Inocente Mulher

2 Carona pra Casa


Notas iniciais
"O passado não reconhece o seu lugar: esta sempre presente." - Mario Quintana

Eu não devia ter tocado nessa mulher, disse Raul para si mesmo, enquanto fitava as luzes das casas passando velozes pela janela de seu carro. Nunca, jamais, devia ter tocado nessa mulher! Devia ter previsto para aonde aquilo ia me levar.

Maldição, que tipo de idiota ele era?

Devia ter imaginado...

Raul convencera a si mesmo que dois anos eram um longo tempo. Disse a si mesmo que, desde que ficou sem vê-la — desde que ela saiu de sua vida sem nem mesmo olhar para trás —, ele conseguiu esquecê-la, expulsá-la da mente.

Esquecê-la! Ha!

— O quê?

Ele não percebeu que a risada curta que deixara escapar tinha sido real, e a mulher desmoronada ao seu lado no banco traseiro do poderoso carro despertou por um instante do estupor no qual mergulhara depois de ter extravasado todo seu sofrimento. Emma levantou a cabeça para olhar para ele, seus olhos poços escuros em um rosto branco.

— Não é nada — disse, gesticulando para enfatizar as palavras.

Emma mergulhou de volta no silêncio, cabeça baixa, preocupada com os próprios pensamentos.

O que estava fazendo ali com ela? Como terminou a noite trazendo-a para casa deste jeito, quando ele já sabia que cometeu um dos maiores erros da sua vida ao abraçá-la? Os dedos ainda pinicavam com a lembrança de onde ele tocara sua pele. Raul ainda podia sentir o perfume de seu cabelo e seu corpo, fazendo-o lembrar das ardentes e longas noites de frustração sexual que amargurou nas semanas depois de sua partida. Noites que o tinham feito procurar pela companhia de outra mulher, qualquer mulher, apenas para descobrir que estar com outra simplesmente fazia com que se sentisse pior, acumulando insatisfação sobre insatisfação até que se sentisse a ponto de explodir.

Era a última coisa que ele deveria estar sentindo neste momento. A última coisa sobre o que ele queria pensar, e ainda assim o acaso trouxera de volta essa maldição. Um toque, um momento com ela em seus braços, e tinha sido como se Emma jamais tivesse partido.

O que mais poderia ter feito? Como deveria ter reagido quando ela praticamente desmoronou na sua frente, praticamente atirando-se em seus braços? Só um troglodita teria lhe dado as costas.

Especialmente quando ele conhecia na carne o que ela estava passando. Conhecia perfeitamente bem a dor, a sensação de descrença total que impedia qualquer tipo de aceitação.

Lorena.

O amado nome penetrou os pensamentos como uma facada, fazendo-o fechar as pálpebras para conter as lágrimas. O momento em que ele tivera de identificar o corpo da irmã, deitado frio e imóvel, era uma lembrança da qual ele jamais seria capaz de esquecer. Sabia muito bem disso.

E, com esse momento marcado de forma tão brutal em sua mente, e sabendo que Emma estava passando por mais ou menos a mesma coisa, como ele poderia tê-la ignorado?

— Obrigada por me levar para casa... — Tendo enfim emergido do silêncio, Emma parecia determinada a prosseguir a conversa. Pelo tom baixo e monótono com que estava falando, Raul pôde perceber o esforço dela. — Foi muita gentileza de sua parte.

Com mais um gesto brusco, ele interrompeu as palavras de Emma.

— No es nada — disse, considerando impossível levantar a voz para qualquer coisa que não fosse um rosnado.

Como se estivesse sentindo frio, Emma fechou mais o casaco.

— Eu podia ter vindo de ônibus.

Agora, era a voz dela que estava fria. Cada vestígio da mulher que chorou em seus braços desapareceu, em seu lugar, estava alguém frio e distante. Provavelmente, assim como ele, Emma agora estava lamentando profundamente ter cedido ao impulso de chorar em seu ombro. Mas ele não podia se deixar acreditar que isso significava alguma coisa. Ela estivera à beira de desmoronar desde o momento em que ele entrara na sala, e por acaso ele era a única pessoa ali. Raul não tinha a menor dúvida de que, se pudesse ter escolhido o ombro de qualquer outra pessoa, Emma provavelmente o teria feito.

