Influence
26 A Truth In Ten Lies Parte II
Quinta-feira
Eu esperei por ela na minha varanda na parte da manhã, lendo as mensagens de texto que recebi no dia anterior.
‘aonde você ta? O Sr. Schue ta perguntando por você.’
‘Britt, sério, aonde você ta?’
‘se eu faltar ao treino pra te encontrar eu não vou morrer mas vou ficar realmente chateada’
‘desculpa, eu não quis dizer isso, apenas me responda, ok?’
Depois que eu saí do banheiro, eu também fugi da escola. Poderia ter sido uma má decisão, caminhar por ai sozinha quando eu não tinha controle de minhas ações, mas com os comprimidos no meu sangue foi tranquilo. E é isso que eu queria. Apenas silêncio. Então, desliguei o telefone, joguei em minha mochila e o esqueci.
Talvez meu corpo estivesse me dizendo algo, mas na caminhada de quilômetros até a minha casa, tudo começou a cair. Uma mulher na rua me pediu uma informação, e minha boca não conseguiu formular as palavras. Tropecei em meus pés quando eu julguei mal a distância entre o meu pé e o chão. Até o sangramento em meu joelho quando cai não foi normal, ele apenas escorreu, sem nunca dar algum sinal de coagulação. A última coisa que me lembro é de ter sentado em uma calçada a alguns quarteirões da minha casa da recuperar o fôlego, antes do tempo sumir novamente. Quando acordei já estava escuro, e eu estava em minha cama. Então eu finalmente vi as mensagens.
Ela chegou à minha porta na manhã seguinte, perfeitamente penteada e fervendo de raiva.
"Você está viva", observou ela, saindo de seu carro para me encontrar na varanda. "Bom, por que isso faz com que te matar seja mais interessante."
Eu suspirei. "Desculpe", foi o máximo que eu podia dizer.
"Eu te mandei mensagem o dia inteiro, Britt. Onde diabos você foi?"
“... em casa, obviamente."
"Não da uma de espertinha, você sabe o que eu quero dizer." Ela cruzou os braços sobre o peito, como um pai irritado. "Por que você faltou? Essa semana, a semana inteira. A treinadora está uma fera. Ela nos fez dar voltas e mais voltas. O time inteiro te odeia agora."
Eu não poderia ter me importado menos com o time. Eu me importava que ela estava com raiva de mim, e que ela não entendia por que eu não tinha vontade de falar com ela sobre isso. "Não me sinto bem. Eu não queria ir, então vim embora."
"E você não poderia apenas ter me dito isso?" ela perguntou, inclinando a cabeça para o lado incrédula. "Como você veio, a pé?"
Dei de ombros, a irritação subindo minha espinha, me perguntando se eu realmente precisava dela para me acompanhar em todos os lugares, ou se foi apenas insistência dela. "Não é tão longe."
“Você ainda deveria ter me dito.”
Você é minha mãe ou minha namorada?
"Você é minha mãe ou minha namorada?"
Oh, Jesus.
Os olhos de Santana se estreitaram, e ela deu um passo cambaleante para trás como se tivesse levado um soco. "Quer saber, eu não sei se posso mais dizer isso."
Foda-se
“Foda-se.”
A voz surgiu calmamente, mas já não me dizia apenas o que fazer. Agora eles estavam apenas fazendo isso. Falando por mim. Dizer o que ela queria, através de mim.
Ela hesitou, recuando um passo. "Qual é o seu problema? Eu não vim aqui para ser atacada."
Por que, então?
“Por que, então?”
"Eu estava preocupada! Jesus, Brittany, o que diabos tem de errado com você?" Ela manteve-se firme, em seguida, inclinando-se para a frente e inspecionando-me de cima para baixo. Seus olhos penetraram os meus, indo tão longe que eu tinha quase certeza que ela podia ver de quem era a voz quando eu só podia ouvir. Mas ainda assim ela esperou em silencio por uma explicação.
Estou cansada de ser tratada como uma criança.
"Estou cansado de ser tratada como uma criança. Posso tomar uma decisão sem ter que te consultar."
