Todos ficaram parados, esperando as portas do bunker serem abertas depois do comando de Steve, mas permaneceram fechadas.

Tony que estava em sua armadura do Homem de Ferro, olhou para os lados.

T: Mas... Cadê esse Patrick?

Peter, o assistente de Tony veio correndo por entre as fileiras de soldados.

P: Me desculpe, senhor Stark, estava pegando meu uniforme.

T: Uniforme? Pra que você precisa de um uniforme?

P: Para ir à guerra.

T: Peter...

P: É Patrick. Ops, é Peter. Você acertou dessa vez.

T: Peter, você não virá conosco.

P: Mas eu sou seu assistente.

T: Você é muito novo.

P: Eles também.

Peter indicou os mutantes Scott e Jean Grey.

T: Eles são treinados e você não.

P: Mas na Guerra Civil você me pediu para lutar por você e você disse que fiz um bom trabalho.

T: Sim, você fez, mas ter colocado você no meio da nossa guerra foi um erro. Eu não devia ter feito isso.

P: Mas eu estou pronto, senhor Stark.

T: Steve? Uma ajudinha aqui por favor?

Steve se aproximou de Peter.

S: Sr. Parker, não tenho dúvidas das suas habilidades, mas você é um membro valioso do bunker, não podemos ficar completamente desprotegidos aqui.

P: Você está dizendo isso apenas para me convencer a não lutar, você me acha fraco.

S: Não, eu estou sendo honesto. Não o acho fraco, se só fracos ficassem, não deixaria Thor aqui. Eu preciso que fique aqui para manter essas pessoas seguras. Aquela senhora, sua tia...

P: A tia May.

S: Sim. Ela precisa da sua proteção também. Estamos contando com seu suporte aqui.

Steve tocou no ombro de Peter Parker.

S: Acha que consegue seguir essa ordem?

P: Sim, senhor...

Disse Peter, sem muita empolgação.

S: Abra a porta para nós.

Peter abriu a porta e Steve correu para a saída, ele saiu ao lado de Tony e em seguida o restante foi saindo aos poucos e os civis se aglomeraram perto da entrada para tentar ver como está o mundo exterior agora.

As portas foram fechadas assim que todos que iam lutar saíram.

Steve já tinha determinado grupos e seus líderes para cada um embarcar em um avião diferente. Claro que no grupo dele, estavam Natasha, Wanda e Clint Barton. No avião de Tony, estavam Scott Lang, Hope Pym e Visão. Maria Hill tinha seu próprio avião com agentes da SHIELD, seu único convidado extra era Bucky.

Enquanto voavam, a nave dos Guardiões faziam manobras arriscadas e impossíveis para os aviões da Terra fazerem sem causar um desastre.

Peter Quill: Capitão, câmbio?

S: Pois não, senhor Quill.

PQ: Eu achei que ia dizer câmbio, câmbio.

S: Não há necessidade, senhor Quill. Não usamos mais essa palavra para terminar a comunicação.

PQ: Que pena, eu sempre quis usar isso. Capitão?

S: Sim, senhor Quill?

PQ: Por que estamos indo tão devagar?

S: Estamos na velocidade máxima que nossos aviões alcançam.

Steve pôde ouvir uma risada no fundos.

Rocket Raccoon: Velocidade máxima. Imagine a mínima! Esses humanos!

Rocket continuava a rir.

PQ: Se eu soubesse, teríamos dado uma turbinada pra vocês.

S: Estaremos lá, dentro de 3 horas.

PQ: Então, esperaremos por vocês lá.

S: Senhor Quill, vamos manter o plano. Chegaremos por lá juntos e atacaremos conforme o planejado.

PQ: Capitão, sabe o que é... É que nós temos um probleminha em seguir planos e ordens. Drax está para arrancar nossas cabeças senão começar a lutar e nós já temos experiência com os Pyrons, então...

S: Senhor Quill?

PQ: Vejo vocês lá!

Steve não pôde retrucar, pois a nave dos guardiões saiu em disparada. Steve estava claramente frustrado com isso, ele odeia quando não seguem os planos dele, ele sempre acha que tudo irá por água abaixo.

