Infringente

1 Capítulo um


Notas iniciais
*LUMOS*Esse é o meu primeiro cap da minha primeira fic. Espero que gostem. Eu pessoalmente não curti o final de Convergente por isso decidi fazer essa fic. Bom, sem mais delongas eu apresento a hist. Boa leitura!*NOX*

TOBIAS

Três anos. Três longos anos. Acho que nunca fui tão triste em minha vida como sou agora. Eu sei que já faz um tempo, mas mesmo assim aquele buraco enorme em meu peito não sara nunca, cicatriza, mas não cura. Tudo me lembra dela e a cada dia eu caminho para um futuro monótono e infeliz.

Encaro a tatuagem que fiz na parte superior de minha mão direita, perto da dobra entre o indicador e o polegar. Lá estava seu nome: Tris. Fiz em sua homenagem, dois anos e meio após sua morte. Meu coração era dela e sempre será, não via problema em ter seu nome em meu corpo. Por que você tinha que partir? Por que teve que me deixar aqui com apenas sua doce lembrança?

Sempre me questionava isso. Eu sei que ela se foi por uma causa nobre, quis se sacrificar para salvar a vida do irmão e de todos aqui em Chicago. Mas não me conformo em perdê-la. Ela era, é e sempre será tudo pra mim. O ar que eu respiro, a minha única fonte de sobrevivência, a minha garota. Saber que a perdi é a pior sensação que sinto e tento vencê-la diariamente sem sucesso algum.

Agradeço por ter meus amigos comigo. Se com eles já é quase insuportável aguentar, imagina sem. Com toda a certeza já teria me matado. Quando estou com Christina, Zeke, Cara, Amar e até mesmo minha mãe, consigo me distrair um pouco. A dor fica menos intensa, sabe? Porém ela volta como uma faca afiada rasgando o meu peito e isso não tem como controlar. A memória de seus momentos comigo são muito frescas ainda e me permito entrar nelas mais do que gostaria.

Christina tem me ajudado muito. Ela entende pelo que eu estou passando e posso ser sincero com relação aos meus sentimentos. Ela não me julga, simplesmente me deixa desabafar, assim como ela fala de Will e Uriah pra mim. Minha mãe uma vez me disse que eu devia me aproximar mais dela, mas não quero isso. Chris é uma boa amiga e só. Com certeza ela sente o mesmo com relação a mim. Ela nunca gostaria de mim devido a Tris, é honesta demais pra isso...E mais uma vez meus pensamentos voltam pra ela.

Preciso esquecê-la. Não esquecê-la totalmente, mas pelo menos não deixar que a simples menção de seu nome já me faça querer me tacar na linha do trem só para encontrá-la em algum lugar qualquer. Muitas vezes me apresentaram garotas com o intuito de me tirar dessa solidão. Eu sei que tiveram a melhor das intenções mas eu não quero. Fiz uma escolha, desde a morte de Tris até o final da minha vida eu não vou me relacionar com ninguém.

Na Abnegação nós acreditávamos que as pessoas mortas iam para um lugar bom onde passariam a eternidade. Eu continuo com tal crença. Sei que ela está por aí em algum lugar e quando chegar a hora eu irei ao seu encontro. É meu grande amor e eu não quero viver outro. Se não for pra ser em vida eu espero até minha morte para ficarmos juntos. Nunca amei alguém como amo a Tris e prefiro ficar sozinho a ficar com outra que não seja ela. Isso está mais do que certo em minha cabeça.

Depois dessa longa reflexão que tenho toda madrugada eu resolvo dar uma volta por aí. Devem ser umas 2 da manhã mas não me importo. Desde o que aconteceu meu sono não é algo muito constante. Vira e mexe eu tenho pesadelos e perco a vontade de dormir. É a pior hora pra mim, pois Tris sempre vinha deitar ao meu lado e adormecíamos abraçados um no outro. Nesses momentos, nada mais existia só nós dois. Meu peito reclama de dor mais uma vez. Tudo bem, já estou acostumado.

Me levanto, caço minha blusa perdida no meu bagunçado armário, calço minhas botas, tranco a porta e desço em direção a rua. Tudo está tranquilo e um pouco frio. Devia estar no Outono se não me engano. Ando por aí sem rumo mais uma vez.

