Inocência e Desejo
14 Capítulo 14
A noite no quarto de Renesmee passou como um pesadelo lento. Ela não pregou os olhos. A cada vibração do celular no criado-mudo com o nome de Jacob, seu peito se contorcia em uma dor física. Ela sabia o que precisava fazer. Para salvar o futuro dele, a única saída era renunciar ao seu próprio coração.
Na noite seguinte, aproveitando que a casa estava silenciosa, Nessie saiu de casa escondida. Ela pegou um táxi sob a chuva fina que caía na cidade e foi direto para o prédio de Jacob. Aquela seria a sua despedida — uma despedida silenciosa, selada no único lugar onde eles foram verdadeiramente livres.
Quando bateu à porta da cobertura, Jacob abriu rapidamente, com o olhar desgastado pela preocupação de vinte e quatro horas sem notícias.
— Nessie! Meu Deus, você me deixou louco de preocupação! O que aconteceu? Por que não atendeu minhas ligações? — perguntou ele, puxando-a para dentro e segurando seu rosto.
Renesmee não respondeu. Ela apenas encarou os olhos negros de Jacob, gravando cada detalhe daquele rosto que amava mais do que a própria vida. Sem dizer uma única palavra, ela ficou na ponta dos pés e o beijou. Não foi um beijo urgente ou desesperado, mas um beijo profundo, doce e carregado de uma tristeza invisível.
— Nessie... o que você tem? — sussurrou ele contra a boca dela, percebendo o sabor salgado das lágrimas fracas que escorriam pelo rosto da jovem.
— Não fala nada, Jake... Por favor. Só me ama hoje — pediu ela, a voz saindo como um sopro macio.
Jacob a pegou nos braços e a levou para o quarto. Naquela noite, não houve pressa ou atrito de desespero. Sob a luz suave dos abajures, Jacob a despiu com extrema delicadeza, cobrindo cada centímetro da pele dela com beijos suaves. Quando ele se deitou sobre ela, encarou-a com um amor devotado.
Pela primeira vez, não houve hesitação. Com cuidado absoluto e um carinho infinito, Jacob a tomou por completo, tirando a sua virgindade em um ato puramente romântico, lento e profundo. Renesmee soltou um suspiro entrecortado, cravando as unhas nas costas dele, sentindo-se completa como jamais se sentira. Eles se amaram ao longo de toda a madrugada, em um ritmo suave, trocando promessas silenciosas no calor dos lençóis.
Quando Jacob finalmente adormeceu, exausto e realizado, segurando-a firme contra o peito, Renesmee permaneceu acordada. Ela esperou o primeiro raio de sol da manhã surgir na janela. Com o coração reduzido a pedaços, Nessie se esgueirou para fora da cama, vestiu-se em silêncio, deu um último beijo imperceptível na testa de Jacob e saiu do apartamento sem olhar para trás.
Horas depois, na mansão dos Cullen, as malas de Renesmee já estavam arrumadas no hall de entrada. O carro que a levaria ao aeroporto esperava na porta. Ela havia sido aceita em uma transferência de emergência para a Faculdade de Literatura de Toronto, no Canadá — um plano arquitetado para mantê-la o mais longe possível de La Push.
Edward estava de pé perto da porta, observando a filha com uma mistura de triunfo contido e um aperto silencioso no peito ao ver o olhar apagado da jovem.
— O motorista já está pronto, Renesmee — disse Edward, o tom calmo. — Foi a melhor escolha. Com o tempo, você vai entender que fiz isso pelo seu bem e pelo seu futuro.
Nessie parou em frente ao pai. Não havia mais lágrimas em seus olhos, apenas uma frieza triste e inabalável.
— Você ganhou essa batalha, pai. Estou indo embora para Toronto como você queria, para salvar o homem que eu amo de você — disse ela, mantendo a voz firme e encarando-o no fundo dos olhos. — Mas não se engane. Você pode me mandar para o outro lado do mundo, pode colocar oceanos entre nós... mas mesmo que você consiga nos afastar para sempre, o Jacob sempre será o único amor da minha vida. Ninguém nunca vai mudar isso.
Edward permaneceu em silêncio, a mandíbula contraída, enquanto Nessie passava por ele, pegava suas malas e entrava no carro sem olhar para a casa.
Ao fim da tarde daquele mesmo dia, a família Black estava reunida ao redor da mesa de jantar na casa de La Push. Jacob estava sentado, disperso, cutucando a comida no prato enquanto tentava inutilmente ligar para Nessie pelo celular. A angústia queimava em seu peito desde que acordara e não a encontrara na cama.
