Não me lembro de como cheguei em casa depois da festa, mas acordei no dia seguinte em minha cama, ainda estava vestida mas estava apenas com um tênis. Santana havia me ligado três vezes enquanto eu dormia. Quando eu liguei de volta, disse que estava doente, e ela não questionou.


"Você parece mal, B", disse ela através do telefone com um tom de procupação, misturada em sua voz. "Quer que eu vá ai, quando eu voltar?"


"Não", eu disse a ela, enterrando meu rosto em meu travesseiro e me torcendo. "É apenas um resfriado, eu estarei bem amanhã. Eu só preciso dormir." A última coisa que eu queria naquele momento era vê-la, após a confusão da noite anterior. Eu precisava ficar sozinha.


"Ok, se você tem certeza", respondeu ela e eu podia ouvi-la encolher. "Eu vou falar com você amanhã?"


Eu balancei a cabeça, mesmo que ela não pudesse ver o gesto. "Até amanhã. Tchau, San".


Quando ela ligou de novo, estávamos arrumando as coisas para a escola na manhã seguinte, em nosso primeiro dia como segundo ano. Eu me sentia tão ansiosa pelo fato dela poder descobrir o que se passou na festa, mas eu estava mais ansiosa para vê-la, consegui me manter firme de que não havia feito nada de errado, eu não estava errada. Eu tinha decidido tentar o dia sem os quatro comprimidos como de costume, e cortar a única pílula prescrita naquela manhã. A enfermeira me daria mais dois na hora do almoço, mas por prevenção, eu coloquei um frasco reserva no fundo da mochila, coberto por toda uma parafernália habitual de sempre, canetas velhas e lições de casa inacabadas do ano anterior.


Ela estava na escada no pátio com vista para as mesas quando eu cheguei. Eu cheguei dez minutos atrasada, mas ela não estava com raiva enquanto eu subia para o terceiro lance de escadas, onde ela estava sentada com seu uniforme Cheerio. Seu sorriso era tão eficaz e genuína que eu passei meus braços em volta dos ombros e a segurei quando ela se levantou para me cumprimentar. Não havia ninguém ainda, então ela apertou o rosto na curva fatídica que ela tanto amava, quando ela me abraçou de volta.


"Eu senti sua falta", ela sussurrou em minha garganta, sem largar minha cintura. "Você não pode fazer isso comigo de novo. Eu preciso de você, B. Não ter a minha melhor amiga por perto é ruim demais."


Suspirei pesadamente e continuei segurando ela o mais forte que podia. A pressão sobre o meu peito enviou uma enxurrada de endorfina pelo meu corpo, e eu estava feliz instantaneamente. Ela não tinha mencionado a festa, então assim eu soube que, Mike tinha mantido sua palavra. "Eu também senti sua falta. Eu também preciso de você. Mas isso é bom, não é? Dois melhores amigos, voltando juntos. É... é fácil."


Ela levantou a cabeça no meu ombro e, mesmo sem olhar para mim, eu sabia que a expressão que atravessou o rosto dela era cética. "Fácil" provavelmente não era o termo que eu deveria ter usado, mas eu queria que ela soubesse que eu não iria força-la a mais nada. Sendo melhores amigas poderia ser fácil, assim como era fácil para ela estar com Puck. O beneficio era tanto meu quanto dela. Eu precisava de confiança, e ela não sabia disso, então eu disse em voz alta para nós duas.


E se eu perdesse o controle, havia sempre os comprimidos.


"Certo", ela finalmente respondeu, soltando minha cintura. "Fácil". Ela deu um passo para trás e sorriu de novo, mas não era bem o mesmo sorriso genuíno que cruzara seu rosto quando eu cheguei. "Vamos buscar os nossos horários para que possamos reclamar sobre eles agora. Vai ser mais rápido de trocar, por isso vamos ter as mesmas aulas, se chegarmos cedo."


Ela se virou para ir até o resto das escadas, mas eu não a segui imediatamente. Eu gostava de ver ela caminhar, observando a forma como a saia Cheerio terminava no ponto exato de sua coxa. Ela parou e olhou para trás, aquele sorriso voltando, o genuíno. Ela estendeu a mão esquerda e estendeu seu dedo mindinho, me chamando. Meus olhos saíram da saia e foram para seus dedos, depois com um sorriso de correspondência eu olhei para os olhos. Peguei o dedo mindinho e entramos juntas no McKinley, pela primeira vez como segundo ano.


