Inn
29 Extra I: Andrei
Notas iniciais
Hoje estava chovendo e acontecia algo raro. Todos estavam na pensão. Olhei para a mesa longa e Cody comia um dos meus sanduíches de atum, Léo tomava um café e pensava longe, Alex estava emburrado em um canto, parecia que tinha discutido com o artista de novo, Teo também estava aqui, veio pegar algumas roupas que tinha deixado para trás e pagar o ultimo mês de estadia, além de querer se despedir propriamente de Edgar e de mim, o Eros, estava muito bem vestido e estava de pé de frente para a janela, provavelmente praguejando contra a chuva que tinha estragado a sua noite, e por ultimo, Tristan tinha acabado de entrar na cozinha, mas ele era bem calado na dele e ainda não se sentia muito a vontade ao nosso redor. Ele está procurando um emprego.
Era tão raro todos estarem aqui reunidos. Só falta o Edgar chegar do trabalho e eu realmente espero que seja logo, porque a chuva está tendendo a ficar pior.
De repente as luzes da pensão falharam, piscaram duas ou três vezes e tudo ficou escuro.
– Ótimo, acabou a luz. – Alex disse em todo o seu tom de chateação.
Os celulares logo acenderam e eu fui procurar velas e fósforos.
Decidimos que todos iríamos para a sala esperar que a energia voltasse, até Eros nos acompanhou, mas mais uma vez, ele ficou de frente para a janela, esperando que a chuva abrandasse, o que não ia acontecer tão cedo.
Onde estava o Edgar? Sei que não tem motivo, mas eu me sentiria melhor se ele chegasse logo, em dias assim meu coração fica na mão.
Coloquei dois pares de velas em cima de um pirex na mesa e sentei em uma das poltronas, os garotos sentaram nos sofás ao redor.
– A chuva está piorando. – Eros comentou para ninguém exatamente.
– Edgar não está atrasado? – Léo perguntou na minha direção.
– Deve ser por causa da chuva, a cidade fica um caos com esses temporais — mas eu queria que ele chegasse logo. Estava ficando nervoso, e se algo aconteceu com ele?
– Há quanto tempo vocês estão juntos? – Tristan perguntou na minha direção e eu até achei estranho, ele é sempre tão quieto.
– Bem, dezessete anos. – eu respondi parando para pensar um pouco, é tanto tempo para duas pessoas estarem juntas.
– Nossa, é bastante tempo. – ele respondeu depois de um olhar de admiração, seguido pelo olhar melancólico que o acompanhava sempre.
– Como vocês começaram, Andrei? – Léo me perguntou.
– Bem... foi na época da faculdade. – falei quando as recordações me voltavam pouco a pouco.
– Achei que não tinha terminado a faculdade. – Eros comentou encostando-se contra a janela.
– E não terminei. Tive que largar para vir cuidar da pensão.
– Eu quero ouvir sua história de romance. – Léo comentou se aconchegando no sofá e trazendo o Cody para sentar com ele.
– É uma história longa. – comentei tentando persuadi-los a desistir. Não acho que Edgar ficaria confortável quando eu revelasse certos fatos.
– Eu gosto de histórias. – Cody falou se esparramando sobre Léo.
E quando eu notei, todos estava olhando para mim com um extremo interesse, bem... não ia fazer mal voltar alguns anos do passado e reviver momentos e emoções maravilhosos.
– Bom, por onde eu começo... – eu pensei em quando a nossa história realmente começou, eu nunca tinha parado para pensar nisso, mas agora, agora que eu preciso, não consigo pensar em um momento melhor do que naquele fatídico dia do ensino médio, que eu julgava ser o pior dia da minha carreira escolar.
“ Eu não podia estar ali. Não. Um líder de turma nunca deveria pisar em um lugar assim. Fechei os olhos e abri duas vezes, mas eu ainda estava lá, sentado na primeira fila, na carteira do meio, com a mesa do professor a minha frente, ele lia um jornal com os pés em cima da madeira gasta.