N: Talvez eles saibam o que estão fazendo.

S: Eu não sei, Nat. Se tiver alguma armadilha ou surpresa, eles estarão lá sozinhos.

N: Mas foi a escolha deles.

S: Eu sei, mas...

N: Não se preocupe, vamos nos focar em controlar nosso pessoal.

S: Você está com os mapas?

N: Sim, tudo aqui nos tablets.

S: Tablet? Não seria melhor no W.T.?

N: Não coube tudo. Patrick... Quer dizer o Peter, criou modelos 3D das cidades, baseado no que descrevi para ele.

Natasha ativou as imagens tridimensionais do tablet, que não era um tablet comum, era um ultramoderno.

N: Vê... Esses prédios em vermelho, é aonde há uma maior concentração de Pyrons. Essas ruas em laranja é aonde tem um maior tráfego de Pyrons, escondidos no caso, mas geralmente quem passa por aqui é atacado. Esses prédios em verde são os mais favoráveis para que possamos fazer parada para descanso ou atendimentos de primeiros socorros e os azuis são os mais favoráveis para montar acampamento.

S: Isso é ótimo, Nat. Bom trabalho.

N: Eu achei que precisaríamos, já que iremos nos separar em grupos.

S: Não eu e você.

Natasha olhou Steve e franziu a testa.

S: Você vai aonde eu possa mantê-la segura.

N: Eu não preciso de você pra isso.

S: Eu sei, mas eu preciso de você.

Natasha pensou em responder, mas ela não conseguia achar palavras que fizessem algum sentido, ela não esperava que Steve fosse responder tão diretamente a ela e mesmo com Steve investindo nela claramente agora, ela ainda não acredita que ele possa sentir algo por ela.

N: Por que está fazendo isso?

S: Fazendo o quê?

C: Capitão?

Steve e Natasha olharam para Clint Barton.

C: Tony quer falar com você.

Steve olhou para Natasha e depois se afastou para ir até Clint e saber o que Tony queria.

Enquanto Steve conversava com Tony, Natasha deu uma checada geral no avião e percebeu que uma das civis que agora era uma soldado, estava chorando no último banco, mas de forma comedida.

Natasha se aproximou dela e sentou ao lado dela. Natasha notou que havia um pedaço de papel na mão da mulher.

N: Deixou alguém especial para trás?

A mulher enxugou as lágrimas e fez positivo com a cabeça.

N: Bárbara, certo?

Natasha leu o nome no uniforme da mulher.

N: Eu sou Natasha.

Barb: Eu sei quem você é. Desculpe por estar chorando.

N: Está tudo bem.

A mulher entregou o papel para Natasha ver. Não era um papel, era uma foto bem depredada e um pouco rasgada.

Barb: Esses são meus filhos. O grande se chama Jeff, o pequeno Michael e a bebê, Gwen.

Natasha deu um pequeno sorriso.

N: Eles são lindos.

Barb: Sim. Eles eram lindos.

Natasha desmanchou o sorriso e desviou o olhar da foto para a mulher.

Barb: Eles todos estão mortos, eu quero dizer, eu não sei mais. Quando esse pessoal de fora chegou e disse que há chances de salvar quem foi dominado pelos Pyrons, eu apenas pensei que... Talvez eu ainda possa ter meus filhos de volta. É possível?

N: Tudo é possível.

Barb: E mesmo que eu não consiga, eu quero vinga-los. Eu só quero acabar com aqueles Pyrons e Thanos.

Natasha não sabia o que dizer, ela não esperava por uma história como essa e quem é bom com palavras é Steve, não ela.

N: Você disse que deixou alguém no bunker...

Barb: Sim. Meu marido e meu filho adotivo Oliver. Nós adotamos ele quando viemos para o bunker. Ele ajudou a aliviar a dor e é uma das razões de eu estar aqui também, eu quero que ele viva a experiência que meus filhos e eu vivemos aqui fora. Este ainda é o nosso mundo, certo?

Natasha fez positivo com a cabeça.

