Infindável
14 Capítulo 13 – Liberdade Suja
A cama fazia um barulho irritante, mas era um preço pequeno a se pagar se contar em que o fazia. As risadas gostosas que estavam saindo do pequeno corpo. Sacrificaria qualquer coisa por sua doce risada infantil, pelo seu rostinho com tamanha felicidade.
Archer estava fazendo uma farra na cama, colocando sua cabeça ao lado das mãozinhas gordas e impulsionando seu corpo para o outro lado. Já devia ter uns bons 10 minutos que ele estava fazendo a mesma coisa, mas não ousei interromper sua diversão. A cada cambalhota bem sucedida ele soltava uma gargalhada e batia as mãozinhas. Só de vê-lo animado assim me deixava completamente feliz.
Era a primeira vez que eles o traziam para mim sem ter a Katherine por perto. Era nosso primeiro momento de pai e filho, e por mais que eu amasse ter a Kath conosco, ansiava por ter um momento só meu e dele. Eu não tinha permissão de vê-lo sempre e eu odiava cada dia longe dele. A maioria das coisas que eu sabia sobre ele era Katherine que me dizia. Era angustiante e horrivelmente doloroso.
Então como se pra me atormentar ainda mais o motivo dele estar sozinho comigo veio à tona. Senti uma dor enorme no peito pensando no que deveria fazer. Ia doer tanto.
— Archer. – chamei um tempo depois do aperto na minha garganta diminuir.
Ele parou no meio de uma cambalhota e desviou aqueles grandes olhos azuis para mim.
— Papa?
O chamei com um pequeno movimento com a mão e ele mostrou seu sorriso banguela para mim. Ele impulsionou seu corpinho para frente e pulou, sem hesitar, da cama, caindo com as mãozinhas no chão. A cama não era muito longe do chão, mas para Archer era. E só o fato dele não ter medo aliviava o grande medo que eu tinha. Ele não vivia em um ambiente exatamente saudável, muito ao contrario disso. E saber que mesmo com todas as circunstancias horríveis e dolorosas em que vivia ele ainda podia sorrir normalmente como uma criança me deixava incrivelmente aliviado e orgulhoso do meu menino.
Assim que se levantou ele veio correndo em minha direção, jogando seu corpinho em cima de mim com os braçinhos gordo em meu pescoço. Abraçando-me com força eu sabia que ele tinha algo para me dizer, então esperei pacientemente.
— Papa... – ele disse baixinho – Sadade...
Senti meu peito apertar dolorosamente com apenas duas palavras.
Meu menino sentia minha falta. Sentia falta de ficar com seu pai e saber que ele era desprovido disso era doloroso.
Archer era a pessoa mais importante para mim, ninguém chegava nem perto, nem mesmo o sentimento que eu nutria pela Elena alcançava. E era horrível não saber o dia em que seu próprio filho nasceu, o dia em que fazia aniversário. Eu não fazia a mínima ideia de quantos anos tinha meu próprio filho. Nunca pude dar um brinquedo para ele ou dizer feliz aniversário. Não pude lhe ensinar sobre o quão grande era o mundo em que ele vivia.
A verdade era que o mundo de Archer era limitado. Ele não conhecia as cores, as letras ou os números. Ele nunca viu o sol, a lua ou as estrelas. Ele nunca sentiu aquela pequena coceira, mas gostosa sensação ao se sentar num gramado. Ele nunca experimentou a sensação de brincar com outra criança. E, por mais que eu quisesse pensar que ele estava sendo um pouco como uma criança normal eu sabia o quão errado estava. Isso se mostrava em sua maior debilidade: A fala.
Se vocabulário consistia em pouquíssimas palavras e mesmo assim com a pronúncia muito errada. Eu podia não saber sua idade, mas já tinha visto muitas crianças com seu tamanho falando completamente bem. Sua debilidade era devido ao fato de não ter ninguém ao seu redor lhe ensinando. E ele não poderia aprender apenas ouvindo, já que ninguém falava ao redor dele.
Eu já tinha visto o “quarto” em que ele ficava e era totalmente doente.
As paredes eram todas brancas, do chão ao teto. Era como estar em sala de hospital. Não existia qualquer cor alegre. Não existia um brinquedo. Apenas um colchão de bebê forrado com um trapo. Nada mais.