Olhei para a minha direita e uma garota loira com olhar de tédio, estava visualizando o teto enquanto mascava um chiclete.
Olhei para a minha esquerda e um garoto dormia sobre a pequena mesa.
Meu pescoço girou e mais uma garota riscava a sua mesa com um lápis, parecia impaciente, sua perna não parava de mexer.
E lá atrás na ultima cadeira, estava um garoto despojado, com os cabelos negros desarrumados e que parecia muito mais desenvolvido que os outros alunos, ele era repetente, todos sabiam, além de ser um dos garotos mais barra pesada do colégio. Ele vivia aqui na detenção.
Detenção.
Meu estômago deu um nó, como eu vim parar nesse lugar? Isso vai manchar o meu histórico impecável e impedir que eu vá para uma boa universidade e ganhe uma bolsa! Embora eu ainda não saiba bem o que eu quero, mas ainda assim, melhor trabalhar caso eu queira algo mais difícil. Estava tudo indo tão bem. Mas Ricky tinha que me pedir a resposta da questão seis, eu não costumo dar cola, primeiro porque minhas mãos soam, eu acho que vou ser descoberto e eu simplesmente não consigo passar as respostas! Mas dessa vez eu realmente achava que ele queria me pedir algo emprestado, uma borracha ou caneta.
O problema foi que o professor viu e... pronto, eu, Andrei, estava aqui na primeira detenção da minha vida. Por colar! Esse professor era novo, por isso ele não sabia que eu não faço esse tipo de coisa, eu fui dormir tarde estudando e agora estava tudo perdido, esse dia estaria sujando meu histórico impecável.
Eu suspirei e olhei de novo ao redor, olhei o relógio, ainda tínhamos mais de uma hora, a escola já estava vazia, eram as ultimas semanas do semestre. Olhei para trás de novo e o delinquente olhava para mim, virei prontamente para frente.
Foi quando a porta abriu e minha boca ficou seca e meu coração acelerou. Ricky passou por ela, segurando a sua mochila com apenas uma das alças.
O professor olhou para ele e esperou que Ricky falasse alguma coisa.
– Eu... estou atrasado? — meu melhor amigo perguntou quando o professor o olhou com uma cara de poucos amigos.
– Apenas vinte e cinco minutos, senhor Monnero. Sente-se ali. E vai ficar uma hora a mais comigo.
Eu tenho certeza que fiz uma careta, ficar aqui por mais uma hora sem fazer nada era uma tortura sem fim. Mas, como sempre, Ricky não parecia se importar.
– Desculpe. – Ricky comentou sem realmente se importar, sempre com um sorriso no rosto, e foi sentar nas cadeiras a minha esquerda, duas filas depois de mim.
Mas antes ele deixou um chocolate na minha mesa, com um recadinho. “Desculpe.”
Eu fiquei sorrindo como um idiota. Ricky e eu somos amigos desde o inicio do ensino médio. Não somos nada parecidos, ele é um sucesso no mundo dos esportes e pode-se dizer que é um popular do colégio, ele é alto, vive com um sorriso no rosto e um olhar despreocupado, além de ser lindo e um amigo muito bom e... eu tenho uma leve queda por ele desde sempre, nada demais. Ele é sempre muito gentil comigo. O único defeito é que ele não pensa no futuro, só faz o que lhe vem a cabeça e na maioria das vezes as coisas dão certo, quando não dão... bem, a gente da um jeito.
Ele não sabe se quer ir para a faculdade no fim do ano e não sabe o que quer fazer em um emprego. Na verdade, ele é a pessoa mais perdida que eu conheço, ele diz que não se importa, que procura não pensar muito nisso porque da dor de cabeça. Mas eu me preocupo com ele.
Ricky me olhou, sorriu e piscou para mim, eu contive um leve suspiro.
Já eu... não posso dizer que sou um nerd que sofre bullying, ou que sou mal tratado ou qualquer coisa assim. Eu simplesmente existo no colégio, as pessoas não me notam muito e eu vivo na minha. Apenas isso.
