No dia seguinte, Laura mandou uma mensagem para Hunter pedindo para que ele fosse até a cafeteria mais próxima, pois queria começar a montar o projeto. Mesmo não tendo uma data definitiva para ser entregue queria que estivesse pronto o quanto antes. Pelo menos não teria que passar tanto tempo ao lado de Lilly. Já não era legal ter que vê-la a semana inteira, e agora nos fins de semana. Era muita sorte dela ter sido colocada na sua dupla, principalmente porque Hunter aceitou a ideia sem o menor problema.

Ele tentou falar com Louise a respeito do trabalho, pois Lilly não havia lhe passado nenhum numero de contato. Para a sua sorte tinha o de Louise. Ela seria a sua salvação.

— Algum problema, Hunter?

— Não. Nenhum problema. A senhora poderia pedir para que a Lilly nos encontre na cafeteria? — perguntou ele.

— Acontece que faz quase meia hora que ela foi para lá. É um dos lugares onde ela gosta de passar o tempo livre.

— Obrigado! — agradeceu ele eufórico — Irei agora mesmo.

Lilly já estava na cafeteria quando Hunter chegou acompanhado de Laura. Não houve cumprimentos e nem afagos, apenas se sentaram e colocaram todo o material na mesa. Laura tentava a todo custo ver o que tanto Lilly escrevia. Não era o mesmo caderno que ela usava nas aulas. Ao notar o olhar de Laura sobre ela, Lilly fechou imediatamente o caderno.

— Podemos começar o projeto? — indagou Lilly.

Laura a fuzilou com olhar.

— Sou eu quem irei ditar as regras, queridinha. E neste momento eu quero um chá — disse ela se levantando em direção ao balcão de pedidos.

Hunter esperou que Laura se afastasse para tentar uma conversa tranquila com Lilly. Ele pousou sua mão sob a dela enquanto olhava para seu rosto. Percebeu que ela tentava se manter calma.

— Respira fundo e conta até três. — pedia ele quase sussurrando.

Ela fez o que lhe foi pedido. Talvez ela tenha respirado fundo demais, pois o perfume de Hunter invadiu as suas narinas. Esse não era o foco, logo recolheu a sua mão, pois o toque dele era quente contra a sua pele. Não poderia ser coisas da sua cabeça. Nervosa, ela começou a fazer as principais anotações para o projeto. Hunter concordava com o que lia, afinal havia coerência no que ela escrevia.

Não demorou para que Laura se juntasse a eles. Pediu a folha para que ela pudesse ler o que já havia sido desenvolvido desde então. Infelizmente não era nada do seu agrado. Começou a fazer as suas anotações pessoais e assim compartilhou com o grupo. Sorria vitoriosa pelo seu grande feito.

Lilly não queria contrariá-la, pois logo aquele dia se encerraria e assim cada um iria para a sua casa. Continuou realizando os esboços dos gráficos e Hunter lhe explicava qual a melhor maneira de realizar melhor a construção de cada um dos gráficos. Ele ficou feliz por ver que Lilly meio que riu de uma de suas piadas. Logo ela, que não suportava as suas brincadeiras. Era tão inovador.

— Monta isso logo antes que você esqueça. — murmurou Laura desgostosa.

Ela já estava cansada de ouvir Lilly falar sem parar. Não conseguia entender como Hunter ainda lhe dava atenção. Era hora de começar a agir ou não teria um minuto de paz. Observou o seu copo com chá com muita atenção. Já tinha noção do que faria a seguir. Sutilmente Laura começou a empurrar o copo na direção de Lilly. Como quem se espreguiçasse com bastante vontade o copo virou e derramou todo o seu conteúdo. Lilly foi a vitima, pois sua roupa molhou em grande parte. Chocada, ela se levantou e afastou os seus materiais antes que alguma informação pudesse ser perdida.

— Me desculpa, eu sou uma desastrada! — fingia Laura.

— Vou tentar limpar antes que fique pior. — disse ela se retirando.