Eu estava respondendo por mim mesma novamente, continuando de onde a voz parou. Eu estava com raiva, e ansiando por uma briga. Eu não sei por que, mas Santana era meu alvo.
"Você pode? Porque faltar ontem foi uma decisão muito idiota."
"Vai pra escola, Santana," Eu resmunguei, voltando para a porta da frente. Eu precisava de uma pílula. Eu precisava que a voz parasse de alfinetar, me empurrando, me fazendo brigar com a pessoa com quem eu mais me importava. Mas eu precisava que Santana fosse embora para que isso acontecesse. "Você veio e fez o seu dever, agora me deixe em paz."
"Não", ela retrucou, cuidadosamente andando até mim. "Você não pode faltar novamente, B. A treinadora vai te expulsar do time. Eu preciso de você lá comigo. Por favor, me diz o que está acontecendo."
Ela sabe.
Não, ela não sabe.
Se ela não sabia antes, ficará sabendo em breve.
Foda-se você também. Me deixe em paz.
Está sensível hoje, não está?
"Isso se chama TPM", respondi por cima do ombro, e ela riu de mim.
"Você não tem TPM. Você tem vontade de comer chocolate, fica toda fofinha e talvez chore com O Rei Leão, mas com certeza você não gritaria assim comigo, não provocaria. A menos que ..." Ela parou e seus olhos se arregalaram. "Jesus Cristo, isto é por causa do Finn."
Ding ding ding. E ela acertou.
Sério, vai à merda.
“Não é por causa do Finn.”
4.
Virei-me para ela, e a culpa em seu rosto se acalmou enquanto as vozes tentavam atravessar meus lábios. Ela estava completamente acabada, e eu retomei meu caminho para a porta da frente mancando. "Isso não é sobre nada. Sinto muito. Estou apenas tendo alguns dias ruins. Eu tenho que ter dias ruins algumas vezes."
"Claro que sim", ela assegurou, ainda de pé com firmeza, mas permitindo uma suavidade em sua voz. "Tenha todos os maus dias que precisar. Eu só quero que você seja capaz de me contar sobre eles, para que eu possa fazê-los melhor. Eu não quero brigar."
"Eu também não." Eu a puxei para um abraço, quando um coral de reclamações soou na minha cabeça.
Ah, vamos lá, logo agora que estava começando a ficar interessante?!
Você vai embora em breve, aproveite enquanto pode.
"Vá para a escola, San," eu disse a ela, mais uma vez, suave e com um sorriso falso. "Eu vou estar lá para o treino depois da escola. Eu só preciso dormir um pouco. Ok?"
Ela assentiu com a cabeça, respirando profundamente em meu pescoço. "Ok, Britt... Ele me soltou, me desculpe caso isso tenha te incomodado.”
Eu fiquei tensa, e seus braços voltaram ao meu pescoço. "Não incomodou."
Santana apertou os lábios discretamente em meu pescoço. "Bem", disse ela com um aperto rápido. "Apenas checando. Vejo você no treino depois da escola, ok?"
Com certeza.
“Com certeza.”
Sexta-feira
Ficamos dentro do carro parado no estacionamento por um tempo. Eu tentei sair do carro e entrar, mas ela manteve o aperto em minha mão firme, então eu fiquei. Ela não estava olhando para mim, e sim para a escola, observando-a, como se estivesse procurando uma forma de incendia-la.
“San?”
Estar atrasada para os treinos era uma coisa, mas eu iria perder pontos de participação por estar atrasado para o inglês também. E estes eram os únicos pontos com os quais eu podia contar. Mas ela não se moveu, e eu não podia deixá-la lá.
“Ele mudou de ideia.”
“Quem?”
Ela fechou os olhos. Eu podia vê-los rolar atrás de suas pálpebras, mas eu não disse nada até que ela suspirou. "Finn. Ele mudou de ideia. Só achei que você deveria saber."
