Iniciativa Vingadores
13 Baby, It's Cold Inside (Parte 1)
Notas iniciais
#desviadasfoicesedastochas
Ok, gente... Eu não vou dar desculpas, além de estar sem criatividade, ter várias coisas para fazer e blábláblá... Porque vocês VIVEM ouvindo isso de mim, e eu não quero gastar o tempo de ninguém.
Então saibam que eu REALMENTE sinto muito... E eu vou tentar não demorar tanto tempo de novo, mas não posso prometer nada...
Saibam que eu vou estar IMENSAMENTE agradecida se eu ainda tiver leitores... Só espero que sim...
Bem, agora vai alguns avisos:
1. Este é o capítulo presente que prometi a milênios atrás (YEY *-*), mas tive que dividi-lo em dois - talvez até três, vamos ver -, pois ia ficar grande demais - cansativo demais - se eu colocasse tudo em um capitulo só. Então essa é só a primeira parte, ok? Não coloquei nem metade dos pedidos ainda haha então não se preocupe se o seu pedido não sair nesse, vai sair no próximo!
2. Eu mesclei alguns pedidos, e modifiquei alguns, para ficar condizente com a história. Não me condenem por fazê-lo; vocês já tem vários motivos para me martirizarem, e esse não é um deles hahaha
3. Vou ser um pouco mais séria nesse aviso... Eu li os reviews de todos - como sempre -, e vi que vários se tratam do que eu sempre percebi: minha inabilidade em dar foco em vários personagens em um mesmo capítulo. Bem, o que eu posso prometer é: eu vou tentar mudar. Ainda sou uma escritora em formação (mesmo com minhas duas décadas de vida hihihi), e tenho muito o que aprender. Então sinto muito se magoei alguém por esquecer de seu personagem, ok? Vou me esforçar ao máximo para fazê-los orgulhosos!
4. Quanto ao aviso passado, só um lembrete: esse é o capitulo presente, por tanto, vou conduzi-lo de acordo com os pedidos de VOCÊS, ok? Se algum personagem não aparecer, a culpa não é minha ù.ú
Bem, acho que é isso... Espero que tenha valido a pena a espera.
Boa leitura!
PS: O título é uma brincadeira que eu fiz com o nome da música "Baby, It's Cold Outside"... Vocês verão porque.
O resto da semana passou-se sem maiores problemas.
Por mais que tentassem, Lily não confessou para ninguém o que acontecera consigo durante a aula de Banner; deixando somente Ary a conhecer os seus reais motivos, os quais ela respeitou em um silêncio, sinceramente, conformado. Alice também se recusou a admitir o que houve nas lições de Clint; principalmente, para si mesma. Ela ainda não conseguia esquecer seu toque: o calor de seu corpo sobre o seu, a intensidade de seus olhos contra os lábios umidecidos. Waterloo tentava, com afinco, focar-se em seu treinamento; mas o olhar de Gavião continuava a atormenta-la em seus melhores – e piores – sonhos.
Por outro lado, ninguém conseguia, de fato, descobrir que estranha ligação havia entre Charlie, Naja e Kalista. Elas andavam juntas pela Mansão X; cochichando entre si em tom conspiratório, atraíndo olhares indesejados de Sabine, que só conseguia ficar cada vez mais intrigada. Kali, a cada dia que se passava, alargava ainda mais a perversidade em seu rosto; em contra partida, enegrecendo a aura de Sabi, em meio a tantas suspeitas e hipóteses.
Quanto à garota de nacionalidade brasileira, Chris já não sabia mais o que fazer. A cada nova investida, a cada nova tentativa de aproximação, Azevedo só parecia afastar-se; enojada, aparentemente, por sua atitude submissiva e nada galante. Christopher, então, passava a suspirar pelos cantos; pensando na menina dos cabelos castanhos, dos olhos cor de mel… A inalcansável.
Diferente do amigo, Jon tentava ao máximo manter à distância de Naja; falhando, infelizmente, inúmeras vezes. Ele não conseguia deixar de tentar ganha-la; com pequenas palavras e gestos, durante e entre as aulas da Iniciativa. Geralmente, ela o retribuia com o seu desprezo; vez ou outra, revirando as órbitas, ou até mesmo bufando de frustração, enquanto afastava-se da inconveniência. E mesmo sabendo o quanto ela o menosprezava; mesmo sabendo que esquecê-la era a melhor solução… Targaryen não conseguia realiza-lo. A garota era como um ímã; sempre estava ao alcance de seus olhos. Ele nunca conhecera alguém como Rowan… E te-la para si, ele admitia, virara uma questão de orgulho.
Falando em orgulho, o único casal que parecia ter entrado em acerto de contas, pela primeira vez desde que chegaram na Mansão, era Andros e Josi. Depois do incidente com Alice, os dois, aparentemente, apaixonaram-se outra vez um pelo outro; sempre com poesias, carinhos e juras de amor. O grupo já não sabia mais se preferia ensurdercer com os gritos de raiva do casal, ou vomitar com a incansável lua de mel que presenciavam diariamente.