— Não tenha pressa querida.

Lilly sentiu vontade de voar no pescoço de Laura, mas preferiu esquecer a sua maldita provocação. Ela queria acreditar que não foi de propósito. Não seria justo, pois quase não se dirigia a ela durante todo o tempo que estavam juntos.

Laura não estava gostando nada em ver Hunter tão atencioso com Lilly. Sua atenção voltada para ela se tornava desnecessária. Naquele dia ela não queria saber de dividir a atenção com ninguém, não queria disputa. Num impulso Laura puxou Hunter para perto de si e cheia de desejo o beijou. Aos poucos Hunter estava cedendo a aquele momento.

Lilly conseguiu dar um jeito na mancha que havia ficado em sua roupa. Não poderia perder mais tempo no banheiro. Havia muito a ser feito no projeto. Ela saiu e caminhou tranquilamente até uma parte do salão. Parou assustada ao ver o que estava acontecendo entre Hunter e Laura. Foi como levar um soco na boca do estômago. Inesperado. Lilly não conseguia respirar direito diante do que via, sua respiração estava acelerada, suas mãos tremiam freneticamente. Tinha que sair dali antes mesmo que perdesse o controle da situação. Sem querer interromper o momento entre Laura e Hunter, ela voltou para o banheiro. Só precisava de alguns minutos sozinha para se recuperar do choque.

Lilly não sabia o que estava acontecendo com ela. Por que ela estava se importando pelo fato de Laura ter beijado Hunter. Talvez não estivesse suportando mais a ideia de terem que trabalhar juntos. No começo parecia ser legal e a única saída que encontrara, mas quanto mais passava tempo com eles notava que não se encaixava. Lilly se olhava no espelho e não se reconhecia. Seus olhos castanhos estavam brilhando mais que o normal, a falta de ar que sentia queimava os seus pulmões. Respirar fundo era quase uma batalha para ela.

— Respira fundo, Lilly! Abstrai tudo de sua mente. Pense em coisas boas. — dizia ela para si mesma.

Depois de passar alguns minutos no banheiro, Lilly lavou o rosto com bastante água. Tinha que melhorar o aspecto de seu rosto. Ainda não entendia o porquê daquela vontade de chorar, mas não poderia permanecer por mais tempo ao lado daqueles dois. Assim que possível chamaria Estella para lhe fazer companhia em casa. Ninguém mais precisava saber o que estava acontecendo com ela.

Caminhava decidida em direção a sua mesa. Só pegaria as suas coisas e nem precisava que falassem nada. Seria como se ela nem estivesse presente.

— Preciso ir para casa. Não estou me sentindo muito bem. — disse simplesmente enquanto guardava os seus pertences.

Hunter já se levantou num sobressalto.

— Se você quiser eu te levo em casa — ofereceu-se ele

— Não precisa — disse ela seca — Você está muito ocupado. Não quero atrapalhar.

Hunter ficou confuso. Queria que Lilly lhe explicasse o que estava acontecendo, mas já era tarde demais. Ela praticamente corria para fora da cafeteria. Passava a mão pelo cabelo nervoso. Por que ainda insistia em tentar entendê-la? Lilly era a verdadeira missão impossível. Um verdadeiro mistério que talvez nem os melhores detetives conseguissem desvendar. Tinha que ir até o restaurante. Dirigiu na mais alta velocidade que pode. Não poderia perder tempo algum.

Louise estranhou a presença de Hunter no restaurante. Era o seu dia livre, não precisava estar por ali. Hospitaleira como sempre, ela o recebeu com um belo sorriso nos lábios.

— Oi querido. Algum problema? — quis saber a senhora — Pensei que fosse o seu dia livre.

Hunter a abraçou carinhosamente.

— É o meu dia livre, mas estou aqui por outro motivo — começou ele — A senhora poderia me passar o número do telefone da Lilly. Estávamos fazendo um trabalho e esqueci de passar alguns dados importantes pra ela — mentiu ele.

