Infindável
9 Capítulo 08
Normalmente eu não reclamaria da iluminação natural que adentrava meu quarto. Pelo contrario, eu amaria! Iria rolar na cama de um lado para o outro, iria bocejar e depois me espreguiçaria como se estivesse em um show de contorcionismo. Mas não dessa vez. Na noite passada tinha pedido para meu pai trocar as cortinas laranja com branco para uma de cor bem escura, de preferência preta. Se meu pai tinha trocado minhas cortinas, porque diabos a luz irritante quase me cegou, me fazendo gemer como um animal? Ah, sim. Meu nêmeses estava com um sorriso enorme enquanto afastava as enormes e pesadas cortinas.
— Mãe... O que esta fazendo? – gemi, puxando o edredom até tapar todo meu rosto.
— Vim acorda-la, meu bem. – pelo seu tom de voz, ela não parecia perceber que ao “vir me acordar”, estava me condenando.
— Não diga! – puxei o edredom só para lhe mostrar meu melhor olhar de zangada e ela riu. Ela riu! – Mãe! É domingo e eu quero dormi até mais tarde!
— Vamos, Elena. Não banque a engraçadinha e levante. Está uma linda segunda-feira e você vai chegar atrasada no colégio se ficar enrolando.
— Não sei onde você está vendo uma linda segunda-feira mãe. Segundas-feiras são horríveis! Acho que não vou para colégio hoje, estou doente.
— Preguiça não é doença, Elena.
— Não quero ir hoje, mãe. Me deixa ficar em casa, por favor. – Choraminguei com esperança.
— Elena Gilbert! Levanta agora e vá se arrumar. Seu pai vai deixa-la no colégio, já que o Stefan não apareceu hoje. – Só senti o cobertor sendo puxado de mim e quando olhei para cima, minha mãe estava com um olhar entre brava e preocupada.
Gemi e derrotada levantei, indo direto para o banheiro. Me despi e fui para o box, pensando que na certa minha mãe tinha uma intuição, só podia ser isso. Ela acertou mesmo que inconscientemente um dos motivos de eu não querer ir para o colégio. Stefan Salvatore vinha me evitando desde o jantar. Liguei incontáveis vezes em seu celular e só caia na caixa, pra depois de um tempo ir direto para o correio de voz. Não deixei nenhum recado. Não fazia ideia do que queria falar com ele, mas do jeito que as coisas estavam caminhando, eu logo perderia sua amizade.
Eu mentiria se dissesse que não pensei no beijo que demos em meu quarto, mas tão bom quanto foi na hora, depois pareceu mais uma experiência que não aconteceria novamente. Stefan tinha passado de amigo para melhor amigo. Quando seu irmão sumiu pensei que não suportaria a dor que senti. Ao invés de me tornar rebelde, começar a dar trabalho para meus pais de todas as piores formas possíveis, eu me isolei, mantendo trancados meus sentimentos mais dolorosos de perda e desespero. Eu sabia que meus pais me amavam e queriam meu bem, mas a única pessoa que me tirou do meu mundinho cheio dos sentimentos mais dolorosos foi Stefan. Com sua paciência e carinho inabalável, Stefan me ajudou a suportar a dor. Não tornou menos doloroso, mas compartilhar a dor com alguém quem entendia, ajudava e muito.
Quando em um momento de insanidade de me livrar da dor, quando a esperança pareceu um sentimento inalcançável, eu aceitei o pedido de namoro do Matt – um dos garotos da “turma do Damon” –, que durou dois longos meses. Todos sabiam, todos sabiam que eu não o amava, até mesmo ele. E quando corri para os braços do Stefan, chorando de arrependimento, ele não me julgou por usar uma forma tão estúpida e dissimulada de tentar diminuir a dor. Stefan se tornou meu precioso, precioso amigo e eu não podia perdê-lo.
Ouvi duas batidinhas na porta – tão diferentes das batidas fortes e barulhentas usais – e vi que aquela era minha deixa, então sai do banheiro e encontrei minha mãe andando pra lá e pra cá.