Meu peito se apertou. Ela soltou o cinto de segurança e saiu do carro, deixando-me lá e indo em direção à escola. Eu esperei até que meus pulmões voltassem a funcionar e que eu sentisse o sangue fluir para o meu cérebro antes de sair e ir atrás dela, gritando pelo estacionamento.
“Por quê?”
Ela parou e seus ombros caíram. "Não me faça explicar novamente", disse ela sem se virar.
Eu me alcancei ela, ficando de frente, então eu estava entre ela e a escola, sua fuga. Ela olhou para o chão, uma mão enrolado em um punho enquanto a outra estava agarrada a alça da mochila. "Você nem me explicou", eu respondi, inclinando-me para tentar olhar em seus olhos, mas ela se virou.
"Sim, eu expliquei. Uma centena de vezes." Ela levantou a cabeça e olhou para mim, com uma expressão desafiadora de determinação que ela carregava cruzando seu rosto. "Finn mudou de ideia, então eu vou dormir com ele. Você me disse para fazer isso lembra?”
Ela estava tentando jogar a culpa para cima de mim. Fazia sentido, eu suponho, já que eu realmente disse para ela fazer. Mas de alguma forma ainda doía. "Eu sei, mas..."
“Mas o que, Brittany?”
Seus olhos corriam para trás e para frente, olhando profundamente em cada um dos meus olhos individualmente, com a vã esperança de que eu talvez dissesse a ela o que fazer outra vez. Ela estava dividida, isso eu podia afirmar. Ela era uma garotinha assustada em uma situação em que era muito complicada para ela resolver sem ajuda, e ela estava olhando para mim, de todas as pessoas, para dizê-la como agir. Para dar a ela uma direção. Eu não tinha nada para dar.
“Nada.”
3.
Eu disse isso fortemente, o peso de uma palavra arrastando meu corpo para baixo. "Vamos, estamos atrasadas."
Então me virei, e a deixei de pé no estacionamento, correndo pelos corredores até minha aula, enquanto uma gargalhada suave ecoava em meus ouvidos.
Cabe a ela agora, você sabe disso, né? Ela tem motivo, meios e oportunidade. Mas será que ela vai prosseguir?
Eu não me importo.
Você não pode mentir para a gente. Nós somos você.
Eu posso tentar. Vá embora.
Você sabe como nos fazer ir embora.
Não posso. Tenho que parar.
Você nunca vai parar, você não pode. Você é fraca.
Eu tenho que ser forte. Muito forte. Por Santana.
Ela é tão fraca quanto você. Pior, aliás.
Ela é a pessoa mais forte que eu já conheci.
Agora você está realmente tentando se enganar.
"Brittany, você está atrasada", o professor me repreendeu da frente da sala quando eu empurrei a porta da sala. "Sente-se, pegue seu livro."
Pegue seu livro, Brittany. Seja uma boa garota, não faça um barulho. Olha só quem está ali.
Com o canto do meu olho, eu o vi. Um gigante usando uma camisa de flanela e um colete de lenhador. Ele jogou uma bola de papel em Puck, que estava do outro lado da sala, e riu em silêncio enquanto o professor não percebeu. Ele estava despreocupado, até mesmo arrogante. Não que ele soubesse o que sua arrogância estava me causando, mas para mim era um ataque pessoal. Ele estava feliz em me irritar. Era irracional, mas me atormentava, então dei atenção ao meu caderno em cima da mesa.
A página aberta na minha frente estava coberta de rabiscos. Marcas escuras por toda a folha, formando sempre a mesma palavra.
“Para.”
“Você disse alguma coisa, Brittany?”
Eu disse isso em voz alta sem querer. Fechei o caderno rapidamente, não querendo que o resto da turma visse o que estava rabiscado por toda folha. "Não, desculpe."
2.
Finn se virou em sua cadeira, sorrindo para mim. Ele apontou para o professor, revirando os olhos, tentando estabelecer algum tipo de laço de amizade entre nós. Mas a única coisa que eu podia ver era Santana, e eu fiz uma careta. Ele franziu a testa e se endireitou lentamente, olhando para frente mais uma vez.