Assustei-me quando o professor levantou da cadeira e nos olhou na sala de aula, nós seis o encaramos prontamente. Seriamos liberados mais cedo?
– Eu vou resolver unas assuntos da repartição e volto já. Se quando eu voltar algum de vocês estiver fora do lugar ou tiver saído... – ele deixou a ameaça no ar quando saiu da sala e o silêncio reinou.
Dois minutos depois eu escutei um arrastar de cadeira e o moreno que sentava no fundo veio para a frente da sala... ele ia sair?
– Ele mandou ninguém sair. – a loira disse sem olhar para o moreno, ele só olhou para ela como se o assunto não fosse da conta da garota.
– Eu ouvi. – mesmo assim, ele abriu a porta e se pôs para fora.
– Você vai encrencar todos nós. – o garoto que antes dormia agora disse para a porta.
O rapaz virou como se estivesse chateado, percebi que o Soneca meio que se encolheu, acho que ele pensou que o moreno ia voltar para calar a boca dele.
– Ele sempre faz isso. – o moreno começou. – Agora é hora de uma de suas novelas preferidas, ele não vai voltar antes que ela acabe. Temos 45min para voltar a estar quietos na sala.
– Onde está indo? – a loira perguntou.
– Fumar.
– Eu vou com você. – a garota foi e seguiu ele! Seus malucos! Eles podiam até ser expulsos!
– Ei, me desculpe. – eu escutei aquela voz e quando eu olhei para frente, Ricky estava ajoelhado na frente da minha mesa. Isso me supreendeu... ele não devia estar fora da cadeira! – Prometo não fazer de novo.
– Tudo bem! Mas volte para a sua cadeira porque o professor pode voltar a qualquer minuto!
– Você sabe que eu adoro você? – ele me disse com aqueles lindos olhos verdes. Meu pobre coração pulou uma batida.
– Eu... também te adoro. Mas você tem que ir se sentar porque...
–Já viu como o dia está lindo? – ele me ignorou olhando para a janela.
– Está, mas infelizmente estamos presos aqui.
– Não estamos não! – ele disse levantando e saindo pela porta.
Ele não fez isso. Eu olhei ao redor. Não podemos sair daqui! E eu não queria deixar ele se encrencar. Eu juntei toda a minha coragem e passei pela porta, Ricky já ia quase no fim do corredor.
Ele ouviu meus passos e olhou para trás com sorriso maravilhoso.
– Então você veio?
– Só para te levar de volta.
– Vamos tomar um ar.
Ficamos conversando besteiras pelos corredores por muito tempo, lembro de como ficava absorto nos olhos que sempre pareciam tão distantes e nunca realmente me encararam ou prestavam atenção em mim, embora ele sempre estivesse presente quando eu precisava, eu nunca realmente senti que ele estava aqui, parecia que ele procurava algo constantemente ao seu redor.
– Eu vou indo... quer vir? – ele me perguntou e eu realmente estava tentado a segui-lo e descobrir para onde ele queria ir, eu queria estar com ele, mas...
– E a detenção? – ele apenas deu de ombros. Eu não tenho essa coragem que ele tem. O pior é que parece algo tão patético para se ter medo, é só o colégio.
Mas ele só me sorriu.
– Acho que é melhor você voltar para a sala. – Ricky me disse quando se dirigiu para a ala externa do prédio.
– Não, Ricky, você tem que voltar! Você pode se meter em problemas... Ricky! – eu chamei, mas a convicção dele era inabalável. Espero que tudo fique bem.
Eu me apressei e voltei pelos corredores. Por onde era mesmo? Ah, sim... por aqui.
Quando eu dobrei em uma esquina, meu corpo esbarrou em alguém, mais alto que eu, e o cheiro de fumaça invadiu minhas narinas. Olhei para cima, para encontrar os olhos castanhos profundos e uma leve carranca que parecia estar sempre presente naquele rosto.