— O que está fazendo mãe? – Como sempre ainda nem sabia que roupa usar, então fiquei protelando na frente do guarda-roupa.
— Arrumando sua bagunça. – Parou de anda quando me viu parada e tratou de me apressar. – E ande logo, mocinha. Não adianta tentar me enrolar.
— Não sei que roupa usar, mãe!
— Com esse tanto de roupa, Elena? Faça-me um favor e se apresse.
Gemi e peguei uma calcinha e sutiã qualquer – não que eu me importasse com isso de qualquer maneira – e vesti. Escolhi um macacão jeans com barra desfiada e uma blusa branca larga.
— O que eu calço mãe? – perguntei, fazendo a mesma parar por um segundo. Ela me olhou de cima a baixo, avaliando.
— Coloca um dos seus sapatinhos fechados. Que tal o espadrilhe? – Fui até a sapateira e fiquei olhando para as cores, em duvida. – Pega o bege.
— Qual mãe? – Tinha dois beges, mas totalmente diferente um do outro. Enquanto um era cheio de spike o outro era liso.
— O ultimo que comprei querida. O liso da Chanel. – Depois de calça-lo me olhei no espelho. Estava legal, nada chamativo ou extravagante. O que eu seria sem minha mãe?!
Peguei uma escova de cabelo e comecei a desembaraçar o ninho na minha cabeça. Enquanto dava um jeito no cabelo, lembrei que tinha leitura. A professora tinha passado três propostas de redação, na qual escolhíamos uma e discorríamos sobre o mesmo. Entrei em desespero, pois não tinha feito e na afobação acabei dando um nó em meu cabelo.
Comecei a gritar minha mãe – que estava do meu lado –, enquanto lutava com nó. A cena seria cômica, se eu não estivesse tão desesperada e se fosse com outra pessoa, eu estaria rindo.
— Elena, você não tem mais dois anos. – Minha suspirou, mas vi que tava segurando o riso.
— Mãe, olha pra mim qual é o primeiro tempo! – Com muito esforço e dor, conseguir tirar o nó, na verdade eu puxei até soltar alguns fios na minha mão.
— Ciências. Posso saber o porquê dessa afobação? – O alivio tomou conta do meu corpo e relaxei visivelmente. Resmunguei alguma frase pra minha mãe, se ela soubesse que não fiz atividade de final de semana, falaria até na minha cabeça.
Depois de arrumar meus materiais e conferido o horário mais uma vez, só por precaução, desci até a cozinha e encontrei Jeremy e meu pai, já tomando o café da manhã.
— Tava gritando porque, Elena? – Jeremy perguntou, enquanto devorava uma enorme tigela de Froot Loops.
Jeremy estava usando uma bermuda azul escura e uma polo branca com o símbolo do colégio. Estranhei a falta do uniforme de sempre, já que ele estudava em um colégio privado, ao contrario do meu, era obrigado o uso do uniforme. Ele estava cursando a 7th grade do middle school e odiava o colégio, por ser muito rígido.
— Não foi nada. – Respondi quando vi que ele esperava.
— Você tem dez minutos pra tomar o café, Elena. – Meu pai disse isso, mas parecia que tinha acabado de fazer seu prato – que estava cheio por sinal –. Com panquecas, pão de banana e ovos, não parecia que ele terminaria tudo em dez minutos.
Peguei a caixa de Frosted Flakes e coloquei um pouco em uma tigela, pra logo depois despejar o leite até transbordar. Sinceramente, não existia algo mais gostoso do que cereal. Eu poderia comer isso em todas as refeições se meus pais não fossem tão contra. O armário devia ter umas oito caixas diferentes de cereais, mesmo que só eu e Jer. comesse.
Depois que terminamos de comer, Jeremy e eu subimos para escovar os dentes. Usei o mesmo banheiro do corredor com ele intencionalmente. Queria saber o que ele tinha conversando com Damon no dia do jantar. Não tinha tido oportunidade ainda e era a melhor hora.
— Jeremy... – chamei enquanto colocava o creme dental na escova. – O que você e o Damon conversaram?