Era sem vida.
E meu filho vivia ali.
Eles tratavam meu filho exatamente como me tratavam: como um animal.
O puxei para meu colo, aninhando suas perninhas ao meu redor e passei meus braços por sua volta. Seu corpo era tão pequenino, tão quente, tão bem em meus braços. Eu queria chorar, mas me segurei.
Archer estava sendo forte e eu tinha que dar exemplo.
Então sussurrei baixinho em seu ouvido:
— Papai também estava com muitas saudades.
Ele ficou mais alguns minutos agarrado a mim e então se afastou um pouco.
Archer era lindo.
Seus olhos eram mais azuis que os meus, pareciam duas pequenas piscinas, com grandes cílios. Os cabelos tinham o tom dos de Katherine, lindos fios castanhos. O nariz e as orelhinhas pequenas. As grandes e macias bochechas rosadas. O sorrisinho de lado que era uma cópia fiel ao meu sorriso de lado. Eu adorava ver o sorriso de lado dele porque era a prova de que Archer era meu e não deles.
Ele era perfeito e era meu.
E como se lendo meus pensamentos ele me deu aquele sorriso lindo e eu só pude pensar na conversa que tinha tido há alguns minutos – ou horas – e o quanto eu sentiria falta do meu menino.
O pior momento desse lugar era quando estávamos sozinhos. Eu e meus pensamentos.
Minha mente fugia para memórias e assuntos mais banais. Ou pior: para minhas memórias mais importantes.
Algumas vezes eu tinha diálogos em minha própria cabeça. Imaginei várias e várias conversas entre mim e Elena. Eu imaginava suas falas e feições. Imaginei como seria fazer sexo com ela uma única vez. De como seriam seus gemidos quando estivesse embaixo de mim ou como seu rosto ficaria ao gozar. E era em momentos assim que eu via o quão louco eu estava ficando.
Eu já tinha ficado duro ao pensar nela nua – o que era bastante ridículo se contar que eu nunca a tinha visto nua –, mas senti meu pau endurecer apenas com a imaginação e quando levei minha mão até lá e me toquei não durei muito tempo. Os jatos de sêmen sujavam meu estomago enquanto eu virava meu rosto e vomitava com a percepção do que estava me tornando.
Eu odiava ficar sozinho!
Ao estar sozinho eu via o quão desprezível e sujo eu tinha me tornado.
E era isso o que eu estava pensando quando ouvi a porta ranger e dois homens entrarem.
Como sempre eles estavam todos de preto com mascaras tapando metade do rosto. Para minha surpresa não tinha qualquer objeto para me torturar, apenas uma das algemas que usávamos. Olhei para porta esperando Katherine entrar, mas ela nunca apareceu. Então não seria um “show”.
— Estenda as mãos. – um deles mandou e eu fiz sem discutir ou dizer qualquer coisa.
Eles passaram a algema em meu pulso e me prenderam. Elas eram apertadas e o material agarrava meu pulso, cortando a carne fina. E mesmo assim não abri a boca, se eu fizesse só pioraria as coisas para o meu lado.
A fita preta veio logo em seguida.
Nem me preocupei, já era normal. Nunca saia desse quarto sem que meus olhos estivessem completamente tapados. Não era difícil entender a lógica deles: se eu não via nada, nunca conseguiria fugir dali.
Não que isso fosse um problema.
Eu tinha muito a perder para tentar fugir.
Eles me empurram sem se importar quando eu caia ou tropeçava. Apenas me xingavam ou chutavam, mas isso também não era novidade. Eu estava acostumado. Andamos um bom tempo já que eu não podia ver nada e tinha que ir testando o chão.
Quando me jogaram em uma cadeira parecia ter passado muito tempo e eu me sentia esgotado.
Tudo estava em silencio e era angustiante ser privado tanto da visão quanto da audição. Pude sentir minhas mãos começarem a tremer, já temendo o pior.
Mas então uma voz chegou aos meus ouvidos e a fita foi retirada dos meus olhos.
— Ora, ora, ora. Se não é o nosso querido Damon Salvatore.
Eu não sei o que esperava, mas nunca seria aquilo. Para mim o “chefe” seria um psicopata. Algum homem pingando riqueza, mas não.
