Notas iniciais
Mieko: quem automaticamente adivinhou que meus "dois dias" se transformariam em duas semanas, levanta a mão! o/ Miyako: sua idiota! Isso aqui vai ficar parecendo uma sessão de alongamento agora! Mieko: eles devem estar precisando depois de sentados e esperando por tanto tempo... Miyako: enfim, não é disso que estamos aqui para falar, porque... Mieko: porque minhas aulas começaram mais cedo do que eu imaginava e o Universo continua conspirando contra mim? Miyako: isso não é novidade. Conte pra eles o que andou fazendo pela estória esse mês. Mieko: bem, na verdade, eu tinha este capítulo 90% pronto no dia em que eu disse que não demoraria a postar novamente. E eu não demorei pra concluí-lo. Só que pensei, se eu postar mais um capítulo agora, vou me sentir confortável o suficiente para me preocupar com outras coisas e muito provavelmente protelar por mais meses do que eu deveria. Então, para me "motivar" de algum modo, resolvi reter o capítulo 15 por mais um tempo e trazê-lo ~tandann~ juntamente com o capítulo 16. Sendo que ainda tem muito desses dois a ser explicado no 17. E espero que continuem acompanhando até o final. Miyako: isso mesmo! O apoio de vocês é o que nos move! Mieko: na real, você não faz muita coisa além de me importunar... Miyako: eu sou a parte malvada da sua consciência! Essa fanfiction ia ser uma história boba e sem vilões se não fosse por mim! Mieko: como se seus vilões fossem lá essas coisas... Miyako: mas o que... x-x-x-x-x-x-x-x Secretária eletrônica: tivemos que interromper o diálogo porque os dois hemisférios cefálicos da autora entraram em conflito. Já pensando que isso poderia ocorrer, foi me passada a tarefa de informar que este capítulo é dedicado, além de a todos que acompanham 'Innocence', à Anne, pelo carinhoso puxão de orelha nos comentários anteriores e por continuar conosco depois de tantos anos! Beijos e abraços de dinossauro!! ✿ Miyako: secretária eletrônica manda beijo desde quando? Mieko: MIYAKO! JÁ. CHEGA!! x-x-x-x-x-x-x-x Boa leitura!! (。^---^。)♡

Algumas horas haviam se passado e fora todos os presentes ao redor da labareda quase extinta, Ino, Kiba, Tenten e Neji discutiam algo em um quarto afastado. O mesmo em que uma fotografia mal realocada havia repousado abaixo da cama, em meio aos pelos perdidos por Akamaru enquanto dormia.

— Vocês têm certeza de tudo o que acabaram de contar? – Neji inquiriu sem tirar os olhos do moreno que lhes falava.

— Absoluta! Ele era enorme! – contava como se falasse de um ser mítico de algum filme. – Nós teríamos trazido algo com a gente, mas ele se desmanchou em um monte de pó de serra e saiu voando pela floresta. Sinistro do jeito que estou dizendo...

Tenten encarou o colega de equipe com cautela. Era uma cena um tanto peculiar a algo que já haviam visto e sabiam bem que não poderia ser só mais uma coincidência.

— É melhor retornarmos à Konoha. Sabe-se lá o que pode estar acontecendo... – ela concluiu, recebendo um olhar de aprovação de Neji.

— Mas se algo estivesse acontecendo, Tsunade nos contataria, não acham? – Ino estranhou a ausência de qualquer aviso, não somente daquele dia.

— Talvez ela criasse um alarde muito grande nos enviando uma mensagem direta – concluiu. – Caso algo esteja mesmo acontecendo, ela não poderia arriscar nos perder para uma emboscada qualquer no caminho. Inclusive, acho haver algo de muito incomum em mandar tantos ninjas bons para fora da vila de uma vez...

— Neji tem razão, Kiba. Lembro-me de ter visto você comentar algo parecido com o Naruto ontem à tarde – a loira impôs a observação, chamando olhares para ele.

— Bom... Se você quer falar disso... A Tsunade estava com planos de afastar a professora Kurenai e o Asuma da vila por um tempo. Seja lá o que tenha ocorrido, ela deve ter temido que os usassem como isca, já que estão esperando um filho e não estão trabalhando ativamente no momento...

— Quem te contou essas coisas? – Neji inquiriu com um olhar beirando a desconfiança. – Por que o Naruto sairia dizendo isso por aí?

