Innocent Questions

2 Capítulo II - O que for necessário


Capítulo II – O que for necessário



Markham, Canadá.

Mansão Nebrawsk – 08/11/2009


Joseph olhava-o com um olhar frio – tão frio, que parecia que Joseph não era ele mesmo. Olhou para seu relógio, que apresentava 15:25 horas.

“Tenho 35 minutos, devo agir” — Pensou, enquanto arrastava o velho pelos braços para uma das salas.

De seu outro bolso, tirou um comprimido, e tomou-o, sem água. Um leve suspiro foi dado, e assim, continuou a arrastar o velho para uma das salas de pintura, que estava vazia.

Finalmente, abriu a porta.


A sala era de número 10. Uma das mais distantes que se tinha do salão principal.

Joseph via um pouco de dificuldade, já que o remédio lhe causava uma pequena tontura, a princípio. Porém, focado em seu objetivo, arrastou o velho para dentro da sala, e o pôs numa cadeira – uma cadeira de madeira, que já estava pronta.

Feito isso, amarrou seus braços junto à cadeira, com uma corda. Os pés do velho ficaram livres – mesmo se ele conseguisse se levantar, perderia o controle e caíria. Isso serviria também como um tipo de punição, se assim o velho tentasse.


A luz da sala estava acesa, e Joseph podia ver tudo. Olhou para cima, num canto, perto do canto da parede. Conseguiu ver a câmera – e ela estava ligada. Era um outro tipo de câmera, que ele mesmo instalou.

Olhou para o relógio. “Faltam 30 minutos” — Pensou, enquanto fechava a porta e trancava-a. Guardou as chaves em seu bolso.


Parou por um instante, olhando pra baixo, com a mão apoiada sobre a testa. Gemia levemente de dor de cabeça – a adrenalina era muita. Olhou para cima, respirando ofegante. Encarava os lustres, que aos poucos embaçavam sua visão. Tossiu, e colocou a mão no peito. Suspirou de alívio – a dor momentânea havia passado.


Continuou a andar pelo corredor. Ele se sentiu poderoso, principalmente com aquele terno que o agradava demasiadamente. Ajustou a gravata vermelha, e continuou andando para uma outra seção de corredores.

Passou pelo salão principal, e entrou num outro corredor, com portas que lideravam até quartos para visitantes – normalmente usado depois de festas.

No fim dele, um quadro – pintado por Joseph – estava posto.

A tela representava um mordomo, com um olhar calmo. Porém, no olho direito, ao invés do olho, estava colocado o símbolo dos Illuminatis, O “Olho que tudo vê”. Num prato, em que ele está segurando, há um tanque de guerra.


Joseph retira o quadro do lugar, e coloca-o no chão. Assim, por trás do quadro, aparece a parede, porém pintada de preto, e com um furo no canto – para uma chave – como se fosse um cofre. Joseph então seleciona uma das dezenas chaves e encaixa no buraco. Vira, e assim abre a pequena entrada. Dentro dessa entrada, há uma chave.

Ele pega a chave, e fecha a portinha. Coloca o quadro novamente no lugar, e vai para a porta à direita – perto do fim do corredor, e do quadro. Com a chave que pegou da entrada, ele abre a porta trancada. Entra, fecha a porta, e acende as luzes.


O lugar era normal, não tão grande como os outros quartos. Apenas uma cama, uma mesa e um computador sobre ele, e um armário. O quarto era todo preto, e não possuía janelas. Também possuía um tapete.

Joseph andou até a mesa, e colocou o disparador de dardos em cima dela. Olhou para o relógio, e se apressou.

Ligou o computador – este fez um barulho após isto. Olhou para o disparador. Segurou-o, e desmontou-o, quase quebrando a arma. Assim, caiu um chip. Ele pegou o chip, e inseriu numa das entradas frontais do computador.

Saindo da tela preta do monitor, apareceu uma janela para digitar uma senha.

Assim, Joseph digitou poucas letras, e poucos números, em sequência. Apertou enter, fazendo com que ele fosse para uma outra tela. No computador, ele retirou o chip, e colocou em uma outra entrada. Novamente, outra janela de senha foi requisitada, e dessa veze ele digitou uma senha diferente.

Finalmente, o computador abriu várias janelas de opções a serem selecionadas. Ele clicou em um que estava escrito “Câmeras”.

Assim clicado, num segundo, apareceram cerca de 30 mini janelas. Ele clicou em uma delas, e apareceu a câmera do salão principal. Com as setas, moveu a câmera fisicamente, por meio do teclado.

