Infindável
13 Capítulo 12
A primeira coisa que pensei quando ouvi aquela voz foi: Eu devia ter escutado Car. e Bon. Simples assim. Sem “mas”.
Sério, qual era a possibilidade de entrar escondida no quarto do garoto do qual era apaixonada e não ser pega? Talvez uns 5% e isso contanto com minha solidariedade pela minha idiotice.
Dei um suspiro pensando em como me livrar dessa, mas quando me virei para encara-lo esqueci de tudo.
Ele estava em jeans preto e rasgado que tinha visto nele várias vezes no colégio, mas dessa vez estava desabotoada e com o zíper um pouco baixo, me dando a visão de sua pele abaixo da cintura. Quando finalmente percebi o que estava vendo senti meu rosto queimar de vergonha: Damon estava sem cueca. Levantei meu olhar daquele lugar em especial rapidamente e reparei nos cumes de sua barriga e pela primeira vez na minha vida senti como era a vontade de querer tocar um garoto. Minha boca salivava e minhas mãos queimavam de desejo, mas tudo isso foi embora no momento em que vi as marcas em seu peito, ombro e pescoço.
Eu podia ter namorado apenas uma vez e ser inocente para várias coisas, mas eu sabia o que era aquilo. Eu queria vomitar e vendo aquelas marcas vacilei. Naquele momento senti como se o Damon tivesse segurado meu coração e torcido cruelmente. Queria gritar e dizer que ele não tinha o direito de fazer aquilo comigo, de me trair daquele modo. Mas nada saiu, porque a parte racional em mim sabia que ele tinha direito de fazer o que bem entender. Ele não era meu.
Mas saber disso não fazia a dor ser menor.
A cor vermelha em seu peito se destacava em sua pele pálida e se fosse somente essa eu poderia pensar que ele não chegou no final do que estava fazendo, mas a marca de mordida assim como de unhas em seus ombros e os dois chupões em seu pescoço zombavam da minha cara.
Eu não conseguia tirar meus olhos de cima daquela marca em seu peito, mas me forcei a olhar seus olhos. Queria que ele visse a dor que estava me provocando, queria machuca-lo como nunca quis. Queria vê-lo sofrendo mais do que eu e talvez assim minha dor fosse diminuir.
Seu olhar enfurecido ainda estava direcionado direto a mim, mas eu vi o exato momento em que o mesmo ficou confuso ao ver toda a dor nos meus olhos, porque eu tinha certeza que era bastante visível. E então a compreensão do que eu tinha visto o atingiu e sua expressão ficou desesperada enquanto levantava a mão e cobria a vermelhidão em seu peito.
— Você não devia estar aqui, Elena... – sua voz saiu baixa e estrangulada.
Seu corpo estava tenso, como se estivesse esperando que eu começasse a gritar ou chorar e eu queria fazer exatamente isso: gritar. Mas o tom de sua voz me pegou de guarda baixa. Eu não esperava ver uma expressão desesperada. Ele parecia realmente estar sofrendo com o que eu tinha visto e descoberto. E, novamente, a esperança fazia uma corrida louca pelos meus sentidos. Mas não deixaria isso me enganar novamente.
— Eu só queria conversar com você. – Disse de repente muito cansada. – Mas acho que vou embora agora.
— Não! – ele quase gritou quando comecei a me movimentar em direção à porta. Quando ele levantou a mão que ainda estava em seu peito para me tocar, eu reagi instintivamente dando um passo para trás, me afastando dele.
— Não me toque com essa mão suja! – Eu não pretendia ser dura, mas ao ver novamente aquela marca zombando de mim, perdi o controle. E mesmo quando vi a dor brilhar eu seus lindos olhos azuis não me arrependi.
— Por favor... – ele sussurrou e abaixou sua mão. – Eu...
— Não, Damon. Eu estava morrendo de preocupação com você e não somente eu, mas todos. Meus pais, seu pai, o Stefan, seus amigos. Todos estão preocupados com você, enquanto isso você fica fazendo sexo por ai. Você tinha psicólogo hoje, não tinha? Por que não foi? Porque estava mais interessado em entrar nas calcinhas das meninas. E quer saber o que mais me deixa com raiva? Sua atitude. Durante três anos eu passei sofrendo por seu desaparecimento. Sessão atrás de sessão ao psicólogo para dar um rumo na vida que eu estava levando desde aquele dia que devia ser o melhor da minha vida, mas que se transformou no meu pior pesadelo. Enquanto muitos ficavam dizendo que você devia estar morto, eu acreditava fielmente que você estava vivo. Só de pensar na possibilidade de você morto me deixava desesperada ao ponto da depressão. Quando soube que você estava em casa fiquei tão feliz, senti como se estivesse vivendo novamente. E o que eu ganho em troca, Damon? Nada. Você só me tratou mal desde quando voltou sempre me desprezando como se eu não fosse nada em sua vida. – vi que ele abriu a boca para falar, mas eu estava embalada e continue despachando toda raiva e tristeza que senti nas últimas semanas. – Isso machuca caramba, machuca muito. E não aguento mais. Dói demais te amar. Se você queria que te odiasse, parabéns, porque você conseguiu. Eu não sei o que aconteceu com você ou onde você estava, mas não faltou oportunidade para compartilhar. Nada justifica seu comportamento.