Já Willy, sempre que podia, ela se encontrava com o professor, Bruce. Depois da primeira aula “Sobre Auto Controle”, a garota havia sentido, dentro de si, que aquele lugar poderia sim fortalecer os seus poderes; e ela só tinha a agradecer o tímido cientista. Entre aulas, a morena dos olhos grandes e claros o surpreendia com seus biscoitos; que, para ser bem sincera, mais pareciam pedras do que algo a ser comestível. Para Banner, isso não importava; se, quando ela não estivesse olhando, ele pudesse os jogar no lixo mais próximo de sua mesa. O ato, em si, já conseguia conquistá-lo, cada dia mais.
O que, sem nem mesmo querer, atraia a atenção de Orlie. Ele percebia, todas as vezes, quando a irmã saía a correr pelos corredores da Mansão; sempre com os seus biscoitos em mãos, quentinhos, diretos do forno. Só isso bastava para faze-lo suspeitar… Mina nunca cozinhava; e ninguém, em sã consciência, queria que ela o fizesse. O fato lhe intrigava tanto, que até mesmo sua noiva, Jill, já havia comentado sobre a situação, em uma de suas ligações diárias. Ele tinha que prestar mais atenção na mulher que amava, ela dizia do outro lado da linha. E não nos caprichos contínuos da gêmea.
Ele revirou os olhos quando ela pronunciou essas palavras… Mas não achou que valesse a pena contradizê-las.
Outra que não parecia desgrudar do telefone era Isabella. O seu pai estava sempre a ligar para a garota; perguntando-a como estava, onde estava, o que acontecia em sua vida. A menina contava o que podia; várias vezes sendo repreendida por seus professores, pois não poderia revelar mais do que o necessário sobre o treinamento secreto. Ela ainda se culpava por estar ali, esta era a verdade; saber que o pai a queria próximo de si, evitando, assim, ter seus poderes – para ele, humilhantes — expostos ao resto do mundo, era doloroso demais para se suportar. Pelo menos, sozinha.
E Alice estava tão distante naqueles dias, que ela tinha medo de se aproximar…
Esse era o maior problema do grupo: aproximação. Apesar de estarem satisfeitos com o trabalho que faziam, os professores – Steve e Clint, pelo menos – não pareciam muito felizes com a união falha que havia entre os novos recrutas. Trios, duplas, quartetos; ninguém se mostrava disposto a se dar bem com o próximo, senão consigo mesmos. Era o colegial, tudo outra vez: as líderes de torcida, os jogadores de futebol, os nerds… Até mesmo os esquisitos da biblioteca, estavam todos representados ali. O que não era um bom sinal.
Até mesmo os educadores aparentavam desconexão. Ninguém conseguia se lembrar da última vez em que viram Logan pelos corredores; Natasha não mandava notícias de sua missão na Itália; Tony irritava a todos, enquanto Loki se recusava a fazer parte dos “reles mortais” e se enfurnava em seu quarto, fazendo só-D’us-sabe-o-que. Thor tentava vigiá-lo, mas até Deuses precisam de um tempo a sós, de vez em quando.
Clint observava a situação, e parecia frustrado, fora do lugar. Entre a desunião dos recrutas, as ordens de Fury, os pensamentos conflituantes envolvendo Alice e a organização de suas aulas, o único bote salva-vidas que ele encontrou à meros passos de distância foi Bianca. Não só porque ela fora sua pupila por tantos anos; mas Samon também conseguia ser ótima ouvinte, e nem ao menos se esforçava para isso. Barton sempre gostara de conversar com a aluna, até mesmo nos treinamentos da S.H.I.E.L.D; e a cada dia que se passava, ele percebia mais e mais que precisava de uma amiga, tanto quanto ela precisava de alguém em quem pudesse se apoiar. Desde a primeira aula do bilionário e a cena tocante na qual haviam participado, Stark havia se livrado das aflições do passado quanto à família de Bia, era verdade; porém, ele continuava sendo o mesmo homem de outrora, mesquinho, mimado e, principalmente, com um tempo valioso demais para ser desperdiçado.
Com tantos problemas em suas mentes e, sem realmente quererem admitir, seus corações, não era como se pudessem conversar livremente sobre o que os afligiam; limitando-se a pequenas palavras, assuntos bobos e de pouca importância. Mas o curioso era… Que isso bastava para colocá-los em paz, pelo menos, por alguns instantes do dia.
Os quais Waterloo, infelizmente, presenciava.
A garota dos cabelos cor de fogo não sabia o que era, a aflição que sentia impregnando pela região de seu peito; alastrando-se por cada célula, como uma espécie de virus, uma doença contagiosa. Toda vez que o Gavião sorria para Bianca; toda vez que a loira batia no ombro do professor; toda vez que os dois compartilhavam, tanto na aula quanto fora, pequenos momentos a sós… Era o bastante para Alice sentir, de novo, o incômodo em seu fortalecido corpo. Ela pensava – ou queria pensar – que era pela injustiça do favoritismo; quantas vezes a garota não levara uma surra, já nas poucas aulas particulares que tivera com o Arqueiro? Quantas vezes ele já não rira, ao ver a outra fazer um simples erro em uma de suas lições? Waterloo não sabia quais conclusões tirar dessas simples, mas fatais, demonstrações de desprezo para com a sua pessoa. Era inferior a Bianca? O que Samon fazia de tão especial, que Ali não conseguia realizar…?