Foi quando Quim entrou na sala, com o rosto abatido e os olhos vermelhos de choro.
— Quim? O que foi, minha filha? — perguntou Billy, preocupado.
— É a Nessie... — disse Quim, a voz embargada, sentando-se à mesa. — Ela foi embora.
Jacob congelou no mesmo instante. O garfo caiu de sua mão, fazendo um barulho metálico contra o prato.
— O que você disse? — perguntou Jacob, a voz subindo de tom, o coração disparando descontrolado.
— A Nessie foi embora hoje cedo, Jake! — contou Quim, chorando. — Ela trancou a faculdade aqui e se transferiu para uma universidade em Toronto, no Canadá! O avião dela sai agora à tarde. Ela nem se despediu de mim... mandou só uma mensagem rápida pedindo desculpas.
A notícia atingiu Jacob como uma marretada no peito. O ar faltou em seus pulmões. Sem dizer uma palavra aos parentes atônitos, ele se levantou abruptamente, derrubando a cadeira para trás, e correu para o quintal sob o vento frio de La Push.
Com as mãos trêmulas e o desespero tomando conta de cada célula do seu corpo, Jacob discou o número de Renesmee. Ele esperou, rezando para todos os deuses que ela atendesse.
Um toque. Dois toques. Três toques...
— Alô? — a voz de Renesmee soou do outro lado da linha. O barulho de fundo de um aeroporto movimentado e os avisos de embarque eram audíveis.
— Nessie! Meu Deus, Nessie, onde você está?! — gritou Jacob no telefone, a voz embargada pelo pânico. — A Quim disse que você está num aeroporto! O que está acontecendo? Que história é essa de Canadá? Por favor, me diz que é mentira!
Do outro lado da linha, parada em frente ao portão de embarque em Seattle, Renesmee fechou os olhos com força. As lágrimas inundaram seu rosto instantaneamente, mas ela precisava ser cruel. Tinha que garantir que ele não a procurasse, que ele não arriscasse tudo lutando contra seu pai.
Nessie engoliu em seco, forçou a voz a sair fria, distante e cortante.
— Não é mentira, Jacob. Eu estou no aeroporto e meu voo para Toronto sai em dez minutos.
— Por quê, Nessie?! Por quê? Ontem à noite... nós fomos tão perfeitos! Você se entregou para mim! Como você pode ir embora assim sem me dizer nada? — suplicava ele, as lágrimas finalmente descendo pelo rosto do homem forte.
— Ontem à noite foi só uma despedida, Jacob — mentiu ela, cada palavra rasgando sua própria alma. — Uma despedida de uma fase da minha vida que acabou.
— Como assim acabou? Eu amo você! A gente construiu tudo isso!
— Acabou porque eu caí na real, Jacob — disparou ela, a voz falsa e dura ecoando pelo telefone. — Olha para você e olha para mim. Você é um homem velho, de vinte e oito anos, preso a essa cidadezinha e a essa rotina de La Push. Eu tenho dezenove anos! Tenho o mundo inteiro pela frente, uma faculdade incrível em Toronto, pessoas novas para conhecer e uma vida inteira para viver.
Jacob estancou no meio do quintal, o corpo inteiro tremendo. As palavras dela pareciam facadas caindo sobre o seu peito.
— Nessie... não faz isso... Você não é assim. É o seu pai que está fazendo isso com você?
— O meu pai só me abriu os olhos para a realidade! — mentiu ela, o choro abafado lutando para não sair pela linha. — Eu não quero ficar presa a você, Jacob. Não me procure mais. Esquece que eu existo e me deixa viver a minha vida.
— Nessie, por favor...
— Adeus, Jacob.
Antes que ele pudesse emitir mais um som, o sinal foi cortado.
Jacob baixou o celular devagar, o visor mostrando a ligação encerrada. Ele ficou parado no meio do quintal de La Push, atordoado, com o mundo ruindo ao seu redor. A dor da rejeição e a crueldade das palavras dela perfuravam sua mente, deixando-o completamente destruído e sem chão.
No aeroporto, o alto-falante anunciou a última chamada para o voo com destino a Toronto. Renesmee desligou o celular, retirou o chip do aparelho e o jogou na lixeira ao lado do portão.
Limpeza rápida nas lágrimas do rosto, ela entregou o bilhete de passagem para a comissária e caminhou pelo túnel de embarque. Ao se sentar na poltrona ao lado da janela do avião, olhando para a pista molhada pela chuva, Nessie deixou o choro silencioso e convulsivo tomar conta de seu corpo enquanto a aeronave subia para os céus, levando-a para longe de tudo o que ela mais amava.
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