Comecei a ir em direção a porta, mas então me lembrei da foto. Eu precisava saber como ele tinha conseguido aquela foto. Voltei até a mesa e peguei a foto com a mancha e mostrei para ele. Não perdi em como sua expressão mudou de desesperado para fria no minuto em que viu o que eu segurava, mas não perdi o ritmo.
— Porque diabos você tem essa foto? Onde a conseguiu?
— Isso não é da sua conta, Elena. Você disse que veio conversar comigo, mas na verdade veio fuçar nas minhas coisas? Fora, porra!
Por um minuto eu hesitei em continuar. Sua voz foi tão cortante e fria que senti medo dele. Lutei para fazer as palavras saírem firme, mas fracassei horrivelmente.
— É da minha conta sim... – minha voz saiu tão baixa que duvidada que ele tivesse escutado.
— Saia agora Elena! – ele repetiu.
— N-Não... – a foto em minha mão começou a tremer e gaguejei mostrando o quanto estava nervosa.
Antes que eu pudesse dizer mais alguma coisa ele estava vindo na minha direção. Seus passos firmes e seguros. Em segundos ele estava na minha frente com sua expressão fria que tinha passado a ser usual.
— Não me faça tira-la a força daqui, Elena. Saia daqui agora!
— N-Não, não posso. Quero saber em que lugar achou essa foto. – sussurrei, lutando contra a vontade de sair correndo.
— Então me diz por que você que saber.
Abri a boca, mas não saiu som nenhum.
Vi quando ele perdeu a paciência quando agarrou meu braço de forma bruta, apertando tanto que estava me machucando.
— Tá me machucando, D-Damon... – solucei e as lágrimas começaram a sair. Eu estava com medo. Nunca tinha visto o Damon daquele jeito, era como se fosse uma pessoa completamente diferente. Seus olhos tinham perdido o brilho, estando quase pretos e estavam desfocados. – M-Me s-solta.
Ele só ficou me olhando, parecia nem notar que estava me machucando e que eu estava chorando. Eu queria gritar, mas minha voz não saia mais do que um sussurro entrecortado pelos soluços. Foi só quando meu corpo começou a tremer e depois do que pareceu uma eternidade que uma voz soou.
— Solta ela, Damon. AGORA! – a voz do Stefan soou por todo o cômodo silencioso.
Demorou alguns segundos, mas vi o exato momento em que Damon voltou a seus sentidos. Seus olhos tinham voltado ao azul acinzentado e estavam arregalados com a percepção do que tinha feito.
— Elena... Eu... Eu... – ele gaguejava e começou a afrouxar o aperto em meu braço. Assim que senti sua mão fraca puxei meu braço e corri em direção ao Stefan que estava com um olhar irado.
— Você esta bem, Elena? – Stefan sussurrou enquanto segurava meu rosto entre suas mãos. Seu rosto em uma carranca preocupada.
Balancei a cabeça e respondi em meio às lágrimas:
— Meu braço tá doendo...
Ele passou os braços por volta de mim, me apertando contra seu peito.
— O que inferno aconteceu com você, Damon? Fique longe da Elena!
— Cale a boca, Stefan. Não me diga o que fazer.
— Não to brincando, Damon. Você a machucou e a fez chorar. Tenha pelo menos consciência disso.
Com isso dito, Stefan nos virou para sair do quarto do Damon e fui junto sem nenhum protesto, mas fiz a burrice de olhar para trás e vê-lo com um olhar angustiado.
Parei abruptamente e Stefan me lançou um olhar confuso quando virei para olhar o Damon, mas ignorei e olhei bem para aqueles lindos olhos azuis.
— Aquela mancha na foto é uma marca de nascença e eu tenho uma igualzinha.
Esperei para ver se ele me diria onde tinha conseguido a foto, mas tudo que recebi foi um olhar chocado e seu rosto ficar completamente pálido. Quando ele não disse nada eu me virei e fui com o Stefan.
Naquele momento eu não queria nada mais do que ficar longe do estranho que ocupava o lugar do antigo Damon.
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