Influência Shakesperiana
9 Troublemaker
Notas iniciais
"If you come down to the river
Bet you gonna find some people who live
You don't have to worry, 'cause you have no money
People on the river are happy to give"
(Proud Mary)
Tina Turner
Anabelle's part
Não havia mais fome depois daquele escândalo. Papai sumira com Richard em algum canto da casa, provavelmente um lugar onde o som de seus gritos não repercutissem em nossos ouvidos. O clima entre eu e Austin estava normal, já que sabíamos que aquilo ia acontecer uma hora ou outra.
–Vou preparar um brigadeiro. -Austin falou de repente.
–Claro, se todo o marido quer uma esposa baleia e com celulite.
–Eu não disse que era para você. -Ele riu e foi para a cozinha.
Depois de alguns minutos ele voltara com uma panela quente de chocolate derretido. Comemos e ele sujou meu nariz e eu o queixo dele, coisa de criança. De repente, Freddie aparecera na porta, avisando que voltaria para Vacancyville a pedido da minha mãe, porque pegaria algumas coisas na casa dos Monville e perguntou se nós precisávamos de algo.
–Eu vou com você, preciso pegar umas roupas de frio, mamãe avisara que a noite estava esfriando. Você bem, Austin?
–Está tarde, vão amanhã. –Sugeriu.
–Nós não demoraremos, só poucas horas de ida e volta e já estarei segura com você.
Eu andei até ele, beijei seu pescoço, o cheiro bom de canela misturada com algo novo, não sabia exatamente o que era. Peguei um casaco e minha bolsa. Eu e Freddie entramos no carro e seguimos para Vacancyville. A viagem começou tranquila, eu perguntava o que Freddie gostaria de ser, se persistiria mais nos estudos e se planejava coisas novas. De repente, um barulho de algo vindo rapidamente, vidros se quebrando, o impacto na lateral onde eu estava. Uma explosão perto de nós. E tudo ficou escuro, talvez eu estivesse morta.
(~.~)
Narrator’s part
“A confusão se estabelecera no local do acidente, o corpo do caminhoneiro foi levado ao IML, as duas pessoas, uma moça e um rapaz, que estavam em uma BMW foi levado ao hospital de Riverklin e estão em estado grave. Eu sou Dakota Rinakgli, para NDL”
O som da televisão quebrava o silêncio que se pairou na sala de espera da UTI, os pais de Freddie estavam rezando, juntamente com a mãe de Anna. Ficaram sem notícias dos dois acidentados durante dois dias de muita aflição. Austin estava desolado, não se conformava em não ter ido com ela, talvez agora pudesse ajuda-la de alguma forma, não sabia qual, mas poderia.
–Doutor! –Melissa, senhora Cartore, gritou para o médico que parara em frente as duas famílias. –Como estão nossos filhos!?
–O rapaz passa bem, sem lesões ou sequelas, alguns ferimentos externos, que não afetaram em nada. Os dois não correm mais risco de vida e serão transferidos para quarto amanhã de manhã, assim poderão visit...
–Eu quero saber de Anna! –Austin gritou.
–A garota passa bem, está sob efeito de medicamentos ainda, portanto não poderão vê-la, só amanhã. Acontece que ela sofreu uma pancada muito forte na região da cabeça e acabou perdendo a memória. Eu sinto muito, mas acreditamos que ela possa voltar a recuperá-la, ou então o tipo de amnésia pode ser retrógrado, onde a paciente se lembrará de fatos após o acidente, só depende dela e da vontade de recuperar a memória.
–Está me dizendo que minha filha se esqueceu da família?! –Gritou o pai de Anabelle.
–É possível, como eu disse, só depende dela. Por enquanto é só isso.
O médico saiu da sala de espera e sumiu da vista de todos. Ela não se lembra mais de mim, pensou Austin, que na cabeça dele, agora não existiria mais amor, felicidade, brigadeiro ou uma possível família.
Anabelle’s part
Acordei com o sol batendo em meu rosto, deduzi que estava em um hospital, não sabia o motivo nem nada, mas sentia uma forte dor de cabeça até perceber que está estava enfachada e meus cabelos estavam presos em um coque. Toquei minhas mãos, e vi minhas unhas pintadas de um vinho bem escuro. O que aconteceu comigo? Quem sou eu?
No sofá em frente a maca estava uma bolsa creme, me levantei e fui até ela. Abri uma carteira da mesma cor da minha unha e vi uns documentos. Anabelle Cartore, está deve ser eu. Procurei um espelho e vi meu reflexo, a única coisa que diferenciava da foto era um corte pequeno na região das têmporas e um próximo a boca. Procurei mais coisas na bolsa, só um livro, a carteira, um celular que eu não lembrava a senha e uma agenda. Prova de vestido -17:30. Eu estava casando, nessa idade?
A porta se abriu, e dela surgiu uma figura engraçada, era uma menina parecida comigo, só que menos, provavelmente uns dois anos mais nova que eu. Eu coloquei tudo de volta na bolsa e a encarei.
– Quem é você?
–Não se lembra de mim? –Perguntou.
–Sinto muito.
–Ághata Cartore, sua irmã. –Ela respondeu calmamente. –Não acredita que não se lembra de mim!
–Desculpe. –A olhei com pena.
Depois de Ághata, outras pessoas entraram na sala. Entre elas, um senhor beirando os cinquenta, que deveria ser meu pai ou meu futuro sogro, uma senhora de uns quarenta e cinco que se parecia um pouco comigo, dois garotos, um parecia mais velho, era parecido com o senhor de possíveis cinquenta. Por fim, um em especial, não era parecido com nenhum dos que entraram, ele tinha uma tatuagem engraçada que ia, acho que, do ombro até um pouco á cima do cotovelo e a orelha era larga, acho que havia um alargador ali. Ele era alto, os cabelos pretos estavam despenteados e sua expressão estava cansada. Bom, se esse fosse meu noivo, eu não veria problema.
–Querida? –A mulher de rosa que aparentava uns quarenta e cinco me olhou com ternura, provavelmente com medo da minha reação.
–Quem é você?
–A mamãe, Anna. –Ághata respondeu. A mulher veio me abraçar, de algum lugar eu reconhecia o abraço desajeitado e o cheiro de um perfume extremamente adocicado.
–Sou eu, Anna, seu pai. –Aquele homem era um pouco parecido comigo também, só seus olhos eram diferentes dos meus. Ele me abraçou, aquele abraço também era conhecido. O menino que poderia ser meu irmão não se aproximou. –Esse é o seu irmão, Richard , nesse momento ele passa por alguns problemas também, mas logo logo se recuperará.
–Oi. –Eu o cumprimentei sorrindo torto.
Agora faltava o tatuado, ele me olhava apreensivo e ao mesmo tempo feliz ao me ver.
–Pigplle? –Eu perguntei, de algum lugar aquele nome surgiu na minha mente.
–Você se lembra! –Ele veio até mim e me arrancou um beijo inesperado.
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