Vai ser um longo dia.
Eu sei.
Eu sei de uma maneira de passar mais rápido.
Não.
Você vai fazer, depois da escola, quando ela sair com ele e te deixar para trás, você vi fazer.
Isso não importa. Sexo não é namoro. Namoro é namoro. Estamos juntas. Eu prometi a ela que estaria tudo bem.
Continue dizendo isso a si mesma. Você fez muitas promessas que não pode cumprir.
O sinal tocou e eu pulei em minha cadeira. As pessoas estavam se levantando e saindo, eu fechei os olhos e segurei a respiração até que eles se foram.
Quando eu levantei minhas pálpebras, eu estava na aula de matemática. Parábolas estavam riscadas, juntamente com palavras rabiscadas, o recado era meu e não para o resto da sala. "Pare" foi repetida uma e outra vez nas margens da página.
Eu pisquei e eu estava no meu armário, um livro de história em uma mão e meu dever de casa inacabada na outra.
Mais uma vez, e eu despertei no vestiário, um coro de gritos agudos de minhas colegas atingiram meus ouvidos.
"B, vamos lá," a voz de Santana flutuava ecoando nas paredes. "Você não pode se atrasar hoje. Vamos."
Meus pés se moveram, mas minha mente estava três passos atrás. Eu me vi me posicionar, e fazer todos os movimentos. Os garotos me jogaram para cima, e eu ainda estava voando muito tempo depois de ter voltado ao chão. Eu observei Santana, sua face profunda em concentração, ela se lembrava dos passos e os executava de forma perfeita, um de cada vez. Essas coisas que eram tão fácil para mim era o ensaio para ela. Mesmo estando distante e desligada eu podia fazer e repetir todos esses movimentos, por que era a única coisa que eu sabia fazer. Dança era tão natural quanto respirar. Então enquanto eu respirasse, eu continuaria a me mover.
Para Santana, que se esforçava tanto, acho que a respiração deve ser a maior dificuldade.
Pisque outra vez, e eu estava no chuveiro, água quente escorrendo por meu corpo enquanto as meninas riam e se divertiam ao meu redor. Santana estava na cabine ao lado, me olhando através do divisor.
"Onde você está?" ela perguntou em voz baixa, enxaguando o xampu de seu cabelo.
"Eu estou bem aqui." Eu a observei, a água caindo sobre seus seios perfeitos e eu imaginei Finn vendo-os, tocando-os então desviei o olhar, enjoada. Talvez fosse a sobriedade. Mas o pensamento de uma mão sobre os meus tendo livre acesso me enviou um choque.
Acorde, ela está saindo.
"Santana", eu chamei por instinto, sem sequer olhar para cima para ver se a voz havia saído. Eu sabia que sim. Parecia que eu percebi antes de mim mesma. Era a parte do meu cérebro que ainda estava consciente. Era eu, depois de tudo. A parte de mim que estava abatida por tantos e tantos anos de modificações e remédios.
A voz não era a do monstro que eu temia tanto. O que eu havia me tornado, isso era o monstro. A menina descontrolada. A viciada.
Está aprendendo. Estamos orgulhosos de você.
Ela estava saindo do vestiário. Eu estava de pé, ainda molhada e enrolada em uma toalha que havia aparecido em volta do meu tronco. Ela, porém, estava vestida com roupas normais e com a mochila nas costas. Ela não ia se despedir.
“San, espera.”
Ela parou e olhou em volta. Não havia ninguém no vestiário. Virando-se, ela correu de volta para mim e segurou meu rosto em suas mãos antes de me beijar. Ela me beijou furiosamente, sem soltar meu rosto, como se ela nunca fosse me ver outra vez. Ela interrompeu o beijo, respirou fundo, e pousou sua testa contra a minha.
"Eu tenho que ir", ela sussurrou, mas o tom disse algo totalmente diferente.
Não me deixe ir.
"Eu te amo", eu disse ao invés, e seus ombros caíram violentamente.