— Ônibus? Com um tempo como este? — Desta vez, seu gesto indicou a chuva forte que se abatia contra as janelas do carro, seu chiado quase abafando as palavras. — Você ficaria encharcada antes mesmo de chegar ao ponto de ônibus. Além disso, Carlos está esperando para me levar para a cidade. E ele vai mesmo passar pela rua do seu hotel.

E Raul não queria nem um pouco deixá-la sozinha em uma noite como aquela e no estado em que ela se encontrava. Emma podia ter parado de chorar, mas seu corpo esguio ainda tremia.

— Já fiz isso antes.

— Tenho certeza disso, mas, com meu carro disponível, não há necessidade de fazê-lo esta noite.

Raul tentou adivinhar o que ela teria feito caso ele tivesse lhe dito que sabia o que ela estava sentindo. Que ele próprio estava passando pela mesma experiência terrível, e que, por causa disso, não seria capaz de permitir que ela fizesse até mesmo uma viagem curta sozinha.

Balançou a cabeça em uma tentativa de afugentar as lembranças indesejadas.

— Eu podia ter me virado sozinha! — O tom de Emma indicou que ela vira o movimento rápido e interpretou incorretamente seu motivo. — Nem sempre estou mal deste jeito. Em geral, consigo lidar com situações ruins, mas esta noite tudo ficou em cima de mim.

— Acredite em mim, eu compreendo — garantiu Raul. — Mas ninguém mais poderia estar com você? Talvez sua mãe?

— Minha mãe está bem pior do que eu — esclareceu, em tom baixo, enquanto olhava pela janela, assumindo um interesse intenso pelos carros que passavam na rua.

— É completamente contra a natureza de uma mãe saber da morte de seu filho, e ela ainda nem se recuperou da perda de papai. Ela está arrasada... Não dorme... Não se alimenta. — Ela balançou a cabeça, contorcendo a boca enquanto lutava para conter novas lágrimas. — Só consegue lidar com a situação com a ajuda dos calmantes receitados pelo médico. Ao menos, os calmantes a fizeram dormir esta noite. Mas ela não consegue fazer nada do dia-a-dia. Assim, tudo fica nas minhas mãos.

Ela pronunciou a última frase com um tom amargo que pareceu dolorosamente familiar a Raul.

A lembrança da expressão de Emma naquela sala de espera no hospital, tão solitária, sem ninguém para ajudá-la, sem apoio, sem companhia, fez correr uma onda de raiva por todo o corpo.

— E onde diabos ele estava?

Aquilo a fez levantar a cabeça de maneira rápida, olhos avermelhados encontrando os dele.

— Onde quem estava?

— O homem na sua vida. — O homem por quem ela o deixara. — Seu amante, namorado, ou seja lá como você o chama.

— Oh...

Lentamente, o cérebro anuviado de Emma compreendeu o que ele estava dizendo. Estava falando do homem que ela alegou existir ao romper com Raul. Um homem que jamais existiu e que ainda não existia. Um homem que ela inventou. E, desde o fim do seu caso com Raul, ela não havia se relacionado com nenhum outro homem. Como poderia permitir que uma outra pessoa entrasse em sua vida, se nem havia se recuperado por completo do que vivera com ele?

Ela tentou. Desde que descobriu o que Raul queria dela, e fora forçada a reconhecer que seus sonhos de ser amada e querida até o fim da vida eram apenas sonhos, Emma tentou seguir em frente sem o futuro feliz que incluiria Raul Marcín.

No entanto, não conseguiu. As poucas vezes que saíra com homens tinham sido fracassos terríveis. Nenhum deles parecia gerar sequer uma fagulha da chama que Raul fora capaz de acender com o simples fato de existir. Assim, recentemente ela havia se concentrado em sua carreira e afastado da mente todos os pensamentos românticos. Ela teria gostado de esquecer também Raul, mas o romance recém-descoberto de seu próprio irmão mais velho impossibilitara isso.

E, agora, a conclusão trágica desse caso de amor trouxera de volta à vida o próprio Raul. Esse pensamento angustiante a fez estremecer. Será que um dia ela seria capaz de novamente pensar em Chris sem sentir uma agonia terrível?

— Bem, pelo menos você não está inventando alguma desculpa para ele.

