Inimigos Íntimos

3 Imprevisível (revisado)


A adrenalina subiu e, tentei defender-me como pude, chegando a arrancar seus óculos, tentei chutá-lo, dar joelhadas, cabeçadas, morder, arranhar mas ele me imobilizou contra a árvore, pressionando seu corpo contra o meu. Eu não tinha forças contra ele! Estava arruinada, era o meu fim?

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POV Miyako

— Pare de se contorcer inutilmente ou darei ordens para que eliminem seu parceiro... — sussurrou rouco e frio ao meu ouvido e senti o gosto amargo do medo.

Mediante a ameaça, temendo pela segurança de Hawkmon, obedeci suas exigências. Meu corpo estava congelado e trêmulo, mas a face flamejava de ultraje. Não poderia crer que enquanto comemorava mais uma vitória contra esse maníaco, baixei a guarda, não estudei as possibilidades, subestimei o inimigo. Se não tivesse me afastado de Hawkmon para desfrutar de um mergulho e devanear sobre a conversa com Koushiro-senpai. Se me comportasse com mentalidade de guerreira, em vez de uma garotinha imatura, essa calamidade não ocorreria.

— É assim que você é de verdade? — segurou-me pelos cabelos, inclinando-me para trás. — Abra os olhos, covarde! Ou você já sabe! — contrariada e assustada pelo incômodo dos fios puxados, obedeci prontamente e fitei seus olhos opacos.— Não parece tão valente agora! — zombou com um sorriso largo e psicótico, mas que aos poucos foi findando curiosamente.

Kaiser encarava com expressão indecifrável, a respiração pesou cálida contra minha pele fria, os dedos que puxavam-me os cabelos escorregaram contra face, erguendo-a pelo queixo com estupidez... Apercebi-me de sua pulsação aumentando com o quão firme seu corpo era pressionado contra o meu e, as piores possibilidades do destino que me aguardava passaram pela minha mente. Pela primeira vez eu temia pela minha vida de uma forma intensa, apavorante.

— Você é uma vadia muito vulgar. O que pretendia com essa atitude impúdica? — murmurou entre os dentes. — Vira de costas! — ordenou.

Meu coração praticamente parou, aquela ordem era horrível e sugestiva demais para ser obedecida. Instintiva neguei com um menear de cabeça. Sempre ouvi relatos de garotas que passaram por situações assim, e… Não poderia estar acontecendo comigo! Comecei um choro copioso, rogando internamente por socorro.

— Isso não, por favor! — implorei entre lágrimas de desespero.

— CALE A BOCA E OBEDEÇA! — ele se afastou, girando-me e pressionando meu rosto e corpo contra a árvore. Involuntária, abracei o tronco. — Fica quieta, se fizer um movimento eu mando meus escravos transformar seu Digimon em uma pilha de dados!

O pavor corria pelas veias, os músculos tencionaram e agarrei aquele tronco como se minha vida dependesse disso, mesmo consciente de que não mudaria o destino. Contudo, apercebi-me que o calor proveniente da presença bizarra de meu algoz, se foi, como se o mesmo tivesse desaparecido em um passe de mágica. Insegura, mantive aquela posição por mais alguns segundos, o frio da noite parecia cortar minha pele, então… Então constatei que realmente estava sozinha. Um misto de sentimentos explodiu em meu âmago e não sabia onde enfiar minha cara, minha vergonha, meu medo e minha fraqueza.

—KYAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAA... — Berrei bem alto, tirando o ar dos meus pulmões.

Ele havia sumido, eu estava aliviada, estava… Meu Kami, mas que bizarrice foi essa? Dobrei de joelhos sobre o tapete de folhas úmidas e, blasfemei com todo o repertório de palavras feias que eu conhecia, enquanto esmurrava o chão.

— Miyako? Algum problema?

Hawkmon se aproximou, parecendo apartado do ocorrido anterior, e minha primeira reação foi apertá-lo em um abraço forte. Ele estava ali, vivo, livre, a salvo. Era um blefe, um maldito blefe! Iniciei um choro abrandecido.