– O que ainda está fazendo aqui? – ele me perguntou, olhando ao redor quando ouvimos passos.
O delinquente agarrou meu braço e em dois segundos estávamos dentro do armário do zelador, eu e aquele garoto desconhecido, o espaço só nos permitia manter dois palmos de distancia um do outro, já que as vassouras e esfregões tomavam bastante espaço.
– Você está louco? – eu perguntei arrumando meus óculos e ganhando uma mão para cobrir minha boca.
Meu coração acelerou quando eu percebi o professor passando do outro lado da porta. Ele estava voltando para a sala.
– Achei que você fazia o estilo certinho que sempre anda nas regras. Definitivamente nunca o vi na detenção e nunca vi alguém tão martirizado por estar lá.
– Eu nunca estive na detenção! – definitivamente não tantas vezes quanto ele!
– Estou surpreso que tenha saído para passear, isso vai manchar o seu histórico impecável se não chegarmos a sala antes dele. – ele disse com desdém, agora veja, eu não vou deixar alguém desdenhar da minha disciplina, trabalho muito por isso e meu esforço não deve ser motivo de piada de ninguém!
– É melhor ter um bom histórico do que um irrecuperável e sujo como o seu.
Ele ergueu os ombros me olhando sem dar muita importância.
– Eu não duvido, CDF. – ele encostou um braço na parede atrás de mim e deixou seu peso cair sobre ele, seu rosto ficou a centímetros do meu. Ele colocou meus óculos no lugar e depois falou. – Mas tem sujeira na minha ficha que você nunca experimentou nos seus livros, nerd.
Eu fiquei sem entender, mas pessoas não costumam invadir o meu espaço pessoal assim. Eu empurrei o corpo maior mais distante de mim, senti o peito definido por baixo do uniforme escolar, uau, acho que nunca vou ser assim. Coloquei o meu cabelo atrás da orelha, eu não costumo tocar as pessoas nem elas costumam me tocar, nem ficar tão perto assim de mim. Só Ricky. Fiquei meio embaraçado.
Olhei para os meus pés depois disso e ele realmente se afastou, não voltou. Fitei seus olhos e eles me encaravam como se quisessem ler cada pedacinho meu, senti meu rosto esquentar.
– O que foi?
Ele apenas me ignorou e olhou para fora. Dois segundos depois eu estava sendo puxado do armário e correndo pelos corredores na direção contrária a que o professor tinha ido.
– Vamos correr, talvez consigamos dar a volta antes que ele chegue lá. – ele me disse disparando pelos corredores.
E foi assim que eu experimentei uma descarga de adrenalina pela primeira vez. Era como viver uma aventura, o perigo estava a espreita e meu futuro estava em jogo... bem, talvez não fosse tudo isso, mas para mim estava emocionante no momento.
Quando dobramos a esquina, escutamos o professor assobiando. Ele estava perto, não ai dar tempo, ele ia nos ver, minha nossa! Meu futuro brilhante que eu não fazia ideia do que seria estaria arruinado antes de acontecer.
Nós conseguimos entrar milagrosamente, a loira que havia saído com ele já tinha voltado e Ricky tinha realmente ido embora. Bem, eu achei que tínhamos conseguido entrar, mas então ouvi a voz estridente do professor.
– Ei! Parado aí! — quando eu olhei para a porta, o moreno continuava lá de pé... na realidade, ele tinha feito uma barreira para que eu entrasse sem ser visto. – Claro que tinha que ser você. – o professor disse com as narinas bufantes e cheirando a roupa do moreno que só girou os olhos. – E ainda estava fumando? Eu juro que estou a um passo de expulsar você desse colégio! Agora, entre nessa sala! Vou pensar em uma punição mais efetiva para você! Obviamente as detenções e suspensões não estão fazendo efeito, ainda bem que só tenho que lidar mais esse ano com você! Se repetir, será expulso!
O moreno nada disse, apenas entrou e sentou-se no seu canto lá atrás. Obviamente eu o acompanhei com os olhos e ele me encarou por alguns instantes.
