Inocência Roubada
14 Capítulo - La Suppléant
Angelique obsevou uma movimentação estranha pelos corredores do Castelo e aproximou-se sorrateiramente sem fazer qualquer barulho para que os criados não percebessem sua presença uma vez que queria ouvir sobre o que estavam comentando.
Uma das moças da cozinha estava chorando enquanto fitava um homem mais velho com aproximadamente a mesma idade de Theodor, porém com vestes simples indicando que era um dos criados.
– O Conde a matou, foi horrível, eu a vi com meus próprios olhos. Pobre Adeline!É verdade que era rabugenta, mas também não merecia esse fim. — disse a mulher e o homem pôs uma das mãos sobre seu ombro tentando consolá-la.
– Não fique desse jeito Cécile, sabe que se o demônio a ver desse jeito é capaz de castigá-la. Tudo o que podemos fazer é rezar para a alma de Adeline, se é que adiantará alguma coisa, pois ruim daquele jeito é bem capaz que tenha ido direto para o inferno. — falou o homem.
Angelique levou as mãos á boca apavorada com as palavras dos escravos e saiu correndo dali o mais rápido que pôde quando foi interrompida pelo Conde que parou na sua frente.
– Que modos são esses, Angelique? Onde já se viu uma Condessa correndo desse jeito feito um moleque? Os Le Blanc definitivamente lhe deram uma péssima educação. — ralhou Lefrebve enquanto fitava a jovem esposa com seus gélidos olhos azuis.
Sua aparência era de dar medo, pois usava seus trajes apropriados para caça e trazia um chicote em uma das mãos, pois havia acabado de cavalagar.
– Perdão, meu senhor. É que, tem uma coisa que eu gostaria de perguntar. — atreveu-se Angelique sentindo seu coração acelerando-se dentro de seu peito.
Theodor teria mesmo coragem de tirar a vida de alguém? Seria tudo apenas uma fofoca dos criados? Precisava tirar aquela dúvida por mais que a certeza lhe causasse arrepios.
– Pergunte logo. — disse o Conde impaciente.
– É verdade que o senhor matou Adeline? Atirou contra seu peito? — perguntou erguendo a cabeça para encarar o marido.
– Oras, queria que eu me livrasse dela, não? Eu o fiz, não importa como. Agora não venha reclamar, fiz o que você queria e nunca mais vai vê-la. — disse Lefrebve com ironia. — A propósito, vá se aprontar. Vamos ao Mercado de escravos agora. Ande logo, não tenho o dia todo!
Angelique virou-se e caminhou na direção de seu quarto para arrumar-se sozinha uma vez que não podia deixar Theodor esperando.
Assim que subiu na carruagem, durante o caminho dúvidas passavam por sua cabecinha.
Seria ela responsável pela morte de Adeline? Indiretamente havia matado uma pessoa. Como o Conde havia dito, agora nunca mais veria Adeline, ela não lhe importunaria mais e não sabia se isso era um motivo para sentir-se feliz, uma vez que havia sido vingada ou se deveria sentir-se triste e culpada porque alguém havia morrido.
Logo a carruagem parou no lugar onde funcionava o Mercado de Escravos da região, havia uma fila de pessoas com os punhos amarrados e um homem de aparência severa com um açoite em uma das mãos recebeu Theodor.
– Conde Lefrebve, é sempre uma alegria revê-lo. O que o traz aqui? Temos escravos bem fortes, ótimos para fazer o serviço pesado. — ofereceu o mercador.
– Dessa vez não vim comprar um escravo forte, é minha esposa quem irá escolher uma ama para servi-la. Quero que mostre-lhe as mulheres para que a Condessa escolha uma. — disse Theodor.
O homem guiou Angelique até uma fila onde haviam mulheres e crianças, logo ela pôs os olhos sobre uma mulher alta, roubusta e com cabelos avermelhados que lhe lembrava Lenore.
– Eu gostei dessa aqui. — disse apontando para a mulher.
Um garoto de aproximadamente dez anos estava cao seu lado e colocou-se na sua frente.
– Não, a mamãe não, por favor! — pediu.
Os olhos da mulher enxeram-se de lágrimas, mas Angelique apenas lançou um olhar irritado na direção do garoto, como se ele estivesse atrapalhando-a de conseguir seu intento.
– Quero essa. — insistiu.
Um dos mercadores de escravos segurou o garoto pelo braço e o arrastou para fora dali enquanto o primeiro continuou a tratar da compra.
– É uma boa escolha, não é muito moça mas também não é velha. Está em perfeita saúde e sabe fazer os serviços de casa. — explicou.
– Como se chama? — perguntou Angelique com curiosidade.
– Se chama Louise. — disse o Mercador.
– Não gosto desse nome. Prefiro que seja Lenore, posso trocar o nome dela? — A jovem condessa perguntou.
– Pode fazer o que quiser com ela. — interferiu o Conde enquanto retirava algumas moedas de ouro de dentro da sacola para entregar ao Mercador, como pagamento pela escrava.
Com a cabeça baixa a mulher foi levada até a carruagem passando a viagem em silêncio com apenas algumas lágrimas escorrendo por seus olhos, mas assim que chegaram no Castelo, Angelique estendeu-lhe um lenço de seda.
– Não chore, Lenore. Você vai ser feliz aqui comigo se for minha amiga. Poderá cuidar de mim e pentear os meus cabelos. Vai ver como não será tão ruim. — disse Ange enumerando as atividades que costumava ter com sua ama na casa dos Le Blanc.
Depois que a Condessa retirou-se da sala caminhando na direção dos jardins, Theodor se aproximou de sua nova criada.
– Você ouviu o que sua senhora falou. Nada de choros se não quiser ser castigada. Faça tudo o que ela mandar, ou posso comprar aquele menino e garanto que o destino que lhe darei não será nada agradável. — o Conde ameaçou.
A mulher arregalou os olhos sentindo muito medo pelo futuro do filho, pois sabia que enquanto longe talvez ele pudesse ser menos infeliz caso alguém o comprasse apenas para que ele trabalhasse como um criado, mas nas mãos de um homem como Lefrebve certamente não haveria nenhuma chance de felicidade e paz para o menino.
Engoliu o choro devido a tristeza porque nunca mais veria seu filho e por ele decidiu fazer o que o Conde mandava. Faria todas as vontades daquela bela menina que tão nova já havia se tornado esposa daquele monstro e parecia não ter noção da maldade de seus próprios atos.
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