N: Vamos fazê-lo nosso de novo.

Barb: E você? Deixou alguém no bunker?

N: Sim.

Natasha suspirou e ela não queria falar de James, porque faz doer o coração dela, mas depois da mulher se expor tanto, ela teria que falar dele.

N: Meu filho... Ele vai fazer 3 anos e eu não estarei lá, de novo... Eu prometi a ele que não o deixaria nunca mais, mas aqui estou eu... lutando essa guerra.

Barb: Por ele.

Natasha concordou com a cabeça.

Barb: Eu fico feliz de estar sob a liderança de pessoas como você, Viúva Negra.

Natasha franziu a testa e ficou um pouco confusa. Na verdade, Natasha estava surpresa, porque mesmo ela sendo parte da liderança, ninguém nunca lembra disso. Só lembram do Steve, porque ele é líder sempre e geralmente as pessoas agradecem a ele e com ela, as pessoas vem reclamar se algo deu errado no processo. O efeito das palavras de Bárbara foi enorme em Natasha, ela estava se sentindo útil, como há tempos não se sentia.

Natasha encostou no ombro da mulher, enquanto se levantava.

N: Vamos terminar isso logo para você poder voltar para o Oliver.

Barb: E você para o James.

Natasha deu um discreto sorriso e fez positivo com a cabeça, ela voltou para a parte frontal do avião e notou que Steve, Clint e Wanda estavam discutindo algum assunto.

Natasha se aproximou deles.

N: O que foi?

C: O governo.

Steve olhou para Natasha.

S: Tony disse que eles resolveram não atacar os Pyrons.

N: O que? Eles tinham concordado, nós precisamos deles.

Wanda: Agora eles dizem que não estão confiantes de que os Guardiões estejam dizendo a verdade, que talvez trabalhem para Thanos e que estão nos levando para uma armadilha.

Natasha revirou os olhos.

N: Só agora eles criaram essa teoria? Que estúpido! Mesmo se fosse verdade, eles nos deixam ir para a tal “emboscada” e não se prontificam para nos ajudar?

Natasha olhou para Steve que estava com as mãos sobre a mesa, olhando para um grande mapa da cidade sobre ela, pensativo e preocupado.

Natasha se aproximou de Steve.

N: Nós ainda conseguiremos vencer, certo?

Steve fez negativo com a cabeça.

S: Eu não sei.

N: Nós ainda temos ajuda dos Guardiões.

S: Sim. Eu planejei o ataque somente com o nosso bunker e os Guardiões, mas o bunker do governo seria nosso plano B, caso algo desse errado.

N: Eles são uns covardes. Devíamos pegar os Pyrons e jogar dentro do bunker deles.

C: Concordo.

S: Há civis lá dentro.

N: Eu sei, eu só estou brincando. Olhe...

Natasha encostou a mão nas costas de Steve, o que fez ele olhar pra ela.

N: Vai dar certo. Não podemos recuar agora.

S: Eu só estou pensando se algo der errado... Você e eu estamos aqui. James e Sara estão lá.

N: Sim. Eles estão seguros lá e não estão sozinhos. Não importa o que aconteça conosco.

W: Que tipo de discurso é esse? Nós todos iremos voltar, iremos vencer! Nós vamos detonar com esses Pyrons.

S: Sabe quem diria o que você acabou de dizer?

W: Sam...

Steve deu um sorriso triste.

Wanda fez positivo com a cabeça.

W: Eu estava pensando sobre ele. A essa hora aqui, ele estaria fazendo piadas e apostando com Bucky quem mataria mais Pyrons ele contaria cada um deles que ele derrubasse.

Steve olhou para Natasha, como quem acabara de lembrar de algo importante.

S: Eu estou preocupado com Bucky.

N: Pelo braço dele?

S: Eu tentei convencer ele a ficar...

N: Mas essa é a guerra dele, ele pediu por isso.

S: É... Foi por isso que não consegui insistir muito para que ele ficasse no bunker.

N: Eu tentei também.

Steve estava surpreso.