— Olha, se quer saber você vai ter que... – respirou arduamente quando Neji o agarrou pelo pescoço.

— Escuta aqui, não estamos de brincadeira! Se você sabe de algo que ninguém mais sabe, é melhor dizer de uma vez de que lado você está! – a fúria brilhava em seus olhos mais do que os caninos de Akamaru em sua direção.

— Tá, tá! Tá legal! Eu vou falar!! – berrou moderadamente sendo recolocado no chão. – Eu dei um jeito de seguir o Kakashi naquele dia do Festival Matsuri. Deixei um clone no bar e saí pouco depois que ele. O velhote foi se encontrar com um grupo dos esquadrões especiais.

— E o que estavam fazendo no festival? – Ino aguardava enquanto a respiração do canino humanoide normalizava.

— Eles encontraram três membros das equipes de busca, tão brancos e mortos quanto o amiguinho que conhecemos lá na floresta... E tinha mais cinco deles na área de treinamento de vocês – apontou para Tenten e Neji simultaneamente. – Eu sei que eu não deveria ter ido atrás dele, e a essa altura o Kakashi já deve ter todos os pés atrás comigo... Mas eu não podia deixar aquilo acontecer e ficar na minha! Eles estavam procurando alguma coisa que vai fazer muito mal à nossa vila!! E eu não quero que nada aconteça a ninguém da minha equipe! – seu rosto tornou-se atordoado ao pensar em qualquer coisa ruim. – Olha, eu sei que eu sou um cabeça-dura às vezes...

— O tempo todo... – Ino comentou baixo o suficiente para todos ouvirem. Kiba encarou-a com uma expressão remediada e continuou.

— E eu nem sou tão forte assim pra lidar com isso sozinho. Mas não é porque eu não falo nada que eu não me importo – trocava olhares profundos com Neji que os devolvia com o mais sincero entendimento. – Então... A partir daí eu tentei falar com a Godaime e ela sempre ignorava dizendo que estava tudo bem. Pensei que ela não tivesse desconfiado que eu sabia de algo até ela me pedir pra bolar essa saída nossa com o Naruto. Deveríamos ficar aqui por mais tempo, mas creio que ela não tem ideia do que está acontecendo se chegamos até onde chegamos hoje.

— Sendo assim... – Neji decidiu após algum tempo mudo. – Nós partimos ao amanhecer. Vamos fazer com que Tsunade acredite que está tudo bem, sabendo que ela não deve nos deixar agir se é conosco que está realmente preocupada.

— Mas não podemos deixar a professora Kurenai sozinha, Neji! – Tenten lembrou-o. – E seria arriscado irmos todos juntos do mesmo jeito... Seria melhor falar com os outros e separar um grupo que possa ficar de guarda por aqui.

— Ela está certa – Ino concordou, tocando o ombro de Kiba. – Eles já devem estar entrando, vamos ver o que conseguimos ajeitar lá embaixo – disse guiando-o pela porta após uma breve troca de olhares com os demais.

— Você não pretende ficar aqui, não é? – ele inquiriu quando já estavam sozinhos.

— O que quer dizer? – encarou-o inocentemente, não entendendo qual seria o grande problema se resolvesse não partir.

— Que também estamos ficando sem tempo.

*~*~*~*

Pela manhã a Ilha Hono[1] encontrava-se num estado de silêncio humano, no qual o som da quebra das ondas e do balançar da rica vegetação se misturava com o uivar suave do vento, sem interrupções. Não aparentava ter havido qualquer perseguição, qualquer briga, tampouco um simples jogo de vôlei na areia remexida e remodelada aos poucos pelo intemperismo.

Tudo acabou quando Naruto levantou-se num sobressalto, estranhamente cedo, com os primeiros raios de sol. Saiu do quarto e desceu ao térreo com cautela, a fim de não acordar ninguém desnecessariamente. Sentindo como se tivesse de tomar o caminho até a varanda, foi onde encontrou Konohamaru assistindo ao espetáculo matutino no céu, enquanto descansava as pernas nos degraus da varanda.

— Se liga... – bocejou. – O que é que você tá fazendo acordado a essa hora, hein, pirralho? – disse com tons brandos enquanto bagunçava os próprios cabelos.

— Não consegui dormir direito... – comentou ainda fitando o horizonte.

— Foi por causa do que aconteceu ontem? – questionou, tomando um timbre mais sério. – A Moegi já está bem, e ela nem culpou você e o Udon por nada...