Senti seu olhar me queimando, mas não olhei de volta. De repente me senti sem graça perto de Jeremy.
— Não muita coisa. – Ele finalmente parou de me olhar e se concentrou na escova de dente. – Na verdade, estava meio diferente das poucas coisas que eu me lembro em relação à ele.
Aquilo me chamou atenção.
— Diferente como?
— Não sei, eu tinha nove anos quando tudo aconteceu, então tenho poucas lembranças dele antes de tudo acontecer. Mas, eu lembro que ele era mais feliz. Sábado, não sei explicar, mas eu vi tanta tristeza nele. E por isso chamei ele pra jogar comigo, pra se animar um pouco. – Antes que eu pudesse dizer qualquer coisa, ele começou a escovar os dentes e eu fiz o mesmo.
Depois descemos e não falamos mais nada, mas fiquei pensando no que o Jeremy tinha falado. Eu estava tão concentrada no modo frio que o Damon estava me tratando, que em nenhum momento parei para realmente vê-lo. Não estava falando de exterior, Damon sempre fora um menino muito bonito e agora com quase dezessete anos ele tinha se tornado ainda mais lindo, estava falando do interior. Damon vinha me tratando tão mal, com tanta frieza, que em nenhum momento eu vi seu verdadeiro interior. Ele estava sofrendo, estava sofrendo muito. O que eu esperava? Ele tinha perdido a mãe. Ele tinha todo motivo do mundo para estar assim.
Senti um cutucão abaixo da costela e vi que Jeremy estava me chamando há um tempo. Havíamos chegado ao meu colégio.
— Tá me atrasando, Elena. – Jeremy estava com um sorriso enorme no rosto, adorando meu momento avoado.
— Como se você se importasse né? De chegar atrasado. – Ele riu ruidosamente. Pateta! – Tchau pai, amo você.
— Tchau querida, boa aula. Amo você. – Desci do carro e meu pai saiu logo em seguida, levando Jeremy para o colégio.
De repente, parada em frente ao enorme campus do colégio, me peguei pensando em quanto Jeremy estava crescendo. Seu quarto antes decorado cheio de brinquedos, adesivos nas paredes, cama em formato de barco, tinha se transformado agora em uma bagunça masculina. Desprovido de qualquer toque infantil, seu quarto era seu interior. O garotinho que eu senti uma raiva descomunal e depois amei sem igual, já estava virando um rapaz. E até seu interesse por meninas tinha, infelizmente, chegado.
Apesar de todo e terrível ciúmes que sentia dele, só deseja que fosse feliz com quem quer que escolhesse para namorar. Eu ainda não sabia, mas Jeremy escolheria o pior caminho possível.
Ainda faltava alguns minutos para o sinal tocar quando sentei no pátio da entrada. Para passar o tempo – já que nenhum dos meus amigos fez a decência de aparecer –, peguei meu livro dentro da mochila para ler. Meu emocional não estava lá muito bem, então logicamente não escolhi um romance para ler. Quem me dera minha vida fosse como nos livros. Damon seria o playboy bonitão e eu mocinha, iríamos nos apaixonar, iríamos ficar juntos, iríamos terminar por erro de um de nós dois e no final perceberíamos que viver sem o outro seria impossível. Não, definitivamente não estava pronta para ler um livro assim. Sendo assim, optei por levar Dança da Morte, um dos livros de Douglas Preston e Lincoln Child. Um thriller, era isso que eu precisava.
Cheguei a ler pelo menos cinco paginas, até que senti braços circundado meu pescoço. Minha primeira reação foi o susto, logo seguida pela vontade de bater em quem quer que fosse atrás de mim.
Minha reação se dissipou no momento em que ouvi a voz da pessoa:
— Calma, gatinha. – Essa era uma voz que reconheceria de longe. E só pude sorrir.
— Klaus. – Me afastei o mínimo, só para poder olha-lo e ver o sorriso arrogante estampado em seu rosto. – Me deu um susto!
— É claro que sim. No momento em que entrei no pátio, vi você aqui lendo. Estava tão concentrada que nem viu dando a volta em você. Isso me irritou!
