Innocent Questions

1 Capítulo I - Retorno à Inocência


Capítulo I – Retorno à Inocência



“As flores brotam, e eventualmente morrem. As pessoas nascem, e seguem o mesmo destino. Nesse meio tempo, vivemos, sofremos; sorrimos e choramos. Amor, tristeza, melancolia, felicidade, todos presentes nesse curto tempo. Tudo o que vivi, foi um pedaço da morte. Não conheci nada desses sentimentos – ou talvez conheci, e nem percebi. Assim, me considero um morto, que está cansado de respirar. Quando, por Deus, começarei a viver?”

Joseph P. Williams – 17/09/2010


– — — — — — — — — -


Markham, Canadá.

Mansão Nebrawsk – 08/11/2009


Um toque ritmado foi ouvido. Este saía do seu celular, que estava no bolso. “Não... Agora não...” — Pensava Joseph enquanto ouvia o barulho. Do bolso de sua calça jeans, retirou o celular, e com o apertar de um botão, o desligou. “Já são 15:00 horas? Hmm...” — Terminou o pensamento que cruzou seu fascínio perante o que via no momento.

Ele estava pensando no quadro a sua frente – e se orgulhando do pintor. Claro, ele era o pintor.

Os olhos retratados eram os mais perfeitos que ele já havia feito. Se surpreendia a cada pintura que fazia, mas aquela... Possuía um toque especial. Quem sabe, um toque que ultrapassa a capacidade humana de beleza.


Com um olhar azul escuro de curiosidade, Joseph se aproximou mais e mais do quadro, antes distanciado, apreciando-o de todos os ângulos possíveis. Assim, com a tinta preta no pincel, contornou levemente o olho da moça de olhos verdes. Usando a maior suavidade possível, desejando que o tom ficasse natural.

A paisagem do quadro, que mostrava um magnífico campo, repleto de grama e flores, realçavam a cor dos olhos da mulher, a mulher que Joseph não hesitava em denominar de “perfeita”.

O artista esboçava um sorriso, exalando felicidade sincera. Começou a imaginar uma cor para os lábios. Um vermelho penetrante, sedutor; ou talvez um rosa claro, representando a meiguice de sua feminilidade.


“Joseph, não recebeu minha mensagem?” — Perguntou Clovis.


Clovis era o mordomo de Joseph. Cuidava da mansão, e de todas as contas relacionadas a ela. Servia ao homem, com aparência jovem, mais rico da cidade. Sua fortuna é misteriosa – na verdade, tudo era meio confuso por lá. O mordomo já estava vivendo com seus 70 anos.

Sua voz grave invadiu os pensamentos do artista. Ele olhou para o velho com um olhar assustado.


– Desculpe, vovô! — A surpresa fez com que o pincel de Joseph caísse.

– Ora, pra quê me chamar de vovô? Senhor, pode me chamar do que quiser mas...

– Já disse: Só irei parar de te chamar de vovô, se o senhor começar a me chamar de Josh.

– Ah... — Clovis suspirava bem baixinho – Tudo bem... Josh...

– Ótimo! Então... Recebi a mensagem, porém... — Joseph olhava discretamente para o quadro.

– O que é, senhor? — Indagou o velho mordomo.

– Olhe. — Disse Joseph, agachado, pegando o pincel do chão, enquanto apontava para a tela.


Assim que o velho se aproximou, um olhar espantado foi surgindo aos poucos. “Joseph... Está...” — Não conseguia completar as palavras enquanto contemplava a magnitude e beleza da pintura.


– Uma maravilha, não é? — Perguntou o homem que se gabava, de modo tão inocente quanto uma criança.

– Está... Digo, senhor, estou sem palavras – Clovis ainda se impressionava com o quadro, percebendo todos os detalhes, todas as pinceladas.

– Obrigado, Clovis. Sua opinião é muito importante para mim, sabe disso não é?

– Mas... Que honra! — O senhor sorriu, enquanto começava a andar em direção a porta. — Certo Joseph...

– Josh – Corrigiu.

– Perdão, Josh. Suba as escadas, é hora do chá da tarde. — Disse, olhando seu relógio.

– Certo, estou subindo, deixe eu me arrumar antes disso.

– Sim. Esqueci de mencionar, senhor. Um homem chamado David está lhe esperando lá em cima.

– David? Conheço-o de algum lugar? — Indagou, enquanto olhava para o chão com um olhar de dúvida, e curiosidade.