— O que é isso menina? O que houve? — Seu tom era baixo, carregado de preocupação.

— Por favor Hawkmon, não me peça para contar o que aconteceu, é humilhante demais.... — Implorei fungando, enquanto ele tentava secar minhas lágrimas com uma das asas.

— Aiaiai! Miyako-chan, você e suas enrascadas... Tudo bem, se não se sente à vontade para contar eu não vou insistir, mas agora vai se vestir ou vai pegar um resfriado. Humanos são muito dependentes de suas vestes e não lidam bem com mudanças bruscas de temperatura.

Segui o conselho do meu parceiro e me vesti.

Como assim aquele imbecil me viu… Arg! Fez hora com a minha cara, mentiu sobre Hawkmon, nunca me senti tão humilhada! Hawkmon tinha o direito de saber o que me deixou tão abalada e furiosa, entretanto, eu não conseguiria contar aquilo. Era ultrajante demais, meu rosto ainda queimava de vergonha, de ódio!

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— Então a Miyako-chan sorriu meio constrangida e disse: “Sou herdeira do amor e não da sabedoria.” — E todos gargalharam com a narração do meu parceiro.

— A Miyako-chan está precisando de muita “sabedoria” na vida dela. Não é amiga? — Hikari cantarolou maliciosa, mas permaneci apática.

O dia foi agitado e o gosto da humilhação que passei com Kaiser ainda estava em minha boca. Levantei ignorando o divertimento de todos, acolhi Poromon ao colo, coloquei a mochila nas costas e me despedi, seca.

— Estou exausta, vejo vocês amanhã! — fui direta.

— Miyako-san… — Koushiro-senpai me chamou, quase em um sussurro.

— Amanhã! — Reforcei incisiva e sai da sala, sentindo os olhares confusos de todos.

Estava tão atordoada que dispensei a companhia dos meus vizinhos Iori-kun e Takeru-kun. Apressei-me, ignorando a preocupação de Poromon. Quando cheguei, nem quis comer nada, fui direto para o banho, onde demorei por horas. Minha mãe julgou que eu estava de TPM e meu pai, é sempre tranquilo, sorriu e continuou a ler seu livro.

Nunca imaginei em toda minha existência que passaria por uma vergonha épica dessas. Não queria que o primeiro cara a me ver nua fosse aquele lunático.

Fiquei imaginando... há quanto tempo aquele idiota pervertido estava me observando? Tantas possibilidades.... Depois de uma missão bem sucedida, AI QUE ÓDIO! Por que situações bizarras sempre acontecem comigo? O que ele pretendia fazer? Me sequestrar, matar, fazer coisas pervertidas? Mas tive a impressão de que ele também estava muito nervoso.

Perdida em cogitações, saí do banho, sequei-me, vestindo a camisola e fazendo higiene. Despedi-me de meus pais desejando ‘boa noite’ e segui para o quarto, onde Poromon jazia adormecido em seu cestinho. Coitado do meu parceiro, fiquei tão aflita que nem consegui relatar a ele, talvez seja melhor nunca contar pra ninguém. Antes de dormir verifiquei o celular, encontrando várias mensagens dos meus irmãos, colegas de classe e uma em especial da Hikari-chan:

“Oi amiga, me perdoe se fiz uma piadinha inconveniente hoje, não foi minha intenção. Espero que você não esteja irritada por minha causa. Acho que o Koushiro-kun ficou pensando que você está brava com ele, depois que você saiu marchando da sala, ele ficou todo murchinho. Eu acho… Que você deveria mandar uma mensagem pra ele. Enfim, o dia foi cheio, vou dormir. Boa noite amiga.

Yagami Hikari”

Meu Kami! O que eu fiz? Óbvio que fui grossa com todos. Ninguém sabia meus motivos por estar tão nervosa, mas o pior foi ter sido áspera com Koushiro-senpai, depois do que aconteceu entre nós. Hikari-chan tinha toda razão, eu precisava mandar uma mensagem para ele. E o que eu escreveria?

