Inocente
5 Como as coisas deveriam ser
Notas iniciais
Espero que gostem ! :D
Assim que chegamos, Jane correu para a geladaria. Escolheu logo os seus sabores preferidos: chocolate, morango e baunilha, como todas as crianças.
Ela só se queria ir sentar e comer o gelado, por isso não parava quieta um segundo. Edward ofereceu-se para a levar, enquanto pedia o meu.
–Edward!- Chamei antes de ele sair com ela.- Que gelado queres?
–Sabes qual é.- E saiu.
Fiquei a olhar para a porta durante um bocado. Verdade que sabia. Mas era estranho pensar no que ainda sabia, as recordações que trazia.
Fiquei a saber no dia em que ele me pediu em namoro.
*Hoje devia ser um dia normal, só que não era. Hoje ia passar a tarde com ele, o meu amor secreto, Edward Cullen. Ele convidou-me para sair no princípio da semana e quase morri quando descobri que era segunda-feira. A semana foi uma tortura a passar e Rosalie, namorada do seu melhor amigo e irmão, Emmet, disse-me que ele também estava ansioso, pois Emmet lhe dissera.
Quando finalmente chegou o dia, pus o meu melhor vestido. Branco e solto com alças finas que me chegava ao joelho. Pus as minhas sapatilhas, também brancas, só um toque com a maquilhagem, arrumei o cabelo e assim que acabei, ele chegou. Mesmo na hora. A minha irmã Rosalie entrou no quarto com um sorriso de orelha a orelha.
–Estás linda Lela! Ele está lá em baixo à tua espera!
Desci com Rosalie, despedimo-nos de meu pai Charlie e minha mãe, René e fomos. Entramos no carro dele e assim que começamos a chegar ele disse para eu fechar os olhos, sem batota. Assim o fiz. O meu coração cada vez batia mais. Quando ele parou, disse para eu ainda não abrir. Abriu a porta do meu lado e ajudou-me a sair dele. Andamos só mais um pouco e paramos. Não ouvia nada, a não ser os pássaros e mais uns quantos animais. Cheira bem. Conseguia ouvir água…
–Podes abrir.- Disse Edward. Assim que abri fiquei surpresa com o que via. Estávamos no campo, junto ao rio onde tinha sido a festa onde nos conhecemos. Agora estava tudo limpo, sem copos ou latas no chão. Olhei para Edward que me olhava com um sorriso meigo. Dei-lhe um beijo na bochecha, deixando-o vermelho.
–Obrigada.- Agradeci o mais doce possível.
Ele foi até ao carro e quando voltou trazia um cesto na mão. Tirou de lá de dentro uma toalha tradicional, vermelha e branca aos quadrados. Tirou de lá de dentro dois copos, e umas quantas tacinhas. Estava tudo perfeito.
–És doido.- Disse sentando-me á sua frente na toalha.
–Doido por ti.- Disse.
Fixei o meu olhar no dele. Eu sabia que havia qualquer coisa forte entre nós, mas não sabia que ele também sentia. Lentamente, ele avançou na minha direção e quando ficamos quase com os lábios colados, olhamo-nos nos olhos. Ele estava a pedir se podia avançar. Mas em vez de lhe dar a resposta, beijei-o eu. Primeiro foi um beijinho só, mas depois os nossos corpos começaram a pedir por mais, e no momento seguinte a sua língua invadia a minha.
Tantas noites que sonhei com este momento e agora eu estava ali com ele, a beijá-lo ardentemente. Tudo estava perfeito na minha vida. Quando nos separamos, para podermos respirar, sorrimos um para o outro. Eu, completamente corada e ele com um ar … realizado.
–Sei que não é assim que se faz, mas vamos começar por um docinho, para o meu docinho.- Disse, fazendo-me corar ainda mais.- Eu não vivo sem gelado, e resolvi trazer…
–Não derreteu já?- Perguntei olhando para ele, que tirava uma embalagem e gelado e duas colheres. Ele riu.
–Espero que não.- Quando ele abriu, ainda não estava completamente derretido. Olhamos um para o outro e rimos.- É gelado de Iogurte…Espero que gostes. É o meu preferido.
–Estás a brincar? Também é o meu!- Disse com um sorriso.
E dito isto, Edward agarrou-me a cara com ambas as mãos e puxou-a contra a sua, dando-me um beijo ardente e apaixonado.*
Peguei em ambos os copos de gelado e fui para junto deles.
Jane estava a rir, juntamente com Edward. Sentei-me, passei o gelado a Edward que me olhou nos olhos. Naquele momento, vi o dia do picnic reflectido nos seus olhos. Ambos desviamos o olhar.
–Qual é o teu saber preferido Edward?- Perguntou Jane.
–Iogurte.- Respondeu piscando-lhe o olho.
–Ué! É igual ao da mamã! Adoramos gelado né mamã?- Perguntou olhando-me. Eu sorri-lhe, assenti e pisquei-lhe o olho.- Mas não comemos muitas vezes gelados porque o pai não gosta. Só quando tou com os titios é que comemos!
Edward olhou-me, mas fingi não reparar.
–Edward posso fazer-te mais uma pergunta?- Perguntou Jane.
–Todas as que quiseres.- Disse olhando-a.
–De onde conheces a mamã?
Ele olhou para ela de olhos arregalados e depois para mim que também a olhava. Nenhum de nós queria falar disso, por isso ambos suspiramos. Mas Edward recuperou e falou-lhe de nós.
