Bucky: Eu não quis te assustar.

Natasha não estava totalmente confiante de que Bucky realmente tinha voltado ao seu estado normal. Ela ainda estava pensando na arma que carregava e qualquer tentativa de Bucky, ela o mataria.

N: Você me reconhece?

B: Sim, Natalia.

N: Eu não acredito em você.

B: Você tinha 16 anos quando eu te conheci pela primeira vez. Você já era uma mulher mesmo naquela idade, eu me senti atraído, mas você ainda era nova. Eu te treinei por um tempo, depois me afastaram e quando retornei você já estava com 18 anos. Eu me apaixonei por você, e você por mim... Por dois anos, nós mantemos nosso relacionamento em segredo, até sermos descobertos e eles fizeram de tudo para nos separar, você tentou me matar. Eu tentei te matar.

N: Mais de uma vez.

B: Sim, eu estava sendo controlado, mas você não.

N: Eu também sofri lavagem cerebral.

B: Eu sei, mas eu sei que eram através de palavras de comando, só que depois de um tempo, ninguém precisava recitar pra você, você estava fazendo por prazer, isso é o motivo por todos acharem você perigosa demais, você amava a violência.

N: Eu não sou mais assim.

B: Não?

N: Eu não tenho que tentar te convencer, você não é nada pra mim.

Natasha tentou caminhar para ir embora.

B: Eles ainda estão atrás de você.

Natasha parou e olhou para Bucky.

N: O Tratado já era.

B: Não estou falando sobre o governo americano.

N: Ivan?

B: Eu quero te ajudar a se livrar dele.

N: Por que?

B: Você me ajudou a escapar dos americanos.

N: Eu não ajudei você, ajudei Steve.

B: Sim. E eu tenho uma dívida com ele.

N: Então por que está aqui?

B: É dele?

Bucky olhou para a barriga de Natasha. Natasha não confirmou e nem negou.

B: Quando T’Challa soube da sua presença aqui na África, ele me tirou da hibernação.

N: Eu traí ele, se ele mandou você atrás de mim foi para me matar ou capturar.

B: Não é verdade. Ele disse que os anciãos da tribo dele viram o fim do mundo. Ele acha que você pode ajudar.

Natasha riu debochando.

N: Mesmo, James? Você acreditou em superstições?

B: Nos anciãos não, mas nas provas que T’Challa conseguiu reunir sim. Eu gostaria de lhe mostrar.

Bucky conduziu Natasha até um carro, no caminho ele foi explicando o que os cientistas de Wakanda estavam pesquisando sobre as joias do infinito.

No meio do caminho, Natasha se sentiu tonta e começou a suar muito, ela colocou a mão na barriga e Bucky a olhou.

B: Você está bem?

Natasha não conseguiu responder, ela suspirou e tentou manter a calma.

B: Quer que eu encoste o carro?

Natasha não respondeu, mas Bucky parou mesmo assim. Natasha abriu a porta e só deu tempo de inclinar a cabeça pra fora do carro e vomitar.

Quando Natasha voltou a sentar corretamente no banco, Bucky entregou um pano para ela se limpar e voltou a dirigir.

B: Você precisa de um médico. T’Challa pode ajudar.

N: Precisamos alertar aos governos.

B: Ele já alertou.

N: E?

B: A comunidade científica está dividida. Não acreditam que tais joias existam, acham que as energias registradas podem ser de algum tipo meteorismo.

N: Existe uma instituição denominada M.O.O.N, eles saberão se é ameaça ou não.

B: Eles já foram notificados e não estavam surpresos, disseram que esses registros aconteceram muito distante daqui e levaria mais de um século para que tal evento se aproximasse da Terra, se é que se aproximará.

N: Você acredita neles?

B: Eu acredito na preocupação de T’Challa.

N: Os Vingadores?

B: Eles foram avisados. Mas você sabe que eles não existem mais com esse nome.

N: Eu imaginei. Olha... Eu não posso me envolver.

B: Nós já estamos, mas a primeira coisa que eu quero fazer é manter vocês a salvo. Eu também não acredito que essa ameaça vá acontece amanhã ou daqui um mês, então eu me preocupo com o presente. Eu vou para a Rússia, eu vou achar Ivan.

N: Isso é estúpido, você pode cair nas mãos deles de novo. Vai colocar tudo que Steve fez por você, a perder.

B: Eu tenho que tentar, você sabe que somos os únicos que podem realmente desmantelar a rede de Ivan.

N: Derrubar a KGB?

B: Ele não é a KGB.

Natasha fez negativo com a cabeça.

B: Ele é o único dentro da organização que ainda quer você de volta no projeto.

N: Andou pesquisando bastante sobre mim.