N: Eu confio a vida de James na mão dele, eu sei que ele lutaria como um leão por James, daria a vida pela dele.

S: Eu faria isso também.

N: Eu sei, você é pai dele, eu sei que ama ele. Mas...

S: Mas o quê?

N: Eu só...

C: Okay, Okay. Steve você obviamente é um pai super ciumento, e todos sabemos que ama seus filhos, mas Natasha só está querendo dizer que na ausência de vocês dois, ela confia no Bucky para ficar com o James. Você não sente o mesmo?

Steve ficou sem graça e concordou com a cabeça.

A viagem seguiu silenciosa nas próximas horas, até a hora de aterrissarem perto da cidade. Dessa vez não tinha necessidade de pousar longe, a intenção era ser visto e atrair o que fosse possível de Pyrons.

Natasha e Steve observavam uma batalha acontecendo na cidade.

N: Não odeia quando começam sem a gente?

S: Vamos nos juntar a eles.

Steve foi para a traseira do avião, Natasha e os demais Vingadores o seguiram e os soldados foram se levantando a medida que Steve passava por eles.

S: Nossos somos o grupo B. Mantenham o nosso perímetro de atuação, eles são espertos, vão tentar nos isolar um a um, não deixe isso acontecer.

N: Steve? Grupo A e Grupo C já desembarcaram e estão a caminho do ponto deles.

S: Somos os próximos. Vamos.

O piloto abriu a porta e todos saíram correndo do avião, e como já era esperado dezenas de Pyrons começaram a sair dos prédios e a atacar eles.

Clint olhou para a Wanda.

C: Filhinha, dá uma ajuda pro seu papai.

Wanda concordou com a cabeça e levitou do chão, trazendo Clint junto com ela. Os dois levitaram por entre alguns prédios.

C: Aquele está ótimo.

W: Eu farei uma varredura pra você.

Wanda esticou a mão na direção do prédio que Clint pediu para ficar e uma onda vermelha invadiu o lugar. Wanda fez com que todos os Pyrons escondidos naquele prédio fossem arremessados para fora pelas janelas, em seguida ela colocou Clint no andar que ele pediu.

C: Você faz o papai tão orgulhoso.

S: Wanda, não se esqueça de pegar leve quando puder, ainda podemos salvar a vida de alguns. Use as armas e deixe os poderes como último recurso. O mesmo vale para você, Visão.

Visão: Entendido, Cap.

W: Desculpe, Cap, eu prestarei mais atenção.

Steve olhou para Natasha que atirava contra os Pyrons.

S: São muitos.

N: São menos do que eu esperava.

S: Está funcionando? Eles estão voltando a vida?

N: Eu não sei, todos em que atirei, estão ainda no chão. E tive que atirar mais de uma vez contra alguns que parecem estar mais resistentes.

S: Vamos tentar avançar mais, eu quero ficar de olho nos Guardiões.

Natasha concordou com a cabeça.

N: Clint?

C: Sim, baby?

N: Precisamos que nos cubra. Temos que chegar até o centro da cidade.

C: Sim, senhora.

Clint correu por dentro do prédio que estava, enquanto disparava flechas contra os Pyrons perto de Steve e Natasha, que começaram a correr em direção ao centro da cidade.

C: Agora estão por conta própria.

N: Obrigada, Barton.

C: Por que eu tenho a impressão de que não iremos almoçar hoje?

Clint dizia, voltando para sua posição inicial de onde podia acertar os Pyrons sem ficar na vista deles.

Quando Steve e Natasha chegaram no centro da cidade, eles viram os Guardiões lutando contra os Pyrons e notaram que tinham muitos em cima de Gamora e Peter Quill.

Steve lançou seu escudo contra um poste, que rebateu em diversos lugares, até acertar os Pyrons que cercavam Peter Quill.

Natasha já tinha corrido na direção de Gamora e atirou contra os Pyrons que estavam sobre o corpo dela no chão.

N: Você pode abrir os olhos, agora.

Gamora abriu os olhos.

G: Eu tenho tudo sob controle.

N: Eu sei disso.

PQ: GAMS! Capitão América salvou a minha vida! Eu fui salvo pelo Capitão!