— Ah! E por isso resolveu me assustar? – Apertei meus olhos em sua direção, mas não pareceu intimida-lo.
— Não, vim te abraçar. Você que estava concentrada demais e se assustou.
— Dá no mesmo!
— Não dá não, se você prestar atenção... – Tapei sua boca com minha mão, antes que começasse com sua ladainha.
— Você é impossível, Klaus! Não dá pra discutir com você! – Reclamei. Ele jogou a cabeça para trás e riu ruidosamente. Idiota!
— Porque chegou tão cedo assim? – Afastou seus braços e sentou ao meu lado. – E onde o Stefan tá?
— Vim com meu pai hoje, então não faço ideia. – tentei soar descontraída, mas minha voz ou expressão deve ter me entregado quando o vi me olhando.
— Você está muito bonita hoje, Elena. – Era por isso que eu amava tanto o Klaus. Ele não forçava ninguém e falar de seus problemas. Ao contrario, quem era seu amigo sabia que ele se importava de verdade e por esse motivo não ficava perguntando nada. Se qualquer um de nós quiséssemos falar, ele estaria ali pra ouvir sem julgar.
— Obrigada. – Sorri e passei a mão em seu rosto.
— Só dizendo a verdade.
— Eu sei, só tentei ser educada mesmo. – Ele gargalhou e passou os braços ao redor da minha cintura.
— Ok, espertinha, o que tá lendo?
— Dança da Morte. – Ele gemeu e olhei pra ele com cara feia. – O que foi? O livro é bom!
— Não, não é sobre o que você está lendo. Vendo você com esse livro, me lembrei do que tenho que ler.
— Qual o nome?
— A Montanha Mágica.
— É sobre o que? – Perguntei animada, pelo nome parecia ser interessante.
— Não se anime. É um livro com um pouco mais de novecentos e oitenta paginas. Literatura Alemã. O que eu quero com literatura alemã? Aquela professora louca! – Ele parecia tão irresignado a ter que ler o livro, que tive que rir. – Não tem graça, Elena!
— Desculpe, desculpe! Mas não deve ser tão ruim. – Péssima escolha de palavras.
— Não deve ser tão ruim? Um livro que fala sobre a defesa do humanismo num mundo de violência, não deve ser tão ruim! – ele deu ênfase no ruim e vi que estava irritado de verdade. Tinha até se afastado.
— Ei, não fique nervoso comigo. Não tenho culpa!
Ele suspirou e se aproximou novamente de mim, me abraçando.
— Desculpe, meu bem. É só que...
Antes que ele pudesse terminar, ouvimos uma agitação na entrada do colégio. Um aglomerado de pessoas juntas cochichando. Não podia ser uma briga, porque senão ouviríamos gritos. Depois de ouvir até suspiros, Klaus se levantou, pegou na minha mão e me arrastou para o enxame de pessoas.
Compreendi imediatamente toda aquela bagunça no momento em que vi o carro parado em frente ao colégio. Não, o carro não foi o problema e sim quem tinha saído dele.
Ele estava com bota preta e calça jeans rasgada no joelho, também preta. Camiseta e jaqueta de couro preta. Resumindo: preto dos pés a cabeça. O cabelo despenteado com alguns fios caídos sobre o rosto. Os olhos brilhando perigosamente entre azul e cinza.
Damon era sem duvida alguma incrivelmente lindo!
Ele não dirigiu o olhar para ninguém, a mesma expressão fria de sempre estava estampada em seu rosto. Stefan estava ao seu lado e não parecia nem um pouco contente.
Cochichos como “é ele”, “ele realmente voltou” e “ele continua lindo”, foi tudo o que eu ouvi. As garotas pareciam superempolgadas com a volta dele, quando na verdade só estavam vendo a beleza. Talvez não todas, mas muitas dela estavam, principalmente as novatas.
Quando ele puxou a alça da mochila para ajustar não consegui evitar olhar sua mão e lembrar do que ele tinha feito no sábado. Senti calor rastejar pelo meu rosto até as orelhas. Tentei evitar o máximo possível aquele momento constrangedor, mas eu não conseguia. Vê-lo depois daquilo era constrangedor demais.