Está vendo coisas, Alice se repetia, enquanto levava outro chute nas costas, um novo soco no rosto de seu novo professor. É só uma fase, a garota dizia, tentava se convencer.
Mas mal sabia ela, que essa história estava apenas começando…
(…)
Lylian acordara cedo naquela manhã, sentindo-se mais revigorada no que nos dias anteriores. Era Sexta-Feira: o último dia daquela primeira, e tão insuportável, semana na Iniciativa Vingadores. Ela precisava de alguma coisa — fazer alguma coisa — que pudesse confortá-la, depois das horas mais estressantes, dos momentos mais tensos, de sua vida inteira.
E urgente.
Ela se levantou o mais silenciosa possível, calçando os seus chinelos felpudos de coelho e dirigindo-se para fora do quarto, não se importando se estava com um pijama estampado de corações, árco-íris e os Ursinhos Carinhosos sorridentes em sua bunda. Lily esperava que nada naquele brilhante dia de sol pudesse estragar o seu humor, detalhadamente melhorado; finalmente renovado, com muito sangue e suor…
E o que melhor para começar, senão algumas horas na cozinha?
Grey andou despreocupada pelos corredores da Mansão X, confundindo-se pela encruzilhada de direções que se seguiam: direita, esquerda, para frente, para trás, para fora… Ela não tinha pressa; havia acordado com a consciência leve, como se a aula de Bruce Banner — que ocorrera há três dias atrás — tivesse sido apenas mais um sonho ruim…
Mas Shaw alargou o seu sorriso quando chegou, finalmente, na cozinha da Mansão. Parecendo saltitar pelo chão ladrilhado, a garota se foi a procurar pelos ingredientes e utensilhos de que precisaria, para cozinhar… O que? Uma torta holandesa? Um mousse de limão? Ou talvez…
Sim! Era isso o que ela queria: um delicioso bolo de chocolate, com cobertura e recheio, mergulhados em licor e açúcar gratinado. Lylian precisaria da antiga receita de família, é claro… Porém, não era nada que sua mente não conseguisse se lembrar por si só.
Lily voltou-se a apertar os botões dos aparelhos eletrodomésticos, procurando entender como aquela cozinha de alta capacidade tecnológica funcionava, e esperando não quebrar nada, no processo. Porém, quando a garota, acidentamente, ligou o sistema de rádio da Mansão, o seu instinto primário foi se desesperar; repuxando os seus cabelos para trás e vasculhando com os olhos por uma maneira de, pelo menos, abaixar o som estridente da próxima canção…
“Hey baby won't you look my way
I can be your new addiction”
Mas algo na música começou a preenchê-la, aos poucos; e tornou-se impossível evitar um sorriso em seu rosto, fechando os olhos, em paz, e mexendo o quadril levemente ao ritmo hipnotizante do batucar da bateria. E quando o som, enfim, espalhou-se pelo ambiente… Todo o resto já não importava mais.
“Hey baby what you gotta say?
All you're giving me is fiction”
Sua mente estava limpa, enfim; sem mais preocupações, sem mais ser perseguida pelos medos do passado. Enquanto estivesse ali, com uma colher de pau em mãos, e massa fermentada à sua frente… Ela sabia que tudo estaria bem.
“I'm a sorry sucker and this happens all the time”
Seus pensamentos começaram a divagar pelas possibilidades de um futuro brilhante; imaginando a reação dos recrutas quando compartilhassem do doce achocolatado, o olhar de seus professores ao experimentarem das maravilhas suculentas que ali preparava… As palavras pomposas de um certo soldado, com o característico sorriso torto, colocando a mão em seu ombro em um gesto claro de orgulho…
“I found out that everybody talks
Everybody talks, everybody talks”
Era tudo mera fantasia, é claro. Imagens criadas por sua mente fértil e sempre ativa; sempre esperançosa de que os eventos sairiam do jeito que almejava, sem se decepcionar, ou esperar demais do próximo. Mas, mesmo assim… Não custava sonhar.
“It started with a whisper
And that was when I kissed her
And then she made my lips hurt
I could hear the chit chat”
Enquanto a garota pulava de lá para cá, fingindo que a batedeira era seu microfone e dedilhando com os dedos da mão direita uma guitarra invisível entre suas pernas, ela sentiu, ali, naquele ambiente ainda tão estranho e desconhecido para si, toda a felicidade que tanto procurara por todos aqueles anos, solitários e desesperadores. O mesmo tipo de felicidade que a preenchera quando sua vida começou a melhorar, pouco tempo atrás; um tipo de sentimento que, até aquele momento, ela não sabia se realmente… Merecia sentir.
“Take me to your love shack
Mamas always gotta back track
When everybody talks back”
Steve acordou em um solavanco, os seus sentidos de soldado apitando-lhe nos ouvidos enquanto a melodia de uma canção, agitada e empolgante, ocupava sua mente aos poucos. Esfregando os olhos e bocejando largamente, ele repousou o seu olhar sob o relógio de cabeceira: eram 4h da manhã, de uma Sexta-Feira cansativa e longa demais… Rogers não conseguia acreditar. Quem era o palhaço que queria estragar o dia de todo mundo?