S: QUILL!

Peter Quill olhou para Steve e depois para o Pyron que já estava pulando em cima dele. Peter sacou sua arma e atirou contra a barriga do Pyron.

PQ: UFA! Foi por pouco.

S: Vamos.

PQ: Eu sei que disseram que teriam muitos, mas eu não imaginava uma infestação assim.

S: E nós temos uma péssima notícia.

PQ: O que é?

S: Nosso reforço deu pra trás.

PQ: O que é dar pra trás?

N: Significa que não teremos reforço nenhum. Estamos por nossa conta aqui.

PQ: Eu odeio péssimas notícias!

Rocket: Não precisamos daqueles manés. Vamos lutar e vencer!

A batalha seguiu por horas, e parecia que quanto mais eles derrotavam, mais apareciam e infelizmente o treino que os civis tiveram não estava sendo suficiente para mantê-los longe do perigo, muitos estavam sendo atacados e os demais começavam a ficar exaustos.

N: Eles estão cansados, Steve.

S: Eu sei. Não podemos recuar agora ou iremos todos morrer. Precisamos de mais tempo.

Tony: Você quer dizer que precisamos de mais gente.

Hill: Você é surdo? Não temos mais gente!

S: Não, precisamos de mais tempo. Talvez os Pyrons se cansem também.

H: Que bobagem, não são como nós.

PQ: Steve está certo, eles estão usando corpos humanos e corpos humanos ficam exaustos. Eu sugiro que permaneçam nas suas posições.

H: Então Steve, está na hora de seus discursinhos incentivadores.

S: Eu os encorajarei. Hill? Bucky está com você?

B: Eu estou, Steve. Pare de se preocupar comigo.

N: Fique vivo, Barnes.

H: Ele está indo bem.

S: Pessoal, procurem os postos de acampamento e tentem se aproximar deles. Daqui umas três horas, comecem a enviar os civis para esses postos. Primeiro vamos garantir a segurança deles. Nós iremos por último.

T: Entendido.

H: Entendido.

S: Scott Summers, você nos ouviu?

SS: Sim, Capitão.

Steve correu para perto de alguns civis e deu discurso de encorajamento, pedindo para que aguentassem firme e permanecessem focados, que logo iriam descansar e que essa guerra acabaria com eles como vencedores.

Depois de três horas, Steve incentivou os civis a irem para os postos como combinado, mas claro que antes, ele solicitou a Wanda que fizesse uma varredura nos prédios e os deixassem realmente seguros para que todos pudessem acampar neles.

Steve checou quem ainda estava na batalha e não viu Natasha por perto.

S: Romanoff? Natasha?

C: Onde você está, Natasha?

S: Eu não a vejo em lugar nenhum.

H: Natasha?

S: Algo está errado, ela não está respondendo.

C: Logo agora que diminuiu a quantidade de Pyrons.

S: Vocês vão para o abrigo, eu vou encontrar ela.

C: Está muito escuro, mal conseguimos ver.

S: Por isso quero que vão para os abrigos logo.

C: Steve, talvez ela...

S: Não! Ela está em algum lugar!

C: Eu quis dizer que ela sabe se virar, Cap. Você devia vir com a gente.

S: Eu não vou sem ela. Agora vão. Mexam-se!

H: Vocês ouviram o homem. Vamos!

Os Vingadores começaram a recuar, assim como os Guardiões, todos buscaram abrigo nos prédios demarcados como azul no mapa.

Natasha podia ouvir no ponto eletrônico que estavam chamando ela, mas ela não podia responder agora.

Pouco minutos antes, enquanto ela estava ajudando alguns civis que estavam um pouco mais distante a irem para os abrigos, ela foi puxada por um dos Pyrons para dentro de um prédio, através de uma janela.

O Pyron a arremessou contra o chão com força, o que a atordoou por alguns instantes e montou sobre ela. Ele tentou fazer Natasha olhar pra ele, mas Natasha manteve os olhos fechados.

