Infinitely. (One-Shot)
1 One-Shot
Notas iniciais
Deixem reviews, please ç_ç
Esperei na frente do shopping, como havíamos combinado. Pensei em acender um cigarro, mas alguém poderia me encher o saco. Descartei a ideia.
Olhei em volta, tentando me distrair. Um grupo de meninas mais novas, não deviam ter nem 16 anos, olhava para mim, dando gritinhos, rindo e cochichando. Ignorei-as. Nada parecia me prender a atenção, exceto contar o tempo que já havia se passado desde as oito da noite. Agora eram oito e sete. Eu estava cansado de esperar.
Minhas mãos suavam, minha respiração estava manual... Minha vida andava de mal a pior, e só ele poderia amenizar e piorar esses problemas. Espera, ele chegou.
Taemin. Lee Taemin. O motivo de meu incômodo, todo o tempo.
Estava magnífico, como sempre. Sua pureza ofuscava as pessoas ao redor. Era como se ele fosse mais iluminado, como se seu brilho abrisse caminho entre todos. Como um anjo entre os mortais.
De anjo ele não tinha nada.
Ele veio ao meu encontro com pressa, me abraçou forte. Deveria estar com problemas novamente. Somente aceitei-o, sem dizer uma única palavra. Sempre foi assim, eu sempre era a pessoa a quem ele podia mostrar um lado desarmado, um lado fraco. Sem seu sempre impecável sorriso, sem sua sempre impecável imagem de menino inocente.
–Vou tomar seu tempo hoje. – Ele sussurrou, sem soltar seu corpo do meu.
–Não tem problema. – Respondi. Nunca teve.
Ele se soltou lentamente, segurando apenas minhas mãos. Ou eram as minhas que seguravam as dele, vai saber. Só sei que não perdi o contato com aquela maciez incrível, a qual eu tanto estimava.
Entramos no shopping e ele foi me guiando para o elevador. Mal esperou a porta automática se fechar completamente e atacou meus lábios. Havia urgência em suas ações, como sempre. Seu corpo esguio pressionava o meu com força contra o espelho, mas não me incomodei. Apenas aceitei.
–Não está muito animado hoje, Minho. – Ele afirmou, separando os lábios dos meus. Bosta, era como se lesse meus pensamentos. – O que te incomoda?
Seus dedos finos percorriam meu rosto e meu pescoço, as únicas partes descobertas. A outra mão preocupava-se em arranhar meu peito por cima do casaco, apesar de não surtir efeito direto, eu poderia me arrepiar com a sensação.
–Você sabe muito bem o que me incomoda. – Respondi, frio. Ele levava minhas palavras a sério, nossas conversas sempre eram tensas. Vivíamos sob constante ameaça um do outro. Mas isso nunca atrapalhou em nada. – Ainda não conquistou o Jinki? Porque 3 semanas sem me ligar é muita coisa. Ou por acaso foi rejeitado?
Senti os dedos delicados estalarem sobre minha bochecha, causando um incômodo parecido com dor. Não me importei, não era nada incomum.
–Sim, você tem razão. – Ele disse, puxando-me pelo colarinho da pólo que eu usava por baixo do moletom preto. Parecia que não, mas Taemin tinha forças quando queria. – Ele é um merda de um hétero idiota, ele não me ama. – Sussurrou, com os dentes cerrados. Sua raiva era aparente, seus dedos firmes contra o tecido de minha blusa, o elevador quase chegando ao destino. – E é por isso que eu tenho você.
Selou nossos lábios mais uma vez, agora com certa violência. Mordeu meu lábio inferior, deixando-o inchado. Filho da mãe, essa você me paga.
Oras. Quem eu queria enganar. Esse comportamento agressivo sempre fora meu desejo proibido. Mas nada me impedia de desobedecer as regras para tê-lo. E isso incluía traição.
–Volte para o seu Nickhun, se quiser. – Ele desafiou, separando-se de mim. Taemin sempre tocava nesse nome, e, apesar de eu ter com quem descontar meu desejo, a grama do vizinho sempre parece mais verde.
O elevador abriu-se e Taemin soltou-se de mim, indo em direção às escadas. O quarto andar do shopping, o mais recluso e menos utilizado, era perigoso como as teias de uma Viúva Negra. E eu era a presa.
Saí também, seguindo-o. A luz não funcionava, e a única iluminação disponível nas escadas era a luz da Lua, proveniente de uma pequena janela. Mesmo assim, a visão turva não me impedia de desejar o corpo tão hostil, tão perigoso, daquela aranha mortífera.
Queria ser envenenado por ele.