“Hey honey you could be my drug
You could be my new prescription
Too much could be an overdose
All this trash talk make me itchin'”
Tony Stark, provavelmente. Realizando-se do fato, o soldado bufou, contrariado, enquanto passava a mão pelo rosto e levantava-se, disposto a acabar com a festa de quem quer que fosse. Percebendo, a tempo, que não estava apropriadamente vestido, ele pegou a regata branca e uma calça beje qualquer de cima da escrivaninha, arrumando-se com certa calma e saindo dali, sem maiores hesitações.
“Oh my my
Everybody talks, everybody talks
Everybody talks, too much”
Não demorou muito para que o Capitão descobrisse a origem de toda aquela balburdia. Inspirando de maneira profunda e se preparando para a bronca que, com toda a certeza, viria, ele voltou-se à última direita do longo corredor; olhando primeiramente para os próprios pés e, só então, erguendo a cabeça para a cena à sua frente.
“It started with a whisper
And that was when I kissed her
And then she made my lips hurt
I could hear the chit chat”
Seus olhos arregalaram-se; sua boca se escancarou, enquanto não conseguia processar o que se passava diante de si. Shaw parecia dançar de acordo com a canção; pulando de maneira desengonçada, com farinha a ocupar mais da metade de seu corpo – inclusive o rosto – e sua voz, esganiçada pelos gritos que pronunciava, fazendo-lhe doer os ouvidos de tal forma que era praticamente impossível resistir a urgência de cobri-los com as próprias mãos.
“Take me to your love shack
Mamas always gotta back track
When everybody talks back”
Contudo, por mais estranho e impossível que pareça, a garota não percebeu sua presença ali: continuando a misturar os ingredientes e agir que nem uma louca de esquina, como se a música não estivesse, aos poucos, se propagando pela casa inteira; e estivesse sozinha não somente ali, mas também, no mundo inteiro.
“Never thought I'd live
To see the day
When everybody's words got in the way”
Então, como se já não bastasse toda aquela situação constrangedora… Steve começou a rir. Não somente da cena bizarra que presenciava, como alguns de vocês acreditam; esta foi somente a gota d’água para que a loucura total lhe viesse em forma de risadas… Mas aí vem a pergunta: do que o nosso bom Capitão América achava tanta graça, além de uma garota a beira da internação hospitalar?
“Hey sugar show me all your love
All you're giving me is friction
Hey sugar what you gotta say?”
Bem, que tal estar com o sucesso de um programa militar nas costas, o perigo de falhar em sua missão e como soldado, e uma turma que parecia estar se desintegrando aos seus olhos? São motivos o suficiente?
Pois é… Como dizem por aí: é melhor rir para não chorar.
“It started with a whisper
And that was when I kissed her
And then she made my lips hurt
I could hear the chit chat”
Era incrível como, alguém que estava praticamente se matando alguns dias atrás, poderia estar, agora, dançando despreocupadamente à sua frente, como se nada tivesse acontecido. Essa era uma das qualidades que Rogers mais apreciava na aluna; mesmo que ele não a conhecesse tão bem quanto percebia que gostaria. Esta capacidade de, pelo menos por alguns instantes, esquecer-se dos problemas e somente viver… Era algo que ele faria de tudo para possuir.
“Take me to your love shack
Mamas always gotta back track
When everybody talks back”
E por que ele não poderia tentar? Afinal, ainda faltavam algumas horas para a sua aula; ele já a havia preparado, e o sono lhe abandonara assim que seus pés tocaram o chão. Desde que acordara do congelamento, tudo o que ele fizera foi trabalhar… Mas e aproveitar a segunda chance que a vida lhe proporcionara? Ele o fizera alguma vez…?
“Everybody talks
Everybody talks”
O soldado deu um passo a mais, ainda percebendo que era como um fantasma para a garota. Ela continuava a rebolar o quadril; tirando a forma do forno com as luvas de cozinha e assobiando ao som da música. Steve tossiu algumas vezes; mas tudo o que obteve em resposta foi o seu desprezo inocente.
“Everybody talks
Everybody talks”
Lylian sorria enquanto despejava a cobertura no bolo, e o loiro coçava a cabeça ao vê-la finalizar sua obra prima. Não conseguindo acreditar que, até aquele momento, ela ainda não notara sua presença, o soldado se decidiu por, enfim, anunciar sua chegada de uma vez por todas.
“Everybody talks
Everybody talks...
Back”
– Posso ajudar? – ele cruzou os braços, apoiando-se na parede ao demonstrar o seu tão característico sorriso torto. Mas ao notar que a bela expressão de Lily transformara-se em um misto de medo e surpresa, Steve imediatamente franzira o cenho; observando, com certo temor, quando a garota dera um passo em falso e escorregara no pequeno monte de farinha que se encontrava às suas costas.
“It started with a whisper
And that was when I kissed her”
A partir dali, tudo passou em câmera lenta diante de seus olhos: Shaw deixando o bolo escapar de suas mãos, observando-o voar e exclamando um sonoro “Não!” enquanto sentia as costas chocarem-se contra o chão ladrilhado; Rogers jogando-se para frente, esticando os braços em uma esperança vã de salvar o doce achocolatado que, agora, caía em sua direção…
“Everybody talks
Everybody talks...