– Está faltando um! – o homem disse olhando para o canto onde Ricky havia sentado. – Onde ele está? – perguntou olhando para todos na sala.
– Ele simplesmente saiu. – o moreno lá atrás falou com a voz pesada. – Foi embora.
– Mas o que está acontecendo nessa escola?!
Nós escutamos mais quinze minutos de sermão sobre a vida e sobre responsabilidade e tudo mais, quando fomos finalmente liberados.
Eu corri para a porta, esperando encontrar o rapaz lá fora para agradecê-lo. Um representante de sala não pode se encrencar muito, ele me ajudou. Quando o vi, o moreno delinquente acendia um cigarro e ia em direção ao portão.
– Ei, obrigado por hoje... sem você eu não teria conseguido entrar na sala. Já basta uma mancha no meu histórico. – eu falei e esperei ele responder. O rosto sério só ficou lá me avaliando por um tempo.
– Seu histórico está limpo, ninguém tem nada anotado permanentemente indo só uma vez para a detenção. Mas se você tivesse sido pego, podia ter sido diferente.
Ah, eu não sabia. Isso realmente era um alívio infinito.
– Mais uma vez, obrigado. Qual seu nome?
– Edgar.
– Eu sou Andrei... você devia parar de fumar essas coisas, faz muito mal a saúde. – eu disse na minha péssima mania de me meter na vida dos outros.
– E você devia passar menos tempo enfurnado nos livros, faz mal para a vida.”
Todos viramos para a porta quando ela abriu rangendo. Edgar passou por ela, estava todo molhado e a primeira coisa que fez foi tirar o casaco, depois olhou para todos nós e uma carranca de dúvida se desenhou em sua testa. Mais uma vez, era muito raro nos reunirmos assim.
– Aconteceu alguma coisa? – ele perguntou olhando diretamente para mim, eu não pude deixar de sorrir.
– Não. Só estou contando como nos conhecemos.
Ele parou de andar e olhou ao redor. O primeiro a sorrir como uma raposa foi Alex.
– Então... você era um delinquente na escola? – Alex disse como se nunca mais fosse esquecer esse fato.
Edgar apenas rolou os olhos e trincou os dentes.
– Eu nunca teria adivinhado. Você disfarça bem. – Eros comentou sorrindo enquanto se encostava na janela.
– Por que está revirando essa história? – Edgar perguntou quando seus olhos escuros brilhavam com a luz da vela.
– Eles estavam curiosos. – e eu queria sentir de novo aquelas sensações.
Eu subi as escadas com ele para pegar uma toalha e lhe dar uma roupa limpa. Lá em cima precisava de luz também, então levei uma vela. Eu Ainda tenho dificuldade de alcançar a prateleira mais alta do armário, mas Edgar apenas esticou o braço e pegou uma das toalhas para se secar.
Depois ele tirou a blusa molhada e jogou no cesto de roupa sujas. Eu apenas sentei na cama e assisti o belo show que estava sendo feito a minha frente.
– O que eles estão achando da história? – ele me perguntou enquanto removia o cinto. Ele ainda continua lindo e impecável. O cabelo negro ainda meio rebelde, mas controlado com um pouco de gel, que agora já tinha ido com a chuva, os olhos escuros e a expressão de poucos amigos, mas que escondia um coração enorme. Fora o corpo incrível que me mantém aquecido todas as noites.
Eu continuo meio franzino e sem graça.
– Até agora está tudo bem. Contei sobre do primeiro dia na detenção.
– Hmm. – ele disse quando seu olhar se perdeu no quarto, enquanto se enxugava lentamente.
– Tudo bem eu contar a história? – eu perguntei, afinal eu acho que Edgar não é muito fã dela.
– Claro. – ele comentou quando saiu do transe e foi até o banheiro. Edgar já voltou com a calça seca e quentinha que eu tinha escolhido e vestiu a blusa de mangas.