"Eu tenho que ir", repetiu ela mais suave e para si mesma, em vez de para mim. "Eu vou embora rápido. Te vejo ... mais tarde."
Depois. Ela diria depois.
“Eu te amo.”
E então ela se foi. Vi quando ela desapareceu ao virar da esquina. Eu não poderia persegui-la. Eu não podia impedi-la de ir, mesmo que ambas soubéssemos que ela não queria. O senso de obrigação era mais forte. Ela tinha que ir. Eu tive que deixá-la ir. Nós duas estávamos sendo testadas. Se alguma de nós seria aprovada isso ainda não era claro. Não havia respostas certas. Houve apenas resultado. Reação. Resposta.
E agora?
Esperar. Apenas esperar.
Estava escuro quando saí do ginásio. Escuro e muito frio; a ultima tentativa de março de se apegar ao inverno. O pouco vento soprava em meus ouvidos enquanto eu caminhava de volta para casa. Eu não parei, mantive minha cabeça para baixo com os braços envoltos como uma camisa de força em volta do meu peito. Segurando-me, me impedindo de cair em minha própria histeria.
Eu não me incomodei com as luzes, a casa estava vazia. Minha mãe estava na lanchonete, então eu estava sozinha. Subi a escada para o meu quarto para o meu quarto como se fosse o ultimo degrau que eu subiria. Saboreando cada músculo usado, sentindo tudo. Eu estava fraca, e quando cheguei ao segundo andar eu estava sem fôlego. Entrei no meu quarto, deixando cair minha mochila no canto e sentado na beira de minha cama. As brilhantes luzes de LED azul dentro do relógio de cabeceira enumeravam a hora.
6:37 PM
6:38 PM
Eu observei os números mudarem, contando os segundos como a forma mais simples de distração. Não que funcionasse. Cada segundo que se passava ela estava com Finn. Ela não me disse aonde eles iam, só que ela foi encontrá-lo, e que ela não demoraria muito. Eu, entretanto, não tinha nada para fazer, além de ver os números no relógio e ouvir as vozes.
Estamos agoniados
Obrigada por descobrir isso.
Nós não temos que ficar agoniados.
Sim, nós temos.
Por quê? Pra que sofrer tanto? Não sentir nada é bem melhor.
Não sentir nada foi o que nos colocou nessa bagunça toda. Não podemos mais fazer isso. Agora é tudo ou nada.
Nada, nós escolhemos nada.
‘Nada’ não é o que acha que é.
E se ‘nada’ fizer a dor parar então ‘nada’ pode ser qualquer coisa que quisermos.
Não. Para.
Nós já pensamos sobre isso antes, temos tudo o que precisamos.
Para.
Ninguém vai sentir a nossa falta.
Santana sentiria. Santana ficaria acabada.
Ela vai ter o ombro do desajeitado Finn para chorar.
“Para! Para com isso!”
Eu me joguei na cama e coloquei as palmas das mãos nos olhos, como se adiantasse de algo. Eu procurava por travesseiros na cabeceira da cama, puxando o primeiro que eu peguei e o abracei. Tudo parecia apertado, como um elástico puxado em seu comprimento máximo, oscilando precariamente por que o lado que puxar mais se romperá. A dor corria através de mim como fogo em minhas veias, a cada parte do meu corpo, me queimando de dentro para fora. Por mais que eu não quisesse ouvir, a voz tinha um ponto. Nós tínhamos pensado nisso antes. Nós — eu — tínhamos considerado cuidadosamente, na verdade. Formamos um plano que seria rápido.
Mas tanto quanto eu pensei sobre isso, eu não sabia com convicção suficiente se eu poderia sobreviver a essa noite. Doía. Tudo doía. Mas eu poderia chorar e me lamentar sobre a dor, a agonia de ser deixada aqui sozinha, e eu poderia tomar uma pílula. Um ou dois para a dor, e eu estaria bem. Eu poderia controlar.
A pergunta mais frequente era: Eu posso me controlar amanhã sem Santana?
