Eu te amo.

Apenas essas três palavras me abalaram completamente. Ele me amava e isso era tudo que importava. O garoto que cresceu comigo me amava. O garoto mais velho que eu me amava. O garoto que estava sempre rodeado de garotas e amigos me amava. O garoto que sempre me protegia me amava. Eu estava feliz.

Sua mão tocou minha bochecha de modo hesitante, quase com medo, e talvez ele estivesse com medo mesmo, já que eu não disse nada. Vendo que eu não me afastaria do seu toque ele roçou seu polegar pela minha bochecha fazendo seu caminho para meus lábios, circulando-os, mas sem toca-los. Eu tremi. Não que eu estivesse com frio, pelo contrario, seu toque me aqueceu de uma forma inimaginável. Seus olhos brilhando entre azul e cinza de uma forma tão intensa que por um momento meus pensamentos deslizaram para todas aquelas meninas que o idolatrava e se elas também já tinham visto aquela intensidade, e de alguma forma meu peito inflamou de raiva, mas não durou muito tempo.

Com o olhar intenso ele se aproximou o bastante de mim que nossos corpos estavam se tocando, suas mãos seguravam meu rosto com suavidade, seu rosto se aproximando do meu, sua boca entreaberta, minha respiração presa na garganta. Nervosismo tomou conta de mim. E se ele não gostasse? E se eu fizesse errado? Nunca tinha beijado ninguém e estava apavorada.

— Elena... – sua voz sussurrou meu nome de forma tão doce que o nervosismo evaporou. Eu queria beija-lo como nunca quis nada na vida e faria isso. Acabei com o espaço que tinha entre nos e nossos lábios se encontraram.

A surpresa pelo meu ato só durou meio segundo e logo senti a pressão de seus lábios. Ele me beijou suave e carinhosamente, seguindo o padrão de meus lábios com os seus. Estava me sentindo maravilhosamente bem, mas acabou muito cedo. Ele encostou sua testa na minha e ficou imóvel por alguns segundos. Pensei ter feito algo que ele não gostou e quando ia pedir desculpas, ele suspirou e se afastou.

— É melhor eu leva-la para casa agora. – sua voz saiu tão distante, tão diferente que senti algo em mim se quebrar.

Lagrimas quente e silenciosas começaram a escorrer pelo meu rosto, embaçando minha visão. Nada além do beijo podia justificar a súbita mudança nele. Talvez ele me achasse inexperiente demais pra ele? Talvez não me amasse mais? Só de pensar na possibilidade de não ser amada por ele minhas lagrimas aumentaram para grandes soluços feios que não me deixavam sequer falar.

Senti seus braços me rodearem e me puxar para si. Enquanto uma mão estava na minha cintura, a outra estava em meus cabelos, acariciando, acariciando e acariciando. Ele estava me consolando e isso só me fez debulhar mais ainda em lagrimas.

— Elena... Por que está chorando? – sua voz estava novamente doce e isso me ajudou a tentar responder.

— Você... N-não... Gostou...

— Eu não gostei? Do que? – ele soou confuso.

—B-beijo... – solucei e mesmo entre lagrimas e rosto escondido, senti meu rosto corar vergonhosamente. E então eu estava longe de seu abraço, enquanto ele me olhava com horror.

— Elena, acho que não estamos na mesma pagina. Por favor, repita o que disse.

Eu apenas funguei e olhei para ele e então minha tristeza deu lugar à raiva. Ele me olhava divertido enquanto um dos cantos de sua boca estava puxado para cima. Primeiro um sorriso de lado. E então ele estava rindo descaradamente de mim. Sem mais lagrimas, cruzei meus braços e meu rosto se transformou em uma carranca vermelha.

Vendo minha expressão ele finalmente parou de rir e me olhou serio.

— Eu nunca experimentei algo tão bom assim, Elena. Foi a melhor experiência da minha vida, te beijar e ser correspondido.

— Mas você me beijou tão rápido e depois quis me levar embora – sussurrei.

— Eu só... – ele pareceu hesitar em me dizer, mas não deixaria por isso, precisava saber que ele realmente tinha gostado.

— Você só o que?

Ele me olhou por um segundo e então respondeu:

— Eu só não queria força-la a fazer algo ou machuca-la. – minha carranca desmanchou depois disso e me joguei em seus braços, rodeando sua cintura.

— Você nunca me machucaria e eu gostei do que estávamos fazendo – sussurrei com o rosto enterrado em seu peito. Esperei por uma resposta que não veio ao invés disso ele me abraçou e beijou o topo da minha cabeça.

— Eu te amo, Damon.

E esse foi o começo do fim. A ultima vez que vi o Damon.