Quando Natasha ouviu Steve chamando ela no ponto eletrônico, ela não respondeu porque sabia que estava em um prédio demarcado como vermelho, infestado de Pyrons, era só um atacando ela e se ela falasse, atrairia muito mais e aí ela não teria nenhuma chance de sobreviver.

Infelizmente o próprio som do Pyron lutando contra ela, chamou a atenção dos demais Pyrons, que começaram a aparecer no meio daquela loja onde Natasha estava.

Natasha sabia que ou os Pyrons dominariam ela, ou acabariam por matar ela, ela tentou alcançar a arma dela, mas o Pyron pressionou o pulso dela para que ela soltasse a arma e ela pôde sentir que já tinham mais Pyrons em volta dela e quando um deles encostou na testa dela, ela achou que seria o fim dela, eles estavam tentando abrir os olhos dela.

Por sorte, Steve a achou e arremessou o escudo em cima do Pyron que tentava fazer ela abrir os olhos. Foi o suficiente para fazer os Pyrons se distrair e Natasha pôde se livrar do que estava em cima dela, ela o chutou e recuperou a arma e atirou contra eles.

S: Vamos! Corra!

Natasha correu até a janela e Steve a puxou pra fora, os dois começaram a correr, sem saber exatamente para onde, já que estava um breu completo naquela noite.

Os Pyrons não tem a mesma velocidade que a deles, mas a noite eles costumam vagar mais pela cidade, como se a luz do sol os prejudicasse de alguma forma.

A cada esquina que viravam, eles eram surpreendidos por mais Pyrons.

N: Temos que subir!

S: Devemos tentar voltar para onde os demais estão?

N: Não! Impossível agora, estamos distante e mal podemos ver.

S: Aquele prédio!

Steve apontou para um prédio no fim da rua, ele parecia inteiro, mas era um prédio muito alto, com muitos andares, o que poderia ser uma solução pra eles, já que os Pyron não são de fazer muito esforço físico, se fossem até os últimos andares, estaria seguros.

Natasha entendeu o raciocínio de Steve e concordou com a cabeça. Os dois correram e entraram dentro do prédio e como já esperavam, encontraram Pyrons dentro dele nos primeiros andares.

Steve e Natasha mataram todos os Pyrons que encontravam, conforme iam subindo os andares.

No oitavo andar, já não parecia ter mais nenhum para ameaça-los.

Natasha parou para recuperar um pouco do fôlego, ela apoiou as mãos sobre o joelho e fechou os olhos.

S: Você está cansada.

Natasha fez negativo com a cabeça.

N: Eu... Posso... Continuar.

Natasha disse pausadamente, conforme a respiração permitia.

S: Nós precisamos continuar para ficarmos realmente seguros.

Natasha concordou com a cabeça e quando ela foi olhar para Steve, ela viu alguém atrás dele, era um Pyron e estava com um pedaço de vidro quebrado na mão.

N: Steve!

Steve tentou se virar a tempo, mas o Pyron já tinha cravado o vidro nas costas dele. Steve fez uma expressão de dor e Natasha conseguiu balear o Pyron que caiu para trás nas escadas.

Natasha correu até Steve.

N: Steve?

S: Eu estou bem.

N: Você não está bem, isso está cravado...

Natasha olhava horrorizada para o enorme pedaço de vidro nas costas de Steve.

S: Vamos subir.

N: Não, eu preciso tirar.

S: Não...

N: Steve, pode infeccionar, eu preciso tirar. Eu tentarei não te machucar. Confia em mim.

S: Eu confio.

Os dois se olharam nos olhos na mesma hora. Steve se sentou no chão com dificuldade.

N: Evita se mexer. Eu vou remover.

Steve apenas concordou com a cabeça e respirou fundo.

Natasha usou uma faca para recortar o uniforme de Steve ao redor do ferimento.

S: Eu tenho...

N: Sh...

S: Eu tenho atadura. No bolso da minha calça.

Natasha abriu o bolso da calça de Steve e ele tinha um mini kit de primeiros socorros.

N: Isso vai ajudar. Você sempre pensa em tudo, certo?

S: Eu tento.