Eu queria me mover, para colocar minha mente em algo produtivo. Mas meus tendões rígidos me seguraram com firmeza na onde eu estava, contando a costura em cada quadrado. Meus olhos se moviam para o relógio quando tinha certeza que havia se passado um minuto.
9:13 PM
9:14 PM
Ao lado do relógio, meu celular vibrou. A agonia rasgou através de meus membros enquanto tentava alcança-lo, o desespero por notícias de Santana quebrou qualquer sensação de calma que eu tinha encontrado e eu gemi. O telefone era pesado na minha mão, como um tijolo. O abri, e a tela iluminou o quarto, cegando-me por um momento. Recuperando a visão com algumas piscadas rápidas, eu li a mensagem. Era uma mensagem de texto, mas não de quem eu esperava.
Santana acabou de sair com um jogador de futebol. Parecia chateada. Onde você esta? Te amo –mamãe
Meu estômago se agitava em si mesmo, então vomitei, minha cabeça caiu para o lado da cama para que o vomito atingisse o chão . Ela não só transou com ele como saiu para jantar depois. Um encontro adequado para uma líder de torcida adequada.
É hora de rever nossa conversa anterior?
"Não", eu ofeguei por minha garganta em chamas. "Deus... não..."
Sai da cama e me arrastei para o banheiro do outro lado do quarto. Eu não podia suportar. Minhas mãos bateram no azulejo frio e eu lutava para ficar de pé, precisava de algo para me apoiar. Eu escorreguei na superfície lisa e bati a cabeça com força no chão. Eu vi estrelas, pontinhos de luz que passaram pela minha visão quando eu rolei de costas e tentou me apoiar na pia. Minhas pernas se arrastando inutilmente atrás de mim enquanto eu lutava para chegar ao vaso sanitário antes de vomitar oura vez, o meu estômago vazio queimava. O ar tinha sido roubada de meus pulmões. Meus olhos entravam e saiam de foco.
Eu ouvi um barulho lá embaixo e eu congelei. Santana abriu e fechou a porta com a chave reserva, e ouvi ela chamar por mim desde o começo das escadas. Seu peso fazia o degrau atual ranger, aproximando. Entrei em pânico. Eu não podia vê-la, não assim, não depois...
"Brittany?" sua voz corria através do corredor. A porta do banheiro estava aberta. Meu quarto fedia a vômito e eu estava deitada em uma pilha flácida de membros no chão. Eu era impotente. Não havia como escapar, não havia como fugir dela.
Limpei a boca com as costas da minha mão e fiz toda a força que podia para ficar de pé com a ajuda da pia, oscilando precariamente sobre os galhos secos que eu chamava de pernas. Limpei o suor da testa com uma toalha e sai para o corredor, na corda bamba temida que me mantinha de pé.
Ela parou assim que ela me viu, e eu sabia que não havia como esconder o quão terrível eu estava. Ela, por sua vez, não parecia melhor que eu. Ela apareceu encolhida, um esqueleto, quando apenas algumas horas antes, ela havia sido vibrante. Estendi a mão para ela, precisando de alguma coisa — qualquer coisa — para segurar a fim manter o equilíbrio. Ela se encolheu, e eu cambaleei, inclinando-me contra a parede.
"Preciso de um banho", ela falou, com a mão abrindo e fechando a seu lado enquanto ela lutava contra a vontade de me segurar. "Não me toque".
Ela se sente suja.
Ela deveria se sentir.
Por que ela nos traiu.
E eu a disse para fazer.
Ela deveria ter dito não.
Sue a obrigou.
Santana fodeu com outra pessoa além de nós esta noite, você não está chateada com isso?
“Claro que sim, eu estou com muita raiva.”
“Com quem você está falando?”
Ela estava atrás de mim, indo em direção ao banheiro. Me virei, balançando a cabeça na súbita esperança de despertar. "Ninguém. Esquece."
1.