— Eu sei, chefe... Mas é que eu... Sinto que se eu tivesse me importado mais, talvez ela não tivesse se perdido, ou mesmo encontrado aquilo que o cachorrão e a porquinha loira não quiseram nos dizer... – Naruto riu das associações feitas pelo garoto, lembrando-se de outra conversa.

— Hey, naquele dia em que fomos jogar na praia, quando você me acordou aos berros lá em cima... – olhou-o irritadiço. – Você ainda não me disse o que queria de tão importante – comentou, tentando encontrar alguma conexão entre os dois momentos.

— Err... Bem, é que... – sua resposta começou com uma cara virada, como se pensasse sobre o que deveria de fato discutir. Suspirou. – Eu... Queria perguntar sobre como eu poderia me dar bem com uma garota... – assistiu o loiro demonstrar uma expressão levemente desentendida e ao mesmo tempo surpresa. – É... A... Hanabi Hyuuga – falou brevemente, quase tão rápido quanto o surgimento de uma frente ruborizada em seu rosto.

Naruto segurou o que queria dizer por um tempo até literalmente não se aguentar e arriscar o fim do sono de quem quer que estivesse no quarto acima com uma gargalhada alta. Konohamaru xingou-o mental e verbalmente, num mesmo instante.

— Eu não estou achando engraçado – continuava rindo, contraditório às próprias palavras. O garoto não entendia. – Eu fico muito feliz por você estar procurando ajuda por isso... – conteve-se, sorrindo e fazendo-o parar por um momento. – Mas eu tenho percebido outra coisa... Tem certeza de que está inquieto por causa dela? – prosseguiu após uma leve pausa, estando certo de que batera no ponto vital da conversa.

— Hum... Era exatamente sobre isso que eu ia perguntar... Ela não parece gostar muito de mim, somos só bons amigos – olhava para a explosão de chamas que se levantavam milhares de quilômetros adiante, com rosto e olhar perdidos.

— Se diz isso, então por que...

— Eu achava que era isso que me incomodava – interrompeu, sem ser muito abrupto. – Mas quanto mais olho para a situação, mais eu penso que não consigo ver o que estou procurando... Acha que eu devo falar isso pra ela, chefe? – encarou-o indecisamente confuso e sem mais tanta razão de pensamento.

— Eu acho... – sorriu discretamente, olhando para uma pequena flor púrpura que nascia num dos cantos do degrau onde estavam. – Que você deveria olhar para o outro lado e pensar nisso tudo de novo – instigou.

O ninja de cabelos castanhos deixou que estes lhe cobrissem parcialmente o rosto. Agora encarava a madeira desbotada sob os próprios pés, como se já tivesse começado com a recente sugestão dentro de sua mente. Foi interrompido pela mão que tocava seu ombro e olhou para Naruto mais uma vez, deparando-se com um reflexo de compreensão que nunca conhecera daqueles olhos azuis.

— Sabe... Às vezes aquilo de que a gente mais precisa está bem ao nosso lado – entregou-lhe um tom confiante e começou a se levantar, espiando o azul recém-chegado do céu. – Espero que você se resolva com ela – disse por fim, dando uma leve batida num ornamento do pulso direito do jovem ao seu lado e voltando para dentro.

O mais novo ficou a observar o delicado objeto, confeccionado numa tarde quente de treinamento da academia. Quando mais novo, olhava para aquilo como “apenas mais uma ideia de menininha da Moegi”, pensamento que se tornava um inconveniente, pouco a pouco, à medida que as palavras de um futuro Hokage impregnavam dentro de sua cabeça.

*~*~*~*

Havia uma hora de dia para cada uma das seis figuras que se preparavam para deixar o local emerso e continuamente tranquilo. Asuma as observava, de longe por uma janela, ao passo que outras poucas permaneciam paradas à beira do litoral.

Temari, Tenten e Naruto organizaram-se com suas poucas coisas em uma embarcação sutil, enquanto Kiba e Ino esperavam pelo cessar da mansidão preocupada de Hinata, numa armação de madeira à parte.

— Mande avisar se tiver algum problema em casa, tudo bem? – encarava-o, gentilmente segurando uma de suas mãos.

— Vamos resolver isso logo – deixava ambas as mãos livres, tentando os tons mais persuasivos que conhecia. – Cuide para que seus companheiros fiquem bem... Hinata-sama. – parou, como um breve momento de formalidade, antes que se virasse e seguisse caminho para irem embora.