Prendi a respiração enquanto ela escrevia minha agenda no meu pulso, após a transferência de algumas das minhas aulas, algumas das minhas de nível inferior não puderam ser trocadas pelas de classe avançada dela. Ela até se ofereceu para fazer as aulas de recuperação comigo. Mas o diretor Figgins e a Senhorita Pillsbury chamaram Santana e falaram alguma coisa em tom baixo para ela. Ela estava no caminho rápido para a faculdade, eles afirmaram. Por que ela quer prejudicar seu futuro, fazendo cursos que eram fáceis demais para ela? Eu fingi não entender que eles estavam falando baixo sobre mim. Ela estava em um lugar diferente em sua carreira acadêmica, ela precisava de um tipo diferente de ensino, e assim por diante. Ela gritou tudo o que eu estava pensando, gritando com Figgins e me puxando pela mão.


"Não liga pra eles", disse ela, pressionando a ponta da caneta levemente contra minha pele escrevendo os meus horários:

“Primeira aula- Inglês- Sala 213
Segunda aula- Espanhol- sala 104
...”

E assim por diante. "Eles não sabem o que estão falando. Tanto você quanto eu sabemos que você é mais inteligente que metade da escola. Mas olha, pelo menos, temos a quarta aulas juntas. Isso é melhor do que nada, né?"


Eu estava muito ocupado observando os traços de tinta preta sobre as linhas azuis das veias do meu pulso para realmente prestar atenção. Eu tive uma súbita necessidade de pegar os comprimidos. Eu tinha crescido acostumada a estar em meio termo quando ela pegava minha mão como agora, mas agora, depois de alguns meses tomando a dose tripla, eu estava longe de estar em meio termo. Senti tudo. Eu sentia como se seus dedos estivessem me queimando. Eu queria afastar ela, mas eu fiquei, engolindo de forma audível.


"Você está bem?"


"An?"


"Eu perguntei se você esta bem", disse ela, soltando minha mão e eu comecei a respirar novamente. "Você está apavorada, B. Não se preocupe. É apenas um novo horário. Temos a segunda aula juntas então eu vou te ver novamente em uma hora. Ok?"


Eu balancei a cabeça, dando-lhe um sorriso trêmulo. "Ok".


Eu não estava bem. Separamos-nos em nossos armários novos, ela foi pra aula de trigonometria, enquanto eu ia pra recuperação de inglês. Assim que ela dobrou a esquina e estava fora de vista eu abri minha mochila e peguei o frasco que estava no fundo. Enfiei dois comprimidos sob a língua e fui para o bebedouro, suspirando pesadamente enquanto a água carregava os comprimidos garganta a baixo. Esperei dois minutos para que a dose fizesse todo seu caminho, e as bordas do meu mundo ficaram confusas. Era fácil sorrir quando o mundo parecia nebuloso e incerto, como olhar através do vidro em um dia nebuloso. A forma visual das janelas no inverno, quando o vapor de nossa respiração entra em contato com o ar frio do outro lado do vidro, causando uma neblina. Cada dia era Natal naquele mundo. Ou assim eu disse a mim mesma, como uma espécie de justificação.


Eu vi Santana durante a terceira, quinta e sétima aula, eu consegui passar o dia inteiro sem esquecer de onde e como ir. Eu mesma mantive minha mochila comigo ao longo do caminho, sem deixar em uma sala, no banheiro, ou sob uma mesa de almoço. No final do dia ela me levou até em casa, mesmo que fosse um quilômetro fora do seu caminho, e Puck se ofereceu para levá-la, mas ela preferiu ir me ajudar com o novo horário e a lição de casa.


"As coisas vão ser mais fáceis amanhã", ela me disse enquanto arrumava suas coisas. “Vejo você amanhã, no mesmo lugar de hoje? Mas não tão cedo.”


Eu balancei a cabeça e me levantei para leva-la até a porta. Ela puxou minha porta da frente aberta e saiu pela varando, quando eu a chemai.


"San..."


Ela se virou para olhar para mim, puxando o casaco mais perto ao redor do peito na noite de setembro fria. "Sim, B?"


"Hoje foi tudo bem. Eu estava bem. Você não precisa se preocupar tanto comigo." Eu não tinha muita certeza de onde vinha essa ideia, mas meu instinto cuspiu as palavras para fora antes que meu cérebro tivesse a chance de processar.