“Perfeito, está funcionando” — Pensou Joseph.

Passou a mão pelo seu cabelo escuro, e suspirou num ar de cansaço. Saiu da janela das câmeras, e clicou em um link chamado “Identidades”.


Haviam oito “identidades” de pessoas. Nome, lugar onde mora, rotina diária, vida, histórico, filosofia, religião – tudo. Havia tudo sobre a pessoa selecionada. 5 homens, e 3 mulheres.

Joseph olhou para eles e esboçou um sorriso – inocente.

Deixando o computador ligado, saiu do quarto, trancou a porta, e dessa vez carregou as chaves consigo.

Ligou o celular, e chamou o segurança chefe – que estava fora da mansão, protegendo-a de qualquer invasor.


– Alô, Hemmers?

– Diga, Sr. Williams.

– Joseph.

– Certo, Joseph. Perdão.

– Sem problemas. Enfim, quero lhe fazer um pedido.

– Qualquer coisa, senhor.

– Comece a operação. Os homens já estão posicionados na cidade?

– Sim, estão. Apenas aguardando ordens.

– Então dê o sinal positivo. Quero as identidades amanhã, de noite. Cuide bem delas até lá.

– Entendido.


Joseph desligou o celular, guardou em seu bolso. Olhou para o relógio. “20 minutos...” — Contava. O horário estava sincronizado – estava perfeito. Ele ainda tinha tempo.

Com um andar mais agilizado, subiu as escadas, e continuou para outro corredor, à direita. Abriu uma porta, a penúltima do lado esquerdo, e entrou. Fechou a porta, acendou a luz, e puxou uma pequena e quase invisível corda do fundo daquele quarto.

Uma entrada se abriu, e uma escada caiu. A escada era extensa, passava por 2 andares até o térreo. Nada mais era do que um caminho alternativo.


Joseph segurou na escuda, e começou a subir. Degrau por degrau, apresentava um pouco de dificuldade em sua agilidade, já que estava num lugar muito escuro, e além disso, era claustrofóbico.

Depois de pouco tempo, chegou ao fim. Abriu a passagem, e empurrou-a para cima. Esta, caiu para o chão do terraço. Finalmente subiu ao terraço, se ajoelhou e fechou a pequena porta com a mesma cor do piso bege.

Joseph estava em cima da mansão. Uma parte dela, onde não havia telhado, era plana, e também era a maior parte de toda a mansão – e ele estava bem no meio de lá.


Olhou para o relógio. “15:45” — Era o que indicava.

Lá de cima, ele podia ver o céu azul, as poucas nuvens que iam aumentando à medida que se aproximava do horizonte, e a grandiosa luz do sol, que surpreendia seus olhos.


Poucos segundos depois, um helicóptero modelo MI-24D se aproximava de sua localização. As gigantescas árvores ao redor da mansão, soltavam suas folhas que voavam em direção ao rosto de Joseph – devido ao vento que o helicóptero proporcionava.


Joseph se afastou com poucos passos para trás, ficando quase que no canto daquele espaço – perto de cair. O helicóptero se aproximou a cerca de 2 metros do telhado, perto de onde Joseph estava. Um homem, vestido de preto, com equipamentos azuis, jogou duas caixas para o piso.

Depois de poucos instantes, o mesmo homem jogou uma mala de um tamanho maior que as caixas. Joseph, andando em direção ao helicóptero e sentindo seu cabelo instável correndo ligeiramente para trás, tirou as chaves de seu bolso.

A mesma chave que ele usou para abrir a porta e o chip que estava no disparador de dardos – ambas sendo seguradas nas duas mãos.

A mala possuía um buraco, para o encaixe de uma chave. Joseph usou sua chave nela, e a mesma abriu. Ele queria ser rápido pois não possuía mais tempo – além de que o barulho dos motores estavam irritando-o. Depois disso, uma superfície plana apenas com uma tela foi apresentada. Essa tela possuía uma pequena borda no canto. Ele segurou-a e abriu, revelando-se como uma tampa.

Uma numeração de 0 a 9 foi apresentada, e no canto, outro espaço, dessa vez para ser colocado o chip. Digitou uma senha, 6 números, e colocou o chip.

Dessa vez, finalmente, abriu a tela e a mesma saiu. Dentro da mala, revelou-se uma grande quantia de dinheiro.


Joseph segurou a mala e entregou ao homem dentro do helicóptero. O homem checou o dinheiro, confirmou sua veracidade, e disse: “Tudo certo, Sr. Williams!”.