Louise não hesitou e logo pegou um cartão e o entregou para Hunter. Já que era algo relacionado a faculdade não via problema em ser gentil.

— Espero ter ajudado em algo. Aproveite o dia longe daqui, querido.

Hunter sabia que não iria aguentar até chegar em casa para telefonar para Lilly. Discou o número e esperou. Infelizmente na primeira tentativa deu linha ocupada. Esperou alguns minutos e tentou mais uma vez. Ao terceiro toque foi atendido.

— Alô?

Ele respirou fundo antes de responder.

— Lilly?

Ela bufou com força.

— O que você quer, Hunter? E como conseguiu o meu numero?

Foi impossível Hunter se conter. Ele conseguia imaginar as expressões que Lilly estaria fazendo.

— É uma longa história, eu juro. — o silêncio foi breve — Está tudo bem com você? Fiquei preocupado pelo jeito que você saiu da nossa reunião.

— Escuta, Hunter. Não estava me sentindo muito bem antes da nossa reunião — ela sentiu um nó se formar em sua garganta, era como se estivesse presenciando tudo novamente — Aguentei até onde podia.

— Não foi só isso não. Sua voz não me engana.

— Pensa o que você quiser. Tenho mais o que fazer, se não se importa.

— Não desliga, por favor! — suplicava ele — Posso sentir na sua voz que não está nada bem. Tem algo que queira que eu faça?

— Só me deixa em paz... É tudo o que eu te peço Hunter. Minha cabeça está explodindo de tantos detalhes para serem colocados no projeto e ainda por cima as “observações” da Laura.

Hunter riu.

— Lilly, você precisa relaxar um pouco. Que tal sairmos essa noite?

— Sai com a sua avó.

E desligou o telefone. Hunter teria que ter muita paciência para poder fazer com que Lilly um dia lhe desse a devida atenção que ele acreditava merecer. Ainda era cedo demais para desistir de tentar conquistar o impossível.

*****

Para a sorte de Lilly parecia que Estella não prestara atenção em nada do que ela havia discutido pelo telefone. Havia tantas coisas que ela queria contar para a sua amiga, mas sentia que seria melhor se continuasse do jeito que estava. Iria se manter ocupada o dia inteiro e assim não lembraria da existência de Hunter e Laura. Seus pensamentos a levavam para bem longe dali. Queria entender o que havia levado Hunter a querer beijá-la numa noite e no dia seguinte beijar Laura. Lilly não havia retribuído, mas havia acontecido tantas coisas naquela noite que ela acabou ficando confusa. Não conseguia confiar em ninguém para que pudesse se envolver seriamente.

Havia algo nele que a deixava desconfortável toda vez que o via. Sentia como se a qualquer momento pudesse morrer só por estar ao lado dele. Nunca haveria palavras para descrever tudo o que estava sentindo nos últimos dias. De repente a sua vida está saindo ainda mais dos eixos. Agradecia por Estella não ser o tipo de pessoa que ficava perguntando sobre tudo.

Estella notou o olhar distante de Lilly. Sua amiga raramente ficava triste com as coisas que lhe acontecia, mas desta vez ela estava muito arrasada. O dia não estava do jeito que ela queria, mas Estella sabia como animá-la. Ou quase.

— Lilly, o que você acha de irmos ao Lago Negro? — perguntou Estella enquanto brincava com uma almofada.

Bastou que Lilly levantasse uma sobrancelha para que Estella entendesse tudo.

— Meu bem, preciso descansar... o restaurante onde agora definitivamente trabalho é próximo dali. Não acha que é forçado demais? Podemos maratonar alguma serie. Talvez fazer essas coisas de garota que você tanto ama.

Um sorriso divertido iluminou o rosto de Estella. Para ela era muito importante o apoio de Lilly para essas ocasiões, mesmo que ela não gostasse.

— Tem certeza querida? Você sabe o quanto sou louca por esses passeios fofos e delicados. — Estella suspirou fundo — Sou uma romântica incurável.