–Eu conheci a tua mãe na escola. Nós éramos todos amigos. Bom, e eu a ela namorávamos. O Jasper, com a minha irmã Alice e a Rosalie com o meu irmão e maior confidente Emmet. E éramos todos amigos e muito chegados. Mas um dia a tua mãe teve de ir e todos nós nos separamos.
–Isso é uma história feliz, então … Porque viste embora mamã?
–Ah… Bom… É que… Ah, foi por causa do pai. – Disse desconfortável, olhando para todo o lado, menos para Edward e Jane.
–Mas tu estavas com o Edward. Porque vieste com o pai?
–Jane…- Suspirei. – São coisas do passado, meu amor. Deixa para lá, sim?
Ela assentiu e continuou a comer. Durante um bocado o clima foi de cortar à faca. De repente senti o meu telemóvel vibrar. Podia ser Mike…! Era uma mensagem, de Edward. Jasper outra vez, provavelmente….
De: (número dele)
Mensagem: Eu quero saber porquê, Bella. E vou saber.
Inspirei bruscamente.
Boa! Só me faltava esta…!
Passado um pouco o ambiente começou a mudar. Com os disparates que Jane dizia, era impossível ficarmos assim muito mais tempo. Ao fim de um pouco já estávamos todos a rir. Mas como sempre, a realidade voltou a cair sobre nós. Tinha de voltar a casa, antes que Mike lá estivesse. Era agora uma da tarde, mais ainda tinha o almoço para fazer. Tinha de ser rápida.
Edward levou-nos a casa. Jane despediu-se dele com um beijinho e um grande abraço. E apenas lhe acenei e ele piscou-me o olho. Entramos em casa. Jane foi logo ver televisão.
Sentei-me ao seu lado.
–Jane, preciso que …
–Guarde segredo sobre o Edward né mamã?
–É isso mesmo, princesinha. Consegues?
–Claro que sim. Assim o pai não fica zangado né?
–Sim, isso mesmo.- Disse dando-lhe um beijinho.
Fui para a cozinha fazer o almoço. Fiz salteado de legumes. Era rápido.
Às duas em ponto Mike chegou a casa. Ouvi-o a falar com Jane, mas não percebi. Tinha acabado de por a mesa, quando ele entrou.
–Que faz a miúda em casa?
–Ela teve uma pequena zanga na escola.
–Zanga?- Perguntou, começando a fixar zangado. Cruzei os braços e olhei-o. Era por causa dele que Jane tinha feito o que tinha feito.
–Sim, mas tu não tens o direito de ficar zangado com ela. Ela bateu numa das colegas.- Vi os seus olhos ficarem arregalados.
–E não tenho o direito porque?!- Disse levantando a voz.
–Porque quando lhe perguntaram o porquê de ter batido, ela disse que era o que ele fazia. Que era o que tu fazias em casa, por isso não, não tens o direito de ficar zangado com ela.
Disse indo para a porta, mas antes de lá chegar, ele agarrou-me o braço com bastante força.
–Não te atrevas a virar-me assim as costas!- Disse quase a espumar de raiva.
–Larga-me Mike!- Disse tentando soltar-me. Ele soltou, mas antes de sair, deu-me um estalo, mandando-me ao chão.
A minha vida resumia-se a isto.
A manhã toda tinha sido tão boa, na companhia de Edward e da minha bebe e bastava chegar a casa para ir direitinha ao inferno.
Gostava tanto de poder contar a verdade a Edward. Gostava tanto que ele percebesse o que se passava e me ajudasse. A mim e a Jane.
Queria que ele nos levasse daqui para fora, que dissesse que ia correr tudo bem, que já não havia mais nada a temer, que Mike já não nos podia fazer mal. Que estávamos bem, ao lado dele e das pessoas que nos amam e que nos protegem.
Se não fosse Seth, Jacob, Rosalie e Jasper a esta hora eu já estava em coma no hospital. E Jane estaria nas mãos de Mike, sozinha e indefesa. Ele levava-a daqui, pois sabia que ninguém a ia deixar com ele. Nunca percebi o porquê de ele a querer tanto. Por um lado sabia, mas havia algo mais. Algo que nestes quatro anos tinha tentando descobrir e ainda nada. Mas havia de conseguir.
Sempre que Mike me batia eu ligava a um deles para levar Jane. E todos, incluindo a pequena, sabiam o que se tinha passado. Eu não queria que ela me visse assim. Ela sabia o que Mike fazia e claro que também tinha medinho.
A minha bebe com medo e eu sem poder fazer nada era o que mais me angustiava. Mas não havia nada que pudesse fazer!
Três tentativas de fuga e todas elas falharam. Mike encontrava-me sempre. Não podia por assim, a minha pequena em risco, por tentava sempre acalma-la, dizendo que tudo ia correr bem e que eu estava ali para a proteger e que ninguém lhe ia fazer mal nunca, eu não deixar. Mas ela perguntava-me, sempre e sempre: “E a ti mamã? Quem te protege a ti?”
Ninguém.
Tinha de me proteger a mim mesma.
Por muito que todos ajudassem, ninguém me podia proteger do que Mike me fazia. Eles não tinham medo, porque no fundo, Mike não passava de um cobarde, mas era por Jane.
Se me levassem, eu acabaria Morta e Mike ficaria co a guarda de Jane, pois era seu pai. E ninguém tinha como provar o que ele me fazia.
Eu estaria nas mãos de Mike, até ele cometer um erro.
O erro que me salvaria.
Notas finais
Hum... a Jane pareceu gostar logo do Edward, e ele dela ; Mike não tem mesmo limites...!
Não deixem nunca de comentar minhas flores, é importante demais ♥
Obrigadaa por tudo !
j.f.
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