Inocência Roubada

29 Capítulo - Portuaire L'Assurance


Os belos olhos azuis da Condessa Lefrebve se abriram e suas mãos apertaram o travesseiro devido ao susto causado pelo barulho da trovoada que tirou o silêncio daquela noite.

Levantou-se e caminhou até a janela observando os clarões dos relâmpagos que cruzavam o céu. Em noites como aquela Angelique costumava sentir-se mais sozinha e temerosa, mas naquela noite se deu conta de que não precisava mais sentir-se assim, pois havia um lugar seguro naquele imenso e escuro castelo onde poderia sentir-se segura: nos braços de Yerik.

Com a luz de uma lamparina em uma de suas mãos caminhou pelos imensos corredores até avistar o pequeno cômodo onde acomodara seu escravo. Desde que tiveram aquela última conversa e Angelique compreendeu que aquele homem não tentaria escapar de seus domínios que ela decidiu mantê-lo longe do Calabouço tendo seu próprio quarto com algum conforto.

Para sua surpresa, Yerik também se encontrava acordado naquela noite ao lado daquela janela observando as grossas gotas de chuva que caíam.

Não havia medo ou apreensão no olhar de Yerik, era quase como se houvesse uma paz ali enquanto ele olhava para aquela tempestade. Assim que ouviu o barulho da porta se abrindo pôde fitar a silhueta da jovem Condessa ali encarando-o.

Com passos firmes caminhou até ela para recebê-la em seus braços onde Angelique sentiu-se segura novamente. O cheiro de Yerik era único e através dele era como se pudesse sentir sua paz e tranquilidade. Os lábios masculinos procuraram os seus iniciando um beijo não cheio de luxúria, mas de um sentimento que até aquele momento a viúva Lefrebve desconhecia.

Era um beijo calmo, sereno onde ela podia sentir todo o calor do corpo de Yerik assim como seus batimentos cardíacos que eram em um ritmo calmo e acolhedor como tudo o mais que havia nele.

Sentiu que seus pés não tocavam mais o chão quando ele ergueu seu corpo sem dificuldade e a levou até sua cama.

Não era tão grande e confortável quanto sua própria cama, a mais luxuosa da casa mas ainda assim Angelique sentiu-se melhor ao senti-la embaixo de seu corpo, pois tudo ali tinha o aroma de Yerik, ao contrário do lugar onde ela própria dormia todas as noites assombrada pelas lembranças de Theodor.

Os lábios de Yerik percorreram a pele macia de seu pescoço até chegar em seu colo e suas mãos másculas cuidadosamente a livraram do tecido da comprida camisola que ela usava enquanto ele a fitava com admiração.

Angelique não sentiu-se envergonhada por estar despida diante daquele homem, seu olhar não era sádico como os olhos do Conde e tampouco havia unicamente luxúria como nos olhos de Gerard. Nos olhos de Yerik havia desejo, mas não era apenas isso, havia muito mais.

Foi naquele momento que a jovem Condessa percebeu que amava aquele homem como jamais pensou que poderia amar alguém antes. Puxou seu corpo para si e beijou-o como se naquele beijo pudesse transmitir todo o seu sentimento.

Com suas mãos delicadas livrou-o das roupas que ele ainda usava sentindo o calor de seu corpo nu enquanto acariciava-o.

No momento em que seus corpos se uniram de forma que sentiu-se completamente preenchida por ele seu desejo foi que além de seus corpos, suas almas também pudessem se unir e fundir-se uma na outra.

Os movimentos eram lentos acompanhando o ritmo do beijo, Yerik correspondia a todo o sentimento que havia em Angelique desejando poder tê-la para sempre.

Era como se sua alma estivesse esperando por ela durante todos aqueles longos anos.

Sentia-se completo ali com Angelique e soube que faria qualquer coisa por ela naquele momento. Enlaçou-a ainda mais forte pela cintura enquanto ambos chegavam ao ápice juntos.

Quando deitaram-se lado a lado naquela cama com seus corpos suados e respirações ofegantes perceberam que a tempestade havia passado, mas ainda assim não quiseram se separar. Juntos e pela primeira vez completos adormeceram ali naquela cama.

Notas finais
Boa Leitura!