B: Sim, fui contratado para te matar por pelo menos umas três vezes. Eu garanto que seria até um favor para KGB eliminar Ivan, ele prejudicou muito a KGB com toda essa obsessão em capturar você de volta.

N: Então você veio me pedir para ir de volta pra Rússia?

B: Não, eu vim colocar você em segurança.

N: O que?

B: Você precisa ir para Wakanda, eles tem médicos, vão cuidar de você do seu parto, vão te ajudar com a criança.

Natasha fez negativo com a cabeça.

N: Eu os colocaria em risco, eu não posso.

B: Você precisa, T’Challa está ciente e disposto a te abrigar.

Natasha bocejou e olhou pra fora do carro.

B: Durma. Eu não vou te machucar, ainda temos mais 12 horas de estrada até Wakanda.

Natasha olhou para Bucky e ela só confiou na palavra dele porque ela está carregando o filho de Steve na barriga dela e sabe que ele não machucaria Steve ou uma parte dele.

...

Natasha acordou quando o carro parou para abastecer, ela aproveitou para ir ao banheiro e quando ela retornou ao carro, Bucky entregou uma sacola de papel pra ela.

B: Você precisa comer.

Natasha pegou a sacola e olhou para Bucky.

B: Não está envenenado.

Natasha tirou o lanche de dentro e comeu no caminho. Ela adormeceu de novo e só acordou ao chegar em Wakanda. T’Challa a recebeu e a acomodou em um dos quartos. Bucky não descansou, só deixou Natasha e foi embora, direto para o aeroporto.

No dia seguinte, T’Challa continuou a conversa de Bucky sobre o fim do mundo e disse que ele e Tony estão tomando medidas de prevenção, estocando alimentos não perecíveis e construindo bases subterrâneas para abrigar o maio número de pessoas possível.

N: Não acham que é um pouco exagerado?

T: Srta. Romanoff, se for, ficaremos com uma base desativada, que ainda servirá como depósito, não há mal nenhum em construir essas bases, não é?

N: Eu só estou dizendo que já enfrentamos muita coisa nesse mundo. Fim dele parece meio absurdo.

T: Garanto que não enfrentaram nada como o que está por vir.

N: James já foi?

T: James?

N: Bucky...

T: Sim. Há algumas horas.

N: Eu agradeço o que está fazendo por mim, mas eu não posso ficar. Posso atrair pessoas indesejáveis pra cá.

T: Não se preocupe com isso, garanto que nada entra em Wakanda sem que eu queira. Mas você sabe disso, então por que você está querendo partir?

N: O James... Eu quero dizer, Bucky, ele está indo para o meu país. Meu país fez dele um homem mau. Ele acha que está sob controle, mas ele não está, vão prendê-lo, puni-lo e depois vão usá-lo de novo. Eu não posso deixar isso acontecer.

T: Você está grávida.

N: Eu estou, mas ainda consigo lutar. Eu pretendo tirá-lo de lá, antes que seja tarde, e eu pretendo sair de lá, antes que seja tarde.

E Natasha foi para Rússia, e durante quatro dias ela permaneceu escondida em um bairro de classe baixa. O aparelho celular dela não funciona na Rússia, então ela começou a acessar computadores de lan house para tentar achar Ivan. Achando Ivan, ela acharia Bucky.

As buscas não deram em nada, pois ela precisava de computadores com mais estruturas que aqueles para hackear os sistemas do governo. Natasha decidiu então ir para uma lan house de um bairro mais elegante em Moscou.

Na lan house com computadores mais modernos e internet mais rápida, Natasha finalmente conseguiu hackear o sistema do governo, ela entrou no sistema de reconhecimento facial para tentar localizar Bucky e Ivan. Enquanto o computador fazia a busca, Natasha rapidamente desviou o olhar para o balcão de atendimento e notou que o atendente estava olhando pra ela com certa curiosidade e nervosismo. Natasha suspirou e olhou para o canto da lan house e notou um homem grande entrando e ele olhou diretamente pra ela, mas logo desviou o olhar para o balcão de atendimento.

N: Droga.

Natasha sussurrou para si mesma e olhou para o computador e mentalmente implorou para o computador acelerar as buscas.

Não daria tempo, aquele homem obviamente não entrou ali para usar a internet. Natasha resolveu então baixar arquivos no pen drive sobre a KGB, enquanto isso ela notou mais um homem entrando na lan house e olhando pra ela. Natasha abaixou a cabeça e retirou o pen drive do computador.

Natasha aguardou três adolescentes que estavam na porta da lan house finalmente entrar, para se levantar às pressas e passar por eles.

Assim que ela passou, os homens correram atrás dela, mas como tinha esse grupo de adolescentes na porta, isso acabou atrasando eles, quando eles saíram da loja e olharam no corredor, Natasha já tinha se misturado no meio da multidão. Eles resolveram se separar.