Santana chamou a amargura e ela se levantou, olhando. Ela me observou cuidadosamente e balançou a cabeça. "Não. Não desta vez. Você vai me dizer o que está acontecendo. Você está em todos os lugares menos aqui. Você está doente. Você já está doente há semanas. Brittany, tem alguma coisa errada. Eu sei que você não está me contando por que acha que tem que ser forte e enfrentar tudo sozinha, você continua tentando esconder isso mas simplesmente não consegue mais.Eu não vou esquecer, e eu não vou deixar de lado."
Eu zombei.
Ela acha que temos câncer ou algo do tipo.
“Eu sei.”
"Então você sabe que você pode falar para mim", disse ela, pensando que minha resposta tinha sido para ela. "B, por favor. Para de mentir para mim. Eu sei que algo está errado."
Funguei e pisquei os olhos turvos. "Eu não estou mentindo."
0.
“Vai tomar seu banho. Fique limpa e bem.”
Ela cruzou os braços sobre o peito e estreitou os olhos. "É disso que se trata? Nós conversamos sobre isso. Nós concordamos. Sem culpa, lembra?"
A faixa de borracha em meus membros estalou. Eu me atirei para frente e a atingi com força nos ombros. Ela cambaleou para trás, com os olhos arregalados, se apoiando contra a parede.
"Será que você gemeu o nome dele enquanto ele te fodia, San?" Eu gritei, girando a cabeça. Eu caí em seu peito, batendo os punhos em seus ombros sem forças. Ela agarrou meus braços e me segurou longe dela, os olhos arregalados cheios de lágrimas.
"Não faz isso", ela implorou. "Por favor, Brittany, eu não queria."
"Não, você queria ser a líder da torcida", eu sibilei, lutando em vão para me soltar. "Você disse que precisava de mim. Mas não precisava. Você precisava de Finn. Para conseguir o que quer, agora você tem o que precisava. Agora finalmente você pode ter tudo o que quer, Santana."
Isso dói muito.
“Eu sei, para de dizer isso.”
"Dizer o quê?" ela exigiu, me colocando contra a parede e prendendo-me lá. "Brittany, o que você tá falando? Eu te amo, por favor, pare de lutar contra mim. Eu não preciso do Finn, eu nunca precisei do Finn. Eu preciso de você, só você. Deixe-me ajudar, me desculpe, por favor.”
Ela não pode te ajudar. Só uma coisa pode te ajudar.
"Onde eles estão?" Eu perguntei precisando lembrar. A voz sabia. A voz sempre sabia.
No armário.
"Onde estão os que, Brittany?" Santana soltou um dos meus braços para puxar o meu queixo em direção a ela, mas meus olhos ficaram presos a porta do banheiro. Se eu pudesse me soltar... "Olhe para mim. Quem, Brittany? Onde quem está?"
No armário de remédios. Esvazie a garrafa e não doerá mais.
"Não doerá mais", repeti, eu consegui me soltar, a última gota de força que eu tinha para a liberdade, para a minha fuga. Ela foi imediatamente atrás de mim e finalmente viu a bagunça que eu havia feito.
"Oh, Deus", ela cobriu a boca com a mão, esquecendo por um momento que eu tinha corrido para longe dela por uma razão. "Brittany que diabos vo-"
Ela se virou para mim, assim que minha mão encontrou o frasco. Estava marcado, assim como todos os outros, eu me atrapalhei com a tampa, o que deu a ela tempo o suficiente para me alcançar e tirar o frasco da minha mão. Eu avancei nela, agarrando a mão que segurava o frasco. Ela me empurrou contra a pia e me segurou lá, prendendo-me com as costas e os quadris para que ela pudesse ver do que se tratava e ainda assim manter longe das minhas mãos ávidas. Ela abriu o frasco com facilidade, e várias pululas caíram em sua mão. Não eram todos iguais. Não tinha importância, eu só queria que eles me ajudassem a adormecer. O que eu mais queria naquele momento. Vendo o olhar de horror no rosto de Santana quando ela juntou as peças, eu percebi que o meu segredo fora revelado.
Ela sabia. Santana sabia que eu me afogava em pílulas. Não havia mais volta.
Seu corpo soltou o meu e ela foi em direção ao vazo sanitário sem nem olhar para mim. Eu entendi de imediato o que ela estava fazendo.