Tentei não me sentir chateada quando ele passou por mim e nem sequer me olhou. Mas quando Stefan fez a mesma coisa não consegui evitar o embrulho no estomago. Não consegui prestar atenção em mais nada a minha volta. Ter Damon fingindo que eu nem existo já machucava demais pra ter Stefan me evitando por algo que não significou nada.
Só notei que a multidão se dispersou quando senti a mão de Klaus em meu rosto. Seu rosto estava a centímetros do meu e me olhava com pura preocupação.
— Babe, você está bem? – seu sotaque me fez sorrir.
— Estou bem, só me pegou de surpresa isso tudo.
— Você não sabia que ele iria voltar para o colégio? – Não eu não sabia de nada, na verdade!
Balancei a cabeça em negativa ao invés de falar alguma coisa e fui salva quando o sinal tocou.
— Vem, vou te acompanhar até a classe. – Quando ele estendeu o braço pra mim, não pude deixar de rir.
— Como um perfeito cavalheiro. – ele sorriu e piscou quando passei meu braço direito pelo seu esquerdo.
Fomos até minha sala em silencio – o que eu agradeci –, precisava de um tempo pra assimilar tudo. Eu não fazia ideia que Damon viria para o colégio, ainda mais que as férias estavam quase chegando. E em alguns dias ele faria dezessete anos. Lembro que o primeiro presente que comprei pra ele depois que ele desapareceu foi Homestar Globe. Ele sempre gostou de ver as estrelas comigo, então quando vi o projetor, achei o presente perfeito. Nos outros dois anos comprei varias miniaturas, já que seu quarto era cheio delas.
Tudo não passou de uma ideia minha, mas Stefan acabou no meio de tudo. Nós sempre íamos a vários lugares para escolher os presentes, às vezes até fora da cidade. No primeiro ano sei que nossos pais acharam a ideia “boa”, mas nos outros anos sei que para eles a ideia era meio absurda. Não disseram nada, talvez por verem aquilo como consolo para nós dois, principalmente para mim.
Todos os presentes estavam guardados em seu quarto, ao pé da cama. Eu queria perguntar se ele tinha gostado – isso é, se ele pelo menos tinha aberto eles –, mas não tinha coragem. Eu queria bancar a garota corajosa, quando na verdade eu era a menininha assustada.
Quando chegou à minha sala, Klaus me deu um beijo na bochecha e seguiu pra sua sala, que era em outro bloco. Tinha poucos alunos, nem mesmo Bonnie e a Car. estavam ali ainda. Sem animação nenhuma, fui para meu lugar e deitei a cabeça na mesa. Queria tanto saber em que classe Damon estava. E, acima de tudo: como tinha ficado sua situação escolar? Damon sumiu por três anos e com certeza não frequentava um colégio nesses anos desaparecido. Era pra ele estar terminando o ensino médio esse ano. Será que conseguiria?
Meu Deus, eu devia mesmo estar me preocupado com essas coisas?
Seria tão mais fácil se ele tivesse voltado como era antigamente...
— Bom dia, crianças! Todos em seus lugares, por favor. – ao som da professora, levantei minha cabeça e percebi que a classe já estava cheia. Caroline e Bonnie também estavam ali e quando olhei para elas, me mandaram um olhar preocupado. Com certeza sabiam do Damon.
— Mais tarde— falei sem pronunciar som e elas apenas assentiram e olharam para frente.
— Certo, turma, hoje faremos uma aula diferente. – professora Smith tinha uma voz muito mansa e tudo pra ela era lindo. Era o tipo de professora que os alunos gostavam e dava aula de Biologia. – Como falta pouco tempo para as férias e você já fizeram todas as minhas avaliações, hoje faremos um pequeno jogo.
— Que jogo, professora? – algum aluno do fundo perguntou interessado.
