Innocence Lost
3 Capítulo 3 - Boneca
Notas iniciais
– Um longo assunto? — disse Arleb em tom de desdém — Não tenho tempo, preciso voltar pra aula.
– Como se o senhor fosse interessado nos seus estudos... Senhor Higurashi... — pronunciou Léo olhando uma papelada que se encontrava sobre a mesa.
– Para sua informação — Ahla interviu no assunto defendendo o irmão — Meu nii-san é um aluno bem aplicado.
– Não é o que o histórico dele diz mocinha... — disse Léo sério olhando nos olhos de Ahla.
– Você me lembra alguém... — disse Arleb olhando fixamente o detetive — Qual é o seu nome mesmo?
– Leonardo, Leonardo Akatsuki — respondeu Léo com indiferença — Provavelmente vocês devem conhecer meu irmão...
– Então... — disse Arleb surpreso — Você é o irmão do Yuki-san?
– O Yuki-senpai tem irmão? — perguntou Ahla confusa — Porque ele nunca disse isso?
– O que se passa entre mim e meu irmão não interessa a vocês, vim tratar de assuntos importantes.
– Eu não obriguei o Yuki a beber aquilo! — Arleb logo foi se explicando — Ele perguntou o que era e eu ofereci, aí ele resolveu experimentar e...
– Mocinha... Poderia fazer seu irmão fazer o favor de calar a merda da boca? — disse em tom ríspido — Arigatô. Agora, vamos ao assunto.
– Que seja! — disse Arleb irritado — Fala logo.
– Há anos, ocorreu aqui neste edifício um culto a um demônio, e isso resultou na morte de muitas crianças e adolescentes que foram sequestrados e usados como sacrifício...
– Eu já ouvi essa história... — disse Arleb com tom investigativo — Sobre uma boneca que aprisionava este demônio dentro de si mesma... Mas é só uma lenda não?
– Nem toda a lenda é irreal senhor Higurashi. — disse o detetive com um sorriso misterioso para Arleb — Esta por exemplo, é bem real...
– Se é real... — Ahla disse em tom interrogativo — Onde está essa tal boneca amaldiçoada?
– É exatamente isso que eu procuro saber senhorita Higurashi... — Léo olhou desafiadoramente para os irmãos Higurashi — Vocês é que vão me dizer.
– Nani? Como assim? — perguntou Arleb confuso — O que eu e minha onee temos a ver com isso?
– Tudo a ver. — respondeu o Akatsuki seriamente — Você está com a boneca Ahla. A mesma boneca que seu avô lhe deu quando morreu.
– Mas... Meu avô morreu quando eu era bem pequena... E eu não lembro dele ter me dado nenhuma boneca...
– Por que eu escondi aquela boneca de você... — Arleb respondeu sério — Escondi por ciúmes, por inveja, vovô te idolatrava e com isso, ele se esquecia completamente de mim.
– Então... — disse Ahla quase chorando com uma lágrima apenas, que insistia em cair pelo canto de seu olho direito — É isso o que você sente por mim? Ódio, inveja, ciúmes?
O clima estava ficando pesado naquela pequena sala da diretora, Leonardo observava tudo atentamente sem demonstrar qualquer emoção, estava com a expressão vazia. Arleb notou o sofrimento de sua irmã, assim como notou que havia falado o que não queria.
– Ahla, também não é assim... — Arleb disse preocupado.
– Então é como? — Ahla forçou para não chorar, mas foi em vão, estava extremamente triste — Me diz logo Arleb!
– Eu era uma criança! — Arleb disse irritado — Eu não tinha idéia do que estava fazendo! Eu procurei a boneca para te devolver...
– E onde ela está? — Ahla perguntou entre soluços — desistiu de me devolver?
FLASH BACK ON
O pequeno garoto de cabelos brancos estava atrás de uma porta, ouvindo atentamente o que dois homens conversavam.
– Então... Amanhã eu estarei aqui se tudo der certo, guarde bem esta caixa. — dizia um dos homens, este tinha os cabelos pretos e olhos azuis, seu nome era Tomoyo Akatsuki — Espero que sua netinha esteja bem.