Back”
O choque ocorreu quando o bolo finalmente espatifou-se, cobrindo os seus corpos com pedaços de massa e cobertura de chocolate. Lily escancarou a boca, sem saber direito o que falar, ou fazer; e Steve comprimiu os lábios, fechando os olhos por alguns instantes, tentando pensar racionalmente…
Até o riso tomar conta de si, outra vez. A gargalhada foi se alastrando, aos poucos; o suficiente para que Lylian, após a surpresa da cena improvável, fosse tomada pela mesma hilariaridade da situação. Os dois, então, ficaram a rir consigo mesmos; ignorando o desconforto do lugar onde repousavam, ou a possibilidade de serem vistos na bizarrice em que participavam.
Rogers, depois de certo tempo, ergueu-se o bastante para que conseguisse se sentar; apoiando as costas contra a bancada da cozinha.
– Você está bem? – ele perguntou, enquanto tirava com a mão direita um pouco da cobertura de sua testa; nunca deixando de portar aquele delicioso sorriso torto.
– Depois de passar parte da minha manhã preparando um bolo que seria destruído por mim mesma logo depois? Claro, por que não? – a garota abriu ainda mais o seu sorriso, repousando suas costas ao seu lado, sentindo arrepios em sua pele ao perceber a temperatura elevada de seu corpo – O que me anima mais é saber que, ainda por cima, vou ter que limpar toda essa bagunça sozinha, como recompensa.
– Ninguém disse que você teria que fazer isso. – ele franziu o cenho, enquanto observava o brilho de seus olhos – Eu fui tão responsável quanto você.
– Professor, olha para mim. – a cara de desdém que ela fez nesse momento deixaria qualquer dramaturgo com inveja – Eu sou um desastre ambulante. Acredite, será melhor assim. – ela se levantou, tentando, em vão, limpar suas pernas, sujas de recheio – Ou vai correr o risco de apanhar da vassoura; acidentalmente, é claro. – Lily finalizou de maneira rápida, evitando que o soldado tivesse uma ideia equivocada sobre suas reais intenções.
Ele soltou um riso abafado, balançando a cabeça antes dele mesmo se levantar. Estando, agora, mais alto do que a frágil postura de menina, Steve aproximou seus rostos; deixando-a com a respiração presa em sua garganta.
– I’ll take my chances. – ele respondeu, em um sussurro convidadivo, sedutor; antes de se afastar em direção ao armário dos produtos de limpeza.
Enquanto pegava os panos de chão e as vassouras, Steve não pôde deixar de franzir o cenho, confuso com o que acabara de fazer. Por que agira daquela maneira, como se a aluna fosse apenas uma mera presa a ser abatida? Por que se sentira daquela forma; como se seus corpos estivessem se atraindo, como ímãs? Por que falara… Como um Stark?
Rogers balançou a cabeça, pensando ser apenas traquinagens de sua mente; e virando-se para a garota, dando-lhe alguns dos utensilhos. As bochechas de Lily se avermelharam, em retorno; e ela imediatamente virou o rosto, disposta a fazer de tudo para que o professor não percebesse o estado em que ele a deixava. Outro motivo para querer fazer a limpeza sozinha; o soldado estava, aos poucos, sabendo como mexer em suas sensações mais afloradas…
– O que está fazendo acordada a essa hora, afinal? – a voz doce de Rogers, ao mesmo tempo em que varria o chão, acordou-a de seus pensamentos pertubadores; e ela se dispôs a rir para camuflar seu desconforto – Ainda temos aulas em poucas horas. Você poderia ter esperado até o final de semana…
– Estou acostumada a levantar cedo. E eu acordei de bom humor. – ela balançou os ombros, concentrando-se em tirar uma mancha de chocolate do balcão – Não é nada demais, realmente. – ela engoliu em seco, esforçando-se para não estragar a conversa. Era o maior diálogo que eles haviam trocado até aquele dia… E isso, de alguma forma, a fazia se sentir especial aos seus olhos.
– Às 4h da manhã? — ele ergueu a sobrancelha, encarando-a em puro sarcasmo – Eu entenderia se estivéssemos no exército. Mas você não me parece ter o perfil de um soldado…
– Não é assim que nos trata, professor? – fora a sua vez de erguer a sobrancelha em sua direção – Como “recrutas”?
Ele abriu a boca, mas não conseguiu formular uma resposta a altura.
– Você é boa. – ele abriu ainda mais o sorriso, enquanto tirava mais uma mancha. Lylian sorriu, com os olhos rodeados de pavor e surpresa; sem que ele o percebesse. Como ela havia pensado em um contra-ataque tão elaborado? Nem mesmo ela sabia…
– Você me subestima, Sr. Rogers. – ela andou até a pia, dispondo-se, agora, a lavar os aparelhos que usara – Posso ser mais forte do que pensa.
– É mesmo? – Rogers largou a vassoura, cruzando os braços de encontro ao peito – Então os relatórios de Thor me enganaram a seu respeito, eu presumo.