Natasha desceu as escadas rolantes e caminhou lentamente, como se realmente estivesse apenas fazendo compras. Ela foi abordada por uma vendedora de uma loja de artigos infantis.

— Quantos meses?

N: Seis.

— Você já comprou a saída de maternidade?

N: O que?

Natasha olhou pra trás e observou dois homens que pareciam estar procurando por alguém vindo na direção de onde ela estava.

N: Você pode me mostrar?

Natasha olhou para a mulher que concordou com a cabeça e levou Natasha para dentro da loja.

— É menino ou menina?

N: Eu ainda não sei.

— Vai ser surpresa, então? Eu morreria de curiosidade. Olha você pode ficar com esse conjuntinho branco, ou amarelo, pois é unissex, tem saído bastante dessas peças.

Natasha sentiu que tinha mais pessoas entrando na loja, ela olhou para ver e ficou aliviada de ser apenas uma mulher empurrando o carrinho do filho.

N: Eu ficarei com esse.

— Boa escolha. Cartão?

N: Dinheiro.

Natasha acompanhou a vendedora até o caixa e enquanto ela registrava a venda, a cliente se aproximou com o carrinho, e perguntou o preço do mordedor na prateleira atrás do caixa.

A moça olhou para Natasha e sorriu. Natasha a olhou mas não sorriu de volta.

— É o seu primeiro?

Natasha fez positivo com a cabeça.

— Dá pra notar, você está nervosa. Dá um pouco de trabalho, mas... Depois você vê que compensa.

Natasha ainda assim não soltou uma palavra. Ela entregou o dinheiro para a vendedora e esticou o braço para pegar a sacola com a compra. Assim que Natasha se virou para ir em direção a entrada da loja, sentiu uma fina dor no pescoço. A visão de Natasha embaçou, seu corpo parou de reagir e ela caiu desmaiada no chão.

...

Natasha acordou somente no dia seguinte, ela estava presa, com os braços e as pernas amarrados. Ela abriu os olhos e tentou reconhecer aonde estava... Era uma sala toda escura, com somente uma lâmpada de luz bem fraca, exatamente em cima dela.

Natasha também notou que estava numa espécie de maca, mas de ferro, pois a superfície era gelada e muito dura. As costas dela doíam por ter ficado horas nessa posição. Natasha olhou para a barriga dela e estava com medo.

Se mexa, por favor. Me dê um sinal. Por favor. Natasha pensava ao olhar para a barriga, mas ela não estava sentindo nada, nem os enjoos e as tonturas. Por favor.

Natasha tentou se levantar e debateu as pernas e os braços, tentando se soltar, mas nesse instante abriram a porta da sala. Natasha reconheceu o homem que estava entrando, acompanhado da mulher que aplicou a injeção que a dopou dentro do shopping.

Natasha ficou furiosa e se debateu ainda mais, tentando se soltar.

— Shh... Fique calma, Natalia.

Ivan se aproximou e esticou a mão para tocar o rosto de Natasha, mas ela virou o rosto bruscamente e ameaçou morder a mão dele.

Ivan: Você continua uma selvagem... Bom saber. Nunca perdi a fé em você.

Natasha finalmente sentiu o bebê chutar a barriga dela, ela imediatamente parou de lutar e olhou para a barriga, ela deitou a cabeça de volta na maca, se sentindo aliviada.

Ivan: O que? Achou que eu tirar a vida dele?

N: Fique longe, não se atreva!

Ivan: Acredito que você não está em posição de fazer exigências. É um menino, você sabia?

N: Cala a boca!

Ivan: Natalia, seja boazinha e eu vou deixar você ver ele quando ele nascer.

N: Não vai encostar no meu filho!

Ivan: Tá vendo? Esse seu gênio é muito difícil. Então você não o verá, assim que ele estiver pronto, não precisaremos mais de você.

Natasha olhou para a mulher se aproximando com uma seringa.

N: O que é isso?

Ivan: Durma bem.

N: IVAN!

Natasha tentou se debater novamente, mas não pôde evitar a injeção que a apagou novamente.

No dia seguinte, quando Natasha acordou, ela já não estava mais naquela sala escura e imunda. Ela estava num quarto, bem decorado, numa cama de casal. Natasha olhou para a barriga e para os braços e pernas dela. Ela não estava mais amarrada e tentou se levantar, mas em vão, o corpo dela não respondia mais.

Natasha olhou o quarto em volta e notou câmeras espalhadas pelo cômodo.

N: Seu doente! Você vai pagar por isso!

Durante dias, Natasha ficou confinada no quarto, sem conseguir se mover.

A mulher entrava e saía do quarto, checava a pulsação dela e ouvia o coração do bebê, a alimentava e dopava ela, todos os dias.