– Está, e como está o seu filho?
– Está ótimo, está em casa cuidando dos meus netos...
– Ah, seus netos! — o mais velho pareceu lembrar — Leonardo e Yuki né?
– Exatamente.
– Como eles estão?
– Muito bem, porém o Léo ainda continua sem falar ou demonstrar qualquer emoção...
– Tentem compreendê-lo... Ele ainda não deve ter superado a morte da mãe...
– Realmente... Mas agora eu tenho que ir, cuide bem desta caixa, creio que sua neta vai ficar feliz com o presente. — disse Tomoyo observando uma outra caixa que se encontrava nos fundos do cômodo.
– É apenas uma boneca que encontrei perto de uma escola...
– Interessante, posso saber qual seria esta escola?
– Escola Aimê, não fica muito longe daqui...
No instante em que o nome da escola foi mencionado, o semblante de Tomoyo ficou sério, seus olhos sem brilho, fosco.
– Algum problema? — perguntou o mais velho a Tomoyo — Parece que viu um fantasma...
– Antes fosse... — Tomoyo disse preocupado — Esta é a mesma escola em que meus netos estudam...
– E qual o problema?
– Há algumas semanas, houve uma chacina naquele colégio... Poucos sobreviventes, quase todos os alunos mortos, inclusive minha nora, mãe de Léo e do pequeno Yuki...
– Mas... — o senhor Higurashi ficou pasmo — Não passou em nenhum noticiário...
– A polícia está investigando o assunto secretamente...
– Mais... O que houve? Qual o motivo da chacina?
– Foi um culto... Há um demônio.
– Demônio? — Akira Higurashi
– Tá, passa logo pra parte em que você escondeu a boneca! Onde ela está? — o Akatsuki perguntou interessado.
– Na mesma noite, horas antes de ter ouvido a conversa, eu havia enterrado a mesma boneca no quintal de casa e...
FLASH BACK ON
–Melhor eu pegar aquela boneca de volta... Pode ser perigoso depois e... — o pequeno Arleb havia se assustado, no lugar de onde havia enterrado a boneca, só havia um buraco vazio — Mas... Como?
FLASH BACK OF
– Quando eu voltei, ela não estava mais lá...
– Então... A boneca está sumida por aí? — perguntou Leonardo aparentando estar extremamente agoniado.
– Er... — Ahla se pronunciou com um pouco de receio — Na verdade... Eu estou com essa tal boneca amaldiçoada...
– NANI? — os dois rapazes exclamaram no mesmo instante.
– E você não me disse nada? — Arleb perguntou raivoso.
– Er... Gomene! — Ahla fazia um olhar de cachorrinho que caiu na mudança — Eu não sabia que ela era perigosa! Ela foi minha primeira amiga!
– Do que raios você está falando Ahla? — Arleb perguntou ainda irritado.
– Ela sempre conversa comigo... Ela me entende sabia?
– Ah, entenda — disse Arleb em tom paciente até que — AQUELA PORCARIA DE BONECA É UM DEMÔNIO! VOCÊ QUER MORRER RETARDADA? — Arleb sacudia Ahla pelos ombros e berrava com ela.
– Então... — disse o detetive Akatsuki — Sabemos onde encontrar a boneca...
– Sabemos? — Arleb perguntou em tom curioso — Onde?
– Lá em casa besta! — Ahla deu tapa na cabeça de Arleb.
– Ai! Isso doeu! — Arleb reclamou.
– Era pra doer mesmo seu baka!
– Não me chame assim nunca mais na sua vida!
– Ou o quê? — Ahla perguntou cínica para o irmão.
– Me aguarde!
– Tanto faz! — Leonardo disse impaciente — Vamos logo pra casa de vocês!
– Mas... E a aula? — perguntou Arleb.
– E você realmente se importa? — Leonardo perguntou em tom cínico.
– É... Você tem razão...
– Então vamos logo! — disse Ahla abrindo a porta e saindo.
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