— Primeiramente irei ligar o computador e o projetor, só um minuto. – ela foi até o lado direito da sala e fuçou no projetor e depois puxou a enorme tela branca. – OK, vamos fazer um jogo de perguntas. Vocês estudaram muitos animais nesses últimos dias, certo? Estão vendo esses números espalhados ordenadamente? – ela perguntou apontando para a tela branca, que agora tinha números de 0 a 30. – Em cada desses números contem uma imagem ou uma descrição. Caso você escolha um numero e apareça uma imagem, é obrigatório você saber o nome e fazer um pequeno comentário sobre o animal, não irei aceitar apenas o nome. Bom, vamos começar e vocês entenderam melhor. Ah, antes que perguntem, será por ordem de sorteio. O computador tem gravado todos os nomes dos alunos dessa classe e o nome aparecera na tela.
Os alunos pareciam empolgados com o jogo e eu devia admitir: parecia realmente empolgante e ótimo para esquecer os problemas.
Em poucos segundos o primeiro nome apareceu: Travis Davison. O gemido dele fez a classe rir e ele olhou para os números como se querendo descobrir o que tinha em cada um deles e por fim escolheu o numero 2. Quando a professora apertou o numero, apareceu uma imagem de um animal muito feio, em minha opinião. A primeira vista, parecia um sapo, mas depois de olhar atentamente vi que na verdade era um peixe. Já tinha visto, mas não lembrava o nome.
— JÁ SEI! – Davison gritou lá do fundo da sala, fazendo os alunos assustarem. – É um Opistognatus!
— Certo, isso mesmo, Travis! Então agora faça seu comentário sobre ele.
— Bom, eu só descobri por causa dos ovos na boca dele. O que sei é que os peixes dessa espécie encubam o ovo na boca e não podem comer até terminarem a tarefa.
— É isso mesmo, parabéns! – disse a professora animada e batendo palma. – Vamos para o próximo.
O próximo nome foi de um menino que nunca conversei, mas que tirava a melhores notas da classe: Eddie Walker. Ele escolheu o numero 4. Outra imagem, dessa vez de um animal quadrúpede com dois pequenos chifres entre as orelhas.
— Esse é uma cabra montesa ou camurça. É um antílope caprídeo que vive nos Alpes europeus e outras áreas montanhosas da Europa.
O jogo continuou com poucos erros e muitos acertos. A Sra. Smith estava supercontente com os resultados e enquanto o jogo continuava eu percebi um detalhe interessante. Aparentemente os números das casas dos pares eram todas com imagem, enquanto os números das casas dos impares eram com descrição. Acho que poucas pessoas perceberam esse detalhe, mas o jogo era muito divertido. Eu tinha errado uma e acertado duas e minha cabeça estava totalmente no jogo. A ultima pessoa foi a Caroline e seu numero era o 30. Quando a imagem apareceu não consegui segurar a risada da cara de nojo dela. Ela fez a maior bagunça por causa do animal, dizendo que era injusto ela sair logo com um animal tão feio e que não fazia a mínima ideia do que era.
Depois de muita risada, a professora, felizmente, desistiu de ajudar alguém a descobrir que animal era aquele.
— Isso, crianças, é um nudibrânquio ou lesma-do-mar. Ele usa cores atraentes para proclamar o fato de ser altamente venenoso. Seu corpo é mole e vulnerável, mas contém poderosos venenos que os predadores aprendem facilmente a evitar.
Os próximos minutos foram todos sobre perguntas da lesma-do-mar. Eu tinha que admitir, era um animal diferente e tinha motivo de causar tanta curiosidade dos alunos. Mesmo quando a Sra. Smith nos dispensou irmos para outra sala, os alunos ainda falavam do mesmo assunto, o que causou até certa curiosidade dos outros professores.
O restante das aulas antes do intervalo ocorreram normalmente. Como a maioria dos professores já tinham terminado de aplicarem suas avaliações bimestrais, não tinham muito o que nos passar. Enquanto alguns nos deixavam conversar, outros, os mais rígidos, se concentraram em aplicar novas matérias, adiantando o ultimo semestre.