Lilly arregalou os olhos.

— Isso eu já percebi. Vou te dar uma chance, mas se der zebra iremos fazer o que eu quiser. — impôs Lilly firme.

— Amiga confie em mim. Se não sair do jeito que você quer farei tudo o quiser. — murmurou Estella animada.

Lilly levantou a sobrancelha divertida.

— Tudo o que eu quiser?

Estella sorriu amarelo.

— Talvez eu tenha me precipitado um pouco. — ela ria — Só quero que se divirta e que mude essa expressão. Seu olhar não me engana, amiga.

— Menos conversa e mais diversão, Estella.

Dito isso as duas saíram de casa. Estella sempre era mais animada nos passeios do que Lilly, mas mesmo assim ela conseguia se deixar pelo momento em que estava vivendo. Durante algumas horas elas andaram em várias lojas, no parque, andaram de pedalinho. Fizeram tudo o que poderia ser mais divertido.

O passeio com Estella não estava dando muito certo. Infelizmente ela estava empolgada demais para entrar de loja em loja, mas Lilly não conseguia tirar a imagem de Laura beijando Hunter de sua cabeça. Não havia motivos para ficar sofrendo com aquela cena. Eles eram livres para fazerem o que quisessem, e não seria ela a ficar se lastimando. Lilly esperava do lado de fora da floricultura por Estella. Pensou que estava tendo uma miragem, pois um rapaz estava vindo em sua direção, foi devido aos raios de sol que ela não conseguia se lembrar de seu rosto.

Ele acenava freneticamente em sua direção.

— Oliver? — perguntou Lilly curiosa — O que está fazendo por aqui?

— Vim trazer os meus irmãos para conhecerem um pouco mais a cidade. Tudo é novidade para eles.

Eles corriam de um lado para o outro e Lilly não conseguia deixar de notar o quanto eles eram agitados. Mas o olhar de Oliver ficou perdido ao ver Estella saindo da floricultura praticamente dançando. Nunca havia visto alguém como ela. Notou que deveria ser alguma amiga de Lilly ao vê-la se aproximando.

— Quem é essa doida? — quis saber ele.

— Estella, minha amiga. Nem liga que ela é sempre assim.

Os irmãos de Oliver estavam se aproximando.

— Nos vemos qualquer dia. Tenho que cuidar deles, já devem estar com fome.

— Até mais Oliver. — despediram-se com um abraço caloroso.

Estella esperou até que Oliver estivesse longe para fazer algum comentário, pois ela não era nem louca de deixar passar despercebido.

— De onde você conhece aquele rapaz? — quis saber Estella curiosa.

Lilly respirou fundo.

— Ele é amigo do Hunter. Só sei disso, porque eles estavam juntos no restaurante na noite passada. — respondeu ela simplesmente.

— Ah claro, já devia ter adivinhado.

— Podemos ir pra casa? Preciso relaxar.

— Claro que podemos, mas não iremos relaxar em casa. Iremos ter uma noite divertida ao lado dos nossos amigos Joanna e Jorge. Iremos para a minha casa e em breve iremos aproveitar a nossa noite.

*****

Horas depois os quatro jovens estavam no carro em direção ao Bill Bar. Joanna e Estella cantarolavam sem parar. Toda aquela animação era demais para Lilly e Jorge que preferiam prestar atenção na estrada. Vez ou outra soltavam algumas perolas e todos caiam na gargalhada. A noite estava agradável e propicia para a diversão.

Ao chegarem ao local desejado, os jovens já respiravam mais aliviados. Combinaram de que nem todos beberiam nada muito alcoólico. Lilly era a única que não gostava de beber, assim os amigos poderiam curtir a noitada sem se preocuparem. Já podiam ouvir a música com clareza, infelizmente ainda não era a banda contratada que tocavam. Estella ficaria muito brava se tivesse perdido a entrada da banda. Entraram e logo foram pedir algumas bebidas, Jorge queria que Lilly bebesse chá gelado, mas a sugestão fez com que ela lembrasse do “acidente” que tivera mais cedo com Laura. Pediu um refrigerante e logo foram para uma mesa. Todos se sentiam confortáveis e alegres. A vida noturna os agradava cada vez mais.