Era uma mulher.
Ela estava sentada em uma daquelas poltronas luxuosas atrás de uma mesa como os de escritórios. Eu podia dizer só de olhar que aquela mulher era o “chefão” ali e que tinha muita grana.
Ela usava um vestido azul escuro com um grande decote, mas sem parecer nem um pouco vulgar. Os cabelos castanhos caiam em ondas até um pouco depois dos ombros. Grandes brincos prateados pendiam em suas orelhas, assim como um colar ao redor do pescoço. E eu não podia ver seu rosto completamente porque assim como os homens, ela usava uma mascara tapando seu rosto. Apenas os lábios vermelhos estavam à vista.
Eu não podia dizer o porquê, talvez pelo fato de saber que era uma mulher que comandava toda aquela sujeira, mas senti uma repulsa apenas olhando para ela.
O nojo subiu a bile e tive que engolir o vômito que subiu pela minha garganta.
— Você é um garoto bem bonito, sabe. – ela continuou com sua voz irritante – Acho que sei por que elas gostam de ser fodidas por você.
O cara que ainda não tinha reparada que estava ali riu, como se ela tivesse contado uma piada. Reconheci-o como o mesmo que marcou. Aqueles olhos eram difíceis de serem esquecidos. Eu queria me lembrar de onde o reconhecia, mas nada vinha em mente.
Mas eu sabia que ele era importante.
Enquanto os dois que me trouxeram estavam atrás de mim, encostados na porta, ele estava ao lado dela com os braços cruzados e um sorriso arrogante no rosto.
— Acho que eu gostaria de experimentar. – ela ronronou e senti um frio na espinha. E quando ela passou a língua nos lábios senti outra onda de vômito vindo.
— Vai deixar o menino de pau duro, querida. – O Cara disse.
— Deixe-o ter algo para fantasiar.
— Não mesmo. O único a meter nessa buceta sou eu. Não vou deixar um pirralho fantasiar com o que eu como.
Ela soltou uma risadinha horrível e levou a mão até o pau do cara, apertando-o por cima do jeans.
A cena toda era muito nojenta e repugnante. Eles não se importavam se tinha ou não pessoas ali na sala. E só faltou ele levantar seu vestido e foder a buceta dela. Não me surpreenderia se fizessem.
Quando ela finalmente se cansou de tocar o pau do cara, se virou para mim com um olhar serio. Finalmente iriam me dizer o que diabos queriam de mim.
— Vamos resolver logo as coisas com o garoto e ai você pode me foder nessa mesa, querido.
— Estou contando com isso, então se livra logo desse moleque.
— Estamos te soltando, fique feliz Damon Salvatore. – ela falou como se não fosse nada de mais. Como se meu coração não tivesse parado alguns segundos.
— O-O que?
Ela riu e disse:
— Oh, querido. Ele ficou tão feliz que não sabe como reagir, que fofo.
— Ele é só um otário, ainda mais se acha que isso não terá um preço. – eu já tinha notado isso antes, mas tive certeza que aquele cara me odiava. Não era como se não gostasse de mim, ele realmente me odiava e eu não ideia do por que. Mas antes de ficar pensando muito nisso eu tinha outra coisa para entender.
O que eles queriam dizer que eu estava sendo solto?
— Vejo que não esta entendendo nada e vou ter o prazer em lhe explicar. Em um dos nossos “shows” fomos descuidados na hora de vender os bilhetes e deixamos qualquer um entrar. Queríamos na verdade um novo público, estamos constantemente recebendo o mesmo público, tanto feminino quanto masculino, e nosso plano era mudar um pouco, abranger, já que o per capita não está satisfazendo mais. Você era um menino quando veio para cá e mudou muito desde então e pensamos que não o reconheceriam. Foi uma merda de ideia deixar seu rosto a vista de todos. Uma das novas clientes desconfiou da sua verdadeira identidade e porra ficou fodida. Mas não se preocupe que já pensei como resolver isso. Já demos um jeito na garota e agora só falta você. – fiquei boquiaberto enquanto ela jorrava essas coisas pra cima de mim como se fosse uma conversa diária. A mulher era completamente doente e continuou a me dizer tudo e a cada vez eu sentia um temor. Eu tinha certeza de o que quer que fizessem, só iria me prejudicar ainda mais. –... E foi assim que decidimos que você irá para casa. Até que nossos novos clientes esqueçam seu rosto você estará fora daqui.