Ela deu um passo para trás, me puxando para um abraço rápido. "Eu sempre me preocupo com você, B. Não é isso que os melhores amigos fazem?" Ela me soltou com um sorriso e foi embora.


Durante o horário escolar, as coisas voltaram rapidamente para a forma como tinha sido no ano anterior. Santana ridicularizando Rachel sem piedade, e a rainha Quinn fazendo seu drama rotineiro pelo fato de Finn ter entrado no clube Glee. Era impressionante a paciência dele enquanto ouvia-a reclamar, nem mesmo eu poderia ser tão paciente ou desligada a ponto de aturar tudo aquilo. Ela fez tudo o que pode, em silêncio e por trás das costas de Rachel, para garantir que cada raspadinha que entrasse no McKinley acertasse o rosto de Rachel, mas isso não impediu a pequena diva de perseguir Finn como o uma fã perseguia o idolo. Quinn fez uma decisão que cabia a nós três: ela, Santana e eu gostaríamos de entrar para o clube Glee também, mesmo que fosse apenas para proteger a reputação do casal mais famoso da escola. Já que estávamos de volta a escola, também tivemos que voltar a antiga formação de lealdade a Quinn, Santana e eu éramos as ajudantes que faziam com que todos os seus planos se realizassem. Eu não tinha discutido muito com qualquer uma das missões ridículas que tinham sido enviados no passado, mas quando nos reunimos para nos preparar para a nossa audição, Quinn parecia mais fora si do que eu jamais vi. Sua confiança estava diminuindo em face do que ela percebeu ser a concorrência legítima.


Eu não reclamei do modo como ela queria ingressar no clube, nem pelo motivo. Eu estive na assembleia de escola, onde ela havia se apresentado, tinha sido incrível. Eu tinha parado de cantar em público há muito tempo, porque Santana pediu-me. Mas agora, na ordem de Quinn, eu estava sendo convidada a começar de novo. Eu realmente não podia discutir com isso. Pedimos permissão de Sue, e recebemos ordens de destruir o clube Glee. Ouvi atentamente, Santana parecia muito entusiasmada com a ideia de sabotar o clube, mas eu realmente não acho que o clube Glee estava prejudicava alguém. Francamente, isso parecia mais divertido do que ser uma escrava de Sue. Ainda assim, Cheerios era uma prioridade maior do que cantar e dançar, então eu fiz como me disseram.


Mesmo que Santana e agora eu tínhamos duas atividades extracurriculares juntas, além de nossas aulas, que raramente sobrava tempo para sentar e conversar como amigas. Ela seguia Quinn mais que no ano anterior, e não se incomodou em me dizer que ela havia terminado com Puck algumas semanas depois do ano letivo começar. Eu ouvi sobre isso de outra Cheerio, que fofoca incontrolavelmente enquanto ela e eu levantamos a base da pirâmide.


"Você terminou com Puck?" Perguntei a ela depois do treino, em nossa caminhada habitual de volta a minha casa.


"É, eu acho", ela encolheu os ombros, o rosto de repente escuro crescendo. "Não é nada muito importante."


"Claro que é importante, Santana," eu respondi, arrumando a mochila no meu ombro enquanto caminhávamos até a minha garagem. De repente, senti vinte quilos mais pesada. "Esse é o cara que você disse que era fácil estar com ele. O que aconteceu? As coisas ficam complicadas?"


Ela balançou a cabeça. "Não importa o por que, B. Ele não era a pessoa certa para mim, então terminei com ele."


"Às vezes, me surpreende a rapidez com que você muda de humor," eu disse sem pensar. "Você vai de quente a frio em uma rapidez que eu nuca vi ninguém fazer antes. O tédio não é uma desculpa para foder com a vida de alguém." Ela e eu sabíamos que eu não estavamos realmente falando de Puck.


Ela parou no meio do meu quintal da frente, os braços pendurados frouxamente em seus lados e sua boca ligeiramente aberta. "Então é isso que você acha? Eu fiquei entediada ou algo assim e agora eu estou procurando o próximo cara de moicano pra me distrair?"


"O que mais poderia ser?" Eu respondi, girando sobre os calcanhares e cruzando os braços. "Ele te trata como lixo e mesmo assim você não o repreende. Eu ficaria aborrecida com esse vai e volta também."


"Ele não me trata como..."


"Sim, ele trata", eu interrompi. "Ele dormiu com quase todas as garotas do nosso ano — e suas mães — e você é a única que quer que ele volte pra sua cama, esperando que as coisas mudem."