Ele não sabia o que era; aquela urgência de desafiá-la, de ver até aonde aquilo tudo chegaria. Era tudo um blefe, é claro. Shaw desligou a água, limpando suas mãos com a toalha de mesa.
– Gostaria de tentar?
Steve pensou em recusar, mas logo mudou de ideia. Ele era seu professor, afinal; o que ela ganharia ali, senão experiência?
Os dois se aproximaram alguns passos, rodeados de pedaços de bolo pelo chão. Mas eles não se importavam. Ficaram a se observar por alguns minutos; parecendo hipnotizados com o brilho dos olhos, o formato da mandibula; a intensidade da postura, a menção de se encostar…
– Vou tentar não lhe machucar. – Rogers sussurrou, não percebendo que o fazia; e Lylian acentiu com a cabeça, sem saber o que dizer, diante de algo tão profundo e tão belamente pertubador… – Você só tenta me bloquear.
Tudo aconteceu rápido demais. O soldado agarrou-lhe pela cintura, afim de jogá-la contra o chão; mas a garota logo escorregou pelos seus braços, rápida, instantânea. Antes que ele tivesse tempo para raciocinar, Grey moveu seu corpo para trás de seu mentor, dando-lhe uma rasteira; e antes que o mesmo caisse, voltou-se de frente para dele, outra vez, acertando-o com uma cotovelada na testa e o fazendo ir de encontro ao chão.
– Eu não quero me gabar, mas… — Lily comprimiu os lábios, balançando os ombros em sinal de aparente descaso – Acho que acabei de vencê-lo no seu próprio jogo.
O Capitão sorriu, mas antes que ela percebesse, ele agarrou sua perna, puxando-a e fazendo seu corpo cair, em paralelo com o seu.
– O jogo só acaba com o seu apito final. – ele respondeu, entre arfadas de ar. Os dois riram, se entre-olhando com o canto dos olhos; observando seus sorrisos, suas expressões faciais. A felicidade que parecia invadi-los cada vez mais…
– Vamos, professor. – Lily sorriu torto, e o coração de Rogers pareceu deixar escapar uma batida – Antes que percebam a bagunça que deixamos por aqui.
Quando a garota se ergueu, estendendo a mão para ajudá-lo a se levantar, Steve pareceu lembrar-se das lágrimas nas bochechas de menina; de Ariella parecendo confortá-la, enquanto seu rosto avermelhado contorcia-se em dor e humilhação. O soldado pareceu diminuir o sorriso, então, aos poucos; enquanto aceitava a ajuda da garota e esta se afastava, em busca de acabar com os afazeres. Ele suspirou, coçando a nuca preguiçosamente, indeciso se deveria dizer algo a respeito.
– Isso também tem a ver com a aula de Bruce… Não é?
Lylian imediatamente congelou onde estava, arregalando os olhos, mil e um pensamentos parecendo transcorrer por sua mente em menos de um segundo. Depois do que pareceram ser horas, para ambos, ela virou-se; a expressão que ela portava assustando, minimamente, o seu mentor.
– Há certos segredos que não precisam ser revelados. – ela sussurrou, sua voz soando perdida, amedrontada… Esquecida em momentos do passado – Acredite, professor. Você não quer saber.
Enquanto Lily voltava às suas obrigações, parecendo ignorar o que acabara de ocorrer, Steve suspirou outra vez, disposto a esquecer de vez aquela questão… Afinal, a vida era dela; ele era somente seu professor, e nada mais do que isso. Era melhor deixar as coisas como estavam… Mas, mesmo em suas melhores tentativas, ainda existia aquela voz, no fundo de sua mente; nos cantos mais obscuros de seus pensamentos, que dizia…
Tudo ao seu tempo.
(…)
– Você… Achou?
Bianca não poderia estar mais feliz. Ali, em suas mãos, estava aquilo que ela mais ansiava encontrar; aquilo que ela passou tantos anos querendo conhecer, sentir… A parte dela que ainda faltava esse tempo todo.
A sua arma.
– Preenche todos os requisitos. – Clint dizia em um sorriso empolgado, observando Bia cortar o ar com os belos movimentos de seus novos leques – Você é flexivel, locomove-se com agilidade e leveza pelo ambiente; o tipo de arma para o porte de sua personalidade. – ele parecia orgulhoso de seu feitio. Se ao menos eles tivessem pensado naquilo antes, muita dor de cabeça teria sido evitada… — É claro, não é de um dia para o outro que você vai saber como controla-las, mas…
A garota o surpreendeu ao abraça-lo, com lágrimas praticamente transbordando de seus olhos, um enorme sorriso moldando seu delicado rosto de querubim. Ela era alguém muito afetiva e emocional; mas para demonstrar seus sentimentos de maneira tão explicita, e na frente de seu professor… Era preciso muita intimidade, e se sentir realmente confortável.
Bem, parecia que Barton estava ficando bom naquele negócio de “amizade”.
– Obrigada. – Samon afastou-se, secando as lágrimas com as costas de sua mão – Acho que você é melhor nisso do que como amante, mesmo. – ela riu com gosto, coçando a nuca, sem jeito.