–Tadinho dele... – Taemin sussurrou, e eu sabia de quem estava falando. – Tão feliz, tão inocente... Porque foi se envolver com você, não é? Traindo-o sempre, assim.... Mentindo, assim...
Me aproximei daquela pessoa lentamente, com muito cuidado. A morte me parecia prazerosa. Para um reles inseto como eu, chegar tão perto de um ser supremo como ele era quase que um sonho, mesmo que estivesse à beira da morte. Mas seria mais interessante provocar a ira da Rainha. A morte seria mais lenta, e eu poderia aproveitar mais o tempo vivo, admirando esse ser.
–Realmente, sou desprezível. – Sussurrei, lentamente explorando o pescoço de meu predador. – Mas me torno sujo com você, Taemin. Somente com você... – Ousei beijar aquela região tão desejável. Ele não reagiu, apenas separou um pouco os lábios, permitindo-se respirar por ali. Logo senti sua mão entrelaçar os cabelos em minha nuca e me puxar para perto.
Encostou-se na parede, deslizando lentamente as costas sobre ela, a fim de sentar-se no chão frio. Tudo, é claro, sem deixar-me escapar. Era sua dança, e eu era forçado a bailar com ele.
Durante alguns segundos, guerreamos em silêncio. Pude ler seus pensamentos em seu olhar, e ele, o mesmo comigo.
“Você me usa como distração.”
“Você sofre, mas não diz não para mim.”
“Sua imagem só é quebrada por mim.”
“Você se destrói.”
“Desista daquele otário, fique apenas comigo.”
“Desista de sonhar.”
Momentos assim o faziam chorar. Mas eu sabia que não era por minha causa.
–Shhh... – Afaguei seu rosto, limpando as lágrimas que por ali rolavam.
Aquilo me destruía por dentro, como seu olhar havia me dito. Vê-lo chorar por alguém que não o queria, enquanto eu estava ali, de braços abertos, oferecendo tudo a ele.
A aranha desistiria de sua presa para agradar o macho, se ele a quisesse. Enquanto a presa se oferecia a ela, mas seria totalmente esquecida se ela tivesse o que realmente queria.
Um macho tão insignificante... Que logo morreria pela Viúva Negra. Mas não se sacrificaria por ela, como a presa faria.
Fechei os olhos e encostei minha testa na dele, afagando seu cabelo. Esperei até que sua respiração voltasse ao normal, e ele abrisse os olhos.
–Me leva pra casa. – Ele pediu. – Pra sua casa.
Não respondi, apenas assenti e o levantei, segurando-o em meus braços. Nessas horas, ele não recusaria. Mas sairia correndo se fosse Onew o esperando, com os braços abertos.
Mas eu não podia não desejá-lo intensamente. Era seu veneno viciante, que me matava aos poucos, com uma sensação boa e ruim ao mesmo tempo.
Beijei sua testa docemente e levei-o até o elevador de serviço. Ali, eu sei que não passaria ninguém a essa hora da noite. E me levaria para o depósito dos funcionários, por onde eu podia passar e, com a chave de meu pai, dono daquele shopping e de tantas outras construções, eu poderia sair.
Assim o fiz.
Na rua onde deixei meu carro, nada nem ninguém se fazia presente. O frio do outono me causava arrepios, mas para Taemin, era pior. Ele se encolhia contra mim, tremendo, seus dentes quase se batendo pela falta de proteção contra o tempo. Apurei o passo, chegando em breves instantes ao carro.
Coloquei-o no lado do carona e contornei o veículo, entrando e sentando no banco do motorista. Liguei o ar-condicionado para nos aquecermos.
Logo senti um peso já conhecido sobre minhas pernas. Seus olhos negros me fitavam intensamente, me emaranhavam em um transe que me parecia impossível de sair.
–Diga que você me ama. – Ele pediu. Palavras firmes, mas com um leve toque de necessidade. – Diga que você me quer, só a mim. Eu preciso de sua voz, Minho, preciso de você...
–Eu te amo, Taemin. Eu te quero, Taemin. – Sussurrei mecanicamente. – Tanto que não posso explicar. Mas você sabe muito bem que é tudo uma mentira. – Me referia à última parte.
Encaramo-nos por algum tempo. Sua respiração batia em meu queixo, assim como a minha, no pescoço dele. Era verdade, não tínhamos nada. Ele não me amava. Eu não...
Era apenas desejo.
–Você é desprezível. – Cuspiu as palavras.
–Você também é.
–Desejo é uma coisa nojenta.
–Concordo.
Lambi lentamente a linha de seus lábios, provando do veneno ali contido. Era inebriante, insano. Me fazia querer mais. Mais, mais, mais.