Respondi Hikari-chan, me desculpei e agradeci pelo conselho. Não somos exatamente as “melhores amigas”, temos diferenças que estamos superando com o tempo, trabalhando em equipe e essa duradoura contenda contra Kaiser vem nos aproximando ao longo dos anos.

O foco no momento era me retratar com Koushiro-senpai. Escrevi várias mensagens, mas nenhuma saiu boa, minha mente estava ruim para isso, então me arrisquei a ligar, afinal a vida é curta e imprevisível.

— Alô...Miyako-san? — ele atende prontamente.

— Koushiro-kun… Eu queria me desculpar por hoje, mas aconteceram umas crises durante a missão e...

—Como assim, crise? Você está bem? — cortou-me preocupado.

— Estou… Agora estou, mas eu não desejo falar sobre isso. Quero que você saiba que eu gostaria muito de continuar a conversa que começamos hoje. Podemos nos encontrar na sala de informática amanhã as 11 horas?

— Po-podemos, mas sabe que amanhã é sábado, neh? — Que gracinha! Ele gaguejou pra mim!

— Sim, eu sei. Vou acordar cedo para assistir o jogo do palerma-kun e depois te encontro lá. Não se preocupe com almoço, eu insisto em levar algo para me redimir pela grosseria de hoje. — Afirmei, sentindo orgulho de mim mesma, de toda coragem que estava tendo naquele momento.

— Eu, não sei o que dizer… Não precisa ter trabalho com isso, não estou chateado com você.

— Hm, então estou sendo dispensada? — Brinquei para deixar o clima menos constrangedor.

— NÃO! De forma alguma, eu… Só não queria dar trabalho, eu… Você não precisava se preocupar… — Suspirou tentando encontrar as palavras, isso é fofo.— Eu estarei lá! — garantiu.

— Então, até amanhã!

— Até amanhã, Miyako-san.

Desliguei o celular com um sorriso bobo, sentindo as bochechas queimando. A pessoa mais inteligente que eu conheço, gosta de mim… Isso me deixa tão feliz, tão eufórica. Quando eu poderia imaginar? Se eu me casar com Koushiro-senpai nossos filhos serão brilhantes!

Diverti-me com sonhos para o futuro e até me esqueci do que aconteceu hoje. Eu precisava dormir, no dia seguinte seria o jogo do Palerma-kun e eram grandes as possibilidades de pedir um autógrafo a Ichijouji Ken.

Desliguei o abajur, beijei Poromon agradecida por ele estar bem e a ameaça de Kaiser ter sido apenas um blefe. Vou esquecer que passei por aquela humilhação, e seguir a vida normalmente, concentrar só em positividades. Um dia libertaremos de vez o Mundo Digital e vou chutar a bunda soberba daquele babaca!

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Acordei com Poromon pulando nas minhas costas… Hum que preguiça gostosa! ele voou até as cortinas abrindo-as com o bico.

— Miya-chan? O jogo, acorda, acorda! — Anunciou animado.

— AI KAMI! O JOGO! — Saltei para fora da cama, correndo para o banheiro.

Fiz a higiene matinal, dei antisséptico bucal para Poromon gargarejar. O que? Digimons também cuidam do hálito! Joguei algumas roupas sobre a cama. OK eu vou ver o jogo do babaca-kun, mas depois vou ver meu futuro marido… Aiaiai… Eu pensei isso mesmo? É muita emoção! Peguei Poromon e girei com ele em meus braços, quando o soltei, ele caiu sobre as almofadas, com os olhos girando.

— Ai Miya-chan, não consigo te entender, chora de repente, fica brava do nada, depois amanhece feliz, rindo sem motivo e até dançando?

— Ah, Poromon, não tente me compreender. Obras de arte são para ser apreciadas e não compreendidas. — a frase convencida, no estilo Mimi-chan, é apenas para provocá-lo.