Essa frase os fez voltarem alguns anos no passado.
(…)
Era seu aniversário, mas Bianca decidira passar o dia aprendendo mais alguns golpes de jiu jitsu. Ela havia acabado de começar a aprender a arte, mas sentia dificuldades na execução de alguns movimentos; e quando a jovem se deparava com um desafio, não havia nada nesse mundo que a fizesse parar.
Ela tinha os cabelos amarrados em um coque frouxo, e sua respiração soava calma demais para um dia de treinamento. Bia fechou os olhos, executando uma jogada de pernas contra o boneco de palha à sua frente; mas acabou por cair no tatami, sem sucesso.
– Alto demais. – ela bufou ao escutar a voz de Clint às suas costas – Tente relaxar os ombros e inspirar antes de atacar. Talvez ajude.
A garota se levantou, soltando os cabelos para prende-los outra vez, em um rabo de cavalo mais forte.
– Você sabe o significado de “horário livre”? – ela fez aspas com as mãos, atacando o objeto inanimado, outra vez… E falhando nas mesmas proporções.
– Sabe o significado de “ser professor”? – Barton respondeu da mesma forma, sorrindo torto enquanto aproximava-se mais alguns passos de sua pupila. Ela não pôde deixar de gargalhar com aquela frase.
– Você está longe de ser professor, Clint. Fury só ficou entediado, sem verbas do governo, e decidiu transformar você em babá. – ela revirou os olhos com a obviedade do assunto, sentando-se no chão para alongar suas pernas enquanto o sarcasmo tomava conta de sua voz – Quando chegar esse dia, você vai deixar de ser um espião para morar em uma casa com belas flores no jardim, vivendo de comida preparada por uma bela mulher – a qual você chamará de esposa – e tendo mais dez bocas para alimentar, que serão os pivetes dos seus filhos. Esqueci alguma coisa, ou você ainda vai ter um Husky Siberiano?
A menina deixou uma exclamação escapar de sua boca quando sentiu o chute estratégico de Clint lhe atingir, pressionando seu tórax de encontro ao chão, enquanto ele ria, cruzando os braços de encontro ao peito.
– Acho que prefiro um Labrador, se não se importa.
– Eu não realizo desejos. – ela respondeu, torcendo o pé de seu mentor e o puxando de encontro a si – Senão eu não estaria aqui.
O Arqueiro caiu no chão, sentindo a loira subir sob o seu corpo, pronta para atacar outra vez. Ele sorriu, jogando-a para o lado; segurando suas mãos e cruzando-as, como nós. Ela mordeu o lábio inferior, impedindo um muxoxo de dor escapar de sua garganta.
– Estaria aonde, Samon? – ele jogava para valer, é o que diziam. E a verdade é que não estavam muito longe da verdade – Morta, com os seus pais?
Aquela foi a gota d’água. Praticamente rugindo pela raiva, Bianca ergueu o torso, batendo sua testa contra a dele; e, aproveitando a distração de seu instrutor, desfez os nós de seus braços, transformando o movimento em um embrace sufocante no pescoço.
– Não, Sr. Arqueiro. – ela respondeu, acostumada com as provocações sérias do agente – Viva, com os meus pais.
Ela o largou quando Clint demonstrou desistência, batendo no tatami com a mão direita. Bianca expirou profundamente, fechando os olhos com calma, sentindo-o se sentar ao seu lado.
Essa fora a primeira vez que ela o vencera.
E, também, a última.
– Eu levo a sério demais, às vezes. – Barton sussurrou enquanto massageava a traquéia, ainda não conseguindo acreditar que perdera – Desculpe-me.
– Não precisa se desculpar por fazer o seu traballho. – ela respondeu, sorrindo torto – É o que devemos fazer com os inimigos, de qualquer forma, não? Usar a fraqueza deles ao nosso favor?
O Gavião virou o rosto em sua direção, inspecionando-a com o olhar, tentando encontrar o verdadeiro significado daquela frase tão fria e sem vida. Ele respondeu, com mais força em sua voz, e sendo verdadeiro em cada palavra.
– Você é mais do que apenas um trabalho, Bianca. – ela o encarou firmemente, com certa surpresa em seu rosto – E, com certeza, não é minha inimiga.
Algo naquele momento pareceu envolvê-los; sendo forte demais para ser rompido, ou ignorado. Bia pousou a mão na lateral de seu rosto, acariciando uma pequena ferida que fizera no osso de sua bochecha. O professor observou o contorno de seus finos lábios; e a loira inspirou o odor viciante que parecia vir em sua direção…
Os dois se beijaram superficialmente, fechando os olhos com delicadeza, tentando aproveitar cada segundo daquele raro embrace. Clint inspirou mais profundamente, segurando com força e carinho a cintura da aluna, e esta envolveu sua nuca com a outra mão, segurando-se em seus ralos cabelos castanhos…
Quando se soltaram, evitaram se olhar, de início. Quando tiveram coragem para tanto, levou certo tempo para que conseguissem arranjar algo para dizer.
– Impressão minha… — Barton começou, engolindo em seco antes de continuar, sentindo certo medo de qual seria a reação da pupila com as palavras seguintes – Ou isso foi…
– Estranho? – ela ergueu a sobrancelha, parecendo aliviada por não ser a única a pensar daquela maneira – No minimo.