Suas mãos envolveram minha nuca, puxando-me contra si em um beijo lento e profundo. Eu e Taemin, dois seres tão desprezíveis, brigando para passar por cima um do outro, tentando, ao máximo, obter uma vitória que não existia. Tentando roubar as forças um do outro.
–Eu não posso viver sem você... – Ele sussurrou, soando mais como um pedido desesperado. Beijou-me a linha do maxilar, abaixando os toques para minha jugular, pressionando os lábios ali.
Eu ficava feliz com suas palavras, mas sabia que tudo não passava de um sonho. Taemin desejava meu corpo, não mais do que isso. Apesar disso, eu não conseguia deixar de querê-lo inteiramente, só a mim.
Preferi manter o silêncio. Porque cada segundo me aproximava do fim.
Empurrei o banco o máximo que pude para trás e reclinei-o. Inverti nossas posições e segurei os pulsos dele com força ao lado de sua cabeça. Meus lábios caminharam por seu rosto, inspirando a fragrância viciante, a qual eu tanto sentia falta quando estava longe. Meus dedos soltaram Taemin e rapidamente o livrei da camisa fina que usava, enquanto ele dava um jeito nas próprias calças.
Olhava-me com desejo. Luxúria. Possessividade. Mais desejo.
Apoiei a cabeça em seu peito, ouvindo as batidas descompassadas de seu coração. Com a mão direita, apertei seu mamilo direito, brincando perigosamente com a região. Meus olhos fechados, apenas ouvindo. “Tum, tum, tum, tum, aah.... Tum, tum, .....”
Minha outra mão desceu até sua virilha. Massageei seu membro desperto lentamente, sentindo cada pulsar, cada saliência, como se fosse a última vez que eu os pudesse tocar e sentir. Seu coração acelerara, e os gemidos também tornaram-se mais frequentes.
Tudo para meu deleite, apenas meu.
Eu sabia que Jinki não o queria, e nunca haveria de querer. Mas sabia também que Taemin não pararia de amá-lo. Mas era torturoso pensar que eu nunca o teria além de fisicamente.
Eu nunca amei ninguém.
Perdi-me na teia, estou enroscado, preso, incapaz de me mover.
Fiz, mais pra baixo, o que tinha que fazer. Ainda com os olhos cerrados, toquei com a língua sua glande levemente úmida pelo pré-gozo. Movimentei minha boca ali, abocanhando aos poucos seu membro desperto, movendo a cabeça para cima e para baixo, ouvindo os gemidos que eu tanto prezava.
–Hnn... Ah... M-Minho... – Ouvi Taemin dizer.
Sim… Sua voz, chame a mim… Somente a mim…
Parei antes que tudo se intensificasse.
Senti ele puxar meu rosto, até igualar a altura de nossas faces. Eu ainda não havia aberto os olhos, mas pude sentir sua respiração pesada bater em meus lábios.
–Abra os olhos, seu canalha. Quero que olhe só para mim.
Ri de sua “ordem”. Mas obedeci.
–Vamos, me penetre. – Disse simples e com um sorriso torto no rosto. Levantou os joelhos e abriu as pernas, permitindo que eu me alojasse entre elas. – Não quero esperar, hyung...
–Você atua muito bem, senhor inocência. – Sussurrei, mordendo-lhe o pescoço.
–Quer que eu seja mais direto? – Taemin disse, irônico. – Me fode logo, sem preparo, com força, com vontade, Minho. É isso que eu quero, você dentro de mim, seu idiota.
Respirei fundo e abaixei minhas calças e minha boxer. Ele puxou minha blusa, forçando-me a tirá-la. Seus dedos escorregaram por meu abdômen.
Rocei meu pênis no dele, simulando uma penetração. Ambos gememos, de tão boa que era aquela sensação. Continuei os movimentos por certo tempo, até me sentir próximo do fim. Mas ainda não havia chegado a parte boa.
–O que está esperando? –Perguntou, impaciente. Eu queria provocar, só um pouquinho. Seus dedos prendiam-se nos fios de cabelo da minha nuca, sem me permitir mover a cabeça. Não me restava opção além de me deixar ser enfeitiçado por suas orbes castanho-escuras.
–O ônibus das seis da manhã. – Respondi, irônico. Posicionei meu membro em sua entrada, roçando-a levemente.
–Enfia logo. – Ele disse, em tom de ameaça. Ri. Ops, eu estava brincando com fogo. E provavelmente sairia queimado.
–Porque a pressa? – Sussurrei, adentrando lentamente seu interior. Taemin gemeu desconfortável, mas contendo-se.
