Infinite
12 O que é ser um vírus?
Notas iniciais
Juliet,
Puta merda, Juliet. PUTA. MERDA.
Sim! Eu estou xingando demais da conta nos últimos dias, mas parece que faz uma eternidade que não escrevo para você, mas pra falar a verdade não faz nem duas semanas direito, apesar de quatorze dias serem bastante tempo. Mas tanta coisa aconteceu, não sem nem por onde começar. Estou tremendo, literalmente.
Lembra que eu disse que a Sra. Minerva obrigou-me a fazer um teste para o time de futebol? Pois bem, eu passei. Eu sei, eu sei, é até inacreditável, mas eu não mereço nenhum crédito, pois só estou no time porque a Sr. Minerva conseguiu convencer o treinador Smith. É uma droga. Eu não sei jogar nada, apenas corro de um lado para o outro. Mayune também esta no time, e isso facilita um pouco as coisas, mas nem tanto, pois às vezes acho que Mauyne só participa do time para impressionar o namorado.
E também tem a Ramona. Acho que nunca falei dela para você antes. É uma garota nova. E ela é a capitã do time . E é aí que tá o problema da coisa toda. Ela não fala com ninguém. Nunca vi Ramona sorrir. Nunca vi Ramona conversar com alguém. Nunca vi Ramona agir como uma pessoa normal. Isso me deixa triste e curiosa, Juliet. Quando eu olho para Ramona, vejo uma pessoa tão vazia quanto eu. Mas tem alguma coisa nela, Juliet, alguma coisa na maneira como ela anda e olha para todos como se estivesse com ódio. Tem alguma coisa na maneira como ela reage quando estou perto, como se eu fosse algum tipo de vírus.
Eu sou um vírus, Juliet?
Uma vez, você fez uma amiga nova no time de natação. Lembro que vocês ficaram superamigas, e eu tinha muito ciúmes de vocês quando estavam juntas, por isso tentava sempre acompanha-las. Aí um dia essa menina disse que eu era grudenta. E você não me defendeu. Você apenas riu e balançou ligeiramente a cabeça para o lado enquanto me olhava, como se fosse duas pessoas, como se tentasse agradar tanto a mim quanto á ela. E agora eu preciso saber,Juliet. Ser grudenta seria a mesma coisa que ser um vírus?
Eu não quero ser um vírus. Eu só quero ser eu. E também quero ser você.
Sinto sua falta, Juliet. Ás vezes acho que eu sou a que mais sente isso, mais do que nossos pais. Mais do que Colin. Mais do que qualquer outra pessoa. E algumas vezes é tão difícil ficar em casa ou fora dela. É simplesmente mais fácil esconder-me debaixo da cama. E contar. Até o infinito, mesmo que eu nunca chegue até ele.
Ainda estamos no meio da semana, o que significa que só vou para a casa do papai daqui á três dias, mas ele veio para cá ontem. Mamãe estava em casa, e uma coisa tão estranhamente bizarra aconteceu: Eles sentaram-se na sala e começaram a conversar. É claro que mamãe lhe dava respostas curtas e ácidas, além de nunca olhá-lo nos olhos. Eles estavam conversando sobre você. Sei disso porque eles pediram-me para sair, e mamãe tinha lagrimas nos olhos enquanto olhava aquela nossa foto do Monte St. Elena que fica na estante.
Não tentei ouvir ás escondidas. Tive medo. Medo de chorar bem ali na frente dele. Não quero que ele ache que eu sou fraca, apesar de ser. Não quero que ele ache que só porque está se tornando um pai mais presente, signifique que esteja tudo bem. Não sei se vou conseguir perdoá-lo, Juliet. Não sei se conseguirei perdoar Aaron também. É tão difícil de fazer isso.
Acho que já realizei o número 18° da lista, pois considero Sky uma nova amiga. Mas ainda não abri a nota, já que quero fazer isso com ela, quero contar a ela sobre a sua lista, mesmo que isso gere perguntas que não posso responder. E, para fazer isso, preciso ligar a luz. Preciso ver quem Sky é. Estou com medo. Estou com medo de ser alguém que já tenha me machucado antes, ou uma pessoa que, ao descobrir quem eu sou, não queira mais me encontrar ali. E eu ficaria arrasada se algo assim ocorresse.
Ainda não tentei fazer nenhum dos intens. Sinto que falta algo. E eu sei o que é. Você também sabe o que é. Não é o que, mas quem. Mas não quero vê-lo, Juliet. Dói olhar para ele, dói lembrar o que nós fomos um dia. A bibliotecária mandou-me um e-mail dizendo que o prazo de devolução do livro As Ondas acabava amanhã, e que após isso haveria multas caso não fosse entregue. Estou tentando saber exatamente o que fazer.
Preciso ir agora. Acho que essa é a carta mais longa que já escrevi para você. Ainda tem mais coisas, porém não acho que sejam importantes. Na verdade, quero guardá-las para mim. Desculpa,Juliet. Mas acho que se guardá-las, elas me tornarão alguém mais misteriosa, alguém que tem alguma coisa além do obvio. Ou não. Não gosto de pensar muito sobre isso.
Até mais,
V.
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