Minha mente foi direto para Archer e Katherine. Então eu iria embora e o que aconteceria com eles?
— M-Me deixem ficar aqui, por favor... – implorei sem orgulho nenhum.
— Oh meu, ele quer ficar aqui querido. Ele deve realmente gostar de foder com as clientes. Mas me diga, Damon Salvatore, porque você não quer ir embora? – ela me olhava com interesse obvio. Com a diversão brilhando em seus olhos.
— Archer e Katherine. – disse baixo temendo a resposta dela.
— Hum, você gosta bastante deles. Mas não, você irá embora. Não tenho utilidade para você aqui no momento. – ela pegou uma pilha de papéis e estendeu para mim. – Todos esses nomes são de clientes regulares que pagam uma boa grana por uma boa foda. As folhas com números são o valor da quantia mínima de cada uma delas, caso paguem menos do que isso é porque o serviço não foi satisfatório, ou seja, você não fez tudo o que elas queriam. É claro que isso é só para ter uma noção do serviço que tem que fazer já que o dinheiro será entregue pessoalmente para nós. Você só está saindo daqui, não pense que ainda não é nosso porque você é e sempre será. Temos as duas coisas importantes para você e não temos um pingo de dó ao usa-las contra você. Tenha em mente que se o pagamento for menos do que o proposto quem sofrerá vai ser seu pequeno filho e a mãe dele. Vamos te machucar onde mais dói. Não ouse pensar que somos otários porque não somos. Eu sei exatamente o que estou fazendo. Vou estar te vigiando 24 horas e vou saber se abrir o bico para alguém. E o primeiro a sentir minha ira vai ser seu precioso Archer. Eles vão ficar aqui enquanto você vai embora para tentar mante-los vivos. Ou então você pode sair daqui e nos denunciar e deixar que ambos morram, porque pode ter certeza que vamos mata-los. A escolha é sua Damon Salvatore.
Eu sabia.
Nunca viria fácil assim.
Eu estava indo para casa e deixando meu menino no inferno. Tudo que eu conseguia pensar no momento era nele aqui enquanto eu estaria em “casa”. Porque diabos isso estava acontecendo comigo.
Ela estava esperando minha resposta ou que eu me recusasse, mas eu não disse nada. Nem mesmo quando ela mandou todos saírem da sala. Minha cabeça estava em torno de Archer, apenas em Archer.
Meu menino.
Meu filho...
Eu estava tão imerso que não vi o momento em que ela tinha levantado de sua cadeira e ido para trás de mim, não até sentir suas mãos em meus ombros.
Meu corpo ficou tenso imediatamente e ela soltou uma risadinha falsa.
— Levanta e tira a camisa. – ela não estava me pedindo, estava ordenando e foi só então que percebi que estava até sem as algemas.
Eu sabia exatamente o que ela queria quando foi até a mesa e se sentou com as pernas a mostra. Era tão sujo o que eu ia fazer.
Levantei e tirei a camiseta sob seu olhar predatório. Sem falar nada ela apontou para a calça e peça foi embora junto me deixando completamente pelado com o pau mole e enrugado.
— Acho que você precisa de um pequeno incentivo. – E com isso ela desceu o zíper lateral do vestido e se desfez dele ficando nua. A mulher não usava sutiã ou calcinha.
Ela segurou um dos peitos, apalpando-o e apertando o mamilo já duro. Suas pernas foram abertas no mesmo instante revelando a buceta. Ela estava tão molhada que os pelos estavam grudados e ensopados. Com a buceta toda aberta ela levou a mão até carne vermelha e enfiou um dedo em si mesma.
Ela estava fazendo um show, se dando prazer sozinha e meu pau não mexeu um centímetro. Estava mole e sem vida. Eu sabia que teria que dar um jeito de me excitar ou estaria fodido. Aquela mulher queria prazer, queria ser fodida por mim e se eu não ficasse duro receberia as consequências mais tarde.
Então pensei na pessoa que me deixava duro com qualquer pensamento: Elena.