Ela balançou a cabeça lentamente, suspirando. "As coisas nunca iam mudar com Puck, e eu sabia disso. Ele é o mesmo idiota que riu de você no almoço quando tínhamos 12 anos."


"Então por que você ficou com ele por tanto tempo? E não se atreva a me dizer 'porque era mais fácil, Santana. Eu poderia vomitar.” Eu coloquei a língua pra fora como simulação de nojo.


"Foi bom, eu acho", ela encolheu os ombros. "Saber que eu tinha alguém como ele. Passamos tanto tempo na parte inferior, B. Com ele eu estou em cima."


"Além do status social", eu disse, revirando os olhos. "Você sabe que eu nunca me importei com nada disso."


"Mas isso é por que eu me importo tanto por mim quanto por você. Como você acha que passou o ano passado inteiro sem ser jogada em uma lixeira? Você não é exatamente a garota mais esperta da escola, e não demora muito para essas pessoas perceberem. É porque eu nos coloquei onde estamos, e eu tenho protegido você. Se não fôssemos Cheerios, se eu não tivesse namorado Puck, ainda estaríamos sendo ridicularizadas no refeitorio. Eu fiz o que pude pra te manter segura. E eu vou continuar fazendo isso, enquanto eu for capaz.”


Eu fiquei em silêncio sob uma lâmpada, observando a iluminação alaranjada que se formava por trás de Santana. "Eu não te pedi para fazer isso", eu disse depois de um momento. Eu não sabia mais o que dizer.


"Não", ela suspirou. "Você não pediria, pediria? Mas eu sou a sua melhor amiga e é o meu dever te proteger."


"Se parte do me protegendo era namorar Puck, então por que você terminou com ele se você tem sido tão cuidadosa?" Aqui eu enfatisei cuidadosa com uma língua afiada e amarga -. "Até agora. Então, por que a mudança de sentimento? "


"Eu o ouvi dizer coisas que eu não gostei", disse ela, endurecendo. "Uma coisa é deixar ele correr atrás de mim, mas isso... Eu não podia aturar."


"Afinal, o que ele poderia ter dito que iria fazer tanta diferença?"


Seus olhos escureceram e ela desviou o olhar. "Ele... ele estava falando merda sobre você. Ele estava espalhando mentiras, e eu não ia ficar de lado."


Eu franzi a sobrancelha e dei um passo mais perto. Eu não tinha percebido quão longe estávamos até agora. Nós estávamos praticamente uma em cada lado do quintal, gritando para poder ser ouvida com clareza. Ela ainda não olhou para mim quando eu estendi a mão e coloquei minha mão em seu braço, apertando um pouco acima do cotovelo. "O que... o que ele estava dizendo?"


"Ele estava conversando com Matt..."


Oh Deus.


"... Que dizia que ele tinha ficado com você, e você não deixou ele ir a diante ..."


A festa.


"... E Puck riu, disse que Mike Chang tinha feito bem mais do que beijar ..."


Não. Não, não, não.


"... E que uma das Cheerios calouras no time tinha beijado você também. Eles estavam conversando sobre a festa de fim de verão. Eu sabia que não podia ser verdade, porque você nunca teria feito merda nenhuma do que eles estavam falando. E você não tinha sequer ouvido falar sobre essa festa antes de eu te contar.”


Ela finalmente virou a cabeça para olhar para mim e seu rosto caiu. Meu olhar de terror deve ter sido tão transparente quanto parecia, porque seus olhos se arregalaram e ela deu um pequeno passo para trás.


"Por favor, me diga que não é verdade", ela sussurrou.


Eu não conseguia respirar. O ar engatado em meus pulmões e quando eu abri a minha boca. "San, E... Eu..."


"Oh meu deus", ela respirava, os lábios trêmulos. "B, o que você fez?"


Cada gota de vergonha que eu estava sentindo correu para fora do fundo da minha mente, como uma represa estourando por trás de meus olhos. Meus joelhos ficaram fracos e eu tremi. Eu poderia ter lidado com o que eu tinha feito em silêncio, mas ouvir em voz alta, e dos lábios de Santana, me fez questionar tudo o que eu pensei que eu poderia aguentar. Se eu lhe contasse sobre a festa, eu teria que contar a ela sobre Karofsky, e os comprimidos, e todo o resto. Eu iria perder qualquer senso de controle que eu tinha deixado na minha vida. Meu coração bateu impiedosamente em meus ouvidos, tão alto que pensei que eu teria que gritar para ouvir-me sobre o ruído. Eu não conseguia pensar. Eu precisava estar em casa, eu precisava de um punhado de comprimidos para me acalmar. Eu precisava estar fora do olhar desolado de Santana, que permaneceu em silêncio diante de mim enquanto eu entrei em pânico.


