha boneca nova. — Angelique se balançava enquanto a caçula mostrava a língua e saía correndo do quarto com a boneca da mais velha nas mãos.
Na mesma hora, a filha mais velha correu escapando das mãos da escrava tentando alcançar a pequena que lhe havia roubado a boneca que havia sido presente de sua mãe.
Lenore corria atrás das meninas sentindo o coração palpitando, pois não tinha mais idade e saúde para correr atrás de criaturas tão jovens. Por sorte a corrida durou pouco tempo, pois o imponente Lord Le Blanc apareceu todo vestido de negro com sua bengala na mão parado bem no meio do corredor.
– O que pensam que estão fazendo, Zélie e Angelique? Deveriam estar se preparando para a festa e, no entanto correm como dois moleques pela casa. Zélie ainda compreendo por causa da pouca idade, mas Angelique já não deveria mais ter essas atitudes pueris. Fará quinze anos no próximo Outono e já deveria estar preocupada em arranjar um bom marido, mas nenhum partido a quer por causa dessas atitudes e aparência infantis. — recriminou o pai enquanto encarava sua filha mais velha com pouca paciência.
Temendo um iminente castigo, Angelique limitou-se a abaixar a cabeça ao ser repreendida. De fato embora estivesse perto de completar quinze anos de idade, tinha a aparência infantil assim como seu comportamento. Moças da mesma idade costumavam começar a noivar com bons homens da Corte, mas a família Le Blanc começava a acreditar que sua filha mais velha não faria um bom casamento.
Isabelle Le Blanc, mãe de Angelique era mais compreensiva, pois acreditava que em seu tempo sua filha mais velha desabrocharia e se tornaria uma bela mulher pronta para o casamento, mas a cada ano que passava parecia que a jovem mãe estava enganada.
– Perdão papai, é que Zélie pegou minha boneca e tive medo de que ela se quebrasse, pois Zélie é descuidada. — explicou-se a primogênita.
– Angelique não tem mais idade para se preocupar com bonecas idiotas. Lenore leve-a de volta para o quarto, pois quero Angelique pronta para o Baile e acho bom que se comporte como uma jovem de sua idade, caso contrário as castigarei. — ameaçou o Lord.
– Ela vai se comportar milorde tem certeza de que vai, não é mesmo Srta. Angelique? — perguntou a escrava enquanto segurava nos braços de sua protegida.
Embora as meninas Le Blanc lhe dessem muito trabalho, era apegada a elas e não gostava que fossem castigadas, não só porque quando isso acontecia acabava levando algumas surras também por ser considerada culpada pelo mau comportamento das meninas a quem deveria educar e tomar conta, mas também porque não gostava de ver aquelas criaturas tão inocentes sendo castigadas.
– Sim, Lenore. — assentiu Angelique e ambas caminharam na direção do quarto para que a ama pudesse terminar de arrumar o vestido da jovem.
Zélie não compareceria ao baile por ter apenas seis anos de idade, mas a presença de Angelique era cobrada e esperada por todos. Nunca gostou dessas ocasiões. Bailes eram ocasiões entediantes para a mais velha pelo fato de que tinha que ficar sentada comportando-se como uma dama enquanto outras mulheres conversavam ou dançavam com alguns cavalheiros, mas ninguém nunca a tirara para dançar e também não fazia questão, pois preferia a companhia de seus brinquedos e de sua ama á daquelas pessoas a quem não podia compreender.
Aquele Baile seria ainda mais especial, pois seu pai receberia a visita do Conde Lefebvre, um homem extremamente poderoso e muito rico, pois isso Angelique não poderia decepcionar sua família caso contrário seu castigo seria desagradável e duradouro, mas nada a havia preparado para o tipo de castigo que receberia muito em breve, ainda que houvesse decidido se comportar como uma dama.
A porta do quarto de abriu e Zélie entraram vestidas com sua camisola e a boneca da irmã mais velha nas mãos. Caminhou nas pontas dos pés até Angelique e estendeu o brinquedo para a jovem.
– Aqui Ange, pode ficar. A minha é mais bonita! — disse a caçula e Angelique segurou a boneca abraçando-a contra o peito.
– Obrigada, Zélie. — agradeceu pensando que ao menos teria algo para levar consigo durante aquele Baile chato do qual seria obrigada a participar.
O Salão de festas estava abarrotado de cavalheiros e damas trajando belíssimos vestidos rodados quando o Conde Theodor Lefebvre adentrou no local para ser imediatamente recebido pelo casal Le Blanc.
– Conde Lefebvre, é uma honra receber sua visita. Deixe que eu apresente minha família. Esta é minha esposa, Isabelle Le Blanc e esta minha filha mais velha, Angelique. — disse o pai erguendo uma das sobrancelhas com reprovação ao notar que Angelique ainda trazia aquela maldita boneca na mão ainda que tivesse se comportado de maneira educada.
Mal sabia ele que assim que Theodor pôs os olhos naquela jovem criança, seus olhos azuis brilharam de malícia. Angelique era tudo o que Theodor desejava: nascida de uma boa família, rosto e corpo pueris além de inocência típica das crianças.
– Sua família é encantadora, Lord Le Blanc. Angelique me concederia a honra de uma dança? — perguntou o Lord inclinando-se em uma leve mesura.
Os olhos azuis bem claros da jovem arregalaram-se com tamanha surpresa assim como os de sua mãe, pois ninguém esperava aquele convite. Angelique apertou sua boneca contra o peito ao sentir um pouco de medo da proximidade com o homem desconhecido por mais que Theodor tivesse uma boa aparência, mas sabia que seria muito errado dizer não ao Conde, principalmente tratando-se do convidado de honra de seu pai e por isso assentiu com a cabeça enquanto entregava a boneca para sua mãe.
Assim que Theodor tocou a mão pequena e branca de Angelique aproveitando para dar uma boa olhada em seu corpo sem curvas tendo apenas um pequeno par de seios pequenos como volume no vestido notou que ela se parecia com a boneca de porcelana que havia entregado e deu um sorriso.
"Em breve você não brincará mais com bonecas, Angelique. Seu brinquedo será outra coisa." pensou de maneira pervertida enquanto caminhava para o meio do salão iniciando os passos de dança. Antes de a música terminar ele já tinha decidido: Angelique seria sua.
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