Inimigo do Tempo

1 Peter Pan nunca falha


Notas iniciais
Ok, só para avisar, esse texto ficou um tanto ridículo, mas eu simplesmente estou com vontade de postar algo, nem mesmo que isso manche meu status - status deprimente - do Nyah! Boa leitura, ou não.

Tinha cabelos cor de mel – fundido em leves tons de caramelo – que não eram leves e doces como a cor suave de seus fios brutos. Mais pareciam amargos e pesados, carregados por problemas que o tempo esquecera-se de se encarregar –, seu rosto, possuidor de um queixo erguido e de semblante superior –, em grande parte do tempo sustentava um sorriso torto – sorriso perverso, como o de um predador estripando sua presa em diversão –, sua mente em outra grande parte do tempo ocupava-se com planos maléficos e bem planejados – coisa característica sua, causa de sua frase, seu dilema, sua história, vida e moral. Quatro palavras que resumiam seu ser, sua personalidade e seu maior poder.

Peter Pan nunca falha.

Era seu título, e este só poderia ser carregado e mantido com planos altamente pensados, com estratégias planejadas noites a fio e com o trabalho árduo de uma mente privilegiada.

Peter Pan era um gênio.

Era também um rapaz. Era não. Peter Pan era, é e sempre será um rapaz. Além de ser um covarde – que submeteu seu próprio filho, alguns anos depois, ao mesmo título pouco honrável –, já havia sido um farsante, um ladrão – um pai – e sabe-se lá o que fora antes disso – em um tempo tão distante, que talvez tenha entrado em colapso com sua forma tão jovem –, pois o tempo fez o favor de apagar o passado de milênios, mas parecia saborear a infelicidade do jovem em seus lábios maldosos, a ponto de manter fixo na sua memória os momentos mais marcantes – e, obviamente, mais dolorosos.

E Peter Pan odiava o tempo. Odiava, pois o tempo destruía, o tempo consumia, o tempo envelhecia. E por muito tempo ele havia escutado murmúrios e sussurros, resmungos do tipo: “Odiosa morte que ceifa almas a todo instante”, mas ele não conseguia compreender como todos podiam odiar tanto a Morte, já que a doce figura encapuzada apenas fazia o favor de tirar a dor que o tempo plantava em todos.

E que maldito era o tempo!

Ah, Peter Pan confrontou o tempo. Seus cabelos de mel amargo embaralhavam-se enquanto ele voava sobre a terra dos sonhos infinitos, terra da imaginação complacente, terra da vida eterna, Terra do Nunca. Sua Terra do Nunca. Peter Pan atiçou a fúria do temido tempo quando suas rugas de velhice contorceram-se em um rosto liso, macio e jovem. Peter Pan ficou frente a frente com o tempo quando por centenas de anos manteve-se na mesma forma jovial.

E por mais irônico que possa parecer, Peter Pan sempre confrontará o tempo. Assim como também sempre estará correndo atrás dele, em busca de um pouco mais de sua matéria.

"Peter Pan nunca falha" Dirão seus seguidores fiéis.

E logo ao lado, o Tempo soltará um riso.

"Ora," ele gargalhará para aquela cena "Peter Pan já falhou há muito tempo."

Notas finais
É provável que amanhã, quando eu me der conta da besteira que postei, apague a one. Mas mesmo que eu delete, alguém está a fim de me xingar aí nos reviews? Juro, eu não ligo.
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!