Raul interpretara errado o motivo de seu silêncio, pensando que ele se dera por causa da pergunta sobre seu suposto novo parceiro.

— Não preciso de desculpa nenhuma — falou, sem pensar.

— Não? Se você fosse minha, eu jamais a deixaria sozinha. Ficaria a seu lado, a cada momento do dia.

— Mas não sou sua, sou, Raul?

E ela jamais poderia ser verdadeiramente sua.

Não da forma como ele quisera, como desejara. Claro que ele a vira como dele.

Em sua mente, ela foi sua mulher, sua possessão, para fazer o que quisesse. Como nenhum pensamento de amor jamais entrara em sua mente, Raul jamais considerou que talvez ela pudesse querer mais do que o pouco que ele estava preparado para lhe oferecer.

Ela não podia se permitir pensar em como seria ter um homem como ele, poderoso, determinado e capaz, a seu lado, naqueles dias desesperadores. Um homem que a ajudasse, que a apoiasse. Um homem cuja força seria usada para seu bem, para lhe aliviar o máximo possível o sofrimento. Não havia sonhado em se permitir sonhar com isso. Esse homem jamais seria Raul, e ele jamais iria apoia-la, os atos de Emma, dois anos antes, garantiam isso. Era ainda mais devastador pensar que, como seu marido, ele talvez tivesse assumido esse papel. Mas Raul nunca seria o marido que ela sonhara ter.

E a verdade nua e crua era que, se tivesse casado com ele, talvez a tragédia deste fim de semana jamais tivesse acontecido, e ela nunca se sentiria tão desesperadamente necessitada do apoio de qualquer pessoa.

— E nem todo mundo é um milionário que pode estar onde quiser, quando quiser — disse Emma, em tom amargo. —Alguém que não precisa se preocupar em se afastar do trabalho ou cancelar outros compromissos...

A consciência de Emma subitamente lembrou-a do motivo pelo qual Raul estava ali, por que largou tudo e veio para a Inglaterra. Ela sentiu vontade de engolir as próprias palavras. Devia ser capaz de lhe dizer a verdade sobre o que aconteceu. Foi por causa disso que ela esteve à sua espera no hospital. Ela esteve lá para dizer a ele, para garantir que não ficaria sabendo de outra forma. Ela quisera ser a pessoa que lhe explicaria as coisas.

Mas, em vez disso, ela estragara tudo.

Quando tentou conversar a respeito de Chris, Emma simplesmente se afogou em lágrimas, deixando por dizer tudo o que precisava ser dito.

E Emma não seria capaz de contar a Raul naquele momento, na escuridão do carro, com o chofer ouvindo tudo e a janela de vidro que o separava dos passageiros aberta.

— Então, esse seu novo homem está trabalhando?

Ela não podia responder a isso. Não sem mentir.

— Novo? Já faz dois anos que estamos juntos.

— Tanto tempo... E ainda não está usando aliança... Raul disse isso de forma tão natural que Emma não ficou surpresa quando sua reação instintiva foi cobrir a mão direita com a esquerda, impedindo que ele continuasse vendo seu dedo sem aliança.

Ela não sabia por que reagira dessa forma, sabia apenas que alguma coisa na voz de Raul lhe causou uma sensação péssima.

— Não há necessidade disso.

Mais uma vez, ela se esquivou de uma resposta verdadeira. Não necessitava de uma aliança, porque não havia outro homem em sua vida.

— Entendo. Então, esse foi o meu erro?

— Erro? — Emma piscou, confusa. Raul Marcín jamais admitia seus erros.

— Minha abordagem foi convencional demais? Acho que você disse que não estava interessada em casamento.

— Eu não estava interessada em me casar com você!

Desejou estar realmente tão convencida disso quanto fez soar. A triste verdade era que, ao ouvir a proposta de casamento de Raul, Emma achou que seu coração ia explodir de alegria. Simplesmente não ocorreu àquela jovem inocente, de 21 anos, que aquele homem sensual e devastador poderia querê-la por qualquer outro motivo além de estar completamente apaixonado, que era exatamente como ela estava.

Não lhe ocorrera que um homem rico e sofisticado como Raul poderia ter outros motivos, mais pragmáticos, para se casar com ela. Razões enraizadas mais em sua inocência, ao menos sexual, e em seus antecedentes familiares, do que em qualquer sentimento.