Steve deu um pequeno sorriso.

N: Tente não sangrar muito quando eu puxar, ok?

S: Eu tentarei.

Natasha puxou o vidro um pouco, apenas para certificar que nenhuma veia importante estava cortada, senão ele sangraria até a morte. Natasha continuou a puxar o vidro e Steve fechou o punho e grunhiu de dor.

N: Me desculpe.

S: Tudo bem.

Natasha mordeu o lábio e era como se ela estivesse compartilhando daquela dor com Steve.

N: Está quase.

Natasha finalmente retirou o vidro e usou a água oxigenada para limpar o local da ferida. Ela se preparou para usar as gaze para ajudar a limpar, mas Steve segurou o braço dela.

S: Precisamos subir.

N: Mas...

S: Quando estivermos seguros...

Natasha concordou com a cabeça e ajudou Steve a se levantar e a subir as escadas. Natasha tentou parar três andares acima, mas Steve a fez subir mais 6 para garantir que estariam mesmo seguros.

N: Tem um banheiro ali, talvez ainda tenha água.

Natasha e Steve foram para o banheiro e por sorte tinha água na torneira, ela aproveitou para lavar a ferida de Steve.

N: Incrível, o sangue já está estancando.

S: Benefícios do soro.

Natasha concordou com a cabeça.

N: Tenho que fazer um curativo, vamos para perto da janela, eu não consigo ver nada aqui.

Natasha e Steve saíram do banheiro e foram para perto da janela. Steve se sentou no chão e com a luz natural da lua, Natasha conseguiu enxergar melhor o corte de Steve.

N: Vamos tirar essa parte de cima do uniforme, ok?

Steve concordou com a cabeça.

Natasha puxou a manga de Steve para baixo, enquanto ele fazia uma expressão de dor para puxar o braço pra fora.

N: Não se esforce, eu vou ajudar você.

Natasha caminhou até o outro lado e tirou a outra manga do braço de Steve.

Quando ele finalmente ficou com a parte superior do corpo desnuda, Natasha olhou brevemente para o peitoral de Steve e se posicionou atrás dele para fazer o curativo no corte. Natasha se ajoelhou no chão e enquanto colocava algumas gazes sobre o corte, Steve moveu a cabeça para o lado.

S: Você se machucou?

N: Não.

S: Certeza?

N: Por que eu mentiria?

S: Eu não sei.

N: Pare de se preocupar.

S: Você tem razão.

Steve concordou com a cabeça e suspirou.

Natasha prendeu as gazes com esparadrapo.

N: Estou te machucando?

Steve fez negativo com a cabeça.

Natasha colocou mais um pedaço de esparadrapo.

N: Pronto. Eu vou checar se...

Natasha não terminou a frase, porque Steve se virou bruscamente e segurou as mãos dela. Natasha ficou imóvel na mesma hora e olhou nos olhos de Steve.

S: Obrigado.

Natasha passou a ponta da língua entre os lábios para umedecer eles um pouco e fez positivo com a cabeça.

N: Não foi nada.

Natasha desviou o olhar, olhando para o lado e depois para baixo, mas Steve sustentou o olhar o tempo todo. Natasha fechou os olhos apertados, como se Steve fosse um dos Pyrons tentando dominar ela.

S: Por que você não olha pra mim?

N: Eu...

S: Eu quero que olhe pra mim.

Natasha fez negativo com a cabeça.

S: Natasha?

Natasha suspirou e fez negativo com a cabeça de novo, ela abriu um pouco os olhos e mordeu o lábio inferior de leve. Ela sabia que assim que abrisse os olhos, ela estaria condenada a encarar aquele velho sentimento de novo.

N: Steve...

Quase não dava para se ouvir o que Natasha disse, a voz dela fraquejou, e fraquejou porque ela ia dizer para ele parar, mas ela não queria que ele parasse e ele não parou. Os lábios de Steve estavam se aproximando mais e mais e mais...

Notas finais
"Não acredito que vc vai parar agora" Sim, parei, para aumentar a ansiedade hohohohoho Quem será o bendito a interromper os dois dessa vez?