"Eu eu eu só precisava ... Eu precisava saber. Eu estava confusa, e as coisas não fazem sentido"


"Você não está fazendo sentido, Britt," ela sussurrou imóvel. "Acalme-se e me diga o que diabos aconteceu."


"E-Eu-Não foi nada, eu juro", gaguejei. "Mike vai para o meu estúdio de dança, ele me contou sobre a festa. Eu fui eu fiquei um pouco bêbada. Eu não queria, eu tinha bebido. Eu juro nada aconteceu com Matt ou aquela garota. Eu estava bêbada. " Não havia nada que eu poderia dizer sobre Mike que ela gostasse, então eu não disse nada.


"Você tem alguma ideia do que você fez?" ela perguntou amargamente. "Todo esse trabalho, e você só destruiu. Sua reputação está abalada. Eu terminei com Puck porque eu pensei que ele estava mentindo, sendo que a única pessoa que mentiu para mim foi você. Você não estava doente quando eu te liguei no fim de semana. Você estava com uma puta ressaca. Será que você estava com alguém na sua cama quando eu liguei?”


De repente percebi que isso não era mais sobre mim, e enquanto entrava em pânico, como eu tinha sido o momento antes, o meu humor de repente virou raiva. "Então, o que queria que eu fizesse San?" Eu questionei furiosamente. "Ciúmes, é isso que você sente? Eu não te devo nenhuma explicação sobre isso. Você não consegue ficar com ciúmes. Você pode ficar comigo ou apenas me deixar em paz. E daí se eu quiser dormir com qualquer um?! Eu posso fazer isso, por que isso não é da conta de ninguém. Isso não é da sua conta Santana.”

"Claro que é da minha conta!" ela interrompeu, agarrando o meu braço e me puxando para mais perto dela. "Eu me esforcei muito por você"


"Não", eu gritei me soltando e puxando meu braço. "Você não pode me ter em dois sentidos. Eu não vou parar o que estou fazendo apenas porque você se sente desconfortável. Você sabe o que mais? Deixei Mike Chang transar comigo nesse estúdio de dança. Ele não era tão mal, pra um garoto sem graça. "


Eu estava apenas tentando conseguir uma explosão de fúria dela, e funcionou. Seu rosto virou uma máscara profunda vermelha quando ela fechou os punhos e bufou com raiva.


"Então, o que você é? Uma puta?" ela perguntou, olhando-me de cima a baixo com desgosto. "Vai abrir as pernas pra todo atleta da escola? Isso só se faz quando ele é seu namorado Brittany. É outra coisa completamente diferente se tornar a prostituta da classe. O que aconteceu com Karofsky? Você ficou entediada depois de dormir com ele?"


"Jesus Cristo, Santana," eu gritei. "Você acha que eu queria fazer sexo com ele? Ele é um monstro."


"O que você está dizendo?”, perguntou ela, com o rosto ainda vermelho, mas suas mãos relaxaram. "Eu não entendo o que isso significa."


"Nada", eu corrigi minha raiva agora misturando com a frustração e confusão. "Esqueça isso."


"Fala logo ", ela exigiu, aproximando novamente, mas sem a raiva em sua voz. "Britt, ele te violentou?"


"Não!" Eu gritei, eu não queria contar a ela sobre isso dessa forma. "Sim!... Eu não sei. Talvez. Tudo o que sei é que eu nunca lhe disse que não, mas eu certamente não lhe disse sim, de qualquer maneira."


Seu rosto todo amolecido em uma expressão inexplicável, disperso entre a confusão e desespero. "Você me disse que dormiu com ele."


"As circunstâncias não eram exatamente claras", respondi, torcendo as mãos. "Vamos para dentro, eu não quero que meus vizinhos escutem. Eles já sabem mais sobre mim do que eu gostaria que eles soubessem."


Girei e empurrei minha porta da frente, e ela seguiu em silêncio. Eu subi as escadas para o meu quarto dois degraus de cada vez, e quando eu joguei minha mochila no chão, me virei para ver Santana fechar a porta e pressionar a testa á porta.


