Inocência Roubada
3 Chapitre - L'engagement
Lenore terminava de amarrar os laços de fita do vestido azul que Isabelle havia mandado fazer especialmente para aquela ocasião. A cor fora escolhida propositalmente para combinar com os belos olhos da jovem Angelique que no dia de sua festa de noivado estava ainda mais magra e com aparência infantil acentuada.
Não se alimentara bem nos últimos dias devido ao nervoso com o fato de que estava noiva, mas por agora já começava a acostumar-se com a idéia pelo fato de todos a sua volta falarem sobre o "glamour" de ser uma noiva.
- Angelique está tão bela quanto uma boneca de porcelana. — elogiou Lenore sem conseguir deixar de imaginar que a jovem parecia-se com uma de suas próprias bonecas que agora seriam dadas para Zélie.
- Obrigada, Lenore. Ainda estou um pouco nervosa. — disse lançando os olhos para a gentil ama que lhe era como uma segunda mãe pelo fato de tê-la criado desde pequena.
- Todas as noivas ficam assim, mas pense que está fazendo um bom casamento e trará orgulho para seus pais. — garantiu Lenore, falaria qualquer coisa para que a menina se sentisse bem e perdesse o medo que sentia em seu coração.
- Sentirei falta de vocês e também das minhas bonecas. Não vou mais poder brincar quando for a esposa do Conde? Nunca mais? — perguntou com os olhos tristes.
- Com bonecas não, mas depois com o tempo poderá ter bebês de verdade. Talvez daqui a poucos anos. — disse Lenore ignorando o fato de que apesar de já ter quinze anos, Angelique ainda não havia entrado na puberdade, mas claro que apenas ela sabia disso já que não cabia importunar seus patrões com algo assim, principalmente porque sabia que aquilo embreve aconteceria, uma vez que o corpo infantil naquele ano começava a apontar pequenas curvas de leve e os seios começavam a despontar muito discretamente.
Angelique era uma jovem saudável, mas seu desenvolvimento ocorria apenas de forma mais lenta do que com a maioria das outras moças, acompanhando sua mente que ainda era muito pueril talvez pelos excessos de mimos que lhe eram dispensados.
- Bebês de verdade? Gosto da idéia. — disse Ange abrindo o sorriso que fez com que a própria Lenore também sorrisse.
- Sim, agora vamos. Não podemos deixar o Conde esperando. — afirmou Lenore enquanto guiava a jovem para fora do quarto onde ela era esperada no Salão de Festas dos Le Blanc.
Assim que Angelique desceu as escadas os olhares se voltaram para si e o Conde Lefebvre já a aguardava. Pousou os olhos em sua futura boneca de porcelana notando que os lábios pareciam ainda mais avermelhados. Aproximou-se da noiva estendendo a mão para cumprimentá-la e timidamente Angelique deixou que sua mão fosse de encontro a enorme mão máscula de seu futuro marido.
Theodor depositou um beijo na mão pequena, alva e frágil sentindo a textura e o frescor daquela pele tão jovem. Imaginou como seria ter aquela mão envolvendo seu membro e a expressão de susto que Angelique faria quando ele a fizesse tocá-lo. Mal podia esperar por sua noite de núpcias, havia tirado a sorte grande com aquela noiva, pois ela era exatamente o que procurava: Uma jovem com ares de inocente, corpo e rosto pueris como uma boneca.
- Angelique, estou muito feliz em vê-la! Está ainda mais linda do que na última vez em que a vi. — elogiou fazendo seu papel de Cavalheiro.
As outras jovens que haviam comparecido á festa soltaram suspiros de admiração com o romantismo do Conde. Algumas das convidadas tinham a mesma idade de Angelique e poderiam ser consideradas mais atraentes do que ela e apropriadas para aquele papel, por isso sentiam a inveja corroendo seus corações.
Finalmente chegou o momento em que o Conde lhe entregava o anel que não deixou a desejar. Era grande e com uma enorme pedra azul brilhante que combinava com o vestido e os olhos de Angelique, uma verdadeira Turqueza capaz de fazer com que George sorrisse tendo a certeza mais uma vez de que havia tomado uma boa decisão.
Quando Theodor colocou-o no dedo da jovem, aproveitou para sentir um pouco mais a textura daquela mão levando disfarçadamente um dos dedos até sua palma em um gesto considerado obsceno, mas ninguém havia percebido e a própria Ange desconhecia aquele significado.
- Agora que estamos oficialmente noivos, eu gostaria de uma dança com minha prometida. — disse o Conde levando Ange até o Centro do Salão.
Sem demoras, ambos começaram a dançar ao suave som da valsa sobre os olhares atentos e curiosos dos convidados, a pequena Ange sentia que seu tamanho perto de seu futuro conde era desproporcional, porém continuou a valsar em silêncio. Naquele momento lembrava-se de quando brincava com sua delicadas bonecas de porcela Italiana.
- Em breve estaremos a sós, minha doce Ange. — murmurou entre os dentes.
A menina mal se mexeu e continuou muda igual suas bonecas, seus olhos azuis brilhavam com certa intensidade que era de espantar e seu suave aroma de perfume era inebriante misturando-se com a loção pós barba do Lorde.
- Minha pobre garotinha sendo jogada para os leões. — murmurou Isabelle enquanto retorcia o tecido de seu vestido de seda rosa caríssimo.
Lorde Le Blanc encarou-a perplexo.
-Ora mulher não digas tolices, Conde Theodor é uma excelente escolha e nos ajudará a sair dessa maldita maré de azar. — disse levantando a pequena taça de cristal.
Isabelle permaneceu inerte observando a nostálgica cena que parecia nunca acabar, estava sendo bem diferente dos livros de romance que costumava ler toda tarde enquanto tomava seu chá, mas tinha que acatar as ordens absurdas de seu conjuge, pois sem o dote que o Conde Lefebvre oferenceu, a herança de sua familia estava ameaçada por causa dos impostos da Coroa e era dever de sua pequena Ange aceitar para não permitir que a Honra e o Sobrenome fossem jogados no lamaçal da vergonha.
Santa virgem Maria tenha piedade de minha pobre garotinha, pois és pueris igual seu santo manto imaculado. — rezou metalmente com o olhar fixo no centro do salão. — Sei que nunca irá me desamparar nem e muito menos a Ange, meu bem precioso.
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