Ao longo de cada aula eu recebia olhares curiosos e preocupados de Caroline. A garota era curiosa, isso eu tinha que admitir. Mas, eu sentia falta da minha loira. Eu, Bonnie e ela éramos um trio inseparável. Todos no colégio sabiam disso e até mesmo algumas meninas sentiam invejam da nossa amizade, enquanto outras queriam entrar na panelinha. Era de se esperar que fossemos amigas inseparáveis, afinal crescemos juntas. Aquelas garotas eram minhas melhores amigas, minhas irmãs.
Quando o sinal para o intervalo tocou, Caroline já estava do meu lado esperando que eu arrumasse meus materiais. Essa garota era rápida!
— Vamos, Elena. Se apresse. – ela ficou resmungando enquanto eu arrumava meus materiais organizadamente na mochila. – Não precisa desse cuidado todo, são apenas cadernos e livros velhos!
— Não são velhos, Car. E afinal, como arrumou os seus tão rápido? – O sinal mal tinha tocado e menina já estava do meu lado.
— Eu nem os tirei da bolsa, Elena. As provas avaliativas já acabaram, por que eu deveria escrever mais alguma coisa?
Preferi não responder. Caroline era difícil de se lidar quando o assunto era colégio.
— Bonnie, você também está demorando demais, se apresse menina. O intervalo vai acabar e vocês ainda vão estar arrumando essas tralhas!
— Pronto, Caroline. Pronto! – Bonnie e eu falamos ao mesmo tempo.
— Até que fim, não tem mais ninguém na sala!
Ao invés de responder aquele ataque da loira, preferi sair daquela sala logo. Eu estava com saudades da minha amiga, mas devia admitir: ela sabia ser chata quando queria!
Quando chegamos no armário, só joguei minha mochila lá dentro – não queria ouvir mais ladainha da Car. –.
Assim que nos livramos de todo peso, Car. se jogou em cima de mim e Bonnie, nos abraçando. Gritando com uma felicidade gigantesca nós a abraçamos e dissemos o quanto estávamos com saudades. Recebemos alguns olhares durante nosso mini surto e isso só nos fez rir.
A semana que Caroline tinha ido passar com o pai, deixou o colégio extremamente entediante. E até alguns corações tristes.
— A próxima vez que for embora assim, iremos te matar Caroline! – comuniquei assim que nos afastamos.
— Bem, eu sinto muito se faço tanto falta. – ela respondeu, toda arrogante. – Agora vamos para o refeitório.
Quando chegamos ao refeitório, escolhemos a mesa de sempre, que por sinal estava vazia. Estranhei a falta dos meninos, mas antes que pudesse pensar sobre isso, Car. nos puxou para o lugar. Ela queria conversar. Estava bastante obvio pela sua expressão.
— Elena, como você está, de verdade? – ela e Bonnie me olhavam com preocupação. – Sei que o Damon está no colégio e também sei que você ficou abalada com o que aconteceu na casa dele, quando ele voltou.
— Isso mesmo, Elena. E semana passada você quase não assistiu nenhuma aula. Estamos preocupada. – Dessa vez foi Bonnie.
Eu não queria conversar sobre isso, ainda mais em um lugar tão cheio.
— Podemos conversar sobre isso depois? Aqui não é um bom lugar. – Pedi.
Minhas amigas olharam para mim por um tempo e finalmente assentiram, concordando.
Logo os garotos chegaram fazendo a bagunça de sempre, então o assunto morreu. Klaus chegou abraçando a Car. e dizendo que estava com saudades. Ele era apaixonado por ela desde o momento em que se mudou para Fell’s Church e não tinha medo ou vergonha de expor seus sentimentos. Todos sabiam do enorme amor que ele sentia por ela, já que ele mesmo deixava isso claro. Car. também era apaixonada por ele, mas hesitava em aceitar namorar com ele. Por ele ser um ano mais velho e a experiência dele ser bem mais expansiva que a dela, acabava sentindo insegurança quanto ao namoro. Eu sempre dizia que era bobagem dela, que o Klaus era um amor. Mas quem era eu pra dizer isso? A menina que teve apenas um namorado e que foi um fracasso total.