Imaginei que fosse ela no lugar daquela mulher suja, fazendo as mesmas coisas. Se tocando para mim, gemendo para mim e instantaneamente meu pau foi ganhando vida até repousar em meu estômago.
Ela ficou satisfeita quando me viu duro e então tirou o dedo que estava em si e abriu sua buceta para mim. Por um segundo eu vacilei e senti o vômito vindo.
Tive que fechar meus olhos e pregar em minha mente:
Pense na Elena. Pense na Elena. Pense na Elena.
Antes que meus pensamentos voltassem a si fui até ela e meti meu pau de uma vez só. Seu gemido queimou meus ouvidos e novamente tive que engolir a náusea. A mulher estava encharcada e o atrito era pouco. Sua buceta não tinha o mesmo aperto que a de Kath ao me redor. Não me excitava em nada.
Espalmei minhas mãos em sua cintura e ela passou a pernas ao meu redor, gemendo horrivelmente meu nome. Continuei metendo nela automaticamente e a cada estocada sentia algo em mim se desintegrar.
Quando suas unhas de puta entraram em minhas costas e sua boca foi em direção a minha senti o ultimo pedaço da minha sanidade se quebrar em mil pedaços. Pensar que estava fodendo a Elena não estava ajudando se eu tinha que ouvir os gemidos sujos que essa mulher soltava.
Sua língua estava dentro da minha boca, explorando tudo e nunca um beijo doeu tanto. Eu tive que sentir seu gosto de cigarro misturado com bebida. Então sua boca saiu da minha e foi para meu pescoço e depois para meu peito.
Sua boca suja em mim.
O batom espalhado pelo me corpo.
Me marcando como se eu fosse seu.
— Oh, vou gozar... Damon! – ela jogou sua cabeça para trás com boca aberta enquanto seu gozo encharcava meu pau.
Eu não conseguiria gozar então puxei para fora dela. Meu pau estava encharcado, seu gozo escorrendo por todo o meu comprimento. Eu só queria me lavar e tirar aquilo de mim.
Quando ela voltou a si tinha um olhar tão satisfeito que nem se importou se eu gozei ou não. Sua mão foi até a buceta molhada e ela lambuzou seus dedos lá. Depois de deixa-los pingando ela levou os dedos até a minha boca. Engolindo o nojo abri a boca e senti seu gosto se espalhar pela minha boca.
Era horrível.
— Você fez muito bem e por isso vou lhe dar um presente antes de manda-lo embora. Se vista que eles vão leva-lo para o quarto.
Fiz o que ela mandou e quando aparecia na porta fizeram todo o processo com as algemas e a venda. Alguém saiu me arrastando pelo chão e eu sabia que era O Cara. Quando me jogaram no quarto recebi vários chutes dentre um nas minhas bolas.
Doía tanto que nem senti quando tiraram a venda e as algemas. Só fiquei no chão gemendo e segurando minhas bolas em busca de alivio. Quando finalmente a dor cedeu me sentei sentindo um nojo enorme de mim mesmo.
Eu pensei na Elena enquanto fodia uma puta. Pensei nela para conseguir ficar duro.
Jesus. Eu fodi a mulher que estava me mantendo preso.
Nunca me senti tão sujo.
E também nunca me senti tão quebrado.
Eu estava indo embora. Iria ver minha família novamente. Iria ver a Elena novamente.
Como seria ver a pessoa pela qual era apaixonado e não poder toca-la? Eu nunca poderia toca-la. Não por uma pessoa suja como eu. Eu nunca me permitiria suja-la com minhas próprias mãos. Não importava o quanto eu a amava. A Elena nunca seria minha.
Novamente eles colocaram a Elena mais longe do meu alcance.
E eu dolorosamente aceitei isso.
Depois de algum tempo a porta se abriu e um pequenino entrou indo direto para meus braços.
Archer era a surpresa.
E por Archer eu faria tudo novamente. Tê-lo compensava tudo.
— Papa, sota— Archer estava tentando tirar minhas mãos de seu ombro com uma expressão brava.
Só então percebi que estava agarrado nele enquanto pensava no que tinha acontecido.
— Opa, já soltei rapazinho.
Ele deu uma risadinha com as mãozinhas tapando a boca e falou:
— Não é rapazin papa, é Arch.