— Foi bom termos rompido naquele momento — disse Emma, apressada, tanto para fugir dos pensamentos quanto para preencher o silêncio constrangedor que se fizera entre os dois. — Teria sido pior se eu tivesse me arrependido no altar.

— Não chegamos nem perto disso — rebateu Raul, sarcástico.

— E sejamos gratos por isso. Se tivéssemos nos casado, teria sido um desastre.

— Você acha? — indagou Raul, em um tom levemente cético.

— Com toda certeza — disse, enfática. — Não concorda?

Ele não respondeu nada. E seu súbito silêncio foi enervante.

Virando-se confusa para ele, Emma flagrou algo em seus olhos que não conseguiu interpretar, um sentimento que aparecia e sumia como as luzes dos postes refletidas neles.

O coração de Emma saltou dentro do peito, fazendo seu sangue latejar nas veias.

Atordoada, disse a si mesma que ele precisaria se mover apenas alguns centímetros. Raul teria apenas de se virar para ficar cara a cara com ela, frente a frente. E com o rosto de Emma virado para cima como estava, Raul precisaria apenas abaixar a cabeça para esmagar seus lábios no beijo que ele tão obviamente queria lhe roubar. O beijo prometido no brilho dos seus olhos.

O beijo que ela queria receber dele.

Compreender isso foi como um soco no estômago.

Ela queria que Raul a beijasse. Queria ardentemente.

Porém, isso não fazia sentido. Era um desejo não apenas estúpido, mas também terrivelmente perigoso. Devia fugir de Raul, o mais rápido que seus pés permitissem. E não estar sentada ali, imaginando, esperando, desejando...

— Raul... — disse ela, tentando desesperadamente fazer com que aquilo soasse como um alerta. Mas estava com tão pouco controle sobre sua língua que, em vez disso, o nome de Raul saiu rouco e sensual, provocante e convidativo, enquanto ela tentava o efeito oposto.

— Emma... — murmurou Raul, quase de modo simultâneo. O tom grave e rouco ecoou pela cabeça de Emma.

Seus lábios se entreabriram em um arfar, enquanto ela lutava para reaver o autocontrole.

Aqueles olhos reluzentes estavam fixos nela. Emma viu o suave tremor em sua boca formar um leve sorriso antes que ele, mais uma vez, assumisse uma expressão séria, fitando de maneira intensa a boca entreaberta de Emma. E tudo o que ela podia fazer era observar, absolutamente paralisada.

O carro parou diante da entrada principal do prédio de Emma. O motorista disse, em espanhol, alguma coisa como "Chegamos, senhor".

Mesmo assim, Raul não se moveu. Seus olhos ainda estavam fixos nos lábios de Emma, tão intensos que pareciam arder. Para aliviar o desconforto, precisou correr a língua pelos lábios.

E quase gemeu alto — mas, se de alívio ou decepção, não poderia dizer — quando viu sua pequena e breve ação estremecer o clima, até então estagnado, entre os dois.

Raul levantou novamente o rosto, e seus olhos colidiriam com os dela por um momento. Então, Emma desviou o olhar para a rua varrida pela chuva.

— Minha parada, acredito eu — conseguiu dizer Emma, a voz subindo e descendo, tal como o som de um rádio mal sintonizado. — É aqui que fico.

Se ela esperava alguma resposta, não houve nenhuma. Raul simplesmente se inclinou por cima dela para abrir a porta, deixando entrar um vento frio. Em seguida, recostou-se, obviamente esperando que ela saltasse do carro.

— Obrigada pela carona.

— Foi um prazer — respondeu, de um modo que soou exatamente o oposto.

A mudança rápida de olhar sensual para distância fria foi tão desconcertante que Emma se pegou trêmula, incapaz de controlar o próprio corpo.

Ela tivera tanta certeza... Mas, no presente instante, o temperamento de Raul estava tão diferente que se viu forçada a considerar que tinha imaginado coisas, iludindo-se completamente.

Ela saiu do carro o mais rápido que conseguiu. Foi apenas quando firmou os pés na calçada, e se viu açoitada pelo vento e pela chuva, que se lembrou porque forçara um encontro com Raul. Por que estivera no hospital.