– Pergunta estranha, senhor. Não sei, você nunca saiu da mansão... Deveria conhecer?

– Quem o deixou entrar?

– Os seguranças da mansão, senhor. Acharam seguro. Fique calmo, há câmeras...

– Essa não é a questão, Clovis. Mas enfim, obrigado pela informação. Pode me deixar a sós por um momento? Pretendo me trocar...

– Oh, sim! Perdoe-me.


Clovis retirou-se da sala de pintura – uma das dezenas que havia na mansão.

Joseph, percebendo que finalmente estava sozinho, se aproximou do quadro, e tocou-o com seus dedos. Levemente passou pela tinta seca, que representava o rosto perfeito da mulher. Seus olhos brilhavam, assim como sua alma.

Loucura ou não, ele encostou seus lábios na tela e beijou o rosto da moça. Afastou-se, e deu uma última olhada na pintura antes de trocar de roupa. “Como eu queria que ela fosse real...” — Um desejo, um pensamento, inocente, como ele.


Por mais estranho que pareça, é normal Joseph pensar dessa maneira. Ele nunca saiu da mansão sequer uma vez. A mansão pode ser comparada a nada mais do que uma prisão de alto luxo. Porém, ele não pensa dessa maneira – já que nunca conheceu a liberdade.

A única liberdade que ele conheceu foi na ausência dela, presa entre os limites – cercado e rodeado pelo medo.


Saiu da sala de pintura, e deu os primeiros passos no gigantesco corredor. Esse era o corredor que pertencia apenas às salas de pintura, e essas eram muitas — dezenas.

Saindo do corredor, se deparou com o salão principal. O salão principal leva à outros corredores com outros tipos de salas. No meio desse salão, há duas escadas, ambas nas laterais direita e esquerda. No meio delas, num outro corredor, há a opção de elevador, porém, a mansão tem apenas 4 andares – não há necessidade de usá-lo, já que ele vai para o segundo andar.


Subindo as escadas, Joseph começa a pensar em qual roupa vestir. Estranhamente, ele não se lembra de muitas coisas. Todos os seus dias são monótomos – o que ele fez ontem, é o que ele fez há dois dias atrás, assim como há três dias.


Ele entrou em seu quarto – imenso lugar – e abriu um dos armários de roupas. Na seção Ternos, escolheu um terno preto e uma gravata vermelha. Sapatos pretos, exatamente da mesma cor que o terno. Já com o furo, escolheu um brinco para a orelha esquerda – um brinco de ouro, refletindo nitidamente a luz branca do quarto, dando-o um toque parecido com platina.


Com as peças selecionadas, ele foi ao banheiro, pendurou as roupas prontas para serem vestidas, ligou o chuveiro, tirou a roupa, e entrou para um curto banho.

A água fria escorria pelo seu corpo – ele adorava água fria. Cinco minutos se passaram sem ele perceber, apenas pensativo. Rapidamente, passou o sabonete pelo corpo, shampoo em seu cabelo, enxaguou, e desligou o chuveiro.


Esperou um minuto, e pegou a toalha. Secou o corpo, abriu o boxe, e se olhou no espelho, enquanto secava o cabelo.

Parou por um instante e começou a olhar para si mesmo.

Olhos azuis escuro, cabelo escuro com um tamanho médio, quase preto. Pouca barba, e uma pele levemente mais escura que os caucasianos, porém, não chegava a ser pardo. Lábios considerados entre carnudos e finos. Dentes perfeitamentes alinhados, porém, um pouco amarelados – só é possível perceber bem próximo.

Quanto à seu corpo, não era gordo, nem magro. Braços nem tão musculosos, mas nem tão fracos. Consideravelmente normal. Um tanto que alto, 1.83 de altura, enquanto pesava 80 quilos.

“Feio” — Pensou.

Sempre se menosprezava. Apesar de adultos não terem essa mania, principalmente Joseph que tinha 28 anos, ele sempre se odiava, e sempre conseguia achar algum defeito em si mesmo.


Saiu do banheiro já com a roupa vestida. Estava agora socialmente apresentável, antes da outra roupa, que era para pintura. Colocou o brinco, seu relógio, adquiriu confiança, e foi até o encontro com Clovis e David – o homem que esperava por Joseph.


“Mas... O que esse homem quer comigo? Não me lembro dele...” — Joseph não conseguia parar de pensar, enquanto andava pelo corredor.