–Porque sim! – Ele quase gritou, ofegando. Sua respiração era pesada e rápida. – Me come logo, Minho...
–O quão desesperado você está, Taeminnie...? – Sussurrei. Movi-me mais em seu interior, acabando por entrar completamente. Cerrei os dentes, mas deixei escapar um gemido baixo. Era apertado, quente, frágil...
Ele não reprimiu um silvo de dor e prazer, descendo os dedos de minha nuca para minhas costas, enquanto eu segurava suas coxas para cima, tentando achar uma posição mais confortável para ambos. Mas sexo no carro não é confortável, acreditem.
A essa altura eu estava tão inebriado com seu veneno que não me importava mais com o fato de ele não ser meu. Apenas queria seu corpo, violá-lo com todas as minhas forças, sentir cada parte de sua pele clara, ouvir cada gemido preso em sua garganta, tocar, cheirar, provar, ouvir e ver, o máximo possível.
Apenas esquecer de pensar.
Retirei-me parcialmente de seu corpo e voltei com força. Senti os dedos de Taemin apertarem minhas costas, sabendo que ali ficariam marcas. Procurei com os dentes seu pescoço, inspirei o perfume que ele usava, mordiscando a pele fina que cobria as veias. Pude também ouvir seus ofegos, e cada um deles pedia por mais e mais.
Não recusaria seu pedido indireto.
–Aaahn... Ah.... Min... Ho... Uhn... – Deliciei-me com sua voz, clamando por mim. Pelo menos uma vez naquela noite eu havia me sentido poderoso.
Aprofundei os movimentos de vaivém contra sua entrada. Ora aumentava-os, ora diminuía. Deixei seu pescoço e lábios vermelhos, de tanto explorá-los. Mas não me senti arrependido ou receoso.
Certo momento, consegui acertar sua próstata. Ele gritou e contraiu o corpo, ofegando. Meu membro pulsava, indicando que meu ápice estava perto. Apertei os dedos no membro dele, movendo a mão freneticamente e continuei a estocá-lo com força. Parecíamos animais, o prazer era tão grande que não queríamos mais nada naquele momento. Taemin se dava ao trabalho de ofegar, gemer e gritar, o que já me era extremamente prazeroso.
–Aaah, Minho... E-eu vou gozar... Aaaaah! – Ele praticamente gritou, arranhando minhas costas.
Gozamos quase juntos. Eu fui primeiro, urrando de prazer e me desfazendo em seu interior. Assim, ele também gozou, sujando minha mão e seu próprio abdômen. Caí sobre seu corpo, devido ao cansaço. Mas logo retirei-me de dentro dele e o aninhei em meus braços, deitando-nos no banco.
Nossas respirações estavam pesadas. Taemin aninhou o rosto em meu peito, enquanto eu massageava seu cabelo. Eram esses momentos que me eram mais preciosos, mais até mesmo que o sexo. Porque só eu podia ver esse lado frágil e que em que ele realmente precisava de mim. Só eu. Só a mim.
–Não vai reclamar de nada? – Perguntei, em tom de humor. Era verdade, ele sempre terminava jogando na minha cara todos os meus defeitos. “Você goza muito rápido”, “Olha as marcas que você deixou em mim”. Essas coisas.
Ele soltou um suspiro de reprovação, mas riu também.
–Não, hoje não. – Abraçou-me com ternura. – Mentira, só estou pensando em quais defeitos apontar.
Ri. Era óbvio.
–Também tenho algumas reclamações. – Sussurrei. – Você é muito mandão. Porque não me deixa guiá-lo, pelo menos uma vez? E também, você é muito bipolar. Chegou me abraçando, ficou violento, chorou, ficou mandão e possessivo, e agora, está me mostrando essa face doce. O Jinki não vai querer um namorado assim, acredite.
Ele me deu um tapa leve no rosto. Fui sincero e recebi sinceridade.
–E você, por acaso, quer? – Ele me acusou. – Porque eu não quero um namorado gordo que nem você. O Onew pelo menos malha e tem tanquinho. Olha isso aqui! – Ele puxou a minha pele perto do umbigo. Puta merda, eu nem sou assim tão gordo. E tinha um abdômen bem trabalhado. E eu nunca tinha visto, para dizer se Onew tinha ou não. Mas pela quantidade de frango que o cara comia, não devia ter.
–Posso fazer muitos exercícios com você. – Eu disse, malicioso.
–Claro, nem transando 24 horas por dia comigo você vai ficar mais magro. Obesidade ambulante. – Ele disse, irônico. Era tudo brincadeira, nós dois sabíamos. Uma brincadeira que começava ameaçadora, se tornava prazerosa, e por último, estranhamente divertida. Vai entender.