Na terceira semana, Natasha resolveu tentar uma abordagem psicológica. Se Clint conseguiu alcançar ela para que ela conseguisse ter empatia pelos outros, talvez essa mulher ainda consiga ter algum sentimento.

Assim que a enfermeira entrou, trazendo uma bandeja com uma espécie de vitamina horrorosa, Natasha a olhou. A mulher não olhava Natasha nos olhos nunca, ela colocou um canudo no copo e colocou na boca de Natasha.

N: Isso me faz me sentir enjoada. Posso ter outra coisa para comer?

A mulher não respondeu, continuou colocando o canudo na boca de Natasha. Natasha tomou para não morrer de fome. Ao terminar a refeição, a mulher colocou a badeja na mesa e pegou uma seringa. O coração de Natasha acelerou, ela sabe que essas injeções são o que estão paralisando ela.

N: Como é seu nome? Eu me chamo Natasha Romanoff. Eu sou russa, mas eu moro na América. Eu era como você. Você começou cedo como eu também?

A mulher dava batidinhas no vidro da seringa e se aproximou de Natasha, sem responder.

N: Eu comecei com seis anos... E você?

A mulher procurou a veia de Natasha, tateando a dobra do braço dela. Natasha mordeu o lábio e franziu a testa.

N: Por favor, me ajude. Meu filho não tem culpa. Salve ele.

A mulher aplicou a injeção e Natasha apagou.

Natasha achou que não tinha dado em nada sua tentativa de se aproximar da mulher, mas no dia seguinte, quando ela acordou, a mulher trouxe uma vitamina diferente. Não era gostoso, mas era menos pior que as outras. Ao terminar de tomar, Natasha olhou para a mulher.

N: Obrigada.

A mulher se levantou e pegou a seringa.

N: Me deixe acordada, eu não fugirei, por favor.

A mulher injetou ela de novo.

No dia seguinte, durante a refeição, Natasha não desistiu.

N: Como você se chama?

— Katrina.

N: Katrina? É seu nome verdadeiro?

— Olga.

N: Olga... É um belo nome. Quantos meses eu estou?

O: Sete.

Olga se levantou para pegar a seringa.

N: Olga? Eu preciso sair daqui. Se você me ajudar, eu ajudo você.

O: Eu não posso.

Olga procurou a veia de Natasha. Ela injetou a medicação e se levantou.

Natasha olhou para Olga e estranhou que não apagou de imediato. Olga foi para a porta e antes de sair, ela sussurrou.

O: Feche os olhos ou ele vai perceber. É o máximo que posso fazer.

Olga não olhou Natasha, saiu do quarto e Natasha fechou os olhos, fingindo estar dopada. Ela nem sabe o que Olga injetou nela, mas ela permaneceu acordada.

Olga vinha todos os dias e fingia estar aplicando a medicação em Natasha, e Natasha demorou mais uma semana para sentir de novo os dedos, mas ela fez de tudo para não se mexer.

O: Ele assiste você todas as manhãs, para ver se está comendo e ter certeza que está dopada. Se ele descobrir...

N: Eu sei. Sei do que ele é capaz, eu não vou te prejudicar. Eu prometo.

Mais uma semana e Natasha pôde recuperar seus movimentos. Olga passou para Natasha quais seriam os melhores horários para tentar escapar e falou a respeito da quantidade de guardas que ela iria encontrar, mas ela passaria por eles sozinha. Nisso Olga não poderia ajudar ela.

O: Você está quase no oitavo mês, sua barriga está grande para lutar, você devia esperar.

N: Ele vai me matar.

O: Ele não matará seu filho, ele o quer. Pense nisso, você quer que ele viva, não é?

N: Eu prefiro que ele morra comigo, do que seja torturado por Ivan. Olga... Muito obrigada.

Natasha seguiu as orientações de Olga e a única arma que Natasha possuía era uma pequena faca que Olga conseguiu trazer pra ela.

Natasha manejou para sair do quarto e derrubou facilmente os guardas que ficavam na porta do quarto. Natasha memorizou o caminho que Olga orientou ela a seguir e ela estava fazendo o percurso, eliminando quem estivesse na frente.

Depois de uma hora, Natasha viu a porta que dava pra rua, ela ouviu passos atrás dela e eram mais guardas vindo para segurar ela. Natasha não pensou duas vezes, ela correu. Ela tinha a certeza que Ivan não ia autorizar que atirassem contra ela e correr o risco de perder ela e o bebê.

Natasha continuou correndo para a porta e ficou aliviada por estar certa, ninguém atirou contra ela. Natasha finalmente encostou a mão na porta para sair.

— Pare!

Natasha olhou para o corredor ao lado, ela franziu a testa e ficou em choque ao ver quem era.

N: James?

Bucky: Quem é James?