Ao invés de corrigi-lo e explicar o porquê de rapazinho entrei no jogo. Era meu ultimo dia com meu filho até sabe quando. Não diria algo que o deixaria frustrado, porque sempre que ele não conseguia dizer algo certo ficava com raiva.
— Tem certeza? Acho que é rapazinho sim. – Antes que ele pudesse responder o puxei para meu colo e ataquei sua barriga com minha boca, mordendo e fazer cócegas. Sua risada encheu completamente o quarto e seu corpinho se contorcia sob meu ataque.
Só parei quando ele começou a gritar: “xixi, xixi, xixi”.
Ele sentou no meu colo todo ofegante e segurando a barriguinha. O sorriso em seu rosto era maravilhoso.
— Quase fiz xixi no papa.
Eu ri do sua expressão indignada.
— Por isso parei, não quero seu xixi na minha roupa.
— Papa é bobo. – sua risada ainda estava presente.
— Mas o Archer ama o papai, não ama?
Ele se levantou do meu colo e se virou para mim com uma expressão séria. Suas mãozinhas gordas seguraram meu rosto e ele beijou minha testa como eu tinha feito varias e varias vezes com ele.
— Amo mutão o papa.
Não sei o que esperava, talvez apenas um “amo”, mas não esperava que ele faria o que eu sempre fiz com ele. Por um momento eu era a criança insegura e suas palavras aqueceram algo em mim.
Passei meus braços em volta dele e o abracei fortemente. Enterrei minha cabeça em seu pequeno ombro quando as lagrimas ameaçaram a cair.
Inferno, como eu conseguiria ficar sem esse menino por vai saber quanto tempo? Estava me despedaçando. Porra! PORRA!
— Archer... Papai vai embora, mas eu vou voltar ok? Vou voltar para buscar você. – minha voz saiu grossa pela rouquidão e lágrimas detidas.
— Bora?— sua voz saiu confusa. A palavra era nova e eu precisaria explicar de jeito que ele compreendesse.
— O papai vai ter que ir pra muito longe do Archer. Assim como o papai do Teddy. – usei a historia que sempre contava para ele quando o via. Talvez fosse mais fácil de compreender assim.
— O Arch foi mal? Por isso papa vai bora? – Oh, Deus. Como eu faria meu filho entender que tinha que ir para longe? Não tinha como. Ele era um bebê ainda para entender. Eu não poderia dizer que estava indo para mante-lo vivo.
Então disse a única coisa que podia no momento:
— O papai tem que ir porque ama muito o Archer. Mas eu juro de dedinho que vou voltar para você. Archer é tudo para o papai. Você entende?
Ele ficou um tempo calado e então apertou seus braços ao meu redor.
— Sim, Arch tende. Arch vai perar o papa votar pra ele.
O afastei e segurei seu rostinho em minhas mãos.
— O papai te ama muito, não se esqueça disso tá? – disse olhando em seus olhos azuis. Eu precisava que ele se lembrasse disso.
— Arch promete. Não vai quecer.
Archer ficou grudado no meu colo até cair no sono e eu fiquei o tempo todo olhando para ele. Cada vez que ele enrugava o nariz eu sorria. Cada vez que franzia os olhos. Cada suspiro mais longo. Tudo. Eu estava guardando tudo o que podia do meu menino. E eu desconfiava que ele também estava aproveitando tudo o que podia comigo. A prova disso era sua mãozinha agarrada na minha camiseta. Ele não soltava de jeito nenhum.
Não sei quanto tempo fiquei ali olhando para Archer, mas quando a porta foi aberta e uma Katherine de olhos vermelhos entrou eu sabia que tinham contado que eu iria embora.
Ela veio correndo e me abraçou com lagrimas encharcando minha camiseta. Os soluços eram de partir o coração.
— D-Dam... – ela fungava uma vez atrás de outra. – Por quê?
Passei meu braço livre em volta dela e alisei seus longos cabelos para acalma-la. Ela estava sofrendo. Eu era a única coisa que ela conhecia fora desse lugar e eu podia imaginar o que os filho da puta disseram para ela.
— Shh... Vai ficar tudo bem Kath. Se acalme, baby. – ela se afastou e olhou diretamente nos meus olhos e as lagrimas continuavam a derramar. Passei meus dedos em seu rosto, limpando as lagrimas que teimavam em cair. – Não sei o que te disseram, mas posso imaginar. Eu vou embora sim, mas vou fazê-lo para o bem de vocês dois.