Ele veio até mim e abaixou-se na minha frente. A mão fria veio ao meu rosto e o acariciou de leve, meus olhos fecharam instintivamente, eu adoro o toque dele, a minha mão subiu para se juntar a dele e ajudar a esquentá-la.
– Vou fazer algo quente para você. – talvez chocolate quente.
– Tem certeza que está pronto para falar sobre essa história? – ele me perguntou com o seu rosto sério, sempre sério, mas que eu amo mais que tudo.
– Eu estou. Já faz muito tempo. – eu sorri de leve encarando os olhos escuros que me olhavam com tamanha devoção. Ele apenas concordou com o que eu disse.
– Por que começou a contar a partir da detenção?
– Porque foi a primeira vez que eu notei você naquela escola e foi a primeira fez que eu tive a prova do seu coração enorme. – ele sorriu.
– Para mim, naquele dia você usou usa primeira cartada para me conquistar...
– O que? – isso para mim era novidade.
– No armário, quando eu te puxei para dentro. Você começou a me cativar ali, com o jeito tímido. – ele falou com o olhar vago, como se estivesse recordando da cena. Ele tocou meu cabelo, agora um pouco maior que naquela época, e colocou atrás da minha orelha. — Com aquela mania que você tinha de colocar o cabelo atrás da orelha.
– Eu já perdi essa mania! – disse me defendendo, eu só faço muito raramente! De vez em quando!
– Eu achava adorável na época.
Um leve sorriso se desenhou nos meus lábios, Edgar puxou de leve o meu pescoço em direção a ele e nossas bocas se uniram para um beijo. Era a minha segunda hora preferida do dia, quando ele me dava um beijo de boa noite ao chegar do trabalho. Seus lábios se uniam aos meus e para mim era onde eles deviam estar os dia todo.
Sua língua invadiu a minha boca, sugando a minha para se movimentar com a dele. Meus dedos se enroscaram nos fios molhados que ainda pingavam na toalha sobre os ombros largos.
A minha primeira hora preferida do dia é quando eu acordo, ele está lá do meu lado e sempre me da um beijo de bom dia.
– Andrei, ainda estamos esperando o fim da história. – Léo gritou, provavelmente lá de baixo.
Edgar se afastou lentamente de mim, e eu meio que me arrependi de ter começado a contar.
– Já vou... – eu disse depois de um suspiro.
– Tem certeza? – Edgar me perguntou com o olhar que eu conhecia bem, um olhar cheio de vontade e que me prometia uma noite magnífica. Mas, tinha muita gente lá embaixo e precisamos manter as velas acesas até a energia voltar.
– Vamos descer. – eu falei pegando a toalha e secando o cabelo dele a minha frente. – Tem muita gente lá embaixo esperando.
Edgar rolou os olhos e concordou levantando e me estendendo a mão. Eu segurei e ele me abraçou junto ao corpo, que começava a se aquecer pelas roupas grossas, ele encostou sua testa na minha e me sussurrou.
– Eu amo você. – Edgar me olhou quando o sentimento mais quente percorria o meu corpo. Eu só queria que ele soubesse o quando o adoro e o quanto o amo.
– E eu amo você. – eu falei firme olhando em seus olhos, mas ele só os desviou de mim e me beijou rapidamente.
– Então, vamos descer.
O problema é que eu ainda acho que ele não acredita em mim. Ele ainda acha que eu não o amo. E, mesmo depois desse tempo todo, eu não sei o que fazer para o Edgar acreditar em mim.
Quando nós descemos, ele sentou e se aconchegou ao meu lado. Não havia outro lugar no mundo que eu desejasse estar agora, senão aqui, ao lado dele. Eu senti seu braço passar pelos meus ombros e sua mão acariciar o meu braço do outro lado.
Edgar me deu um beijo discreto na cabeça. E sussurrou:
– Continue.
Não que eu precise reviver aqueles sentimentos, ele ainda me faz senti-los todos os dias. Carinho, amor e paixão.
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