— Você também deveria – disse sem compromisso, após alternar seu olhar entre ele e a garota de cabelos castanhos que se endireitava para partir, com um semblante apreensivo.

Neji voltou-se parcialmente para a prima perfazendo suas palavras com um sorriso de soslaio que ela não percebeu. Estava agora entretida em ver como o vento se apropriava da tarefa de afastá-los da costa e de levar também para longe os olhos azuis com os quais gostaria de trocar algumas palavras. O quanto antes fosse possível.

*~*~*~*

Ao final da tarde, já colocavam os pés de volta ao país acolhedor que tão bem conheciam. Passaram sorrateiramente pelos portões de entrada, como que para não fazer os guardas locais perceberem que não estavam ali por ordens superiores.

Indo cada um pelo seu caminho, Temari seguiu para a casa de Shikamaru, a fim de recolher suas coisas o mais depressa que conseguisse e dirigir-se para qualquer outro lugar com alguma desculpa que ele não engoliria. Realmente não sabia o que pensar. Sobretudo após a confissão que recebera dele às beiras daquele velho cais.

Era estranho, e talvez engraçado, o modo como aquilo não soava impertinente quando ele não estava por perto. Ou ao menos era o que sentia quando repetia as palavras dele para si. “Eu gosto de...”. E não era capaz de terminar por não saber se o que preenchia o último espaço seria um nome, uma declaração ou algum monossílabo egoísta que remetesse a ela própria. Agarrou sua mochila com força e virou uma esquina tomada pelas sombras do céu alaranjado, de uma semana um tanto problemática.

*~*~*~*

Finalmente alcançou o deserto gélido do qual tanto ouvira falar nos últimos dois anos. O treinamento naquele meio-tempo havia aperfeiçoado de maneira gritante o silêncio com o qual seus passos eram dados e, não fosse o fato de ele ter a forma humana, qualquer observador menos atento jamais diria que algo se movimentava naquela imensidão branca e cruel.

Estava em meados do inverno, na época em que este costuma ser mais quente, com apenas uns poucos graus negativos. As poucas casas, de longe, não eram suficientes nem para causar uma vírgula de pena a um viajante qualquer. Pareciam somente três barracões construídos para funcionarem como armazéns, sem que houvesse algum cuidado estético com eles pelo lado de fora.

Foi este o tipo de pensamento que tratou de deixar de lado assim que atingiu o cume da pequena elevação onde estavam as velhas construções de madeira. O que via parecia uma cidade abandonada, e usaria o verbo “parecer” porque o que restara nem sequer podia ser chamado de cidade. Havia restos de paredes e portas por quase todo lugar, impregnados com uma espécie de mofo, neve e carvão, para não falar dos montes de serragem que pareciam ter chovido sobre todas as coisas.

Virava uma esquina e outra, e uma esquina a mais, entrando aqui e ali para ver o mesmo cenário amargo se repetindo, inclusive por trás das fachadas mais conservadas. Repousou os pés em frente ao que deveria ter sido uma pequena dependência, dentro de uma área coberta e um pouco maior que a cercava, na qual havia uns poucos equipamentos de escrita. Só deduzira que era uma agência de entrega de correspondências ao assustar-se com uma caixa deteriorada que despencou com seu leve passar, de uma prateleira já muito podre para aguentar o próprio peso.

Por menos provável que aquilo fosse, tudo que se espalhou pelo chão poeirento parecia não ter mais de poucos anos ou semanas; cerca de vinte envelopes lacrados, todos para um mesmo endereço, todos com um mesmo destinatário. Um tal de Masahiro Uchida.

Livrando-se de qualquer norma de boa conduta, arrancou o lacre de duas ou três cartas e vagou pelo seu conteúdo sem demorar-se demais. Notava, ao ler, uma tendência integral para os mesmos temas, como uma cidade destruída, um exército de demônios vindos dos piores infernos e um comandante feito de refém que tratava esse fato como um mero detalhe.

Em meio ao que já lhe era em tese familiar, após a escolha de repetir o ato com todos os envelopes com os quais se deparara, percebeu uma frase que literalmente não mudava, em umas poucas folhas que pareciam ser as mais recentes. “Não deixe de cuidar dela.”

[1]“Chamas”, em japonês. Esta ilha não existe na trama original.

Notas finais
Música para este capítulo: "Mr. Washington", performed by Local Natives.