"Eu preciso saber", disse ela. "Eu preciso que você me diga o que aconteceu. Eu preciso saber, por que só assim eu vou saber quanto tempo eu vou torturar ele antes de finalmente matar."


Não havia um toque de humor em sua voz, e isso me apavorava.


"San, por favor,", implorei. "Não é assim. Eu só... Eu não estava lá, sabe? Fomos a seu carro. Ele estava chateado porque você estava com Puck um tempo e eu não estava tão disposta a ir tão longe ainda ... apenas aconteceu. Ele estava em cima de mim e então ... "


"E então?" Ela perguntou incrédula, voltando-se para mim, os olhos cheios de lágrimas. "E então? É isso aí, B? Isso não é suposto a ser assim. Sua primeira vez não é suposto a ser com um monstro que cai em cima de você na parte de trás de uma Honda."


"Ele não foi o meu primeiro", eu a corrigi. "Você foi. E eu poderia tê-lo detido. Eu deveria ter. Mas eu estava confusa. Eu te disse, eu não estava lá."


"Você sabe o que eu quis dizer", disse ela baixinho, enxugando os olhos com as costas das mãos. "E isso não faz diferença. Ainda vou matá-lo."


"Não", eu suspirei. "Apenas fique aqui agora, ok? Eu preciso de você. Eu preciso ter certeza que você não esta mais brava comigo por ficar bêbada na festa e fazer tudo aquilo. Apenas... apenas seja minha melhor amiga por um minuto.”


Ela colocou os braços em volta de mim e não deixou eu me soltar. "Sinto muito", ela murmurou em meu ombro. "Me desculpa, eu não estava lá para você. Passei tanto tempo me preocupando sobre como manter-nos em cima e não há tempo suficiente para mantê-la seguro."


"Você nunca vai parar de tentar me proteger, não é?" Eu perguntei com um riso triste, segurando-a perto de mim e sentindo o baque reconfortante de seu coração contra o meu peito.


"Nunca", respondeu ela. "Você está presa a mim."


Beijei seu pescoço e respirei o perfume de seu corpo por um momento. Ela me beijou de volta, os dentes brincando e beliscando minha garganta, mas depois ela retraiu e imediatamente substituiu-os com os lábios.


"Você vai ficar esta noite?" Eu perguntei meus braços agarrados, esperançosos.


"Claro", ela respondeu imediatamente. Ela enfiou a mão no meu pulso, sobre a minha palma e os dedos entrelaçados com o meu. Ela me levou até a minha cama e sentou-se, puxando-me, ainda de pé, entre as pernas. Ela sorriu para mim como ela levantou minha camisa devagar, beijando meu abdômen enquanto ela empurrou o tecido sobre a minha cabeça.


"San espera..." Comecei exausta demais para completar a frase, mas ela colocou o dedo sobre meus lábios.


"Shh," ela ordenou suavemente. "Eu só quero cuidar de você, ok? Nada de mentira. Eu prometo." Eu balancei a cabeça fraca e ela chegou às minhas costas para tirar a saia Cheerio, deslizando-a sobre meus quadris. Eu estava em cima dela em apenas roupas íntimas e ela sorriu para mim.


"Você realmente é bonita, você sabe", ela sussurrou. "A garota mais bonita que eu já vi. Não deixe que ninguém te diga ao contrário." Ela beijou meu estômago novamente e ficou de pé, suas mãos na minha cintura, empurrando a nós dois e me pressionando para baixo no colchão. Ela arrastou-se na cama, ajoelhado atrás de mim e passando os dedos profundamente nos nós sobre os meus ombros. Eu gemia baixinho enquanto ela massageava-nos, seus polegares correndo em círculos lentos. Eu deixei meus olhos se fecharem e minha mente ficou em branco pela primeira vez em semanas, as mãos trabalhando a sua magia em mim, me curando. Eu comecei a me curvar ligeiramente para a direita, a minha cabeça apontando para o meu travesseiro, e ela me pegou, me puxando até que eu estava do meu lado. Ela se levantou e a luz se apagou no quarto. Eu ouvi sussurro suave atrás de mim no escuro, e depois o silêncio.


"São?"


Ela se arrastou até a cama atrás de mim, e colocou o cobertor sobre nós duas. Ela encostou o corpo nu contra o meu, o seu braço envolvendo em torno de meu abdômen e puxando minhas costas em seu peito. "Estou aqui", ela murmurou em meu ouvido. "Você pode dormir agora."


E eu fiz, pela primeira vez em meses, sem os comprimidos.