"Não, não!" Eu choraminguei, mancando para frente com um braço estendido, implorando-lhe para que não os jogasse fora. "Eu preciso deles, por favor."
"Você precisa, B?" ela perguntou, e eu olhei para seu rosto quando as palavras saíram abafadas. Percebi então que ela estava chorando. "Você precisa deles mais do que você precisa de mim? Você tem que escolher. Eu não vou deixar você morrer assim. Vou morrer junto com você. Então escolhe. Eu ou as pílulas."
Escolha as pílulas.
"Não." Falei em voz alta, falando com a voz enquanto Santana assistia com horror.
Escolha logo as pílulas e acabe com a dor.
“Eu preciso dela.”
Escolha as pílulas.
“Eu não posso, eu não quero.”
Você pode e você vai, precisamos delas.
Sua mão encontrou a curva de meu queixo, e eu desmoronei, caindo quando ela me abraçou e me puxou para seu colo, chorando. A garrafa caiu esquecida a seu lado e eu olhava para ela ansiosamente. Mas a mão no meu rosto parecia uma compressa fria, me acalmando e me convencendo de que as pílulas não eram tudo o que eu precisava para viver.
"Volta pra mim, amor", ela sussurrou, inclinando a cabeça para pressionar os lábios á minha testa. "Por favor, eu te amo. Volta para mim."
Escolhe.
“Não posso.”
Um soluço rompeu de sua garganta. "Eu não posso fazer isso sem você, B. Não me deixe."
Escolhe.
Eu olhei para ela, suas mãos trêmulas segurando meu rosto e desesperadamente me puxando para perto dela, como se ela pudesse me trazer para dentro de si e dar-me a força que eu não tinha. Eu vi seus olhos, escuros, nublados e muito tristes. Ela estava quebrada. Assim como eu. Eu não podia deixá-la assim. Eu não podia. E eu revivi um de meus pensamentos anteriores sobre isso. Se eu tivesse que escolher, eu sabia o tempo todo qual seria a resposta.
Escolhe.
“Ela. Sempre ela.”
Eu subi uma mão fraca em sua bochecha e ela me segurou mais forte contra seu estômago, balançando a nós duas para frente e para trás enquanto chorava em meu cabelo. Eu mal escutava, mas a única coisa que eu podia ouvir era a respiração áspera e as batidos irregulares do meu próprio coração. A voz, foi embora.
"Eu sinto muito", murmurei, fechando meus olhos quando eu percebi o quanto eu estava cansada.
"Não", ela respondeu debilmente me repreendendo quando seus lábios encontraram os meus. "Eu sou a única culpada... eu fiz isso. Eu fiz isso com você. A culpa é minha, eu deveria ter visto. Mas eu não vi."
Santana passou os braços sob as minhas pernas e, com mais força do que eu pensei que ela possuía, me levantou. Ela me tirou do banheiro, desceu as escadas e entrou no quarto da minha mãe. Lá, ela me deitou na cama e, lentamente, tirou as roupas sujas do meu corpo enquanto ela chorava em silêncio ao meu lado.
Eu senti minha respiração descompassada quando ela pressionou um pano molhado em minha boca e pescoço, limpando minha pele. Inclinei-me em sua mão, meus olhos ainda fechados, apenas sentindo-a e sabendo que a dor também iria embora se ela continuasse mantendo contato.
Então, quando ela se afastou, eu gemi e procurei por ela através da escuridão.
"Shh", ela sussurrou. "Eu já volto. Eu não vou a lugar algum."
Ouvi seus passos desaparecer pelo corredor, e eu prendi a respiração. Eu não queria respirar se ela não estivesse lá para respirar comigo. Do lado de fora da porta, escutei quando ela pressionou os dedos cuidadosos no teclado numérico em seu celular. No silêncio, eu o ouvi chamar, e uma voz familiar do outro lado atendeu.
"Por favor, não desligue...", ela implorou para a pessoa do outro lado da linha. "Nós precisamos de você."
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