Capitulo 2

Aquele cara estava chapado? Bêbado? Alterado? O que diabos era Slender?
–Slender? O que é Slender? — Na hora do surto acabei virando a lanterna para minha cara e no reflexo apaguei-a.
–Você está nesta dimensão e não sabe QUEM é Slender? — Falou com um ar irônico de surpresa — Bom saber... — Ele abriu um sorriso sombrio
–PARA DE SORRIR ASSIM, MERDA! — Empurrei-o
–Só estou zoando você.... Então, sente-se. É uma longa história!
Sentei em um toco de árvore, apreensiva com o que iria ouvir agora. Ele se sentou ao meu lado e começou:
–Então... Tempos atrás essa floresta era habitada por várias e várias pessoas, mas por um tempo suas crianças começaram a desaparecer. Um homem alto, de terno e sem
rosto era visto ao redor da floresta o tempo inteiro... Com ele sempre vinham os gritos das crianças e depois, a caçada sem sucesso por elas. — Lembrei-me do desenho que achei... — Todos tentaram
fugir, mas ninguém conseguiu, exceto... — Vi os olhos dele se encherem de lagrimas
–Exceto...?
–Eu! — Ele olhou dentro dos meus olhos; que drama. Sua expressão estava desolada e angustiada.
–Você? — Engasguei — Como?
–Sempre fui esperto. Fugindo de valentões, caçando na floresta. Isso tudo me ajudou a ficar ágil, a sobreviver na floresta, sabe?
–A quanto tempo está aqui?
–... 14 anos.
14 anos? Aquilo era MUITO tempo para se viver sozinho! Como ele conseguiu? Como não enlouqueceu com a solidão e com aquela coisa vagando por ai?
–14 anos? Cara, como você conseguiu viver? — Botei a mão em seu ombro em forma de solidariedade, mas acho que ele não curtiu muito esse afeto todo.
–É uma longa história... A uns 4 dias as casas ainda estavam aqui e ainda tinha comida, mas elas desapareceram e eu estou sem comer esse tempo inteiro. E sobre a solidão? Estava quase me matando. Se não tivesse te encontrado, acho que já teria me enforcado em alguma árvore.
–Então você me deve uma! — Sorri pra ele e dei-lhe um soco amigável no ombro.
–Sim, eu te devo! — Ele sorriu

Ficamos em silêncio por um tempo. Sentados naquele tronco, esperando algo acontecer. Começamos a ouvir novamente aquele chiado e corremos para longe.

Depois de termos andando muito, em silêncio, encontramos o que parecia ter sido uma pousada. Nos entreolhamos e revolvemos entrar.
Lá tinha cheiro de cemitério, o que me dava um frio na espinha. Alguma coisa que caiu no chão fez um barulho alto que me fez saltar com o susto. Estava perto de mais de Jason, à milímetros de
beija-lo.
Tomei vergonha na cara e saí de perto dele. Envergonhada.

Lá tinha um balcão de recepção. Fui dar uma olhada enquanto Jason foi ver os outros cômodos.... Tinham várias chaves penduradas e encostado em uma cadeira estava um esqueleto repleto de
minhocas e outros insetos semelhantes. Levei um susto e acabei soltando um grito. Jason veio correndo de onde estava para ver o que tinha acontecido.
–Lia?! O que houve?
–Tem um, u-u-um esque-queleto ali! — Fiz cara de nojo
–Podemos pegar os ossos caso encontremos algum lobo faminto no caminho — Zombou ele de mim
–Engraçadinho! — Revirei os olhos
–Vou ver lá em cima! Vem junto?
–Claro que eu vou junto. Acha que ficarei aqui embaixo sozinh... — Começamos a ouvir aquele chiado irritante novamente, mas desta vez não tínhamos para onde correr.

Vimos que ele estava se aproximando. Corremos para cima, foi tudo o que pudemos fazer.

Entramos no primeiro quarto que conseguimos. Jason me puxou para dentro de um armário onde tinham alguns casacos de lã que estavam quase me fazendo espirrar.
Ouvimos passos e comecei a entrar em desespero. Vi que o Slender tinha entrado no quarto e comecei a chorar, se Jason não tivesse tapado minha boca eu estaria soluçando.
Ele me empurrou para trás de alguns casacos até ficarmos invisíveis para quem via do lado de fora. Ele fez isso no exato momento que aquela coisa abriu a porta do armário.
Prendi a respiração para não correr o risco de fazer qualquer tipo de barulho até a porta se fechar.

"Como ele enxergava se não tinha olhos?" Pensei. Fiquei me questionando e não achava nenhum tipo de resposta.
Percebi que já poderia sair do guarda-roupas e então dei um salto pra fora e comecei a espirrar.
–A lã te deu alergia?
–Nem imagina como. — Falei entre espirros.
Vasculhamos todos os quartos e achamos algumas roupas, pilhas e pacotes de biscoito. Botamos tudo dentro de uma mochila preta que achamos também.
–Talvez na cozinha tenha alguns mantimentos na validade. — Ele falou
–Ah, jura mesmo?
Fomos até a cozinha com a maior cautela do mundo, afinal, era no andar de baixo.

Achamos mais alguns biscoito, barrinhas de cereal e umas 8 garrafas de água. Enfiamos tudo na mochila e resolvemos ficar lá por um tempo para descansar.

Fomos até o andar de cima e escolhemos nossos quartos.
–Hey, Jasy... É... Eu não tô muito afim de dormir sozinha com essa coisa vagando pela floresta... Então, será que você... — Ele me cortou
–Sim! Eu posso dormir com você! — Sorriu. Eu fiquei vermelha, mas feliz e tranquila.

Ele juntou uma cama na outra e então tirou a camisa, mostrando o seu físico perfeito. Fiquei mais vermelha do que já estava e não conseguia parar de olhar para aquela barriga
extraordinariamente definida. Que gostoso da porra.

Deitamos na cama e ficamos olhando um pra cara do outro. Que vontade de beijar aquele homem!
Desfoquei um pouco dele quando me veio na mente o mesmo pensamento de quando estávamos no armário: Como ele enxergava?
Pensei, pensei e pensei. Nada me veio a cabeça.
Enfim, peguei no sono.


Continua..................................................

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.