Jorge não conseguia disfarçar a sua alegria ao ver tantos rapazes belos em um único lugar. Não era segredo algum que ele jogava no outro lado do time, talvez fosse por isso que a amizade dele com Lilly e Estella continuasse tão forte. Sempre foram compreensivos uns com os outros e não havia mentiras e desconfianças. A sinceridade era o elemento mais importante para que a amizade sobrevivesse ao longo dos anos.

— Amo música ao vivo!— exclamou Joanna quebrando o silêncio entre eles — Infelizmente não deram muitos detalhes a respeito da banda que irá tocar essa noite.

Jorge não se importou ao ver as garotas se levantando para poderem contemplar a banda, até seria bom, pois ele poderia ficar livre para investir em alguém.

— Lilly,vamos ficar mais para perto do palco? Preciso conhecer melhor essas bandas. — murmurou Estella puxando Lilly.

— Pra quê isso? Eles nem te conhecem.

— Deixa de ser negativa, minha filha.

Estella direcionava sua amiga e Joanna as acompanhava. Aquelas duas juntas deixavam Lilly louca, mas era por uma boa causa. A primeira musica que começaram a tocar era de banda conhecida. Todo mundo fazia coro junto com a banda, e isso fez com que Lilly sorrisse. Amava o poder da música e da arte em todos os seus contextos e formas. Cada vez mais Lilly era puxada por Estella, ficar próxima do palco poderia ser um privilegio para ela, mas não para Lilly. Não havia necessidade de ser esmagada. Cerca de quinze minutos desde que a banda começou a tocar musicas conhecidas, logo mudaram o repertório para as músicas de própria autoria.

— Esta música eu dedico a uma pessoa muito importante. Eu só quero dizer que penso em você! — disse o rapaz enquanto ajustava a alça do violão em seu ombro — Conhecê-la tem sido uma das vantagens de voltar para o meu verdadeiro lar.

Lilly ficou curiosa em conhecer ainda mais a banda daquela noite. A voz soava familiar, mas poderia ser coisa da sua cabeça. Ela não acreditou quando olhou com mais atenção para o palco. Foi como se o tempo parasse e apenas ela pudesse se mover. Seu coração batia fora do normal ao ver que era Hunter quem cantava. Naquele momento só existia a música, Hunter e ela. Um tripé que os mantinha unidos e os sustentava. Por dentro os seus sentimentos estavam aflorados e desalinhados, não sabia o que estava acontecendo com ela. Nunca se sentira assim antes.

No palco Hunter se transformava completamente. Ele se entregava a aquele momento, ao que cantava e sentia. Parecia outra pessoa completamente diferente.

Quando o tempo já passou

E o vento te levou

Para uma nova estrada

Uma nova Jornada

Paisagens vão mudar

O coração vai me guiar

E nesse lugar enfim

Vou me encontrar

Quando Hunter começou a cantar o refrão, seus olhos encontraram os de Lilly. Ele se perdia no brilho intenso que contemplava. Sua vontade era a de sair dali e ir até ela. A viu colocar uma mecha do cabelo atrás da orelha com tamanha delicadeza. Ela agia diferente de quando estavam na faculdade e no restaurante. Gostou do que via. Sorriu com vontade para ela. Notou que ela baixou a cabeça tentando disfarçar o rubor.

Posso at me perder

Mas nunca desistir

Independentemente eu,

Vou sempre sorrir

Então eu vou

Enfrentar

Os desafios

Que a vida me mandar

Vou correr

Sem esquecer

Da onde realmente é

O meu lugar

E no fim das contas vou voltar

Pra me relembrar

Pra me lembrar...