Inimigos para sempre
11 Capítulo 11- Verdadeiro consigo mesmo
Notas iniciais
Eu estava atônita, nem em um milhão de anos imaginaria que aquela era história do Lucas, como ele podia sorrir daquele jeito todos os dias? Como conseguia ser tão bom com os outros, dar conselhos, acordar, se levantar e viver seguindo em frente tendo um passado daqueles? Eu chorei como se a dor dele se tornasse minha.
–Oh Lucas, eu...– Parei no meio da frase, pois simplesmente não sabia o que dizer, como consolar alguém com um passado repleto de tantas lágrimas, sangue, cadáveres e solidão?
Seis horas antes...
–O que eu acho do Lucas Lerman? Ele é o cara mais bondoso que já conheci.
–Aquele sorriso dele me assusta.
–O acho um falso aproveitador, primeiro chega montando um grupo com os excluídos e depois fica amiguinho do amostrado Jason. No fundo acho que ele só queria mesmo era ser popular.
De repente todo mundo estava dando sua opinião sobre o Lucas. Beatriz Barros faz parte do jornal da faculdade e decidiu fazer uma matéria nada convencional: “Todo ser humano tem dois lados”, e escolheu Lucas Lerman como foco, o garoto novo e de inicio misterioso que só vive sorrindo e comprando briga com Jason, mas que agora se tornou amiguinho dele e de outras pessoas fúteis e sem personalidade, acredito que ela se referia a mim nesta parte, tenho certeza que ela gostaria de dizer “vadia louca”, mas não a deixariam publicar isso.
Eu e o Jason ainda não havíamos perguntado sobre o passado do Lucas e ficamos com medo que com essa história de matéria sobre ele, ele pensasse que estávamos apenas curiosos, o que no fim não deixa de ser verdade.
Lucas entrou na sala sorriu pra todos e sentou no seu lugar de costume atrás do Alisson nerd, tinha uma coisa estranha nele hoje, me perguntava se tinha alguma coisa a ver com a matéria, mas usando meus super poderes de sensitiva descobri que não, ele estava estranho por algum outro motivo.
Chegou o intervalo e o grupinho do Lucas foi falar com ele, Maria sapatão perguntava se ele estava bem com a parada da matéria, ele respondeu que sim, no entanto vi suas mãos tremendo. Ele não esta bem, me lembrei da vez que ele me disse o motivo de tremer: “Eu sorrio e tremo por medo”, porque alguém iria sorrir por medo? Marta monstra começou a contar alguma coisa, ela estava muito feliz, nossa, eu nunca tinha a visto sorrir daquele jeito antes do Lucas chegar, ele mudou as coisas, trouxe felicidade para os menos perfeitos.
Lá vou de novo com meu vicio de perfeição. O Lucas estava me ajudando a aceitar as imperfeições dos outros, até me fez dançar com Alisson nerd no baile e por incrível que pareça foi legal, embora eu não esteja falando com o nerd, pois o beijei quando estava drogada na festa da Beatriz. Aprendi, ou quase, que as pessoas, ou algumas delas, têm qualidades escondidas aos meus olhos, que devo começar a olhar mais para suas qualidades do que seus defeitos.
Sorri, o Lucas era mesmo muito gentil. Assim que chegou tratou Marta monstra como uma pessoa maravilhosa sem si importar com sua aparência, enxergou suas qualidades. Eu queria ser assim. Meu sorriso se desfez quando vi o Lucas se levantar pedindo licença e indo embora as pressas, olhei para o Jason que leu meu olhar e foi atrás do Lucas que entrara no banheiro. Minha curiosidade não me deixou ficar naquela sala, fui para o banheiro feminino, como as paredes eram finas dava pra escutar o que eles estavam falando.
–Você esta bem?– Perguntou Jason.
–Claro que estou– Lucas respondeu sorrindo, Jason pegou na mão dele.
–E por que esta tremendo tanto?– Ele puxou a mão de volta.
–Não é nada– E seu sorriso vacilou por um momento, mas então voltou a se formar.
–Você esta sendo falso.
–O que?
–Esse seu sorriso é de mentira.
–E daí? Olha Jason...
–Quando ficamos presos naquela geladeira do restaurante você me bombardeou de verdades e perguntas que me fizeram chorar, e no fim você estava certo, me fez perceber que eu estava fingindo ser alguém que não sou. De inicio pensei que você fosse um doido super inteligente que sabia mexer com o psicológico das pessoas, mas depois percebi que você era apenas um amigo sincero, coisa que eu nunca tinha tido na vida.
–Você acabou de me chamar de amigo?– Perguntou Lucas com um sorriso no rosto.
–Não me interrompa curinga! O que eu estou querendo dizer é que você também não precisa fingir ser alguém que não é, vejo claramente que esta forçando esse sorriso, se não quer sorrir não sorria, pode demonstrar o que esta sentindo de verdade.
O sorriso de Lucas vacilou, como se lutasse para se manter estampado naquele rosto, seu lábio inferior tremeu e seus olhos se encheram de lágrimas.
–Isso mesmo Lucas, você pode...
–Não– Lucas enxugou suas lágrimas e abriu um sorriso falso novamente– Ainda não e aqui não, você quer ir à minha casa? Vou chamar a Sara também há muito tempo prometi a ela contar minha história e acho que finalmente estou pronto.
Jason pôs a mão no seu ombro.
–Eu vou, e acho que podemos cabular as últimas aulas e ir agora, algo me diz que você não esta com cabeça pra assisti-las.
–Só precisamos pegar nossas coisas e chamar a Sara.
Entrei no banheiro masculino trazendo três mochilas comigo.
–O que vocês dois estão esperando? Vamos logo, e peguem suas mochilas que eu não sou burro de carga.
Os dois sorriram, pegaram suas mochilas e nós três saímos do banheiro sob o olhar desconfiado e cochichos e muita gente, ouvi um comentário: “Mas é uma vadia mesmo”, sorri e segui em frente.
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