Infringente

6 Capítulo seis


Notas iniciais
*LUMOS* Hey gente bonita! Eu sei, eu sei que fiquei uns dias foras e vocês estão chateados. Mas eu tive problemas pessoais para resolver e por mais que eu tentasse não conseguia parar para escrever a fic. Sinto mt msm. Por isso eu sempre aviso que não tenho uma ordem certa para postar. Mas espero que não tenham ficado muito chateados! agora que está tudo tranquilo eu postarei com mais frequência. Para compensar eu fiz um cap caprichado só pra vcs! Boa leitura! *NOX*


TRIS


– Tobias!- Ela exclamou novamente, saindo do choque.- Mas o que significa isso?
Ele se levantou rapidamente. Ficou tão tenso quanto eu.
– Evelyn, não era para você saber agora.
Ela arqueou as sobrancelhas e a semelhança com Tobias se acentuou mais ainda. Isso me incomodou um pouco. Tudo bem que era a mãe dele mas por que tinha que lembrá-lo tanto? Ah sim, é porque, mesmo que inconsciente, eu penso nele o tempo todo.
– Como assim não era para eu saber agora?- sua voz estridente me tirou de meus pensamentos.
– Exatamente.- seu filho afirmou, sem remorso.- Não era para você saber que Tris está viva.
– Tobias! Você disse que ela tinha morrido. Eu vi o corpo dessa garota! Ela estava morta!
– Bem, mas agora não estou.- disse, no tom mais forte que pude.
– Tobias...-Evelyn suspirou.- Você pode por favor me explicar o que está acontecendo?
Ele olhou para toda sala e parou seus olhos em mim. Suspirou e logo depois se dirigiu a mãe.
– Vamos conversar no nosso apartamento.
Nosso apartamento? Evelyn estava morando com Tobias? Será que a relação deles se tornou mais sólida? Eu queria dizer que estava torcendo para isso, afinal ele sempre desejou em seu íntimo um pouco de afeto materno, acontece que não sei se a aproximação com sua mãe será benéfico para o nosso relacionamento. Ela me odeia e nunca fez questão de esconder tal sentimento. Lembro até quando me falou durante o interrogatório de rebeldes contra os sem-facção:
" Você não terá espaço nessa cidade Tris, principalmente ao lado do meu filho".
Eu teria respondido a altura se pudesse. Acontece que não tive oportunidade. Teria dito que não me importa o que ela quer, e sim o que Tobias quer. E ele ME quer, portanto Evelyn teria que me aturar. Sempre duvidei de seu amor por Tobias. Quer dizer, que tipo de mulher abandona-o ainda criança com um pai descontrolado? Que trata mal a namorada do filho? Sai de meus devaneios quando a ouvi novamente.
– Tudo bem. Eu só vou porque não acho certo discutir algo assim na casa de Yulla. Ela não merece ser incomodada.
A senhora sorriu, levemente.
– Imagina, não é incômodo algum. Confusões me fazem sentir jovem novamente.
Eu não poderia esperar menos de uma senhora nascida na Amizade e transferida para a Abnegação.
– Tris, fique aqui. Eu já volto.
Eu neguei imediatamente. A conversa se tratava sobre mim, tinha que participar.
– Mas é claro que não! Eu vou com você...
Me levantei e aguentei a dor o máximo que pude. Meu corpo ainda se recuperava e queria descanso. Eu não podia me dar ao luxo de deitar agora. Tinha que estar presente nessa conversa.
– Você está cansada...-ele argumentou.
– Não estou não.- Menti, descaradamente. Ele bufou.
– Tris, por favor...
– Tris eu acho melhor você escutar o Tobias.- Christina interrompeu.- Fique aqui.
– Mas eu...
– Eu quero falar com meu filho as sós.- Evelyn se pronunciou. Ela me fuzilava com o olhar. Eu retribuí tal gentileza.
– Isso é mais algumas coisas que eu preciso resolver sozinho.
Tobias me olhou e eu suspirei.
– Tudo bem, eu fico.
Olhei apenas para o chão quando disse isso. Não queria ver a cara de satisfação de Evelyn para com a decisão de Tobias. Não pude deixar de pensar que ele escolheu o que ela falou para fazer.
Ele indiretamente escolheu a mãe e não a mim. Eu sei que estou exagerando, mas é o que sinto no momento. Ele ergue meu rosto e me dá um selinho.
– Já volto.
E eu não respondo.
Os dois saem. Ficamos na sala apenas eu Christina e Yulla. As três se entreolhando. Meu olhos corriam delas e iam até a porta.
– Então...- começo.- Qual é a porta do apartamento de Tobias?