Ela fungou e me olhou em desespero.
— Você não vai nos abandonar então?
Filhos da puta. Eu sabia.
Senti minha garganta se fechar, mas forcei as palavras.
— Eu nunca vou abandonar vocês, baby. Nunca!
Então pouco a pouco eu expliquei exatamente o que estava acontecendo e porque eu iria embora. Contei o que teria que fazer lá fora e ela chorou por mim, porque ela sabia o quanto foder com aquelas garotas iria me quebrar.
Katherine me entendia completamente e já tinha até me feito aceitar meus sentimentos pela Elena ao invés de ficar sufocando aquele sentimento. E antes que eu pudesse dizer qualquer coisa ela me disse que sentia muito pela Elena. Ela sabia só de me olhar que eu tinha desistido de vez da Elena. E merda, doía.
Ela sentou ao meu lado e passou os braços por volta de mim e Archer, sua cabeça em meu ombro e ela não disse uma palavra. Ela estava me confortando em silencio e eu fechei meus olhos contemplando aquele pequeno momento com minha família.
Ouvi o barulho de passos do lado de fora e Katherine também pela forma que apertou minha camiseta. Ela sabia tão bem quanto eu que tinha chegado a hora. Eu precisava me despedir deles.
— Katherine... Baby olhe para mim. – ela me olhou e seus olhos brilhavam com as lagrimas contidas. – Eu amo você. Você e nosso filho. E é exatamente por esse amor que estou suportando tudo isso. Eu preciso de vocês. Preciso de vocês vivos. E vou fazer qualquer coisa para mante-los seguros. – Eu beijei sua testa como fiz muitas outras vezes e sussurrei: – Não esqueça que amo vocês. Prometa que não vai esquecer.
— Eu prometo... – as lagrimas encharcavam seu rosto. – Eu amo você.
Levantei com Archer e o levei até a cama. Ele parecia um filhote enrolado em mim e o soltei com o coração na mão. Beijei todo o seu rostinho sussurrando sem parar o quanto eu o amava.
Seus olhinhos tremeram e se abriram um pouco.
— Amo você, papa... – e em um segundo ele estava dormindo. Meus olhos que já pinicava por causa das lagrimas não resistiu e as grandes gotas rolaram pelo meu rosto.
Passei por Katherine que ainda estava no chão abraçando suas pernas enquanto chorava, seu corpo tremendo com cada soluço e fui até a porta que se abriu no mesmo instante.
A partir desse momento tudo passou em um borrão.
Eu me lembro de ter tomado algum comprido, uma droga que me deixou zonzo em poucos minutos.
Comecei a perder a consciência, tudo parecia indiscernível pra mim. Preto. Tudo no mais e obscuro preto. Tudo que eu sentia era solidão e tristeza. Eu estava me afundando na minha própria dor. Se eu estivesse morrendo eu agradeceria, estaria livre do meu próprio sofrimento. Mesmo no mais obscuro preto eu me sentia leve como se finalmente pudesse descansar.
De alguma forma em senti uma mão vindo em minha direção e de forma instintiva agarrei o pulso fino e quente. Eu dormia com a guarda bem alta, qualquer barulho me fazia acordar, mas dessa vez o pulso saiu quase instantaneamente do meu aperto me deixando confuso.
Abri meus olhos me preparando para o pior, mas dei de cara com um lugar totalmente diferente com um ar nostálgico. E isso só fez minha guarda aumentar. Até eu finalmente entender onde estava.
A morena na minha frente me olhava assustada e feliz ao mesmo tempo. Seus olhos brilhavam em minha direção.
Ela tinha crescido e se tornado uma bela moça.
Seu corpo estava diferente e mais maduro do que eu me lembrava, mas seus olhos, seu nariz, sua boca ainda era iguais aos da minha lembrança.
E mesmo antes de falarem eu sabia que era minha pequena e doce Elena. Por um momento eu me esqueci de tudo e senti meu coração chorar de alegria, mas isso durou pouco.
Eu estava em casa.
E a dor com essa percepção obscureceu qualquer sentimento bom.
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