–Olha como me chama, senhor magreza. – Apertei seu corpo contra o meu. – Você pode ter corpinho de mulher, mas essa varinha de fada aí em baixo não engana ninguém.
Ele soltou um silvo de insatisfação.
–Eu não tento enganar ninguém. Vou ser eu, Taemin, até morrer.
Ficamos um tempo em silêncio. Mas não era um silêncio tenso, era agradável. Para mim, apenas estar com ele já bastava.
–Vamos para minha casa. – Eu disse, levantando. Taemin levantou-se também e pulou para o outro banco.
–Nem vou colocar as roupas, sei que quando chegar vou ter que tirá-las de novo. – Cobriu-se com minha blusa, sorrindo torto.
–É, talvez não seja uma má ideia. – Ri.
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Tae POV
–Bom dia. – Ouvi Minho sussurrar em meu ouvido. Senti seu corpo se afastar do meu, mas pude virar a tempo para segurar sua mão.
–Não... – Choraminguei, sem abrir os olhos. Eu sabia que ele queria abrir a janela e deixar o sol iluminar o quarto somente porque eu não gostava disso.
–Dessa vez eu deixo passar. – Ele disse e se deitou de novo. Me aproximei o máximo que pude de seu corpo, sentindo o calor gostoso de poucos segundos atrás. – Dormiu bem?
Foi uma pergunta irônica.
–Vem sentir a dor. – Respondi, áspero.
–Aposto como dói mesmo. – Apalpou minha bunda. Aish, estava doendo, filho da puta.
–Aish. Pode apostar que eu vou me vingar, maldito. – Sussurrei. Abracei-me a ele, para o caso de tentativas de fuga. – Agora fica quieto que eu quero dormir.
–Sabe, Taemin... Acho que nós dois somos idiotas. – Minho disse, suspirando.
–Acho que você é um idiota. Por me amar sem eu te dar o mínimo valor. – Respondi.
–Digo o mesmo pra você, em relação ao Onew. – Mereci essa.
–Tem razão. – Suspirei. – Somos dois idiotas. Eu não gosto de você. Você tem quem amar, e eu amo unilateralmente. Nós dois brigamos feito cão e gato. Mas ainda assim, estamos aqui, na mesma cama.
–E no mesmo carro, na mesma cozinha, na mesma sala, no mesmo banheiro... – Ele riu. – Só você pode me consolar fisicamente. E eu sei que sou o mesmo para você.
–Talvez. – Murmurei. Não queria admitir. – E como vai sua carreira de escritor frustrado? Eu já te disse para jogar a toalha e virar caminhoneiro. Não me leve a mal, não acho ruim a profissão. Só te quero longe daqui.
–Vai bem, obrigado. – Ele retrucou. – Eu bem que queria, mas a minha inspiração de trabalho e vida está aqui. E não vou abandoná-la assim, tão facilmente.
–É um idiota mesmo. – Eu disse, mas soou mais para mim mesmo. – É por isso que eu vou estudar e me tornar alguém importante, não ficar vagabundeando como você.
–Boa sorte. Pode esperar até eu ficar rico e famoso. Até lá, vou ter te conquistado, aí você nem vai precisar trabalhar. – Senti um beijo em minha nuca.
–Idiota. Nós nunca vamos ter nada. Nada além de sexo.
–Perfeito, contanto que você seja só meu. Só meu. – Repetiu baixinho, em meu ouvido.
–Idiota. – Repeti baixinho, logo pegando no sono novamente.
Quando acordei de novo, o relógio apontava mais de cinco da tarde. Revirei-me pela cama, percebendo que esta estava vazia. Apenas senti o amassar de uma folha de papel debaixo de meu corpo.
Puxei-a e pisquei os olhos, despertando-os. Pude ver um emaranhado de palavras que, aos poucos, me faziam sentido.
–Idiota. – Disse mais uma vez, sorrindo.
“Vi diante de meus olhos o ser mais superior,
Que me afoga em seu veneno lascivo,
Torna-me seu escravo.
Por ele, hei de morrer.
Por ele, hei de sofrer,
enquanto aguardo meu julgamento pelo crime de amá-lo.”
Peguei uma caneta e pus-me a rabiscar o verso do papel
“Ainda me destruirei contigo, Minho. Por hora, deixe meu coração desgostoso definhar na própria amargura. Um dia, quem sabe, eu esteja tão podre quanto você.
E assim, amaremos a desgraça um do outro.”
Dobrei-a e joguei em um canto qualquer do quarto. Pus minhas roupas e fui embora.
Ali deixei meu coração já apodrecido.
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