Há três anos eu faço a mesma coisa. De manhã e a tarde trabalho com Christina e Zeke patrulhando o perímetro da cidade. Não há nenhuma necessidade disso mas o atual governo nos pede para continuar de olho. Não sei do que eles tem tanto medo. O pior já passou, agora todos são acostumados com o fim das facções e desempenham um valor na sociedade.

Eu gosto dessa nova forma de viver. Foi difícil acostumar no começo mas ao longo do tempo ficou mais fácil. A gente vive livre e sem medo. Gosto particularmente do governo, apesar de não saber quem é o verdadeiro líder. Eles nos falam que todo aquele grupo toma decisões juntas, mas eu acredito que existe alguém maior. Desde que nada de ruim aconteça, não vou esquentar com isso.

Durante a minha caminhada pelas rua, percebo algo muito estranho. A luz de uma sala da sede, está acessa. Estranhei. Aquele não era um horário comum para se estar acordado, muito menos trabalhando. O que devia estar acontecendo ali?

" Vamos Tobias, o que você tem a perder?" Minha mente sempre curiosa gritava.

– Sei que vou me arrepender, mas...-murmurei indo na direção do prédio.

Claro que eu não poderia entrar pela porta da frente, mas as janelas eram tão altas e eu precisaria escalar... Ok, ok. Sem covardia agora!

Subo pelo cano da tubulação de ar na parte lateral. Eu sinceramente não sei o porquê de estar fazendo isso. Tenho medo de altura e mesmo assim estou me arriscando. Engraçado que sinto necessidade de saber o que tem ali, como se fosse algo muito importante. É provável que não seja nada só uma cisma mesmo, mas não custa checar.

Entro pela janela aberta no canto. Abro a porta de uma sala qualquer e vou em direção a luz que sai pela fresta. É a sala mais escondida e pelo que sei, tenho que atravessar um corredor muito grande. Tudo está escuro, o que levanta mais suspeita. Por que somente uma sala acessa? Bom, todo o cuidado é pouco e eu não quero ser pego aqui.

Vou caminhando pelo canto, tentando fazer o menor barulho possível. Escuto vozes discutindo. Espera aí, tem mais gente na sala? Fico confuso e me aproximo mais. De repente ouço um grito agudo de congelar o sangue, com toda a certeza que era o de uma mulher. O que está acontecendo aqui?

Me apressei e olhei pelo visor da porta, atento para ninguém me ver ali. Fiquei chocado demais com a imagem. Se eu não pertencesse a Audácia no passado, provavelmente teria desmaiado.

A sala era toda branca como um hospital, e uma luz fosforescente ajudava a compor o cenário. Estava cheia de instrumentos de tortura. Facas, seringas, agulhas e tudo que se possa imaginar. Uma bandeja continha líquidos de várias cores diferentes. Atrás de uma janela de vidro que separa a sala em duas partes, estavam dois homens e o que mais me surpreendeu: Marcus. O que ele fazia ali?

Observei o resto. Havia uma maca e a mulher se contorcia e berrava como se estivesse com dor. Era pequena, loira de cabelos compridos e usava uma regata preta, juntamente com uma calça justa e botas. Estava com uma aparência horrível de alguém que vinha sendo torturado constantemente. Senti pena e uma pontada de raiva. Por que a faziam sofrer assim? Eu preciso salvá-la.

Esperei um minuto e olhei mais atentamente. Tinha uma tatuagem de três corvos em sua clavícula do lado esquerdo. E mais duas: Uma do símbolo da Abnegação e outra da Audácia em cada ombro. Congelei. Eu conhecia essa mulher.

Era a minha garota. Aquela que eu tinha perdido três anos atrás e agora gritava de dor e desespero na minha frente. Era a Tris.

Notas finais
*LUMOS* E aí? Curtiram? Podem comentar a vontade, o que mais inspira um autor a continuar escrevendo é saber que sua hist está sendo lida. Não sejam tímidos! Toda crítica é bem-vinda, positivas ou negativas. Enfim gente, eu não tenho uma ordem certa pra postar devido aos compromissos escolares, mas prometo que não deixarei de escrever. Ateh!*NOX*