O homem de olhos azuis escuros se afastou do helicóptero, e o mesmo voltou a voar a uma altitude maior. Do mesmo caminho que veio, ele voltou, em direção à luz do sol – para algum lugar do Canadá, ou alguma base por perto.


Joseph olhou para as duas caixas que o homem jogara – duas caixas pretas. Correu, e se ajoelhou perto delas. Abriu-as. Uma era um rádio, e a outra, um controle remoto.

O rádio, que tinha o tamanho de sua mão aberta, foi posto exatamente no meio daquele lugar. Feito isso, o homem começou a apertar uma sequência de botões no controle remoto. Num pequeno visor do rádio, em vermelho, os números “10:00” apareceram, revelando-se como um contador que começava de ser executado.

Olhou para o relógio, e viu “15:50”. A sincronização estava surpreendemente perfeita – por sorte.


Rapidamente, ele pegou as caixas, jogou para fora, – para não chamar a atenção – abriu a entrada e começou a descer as escadas. Depois disso, entrou no quarto, e prendeu o fio quase invisível. Saiu do quarto, fechou a porta, e desceu as escadas. Assim, andou no corredor, do lado do quadro “O Olho que tudo vê”, ele abriu a porta do quarto do computador – um quarto misterioso, a princípio.


Foi diretamente ao computador, e começou a digitar comandos em uma tela preta – no prompt de comando.


Depois de 5 minutos, conseguiu.

Restando 2 minutos ainda, já que seu relógio mostrava “15:58”, Joseph conseguiu o que almejava.

Conseguiu desabilitar todas as câmeras da mansão – todas que não eram as dele.


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– Merda! — Gritou um funcionário.

– O que houve? — Perguntou David.

– Estou tentando conectar com as câmeras mas não está dando.

– Hmm... Já são 16:00 horas?

– Sim, são! Há algo de errado...

– Entre em contato com os nossos seguranças de lá.

– Não consigo! Eles desligaram todos os celulares, e todos os meios de comunicação alternativos.

– Hmph. Tente daqui uma hora. Mantenha-me atualizado – David saia da sala.

– Tudo bem, Senhor.


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“Idiotas... Pensam que podem me enganar. Babacas...”


Joseph tirou o celular de seu bolso, e ligou para o segurança-chefe.


– Hemmers.

– Pois não, Joseph?

– Desligou todas as comunicações com seus chefes?

– Sim, desliguei. Tudo o que foi planejado está sendo perfeitamente executado – como você mesmo pediu.

– Maravilha. Continue assim – e se houver distrações, ou distírbios em relação a isso, me avise o mais rápido possível.

– Sim, tudo bem.


O homem de cabelos negros desligou o celular, e o pôs novamente ao bolso de seu jaleco preto.

“As interferências pelo rádio estão sendo efetuadas, e tudo está indo como eu pensei... Eu devo ser um gênio, ou quem sabe, não devo ser tão burro assim como os outros...” — Joseph pensava enquanto se aproximava da cama do quarto.

Jogou-se por cima dela, e deixou cair sobre o travesseiro e o cobertor. Respirou lentamente, e suspirou num ar de alívio.

O celular novamente fez um som ritmado, como no há uma hora atrás. Porém, era uma mensagem de Hemmers, o segurança-chefe. Nela dizia:

“Joseph, no momento, as identidades estão sendo capturadas agora. Elas chegarão um pouco mais tarde do que o previsto, porém, chegarão ainda hoje.”

“Sem problemas.” — Respondeu Joseph também por mensagem.

Desligou o celular, e tirou um cochilo.


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Mansão Nebrawsk – 11/11/2009



Fechei a porta, comecei a ouvir gritos vindo do velho. Ele foi bom, quando foi necessário para aqueles idiotas que acham que podem me enganar.

Meses de planejamento... Três dias para executá-los. Agora, finalmente com mais tempo, começa a parte legal.

Ouvi todos gritando. São uns escandalosos mesmo.

“Vou esperar até que eles se acalmem” — Pensei, enquanto andava pelo corredor. Fui até meu quarto, e abri o meu bloco de anotações. Obviamente, relatei tudo o que fiz.

Olhei para cima, e olhei para a câmera escondida, tentei chegar bem perto e ela estava desligada – como planejado. Acham que podem me vigiar...

Em seguida, olhei para o quadro. A tela que eu havia pintado... A mulher de olhos verdes, e cabelos negros. Perfeita.

Liguei para os seguranças:



– Conseguiram a mulher do quadro? — Indaguei.