Sou direta e acabo fazendo Christina rir. Ela sabe qual a minha intenção e por mais que tente, não consigo mentir para ela.
– Olha, eu sei que você de uma maneira ou de outra vai arrumar um jeito de escutar a conversa, não é?
Eu aceno com a cabeça.
– Então vamos fazer o seguinte...-ela suspirou e se levantou.- Eu te proíbo de ir até lá.
Eu ergui a sobrancelha. Por um momento achei que Christina iria me ajudar. Ela vai anda em direção a Yulla e empurra a senhora delicadamente.
– Eu vou te ajudar a preparar os chás, ok Dona Yulla?- se virou pra mim.- Tris, fique aqui deitada e de maneira nenhuma se dirija a segunda porta do corretor a direita onde fica o apartamento de Tobias.
A senhora começou a rir e ela piscou. As duas foram para a cozinha. Eu sorrio. Christina sempre me ajudava. Eu me levanto, ainda com dor, mas ignoro isso e sigo suas instruções.
Me encolho contra a porta e coloco meu ouvido bem encostado nela. Agradeço mentalmente a madeira dela não ser tão grossa. Dava para escutar bem a discussão dos dois. Pego a frase de Evelyn pela metade.
–...foi capaz de fazer isso? Quer dizer, eu mais do que ninguém sei do que ele é capaz. Mas daí armar todo esse plano...
– Sim. Ele e David estavam armando tudo isso. Torturando Tris e, pelo que ela falou, com um tipo de simulação diferente.
– Como assim? Que tipo de simulação?- pude ouvir sua curiosidade transbordando.
– Não sei, acontece que as simulações não eram para medir suas reações ao medo, e sim suas reações assistindo o medo de outras pessoas. Ela via todos que amava sendo torturados.
– Isso...Isso...- ela parecia buscar uma palavra que definisse aquilo.- É horrível, doentio...
–Eu sei.
–Mas qual o propósito disso tudo?- ela perguntou e em minha mente imaginei Tobias dando de ombros. Temos essa mania quando não sabemos o que responder.
– Não fazemos ideia. Era o que discutíamos na casa de Yulla antes de você entrar.
Provavelmente ela concordou com a cabeça. Logo em seguida emendou, com certa curiosidade.
– Mas como ela pode estar viva? Eu, você, todos a viram morta! Baleada e pingando sangue! Como Marcus pode ter trago-a de volta a vida?
Tobias não respondeu. Eu mesma tive dificuldade com essa pergunta. O que realmente aconteceu comigo?
Forcei minha mente para os acontecimentos daquela tarde. Eu me joguei contra David para alcançar o jogo da memória e senti dores lancines em duas partes diferentes do meu corpo. A costela e a nuca. Estremeço só de pensar na dor. Depois disso, eu me lembro dos braços quentes de Caleb me acolhendo.
Minha mãe. A conversa com a minha mãe. Eu a vi minutos antes de cair na inconsciência. Falei com ela. Repassei todo o diálogo em minha mente, como uma oração.
"- Olá, Beatrice.
– Eu já estou pronta?
– Sim. Minha querida filha você se saiu tão bem.
– E os outros? Tobias, Caleb, meus amigos?
– Eles vão cuidar uns dos outros. Isso é o que as pessoas fazem."
Eu sorrio ao relembrar dessa conversa. Foi muito importante para mim. Eu a segui por um túnel branco, nós duas lado a lado. Lembro de estar aliviada por não ter mais que lutar. Tinha que suportar apenas o leve peso da morte. Mas a saudade ainda pesava em meu peito. Eu pensei nisso durante a caminhada com minha mãe. O que seria mais fácil, mais correto? Simplesmente segui-la e abandonar aqueles que precisavam de mim, ou voltar atrás? Seria eu capaz de recuperar minha vida?
Não sabia a resposta mas quis correr o risco. Eu precisava voltar. Sentia essa agonia em meu peito e pontadas nos locais onde levei o tiro. Se eu podia sentir, significava que ainda tinha uma chance, fraca, de conseguir voltar. Olhei minha mãe uma última vez. Gravei sua imagem em minha memória. Ela reparou que eu a encarava.
– O que foi Beatrice?
– Mãe eu te amo.
E não esperei a resposta, apenas corri pelo caminho contrário.
Abri os olhos lentamente e luzes brancas ofuscavam minha visão. Meu corpo todo era um pedaço de trapo, a única coisa que eu sentia era dor. Depois dessa cena a única coisa que eu recordo são dos testes de Marcus e David em mim.
Saí do meu transe. Me perder em memórias se tornou algo constante. Depois de tudo que eu passei era fácil relembrar tudo. O passado sempre volta como uma faca afiada rasgando o seu peito. Perdi uma parte da conversa entre Evelyn e Tobias, mas não tardo a acompanhar.