Os dois se entre-olharam, mais uma vez; e não puderam evitar as gargalhadas que vieram, depois. Separando-se, Clint balançou a cabeça, não acreditando no que acabara de acontecer; e Bianca deu um soco em seu ombro, em sinal de companheirismo.
Aparentemente, não era para ser.
– E então? – a garota abriu um sorriso maquiavélico em seu rosto, erguendo-se do chão e estendendo a mão em sua direção, disposta a ajuda-lo a se levantar – Quer tentar de novo?
(…)
– Você beijava muito mal. – Bia dizia entre risadas, apoiando a mão em seu ante-braço – Era muito duro, sei lá. Sem vida.
– Talvez você que era muito mole. – ele ergueu a sobrancelha, tirando a mão dela, em sinal de criancisse – Já pensou nisso?
Os dois riram, lembrando-se dos velhos tempos, e não se arrependendo de nada ao longo do caminho. Bem, pelo menos, em relação a eles dois.
– Depois marcamos alguns horários extras, para você treinar os leques. Mas só se realmente estiver precisando de ajuda. – Barton dizia enquanto se afastava, afim de entrar para a fila do café da manhã e se sentar com os outros Vingadores.
– Você fala como se eu quisesse ter aula nos finais de semana. – ela respondeu, seguindo para a mesa de Willy e Sabine – Realmente não sabe como os jovens funcionam, não é mesmo?
O Arqueiro abriu ainda mais o seu sorriso, e, assim, os dois se separaram. Alice, que observara a cena, não pôde deixar de notar, com aquele crescente incômodo em seu peito, o modo como Samon observava seus novos leques; com certo carinho em seu olhar, um leve brilho transparecendo em seu rosto. Waterloo dobrou o garfo de metal; não conseguindo evitar o transcorrer louco de seus pensamentos.
– Alice? – Ariella acordou a garota de seus pensamentos, aparentemente, interrompendo a longa narrativa de Lily, sobre aquela manhã com o “seu maravilhoso soldado” – Você está bem?
– Sim, Ary. – Alice suspirou, sorrindo fraco para a amiga enquanto respondia, pensando somente em todas as cenas que vira entre os dois, até aquele momento – Está tudo bem.
(…)
Kalista olhava janela afora. Era uma bela manhã de Sexta-Feira: o sol em todo o seu esplendor, iluminando cada pedaço obscuro da floresta ao redor; as flores nasciam em suas diversas cores e aromas, trazendo alegria às paredes de pedra da Mansão X. Kali abriu um sorriso leve em seu rosto; mas não pela imagem pacifica que agora presenciava.
– Estamos paradas demais.
Charlie ergueu a sobrancelha em sua direção, e Naja continuou a brincar com o seu isqueiro.
– Faça flexões, se quiser. – a loira revirou os olhos enquanto se virava para a amiga – Deve ser o suficiente.
– Não seja condescendente comigo, Charlotte. – a semi-deusa disse entre dentes, tentando não perder a pose – Não combina com você.
– Ela tem razão. – Naja sorriu torto, olhando de esguelha para a morena – Devia deixar essas coisas comigo.
– Vão se ferrar. – a garota respondeu, mas riu logo depois. Ela se levantou da cadeira, andando em direção a suposta lider – O plano está indo bem, Kalista. Trazer qualquer problema só vai atrapalhar; você quer mesmo colocar tudo isso em risco? – ela finalizou sinalizando ao seu redor, para mostrar o seu ponto. A outra garota se afastou, logo em seguida; passando os dedos pelo contorno das cadeiras da sala de aula.
– Você não vê, não é? – ela riu consigo mesma, fazendo as duas restantes se entre-olharem – Ninguém nos respeita; ninguém nos teme. Todos pensam que somos apenas três garotinhas vivendo às escondidas; latindo, mas nunca mordendo. Eles pensam que nunca faremos nada… Mas eu quero sair daqui sendo temida, respeitada. Quero que eles pensem antes de, sequer, virem falar comigo; quero que se arrependam de tudo o que fizeram contra mim… — ela trincou os dentes ao lembrar-se de Alice atacando-a na Sala do Perigo, e seu sangue pareceu congelar com tal pensamento – Quero que eles se lembrem quem é Kalista Rhode Winter… E o quanto erraram por não me tratarem como mereço.
– Garota, você realmente se coloca no pedestal, não? – Naja riu consigo mesma, acendendo o cigarro que brincava entre seus dedos. Kali apontou em sua direção, e o fumo imediatamente virou gelo – E claramente não tem senso de humor. – ela completou, jogando o pedaço congelado no chão e quebrando-o em mil pedaços com o próprio pé – Ok, princesa, o que você quer fazer?
Um sorriso maquiavélico surgiu em sua face angelical.
– Algo que essa escola nunca irá esquecer.
To Be Continued…
Notas finais
1. Capitulo Presente
2. Somente primeira parte
3. Não coloquei todos os pedidos AINDA
4. Se seu personagem não teve foco, é porque VOCÊ NÃO PEDIU!
Caham
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