– Sim, Sr. Williams. — Respondeu Hemmers.

– Já disse, pode me chamar de Joseph.

– Certo, Joseph. Ela já está no quarto da sala de pintura. O quarto é o número 5.

– Perfeito. Tem certeza que ela é igual a moça do quadro?

– O mais próximo possível, senhor.

– Ótimo, obrigado.



Desliguei.

Olhei para o meu relógio. “O tempo voa, e preciso ser rápido”.



“Espero que dê tudo certo” — Pensei, enquanto guardava minha caneta, após as anotações.

Após isso, abri a porta, e fui para o corredor.


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Joseph, após sair de seu quarto, andou pelos corredores do segundo andar – onde era o quarto dele. Todas suas coisas, ele escondia naquela sala, do computador. Porém, seu bloco de anotações ele guardava na gaveta, pois as anotações possuíam duplo sentido, o que não revelava suas intenções ou atos.

Desceu as escadas, e se apoiou no corrimão. Por um momento parou, e ouviu o silêncio do lugar. Há poucos minutos todos estavam gritando e implorando ajuda, porém, perceberam que era inútil. Talvez, eles estivessem esperando pela morte – por um assassinato efetuado por Joseph. Mas, nunca imaginariam o que ele realmente queria.

Antes de se encontrar com Clovis, o mordomo, Joseph havia tomado banho e trocado de roupa. Esta estava exatamente igual ao dia em que tudo começou a ser executado, ou seja, estava usando terno preto e gravata vermelha. Usava o mesmo brinco que usara naquele dia – um brinco que lembra muito platina, um brilho muito reluzente.

Porém, o relógio agora é diferente, é um ouro maciço, tão brilhante que chegava a até combinar com o brinco. E nele, mostrava-se “22:34”.

Pensando, passava a mão em seu queixo liso. Havia feito a barba.

Depois de dois minutos parado, Joseph sobe novamente as escadas. Entra no seu quarto, e de seu armário, retira um caderno. O caderno era totalmente preto, porém, na primeira folha, estava escrito “Innocent Questions”.

Fechou a porta, e desceu as escadas. Dessa vez, do salão, ainda ouvindo o silêncio, tirou uma caneta do seu bolso do terno, e começou a apertá-la repetidamente, fazendo um som incomodante, porém, que fazia passar momentaneamente seu estresse. Esse som ridículo de “tic-tac” o acalmava de uma maneira impressionante.

Enfim, andou até o corredor das salas de pintura. Passou pelas primeiras portas, e se dirigiu até a porta com a numeração “05”.

Era onde a mulher de sua pintura estava – segundo o segurança Hemmers havia lhe assegurado.

Ainda encarando a numeração da porta, Joseph tomava coragem para entrar no quarto. “Farei o que for necessário”.

Por fim, deu três toques na porta, e entrou. O quarto estava todo escuro, como esperado, e os equipamentos, como o projetor de luz e câmeras, estavam funcionando. O projetor estava desligado.

Ao entrar, uma voz aguda foi ouvida, um curto grito, misturado à espanto e surpresa. Após isso, respirações ofegantes puderam ser ouvidas da moça – que estava amarrada à cadeira. Joseph fechou a porta, e deu curtos passos em direção ao projetor que estava na sua frente – mesmo no escuro, ele sabia a distância.

A respiração da mulher ia aumentando cada vez mais, assim como seus batimentos cardíacos. Gemidos por sua tentativa de escapar também ressoavam pelo quarto, e a respiração ainda ficava mais forte.

Por fim, Joseph ligou o projetor de luz, porém a intensidade era muito alta. Apontando diretamente para o rosto da moça, o mesmo se virou para o lado, protegendo seus olhos. Joseph ajustou a intensidade da luz, e pode ver claramente e perfeitamente o rosto dela.

Olhos verdes, cabelos negros e longos, levemente cacheados, lábios nem tão finos e nem tão carnudos, levemente rosados. Uma pequena marca em sua bochecha, levemente preta, quase inotável – uma marca que a deixava sexy. Curvas perfeitas para um rosto perfeito – assim como seu corpo divino.

Seu olhar de espanto era, incrivelmente, magnífico. Todas suas feições, desde as sombrancelhas curvadas para cima, quanto seus olhos brilhando após um leve choro de espanto. Tudo nela estava perfeito para Joseph.

“Ela é...”

“Perfeita”.


Notas finais
"Lembrando que essa estória terá o necessário de Romance. Amor demais corrompe, e deixa triste, quando voltamos pra realidade. Não quero deixar ninguém triste".