– Eu quis que viéssemos conversar longe de Tris, não porque você quis e sim porque precisava falar com você a sós.
Evelyn nada disse e Tobias continuou.
– Eu sei das suas desavenças com a Tris. Sei que você não gosta dela...não minta pra mim!
Pelo sentido da frase, acho que ela iria interrompê-lo.
– Eu só quero que você entenda. Ela passou por muita coisa, não é uma rebelde descontrolada como você pensa.
– Pode até não ser rebelde, mas ela é descontrolada. Precisa se afastar dela meu filho! Se Marcus e David a estavam usando como experimento, algo muito ruim está para acontecer. Dados os acontecimentos passados, eu lhe peço: Se afaste dela. Beatrice Prior é sinônimo de confusão.
Gelei. É claro que não duvido do amor de Tobias por mim, mas não sei até que ponto Evelyn o influencia.
– Me pedir isso é a mesma coisa que pedir a Marcus que não seja um psicopata. Eu a amo. Você sabe o quanto sofri com a perda dela. Não vou me afastar, nem que me matem. Além disso, eu também atraio confusão.
Eu sorri, esse é o Tobias que conheço. Aquele forte e certeiro, que não deixa ninguém interferir em suas decisões. O meu Tobias.
– Tobias, por favor...-ela implorou.
– Não.
– Pois bem...-seu tom era de ódio.- Se você quer ficar com ela e morrer tentando lutar, é uma escolha sua. Eu vou te ajudar porque sou sua mãe e não quero ficar longe de você, não depois de tudo que construímos durante esse tempo. Mas não me peça para ser gentil e compreensiva com uma garota que quase fez meu filho tomar o soro da memória!
– Evelyn...
Soro da memória? Tobias queria tomar o soro da memória?
– Você sabe que é verdade! se não fosse por Christina, eu teria perdido o meu filho! Teria apenas uma cópia!- ela berrou.
– Tris não teria culpa nenhuma disso! A escolha seria minha. A dor era grande demais, eu não estava suportando.
Senti vontade de vomitar. Tobias preferia me esquecer, esquecer todas as nossas lembranças, apenas por paz. Sempre o julguei forte e agora descubro que quase preferiu agir como um covarde. Se não fosse por Christina, ele não se lembraria de nada. Quase fez a mesma escolha de Peter. Quase.
– E você quer que eu trate bem a garota que causou tanta dor ao meu filho? Que, por causa de suas atitudes suicidas, quase fez com que ele se esquecesse de quem é? Não muito obrigado.
Ouvi passos leves. Ela provavelmente levantou.
– Eu ainda estou do seu lado porque sou sua mãe e te amo. O que você decidir eu estarei ali para te apoiar. Mas não vou ser boazinha com Beatrice. Se ela não se comportar com relação a mim, eu não terei problema nenhum em ensiná-la bons modos.
Me senti como um cachorro que precisava de disciplina. Evelyn achava que poderia controlar tudo e todos, inclusive minhas atitudes. Parece que essa característica não mudou.
– Ouvi mais passos, e eles se aproximavam da porta. Eu me afastei dela mas não quis me esconder. Não tinha forças para isso. Apenas encostei na parede do corredor. Estava chocada demais com a história de Tobias para fazer qualquer coisa. Não me importava nem um pouco que Evelyn descobrisse que eu estava ali.
Ela abriu a porta e saiu tão enfurecida que nem notou minha presença. Porém Tobias ainda se encontrava lá e, pelo que podia ouvir, não se movia.
Eu suspirei. Não queria guardar mágoa dele, mas sua confissão martelava em minha cabeça. Como ele sequer cogitou essa possibilidade?
Dei um passo para frente e entrei no apartamento. Queria uma explicação dele que acalmasse a dor em meu peito.
– Tris?- ele me olhou surpreso e seu corpo subitamente enrijeceu.- A quanto tempo você estava aí?
Eu olhei e deixei as lágrimas rolarem. Não ligava de deixá-lo ver o quanto estava chateada.
– Tempo suficiente.- Intensifiquei nosso olhar.- Por quê?

Notas finais
*LUMOS* E aí, o que acharam? Comentem, recomendem e favoritem mt!!! Próximo cap uma discussão básica entre Tris e Tobias. Por mais que eu não goste desses dois brigando, casais vivem assim: Entre tapas e beijos! Mas n se preocupem pq todos sabemos que eles se amam! (TIME FOURTRIS!!!!) Bjsss *NOX*