Emma estivera lá para lhe contar tudo — toda a verdade sobre o terrível acidente que tirou a vida de Chris —, e nem começara a dizer qualquer coisa.

Ela deixou o tempo no carro passar, concentrando-se em lembranças do passado, em qualquer coisa que não aquilo com que deveria estar pensando.

O que devia ter dito a ele.

O que ainda precisava dizer a ele.

Emma não podia permitir que ele soubesse a verdade por intermédio de qualquer outra pessoa. Não podia permitir que outra pessoa lhe contasse. Havia apenas um alguém que poderia lhe contar tudo o que aconteceu — e era seu dever fazer com que ele conhecesse a versão correta da história. Era a última coisa que ela poderia fazer por seu irmão... A única maneira de preservar a memória de Chris.

Mas não havia como voltar atrás e dizer a ele. O que deveria fazer? Retornar ao carro e dizer "Espere, esqueci de lhe contar uma coisa"? Ou lhe contar tudo sem rodeios, ali, diante de seu carro, onde o chofer e transeuntes poderiam ouvir?

Não podia fazer isso a ele. Nem mesmo ao Senhor "Coração de Pedra" Raul Marcín.

Assim, reuniu todas as forças, respirou fundo para se acalmar, e se curvou para olhar de novo pela porta do carro.

— Não precisamos acabar a noite deste jeito. Quer subir para... Tomar um café?

Emma soube o quanto aquelas palavras estavam soando mal no instante em que saíam de sua boca. O quanto pareciam leves em comparação com o propósito por trás delas. Sentiu-se ainda pior ao ver a forma como a expressão de Raul mudou, olhos estreitando no rosto assombreado, boca afinando em uma linha dura, fria.

— Café? — retorquiu, fazendo a palavra soar como se a bebida fosse uma substância completamente alienígena para ele.

— Bem, você não tomou café enquanto estava no hospital... — conseguiu dizer em uma voz tremida que não gerou qualquer mudança na expressão indiferente de Raul.

Ela sabia que ele ia recusar, sabia disso no fundo do coração. Dentro de um segundo, Raul iria fazer um gesto para dispensá-la, e, em seguida, ordenaria a Carlos para seguir viagem, antes de fechar a porta bem na sua cara. E, se ele fizesse isso, então ela não teria como entrar em contato com ele novamente. Afinal de contas, fora por causa disso que estivera à sua espera no hospital.

— Por favor... Não precisa demorar muito. Quero apenas agradecer a você...

— Não precisa agradecer.

Mas, então, apenas por um momento, Raul hesitou, fitando os olhos de Emma.

Ela tentou adivinhar o que estaria passando por trás daquela mente fria e calculista.

Então, de repente, ele se inclinou até o chofer e deu alguma ordem ríspida em espanhol. O chofer fez que sim com a cabeça.

— O quê... ? — começou Emma, mas se calou ao ver a mão máscula e bronzeada de Raul abrir a fivela do cinto de segurança.

— Meia hora — respondeu, seco, relanceando os olhos para o fino relógio de ouro em seu pulso. — Esteja aqui às nove — disse a Carlos, falando em inglês, para, deduziu Emma, passar a mensagem para ela também. — E não se atrase.

Raul não poderia ter deixado mais claro que dispunha de pouco tempo para ela?

Mas, pelo menos, ele estava vindo. Quando estivessem a sós no seu apartamento, com privacidade, ela iria lhe dizer o mais rápido possível tudo o que precisava ser dito. E, então, ela enfim conseguiria relaxar.

E Raul sairia novamente de sua vida e a deixaria em paz.

E era o que mais queria no mundo, disse a si mesma, recusando permitir que a mente reconhecesse a forma como suas palavras subitamente tinham deixado um perturbador vazio na cabeça.

Por enquanto, precisava reunir forças para contar tudo a Raul, e, em seguida, enfrentar a tempestade apocalíptica que ocorreria quando ele soubesse a verdade.

Se conseguisse sobreviver aos próximos trinta minutos de sua vida, Emma poderia voltar a pertencer a si própria.

Notas finais
Oi amores, o que vocês acharam da história? Comente sobre o que estão achando até agora, será muito bom saber a opinião de vocês! Um beijo da Dream.