Observando as roupas sobre a cama, escolho uma bermudinha jeans, uma mão acima dos joelhos, azul com barra dobrada em tom celeste e uma baby look branca com detalhes pretos nas mangas e na gola, escrito Nikki, finalizei com um all Star azul e meias brancas. Arrumei-me o mais rápido possível e corri para a cozinha a fim de preparar o almoço que me comprometi a levar. Coloquei uma playlist animada.

Com ajuda de Poromon, preparava os obentos, guardando dentro do cooler com algumas guloseimas e caixinhas de suco, uma toalha “obviamente xadrez”. Pronto! Não estou em “Amor Doce” mas… Preparada para impressionar o senpai!

Nem esperei por Takeru-kun e Iori-kun, peguei a bicicleta e cheguei mais cedo que o time, com intenção de guardar o cooler no meu armário sem que ninguém visse e desse início a um interrogatório.

— Miyako-chan, o que você está tramando e porque trouxe tanta comida gostosa? Por que passou aquele perfume que a Chizuru-san te deu? Você mesma falou que é perfume de patricinha! — Poromon se corroia de curiosidade.

— Poromon… Respira comigo! — O segurei olhando dentro de seus olhos azuis. — Isso é segredo, segredíssimo! Quando a galera chegar não comente nada sobre a comida! — Ele fez uma expressão de dúvida. — Por favor Poromon, você é meu melhor amigo no mundo todo! Preciso da sua palavra.

— Tudo bem Miyako-chan, eu não conto nada!

— Não conta, o que? — Daisuke chegou se intrometendo, já vestido com a roupa do time de Odaiba FC; uma blusa vermelha e calção branco, a toalha jogada sobre o ombro e com uma garrafinha de água na mão.

— Ahh… Sobre a Neda. — Respondi rápido e o otário-kun não compreendeu.

— Que Neda ? — Perguntou confuso. Não acredito que ele caiu nessa.

— Ne da sua conta. — Respondi zombando da cara de babacal que ele ficou.

— A é, sua lombriga com bulimia, pois agora você vai ver… — Falou se curvando e tirando um dos meiões de futebol. — Quero ver se vai se sentir tão esperta depois que eu te perfumar com a essência da minha meia da sorte, que não é lavada desde o primeiro ano do colegial.

— Você não se atreveria? — Duvidei de sua ousadia. Ele coçou a parte de cima do nariz e deu uma risadinha sacana, começando a correr em minha direção.

Não pensei duas vezes e disparei desorientada. Chibimon e Poromon se esconderam nos arbustos devida a presença de mais alunos. O treinador já estava em campo, corri para perto dele a fim de pedir proteção. Passamos por entre os garotos do time, atrapalhando o alongamento, continuamos correndo em círculos em volta do treinador.

— JÁ CHEGA! — O treinador berrou tão alto que congelamos na mesma posição. — Que diabos está acontecendo aqui? — Perguntou autoritário.

— Daisuke quer passar essa meia fedorenta em mim.— choraminguei, fingindo inocência. — Isso é verdade, Motomiya? — O homem o encarou sério.. — Existem maneiras mais agradáveis de conquistar a atenção de uma dama.

— Bem… Conquistar atenção? Saii fora! Cadê a dama? Foi ela quem começou...— acusou-me.

— Não comecei nada. Você que é mais intrometido que paparazzi endividado! — Debochei e todo o time começou a troçar dele.

— SILÊNCIO! — O berro do treinador não funcionou então ele usou o apito e quase nos deixou surdos. — Inoue e Motomiya, o time não está interessado nas briguinhas de vocês.

— Estamos sim! — Todo o time respondeu em coro, mas o olhar do treinador os fizeram baixar as cabeças, voltando ao alongamento.

— Motomiya, vai fazer o alongamento! Você já está atrasado e Inoue... se não vai se juntar às àtorcedoras, pode ir para as arquibancadas.

— Torcedora eu? Só no dia que vaca voar. — Declarei saindo de fininho.

— Hey? — As torcedoras me repreenderam, parando o cântico.

— Sem ofensas meninas, só que eu não me vejo pulando e gritando com essas roupinhas err… Melhor eu ir agora. — corri para a arquibancada.