Finalmente chegou ao encontro deles. Diante da porta, deu dois toques, e girou a maçaneta. Empurrou, e entrou na sala do chá.

“Com licença” — Disse Joseph, entrando e fechando a porta em seguida, indo de encontro a Clovis e David que estavam sentados.


A sala é branca, porém, dá-se a impressão de um leve tom de verde. Há janelas postas, mostrando a floresta mais a diante da mansão. Estava uma linda tarde naquele momento.


David levantou-se do sofá, e estendeu a mão para Joseph.


– Olá, meu nome é David, muito prazer – Disse olhando diretamente nos olhos azuis de Joseph, mostrando também um leve sorriso.

– Prazer, meu nome é Joseph. — Respondeu apenas por educação. É óbvio que ele sabia quem Joseph era.

– Certo... Estou aqui para conversar um assunto meio... Sério, com você, ok Joseph?

– Prossiga... — Joseph sentava-se num sofá a frente de David e Clovis, e pegava chá numa mesinha na frente deles. Observava-os sentar, enquanto tomavam chá da mesma maneira.

– Só preciso fazer umas perguntas bem simples... Nada de mais. — O homem de olhos verdes possuía um olhar bem convincente, e um sorriso tão branco, que o tom de platina no brinco de Joseph não era nada comparado ao sorriso.

– Sem problemas... Creio eu... — Joseph estava com medo, pois nunca se socializou com ninguém, a não ser Clovis. Tudo que ele aprendeu em relação a isso, estava sendo posto em prática.

– Certo... Primeiro... Já que você nunca saiu de casa, da onde conseguiu tanta educação?

– Erm... Desculpe-me... Você é David, trabalha pra...? — Perguntou Joseph, em um tom de curiosidade.

– Sou o encarregado dos seguranças por aqui, e do mordomo Clovis também. — O sorriso desapareceu.

– E como essa pergunta vai lhe ajudar em... Erm... — Joseph tentava achar as palavras certas.

– Precisamos dos mínimos detalhes que ficou prometido para depois. O depois passou e virou hoje... Desculpe pela antecipação, mas precisamos preencher o relatório.

– Tudo bem, tudo bem... Vejamos... — Joseph tentava se lembrar, mas não conseguia.

– Algum problema, Josh?

– Josh?

– Ah, perdão... Joseph.

– Tanto faz... Enfim. Não consigo me lembrar ao certo, mas tem uma biblioteca aqui. Tenho certeza que já li alguns livros que me fizeram ter o conhecimento que tenho hoje. — Joseph olhava para o canto, ainda tentando lembrar.

– E que tipo de conhecimento você tem? — Perguntou David, deixando Clovis apenas como observador da conversa.

– Artístico, em pintura. E só, creio eu... Mas é bem aprofundado.

– Interessante... Próxima pergunta... Notou alguma coisa de estranho ultimamente?

– Estranho? Hum... Não, deveria?

– Alguém invadiu esse lugar recentemente? Viu silhuetas de alguém durante a noite? Alguma coisa, qualquer coisa!

– Não, não! De nada me lembro em relação a isso... Desculpe-me.

– Certo. É apenas disso que eu precisava saber. Obrigado pelo tempo. — David se levantou.


“Mas já?” — Pensou Joseph. O homem loiro de olhos verdes se aproximava dele, novamente estendendo a mão. Antes de retribuir, foi lançado um olhar de medo, curiosidade... Assim como um olhar confuso. Enfim, os dois apertaram as mãos. David e Clovis saíram da sala, e foram para outro lugar, para David ir embora.

Joseph continuou na sala.

Abriu uma porta, que liderava até uma pequena sacada.

A brisa acariciou seu rosto, assim como ele acariciava a paisagem com seu olhar. Via os pássaros a cantar, e as nuvens tão puras quanto o céu. Parecia cena de filme, ou de livro.


“Hoje o dia está bonito...” — Pensou Joseph, enquanto tomava o chá.


Olhou mais um pouco a paisagem que se aprentava em um forte e vivo verde. Tudo lá era totalmente normal e puro. Ele não costumava olhar para a paisagem apenas para olhar – normalmente ele usava como base para suas pinturas. Porém, daquela vez, ele estava tentando amenizar sua dor de cabeça.


Saiu da sacada, despediu-se da linda vista, fechou a porta, colocou a xicara na mesa, próximo às canecas, e foi embora da sala. Fechou a porta, andou pelo corredor, e desceu as escadas.