Takeru-kun, Hikari-chan e Iori-kun já estavam sentados lá com seus parceiros, que aos olhos de todos eram pelúcias, eles encontraram e trouxeram Chibimon e Poromon. E vocês querem saber se as pessoas implicam com quem anda com pelúcias? No começo sim, mas depois lançamos até moda e agora a Bandai deve estar lucrando às nossas custas, pois todo amante de Pokémon tem pelúcias anexadas nas suas mochilas sem medo de estarem velhos demais para isso.

Peguei Poromon, cumprimentei a todos, ouvindo piadinhas sobre estar a começar o dia brigando com Daisuke, e me sentei ao lado da Hikari-chan.

— Obrigada por ontem... — Sussurrei em seu ouvido e recebi um sorriso sugestivo.

— Vou ser a madrinha! — Brincou, fazendo Iori-kun e Takeru-kun se olharem cogitativos.

— Sua boba.— murmurei constrangida.

Neste momento o ônibus que trazia os jogadores de Tamachi, estacionou na entrada do estádio, e várias garotas correram para a porta gritando histericamente, segurando presentes, placas, cartazes, a procura do gênio Ichijouji Ken.

— Hikari-chan… — Apertei o braço da minha amiga. Confesso, faltou pouco para eu estar lá gritando e tentando arrancar uma mecha de cabelo dele. — Finalmente vou conhecê-lo ao vivo e a cores, lindo, maravilhoso e brilhante, na minha frente.

— Calma Miyako-chan, também não é pra tanto. — minha amiga tenta me acalmar.

De repente o time todo começa a descer as escadas para o campo, mas Ichijouji não estava. As fãs choramingavam decepcionadas, lamentando o tempo perdido. Ah, droga! Também fiquei frustrada!

— Não acredito nisso!— Eu poderia ter marcado mais cedo com Koushiro-senpai, mas vim neste jogo idiota. — Mas que droga! Aquele imbecil do Daisuke vai me zoar por ter vindo cedo pra nada. Por que ele não veio? Porque? Porqueeeeeeeee? — Sem querer, apertei Poromon como se fosse uma pelúcia, sufocando-o.

— Miyako-chan, por favor. — Hikari me torceu um beliscão para que eu parasse de pirraça.

— Ai! — Resmunguei esfregando o local onde ela

beliscou.

Conformei-me que ele não viria e eu não teria fotos, nem autógrafos. Desanimada, me ajeitei na arquibancada. Um burburinho se iniciou e um táxi parou na porta do local, e…

— Olha Hikari-chan, é ele! — Apertei o bracinho da minha amiga, o observando passar quase em câmera lenta. Era como nas fotos, cabelos índigos na altura do maxilar, bem penteados, com uma franja lateral, trajava o uniforme de Tamachi, uma blusa verde e branca e uma bermuda preta. — Ele é tão bonito… — Parecia um anjo, rosto delicado, lábios finos, nariz pequeno, pele alva, uma expressão tão sóbria, serena.

— Ai, Miyako-chan. — Hikari soltou um gemido desdenhoso.— Ele parece uma garota. A Shinobu Maehara de Love Hina, pra ser mais exata. Só que ela é mais graciosa.

— Ah, pára, Hikari-chan, admite que ele é um sonho! Vou chamar pra ver se ele olha. — minha amiga estapeou a testa. Ele já estava quase chegando no campo, enchi os meus pulmões e gritei o mais alto que pude. — ICHIJOUJI KEN! OLHA PRA CÁ! — E não é que ele olhou! Ele olhou? Ichijouji Ken, realmente olhou quando eu o chamei... Entretanto, ele não apenas olhou, como parou no local onde estava, visivelmente intrigado enquanto me analisava, mirando bem nos meus olhos e, foi algo tão estranho, familiar, como se já tivesse visto aquele olhar antes. Um calafrio percorreu pelo meu corpo, um pressentimento anormal. Foi como se as vozes das pessoas à minha volta ficassem distantes, as torcedoras cantando suas rimas… Tudo ficou estranho, eu não sei explicar.