Ainda confuso, e com uma tremenda enxaqueca, sentia muita vontade de dormir. Porém, queria perguntar muitas coisas à Clovis. Coisas que só fazem sentido agora, depois que ele começou a pensar.

Clovis se despediu de David, que já dava partida em seu Camaro preto. Assim, o velho fechou a porta de entrada, no salão principal, e começou a andar para a biblioteca – porém, viu que Joseph o observava da escada.


– Senhor, posso ajudá-lo em alguma coisa? — Perguntou o mordomo.

– Sim... Pode... — Joseph descia lentamente, com sua mão posta no corrimão, deslizando-a levemente, sem necessitar de total apoio dele.

– Certo, diga o que quer. — O mordomo apresentou um sorriso.

– Perguntas, preciso de resposta para elas. — Joseph se aproximava de Clovis.

– Perguntas!? Mas... — O velho já tinha respondido todas as perguntas do tipo.


Joseph era muito questionador. Sempre perguntava: “Como é lá fora?”, “Como são as pessoas?”, “Por que sentimos tristeza, e felicidade?”.

Sua última pergunta ao mordomo foi “Por que as pessoas morrem?”. Ele a fez há cerca de 4 meses atrás. Desde lá, nunca mais questionou nada, tampouco pensou sobre o mundo.

Sua inocência era vista como a de uma criança que dá os primeiros passos em um mundo destruído – sem entender o porquê da destruição.


– Sim, perguntas... — Dizia Joseph.

– Oras... Então, pergunte. — O velho passava a mão em seu cabelo grisalho.

– Por que não consigo me lembrar do que fiz há meses atrás, ou até mesmo dias?

– Por que não consegue, senhor? — Perguntou o mordomo.

– Você sabe a resposta e está me escondendo.

– …

– Eu sei que sabe, Clovis. — Joseph apresentava um leve sorriso.

– Do que está dizendo, senhor? Você deve estar com dor de cabeça... É melhor desc--

– Qual é, vovô... É só uma pergunta inocente.

– ...

– Eu sei muito bem do que estou falando, e você também sabe.

– Hm!? — O velho começou a andar lentamente para trás.

– Será que seu nome é Clovis, mesmo? Eu lembro de tudo, Clovis.

– Como... Como assim!? Do que está falando?

– Já disse que não tem o que esconder!! — Joseph gritou para o velho.

– Merda! — O mordomo começou a correr, fugindo de Joseph.


De seu bolso, Joseph rapidamente tirou um disparador de dardos tranquilizantes. Mirou no velho, que corria em direção aos corredores, e puxou o gatilho.

O velho sentiu uma espetada nas costas. Parou de correr, e tirou o dardo de lá. Tentou correr novamente, porém, foi cambaleando, e tropeçando em seus próprios passos. Finalmente, caiu no chão, olhou para Joseph, e apagou por completo.

Joseph olhava-o com um olhar frio – tão frio, que parecia que Joseph não era ele mesmo. Olhou para seu relógio, que apresentava 15:25 horas.

“Tenho 35 minutos, devo agir” — Pensou, enquanto arrastava o velho pelos braços para uma das salas.

De seu outro bolso, tirou um comprimido, e tomou-o, sem água. Um leve suspiro foi dado, e assim, continuou a arrastar o velho para uma das salas de pintura, que estava vazia.

Finalmente, abriu a porta.


– — — — — — — — — -


Dia e Lugar desconhecidos.


Aos poucos fui abrindo meus olhos, assim como uma aguda dor surgia no meu abdome, e nas costas. Não importa em qual posição eu ficava, eu sentia dor. Meus olhos ficaram totalmente abertos, e pude ver que estava sentado em uma cadeira de madeira, rústica.

Olhei ao meu redor, e nada vi. Tudo escuro.

Repentinamente, a porta se abriu. Meus olhos não acostumados com a luz, tentaram desviar mas não puderam. Olhei para a silhueta de um homem que entrava no quarto, segurando algum tipo de equipamento que desconheço.

Durante esse meio tempo, pude ouvir gritos, pessoas implorando por algo que também não sabia o que era.

A porta se fechou, e o homem entrou.


Comecei a tremer, respirar ofegante – isso era perigoso, principalmente para minha idade, mas nada pudia fazer.

Amarrado a cadeira, tentei me soltar, usei todas as minhas forças, mas não resultou. Comecei a perder a voz, depois de gritar continuamente. Parei. Por um instante, a sala ficou tão silenciosa, que pude ouvir a respiração do homem.

Um barulho, provavelmente do equipamento, invadiu meu ouvido. O atrito entre ele e o chão causavam um barulho bem irritante.

Por fim, o equipamento se revelou como um projetor de luz, apoiado a um tripé. A luz branca, forte, foi lançada sobre meu rosto, fazendo eu desiar o olhar.

Fechei meus olhos, mas mesmo assim, o branco era nítido para mim. Meus olhos começaram a doer. Em poucos segundos, a luz foi ajustada, e a intensidade dela ficou menor.

Pude olhar para o aparelho, e para a silhueta do homem à direita dele – sentado. Pude ver o contorno de seus lábios, sorrindo. Porém, não consegui reconhecê-lo de primeira.


– Vovô... Você dormiu por... Três dias! Está na hora de eu serví-lo. — Disse o homem a quem eu servia, Joseph.

– Você... Está louco...

– Não! Vocês estão loucos, achando que podem me enganar... — Ele se levantou.

– Senhor... Por favor, me solte, e vamos conversar...

– Não há conversa, senhor Clovis! Sente aí, e daqui a pouco irei servir a comida. Tenho muitas perguntas... Perguntas de criança, sabe?

– Você e suas perguntas... Não leve isso a sério, Senhor. Está começando a ficar louco!

– Quem é você pra me chamar de louco!? Hmm... — Num clima pensativo, Joseph deu uma longa pausa – Quem sabe, essa não seja a primeira pergunta a você... Sim.

– Han?

– Quem é você pra me chamar de louco? Quero uma resposta boa. Depois me responda.


O homem diminuiu a intensidade da luz, para o mínimo possível, e saiu da sala. Eu sabia a intensidade da importância dessa pergunta, principalmente a provocação por trás dela. Eu estava começando a ficar revoltado, nada estava dando certo, e eu apenas queria sair daquele lugar.

Tentei ligar para meu chefe, mas, antes de tentar fazê-lo, lembrei que minhas mãos estavam atadas.


“Filho da puta!!” — Gritei — “Eu não sirvo pra esse tipo de coisa!” — Comecei a gritar na sala, ouvindo apenas minha voz. Depois disso, no silêncio, eu pude ouvir – bem baixinho – os gritos das outras pessoas, o choro, tudo.

Comecei a pensar. Notei que estava na sala de pintura. A luz refletia um pouco, e pude ter certeza que estava nessa sala. Os gritos, consequentemente, vinham das outras salas de pintura, as outras dezenas.

“O que ele quer com isso tudo...?”


– — — — — — — — — -


Mansão Nebrawsk – 11/11/2009


Fechei a porta, comecei a ouvir gritos vindo do velho. Ele foi bom, quando foi necessário para aqueles idiotas que acham que podem me enganar.

Meses de planejamento... Três dias para executá-los. Agora, finalmente com mais tempo, começa a parte legal.

Ouvi todos gritando. São uns escandalosos mesmo.

“Vou esperar até que eles se acalmem” — Pensei, enquanto andava pelo corredor. Fui até meu quarto, e abri o meu bloco de anotações. Obviamente, relatei tudo o que fiz.

Olhei para cima, e olhei para a câmera escondida, tentei chegar bem perto e ela estava desligada – como planejado. Acham que podem me vigiar...

Em seguida, olhei para o quadro. A tela que eu havia pintado... A mulher de olhos verdes, e cabelos negros. Perfeita.

Liguei para os seguranças:


– Conseguiram a mulher do quadro? — Indaguei.

– Sim, Sr. Williams.

– Pode me chamar de Joseph.

– Certo, Joseph. Ela já está no quarto da sala de pintura. O quarto é o número 5.

– Perfeito. Tem certeza que ela é igual a moça do quadro?

– O mais próximo possível, senhor.

– Ótimo, obrigado.


Desliguei.

Olhei para o meu relógio. “O tempo voa, e preciso ser rápido”.


“Espero que dê tudo certo”.


Notas finais
Espero que tenham gostado.
Por mais chato que pareça, a fic vai ser movida à reviews a partir do capítulo 5. Sempre fiz fanfics sem as pessoas lerem, e não é tão legal sabendo que não há leitores.
Até mais.