Tudo estava como nos outros dias: Klaus abraçando a Caroline, o Tyler morrendo de ciúmes dos dois, o Matt com o braço em volta dos ombros da Bonnie. Só tinha uma exceção: Stefan não estava ali do meu lado me azucrinando. Meus amigos não falaram nada sobre ele não estar presente e agradeci mentalmente por isso. A ultima coisa que precisava era conversar sobre os irmãos Salvatore.
Mas isso não foi possível. Assim que vi Enzo se aproximando de nos percebi que algo estava errado. Ele rara vezes sentava conosco. Tirando a Caroline e o Klaus, ele não conversava muito com o resto de nós, só o essencial. Ele e o Damon eram melhores amigos e sabiam mais um do outro do que qualquer um de nós. Depois de alguns meses do desaparecimento do Damon, ele parou de vir ao colégio e se afastou de todo mundo. Lembro que Klaus e Caroline tentaram de tudo para fazê-lo se sentir melhor, mas parecia uma tarefa impossível. E então, do nada ele voltou a falar com os amigos, mesmo que aos poucos. Reencontrar o Damon pode ter sido meio difícil.
— Que cara é essa? – Klaus perguntou quando Enzo se sentou ao seu lado. – E o que diabos aconteceu com sua roupa? – perguntou se referindo ao colarinho de sua camiseta que estava todo esticado e amassado.
— Aquele idiota descontrolado me jogou na parede! – quando olhamos para ele confuso, ele suspirou, controlando a raiva. – O Damon!
Queria perguntar o que tinha acontecido, mas o choque da noticia me deixou paralisada. Será que o Damon tinha ido tão longe ao ponto de atacar o seu melhor amigo?
— Como assim? O que aconteceu? – Klaus parecia tão surpreso quanto o resto de nós.
Antes que ele pudesse responder qualquer coisa, o murmúrio no refeitório começou quando Damon e Stefan apareceram. O colarinho da camiseta do Damon também estava toda esticada e sua cara não era uma das melhores. Quando ele avistou nossa mesa, seu olhar se prendeu no Enzo.
— Vocês brigaram... – Caroline sussurrou.
Entendi o seu tom, até mesmo eu fiquei triste. Damon e Enzo nunca brigaram, não aos socos. No máximo eram umas discussões bestas e sem sentido que logo eram esquecidas. Damon tinha se perdido ao ponto de fazer algo assim?
Quando ele continuou olhando para o Enzo, pensei, por um momento, que ele viria até nossa mesa confronta-lo, mas algo chamou sua atenção e ele correu para fora do refeitório, deixando um Stefan atuardido para trás.
Não sei o que pensei quando levantei e corri em direção à saída. Eu com certeza me machucaria quando o achasse. Mas, de algum modo, não conseguia evitar o sentimento de que devia segui-lo.
Quando passei por Stefan, sem nem olha-lo, senti sua mão em meu braço, me mantendo no lugar.
— Não vá, Elena. Ele só ira machuca-la ainda mais. – ele sussurrou.
— Não importa, preciso falar com ele. – tentei me desvencilhar de sua mão, mas ele apertou ainda mais meu braço.
— Por favor! – seus olhos demonstravam tanta dor, que hesitei por um momento. Mas então lembrei de como ele havia me evitado e senti raiva.
— Me solta! – Falei firme e puxei meu braço, quando seu aperto diminuiu.
Corri o mais rápido que pude, ao ouvir meus amigos me chamando. Se eles me parassem, não me deixariam ver o Damon, ainda mais sozinha. E eu precisava vê-lo, não sabia como ou o porquê, muito menos o que queria falar com ele, só que precisava vê-lo.
Tinha dois caminhos a seguir e tive que decidir por qual iria. Optei pelo da esquerda, que levava ao pátio e tinha mais alunos. Andei olhando atentamente cada aluno e lugar. Eu sabia que o reconheceria de longe, mas precisava ter certeza de que não deixado nada passar. Depois seguir o caminho e ter olhado em todas as salas de aulas, ainda não tinha visto o Damon. Quando cheguei no pátio percebi que por ali ele não estaria, então voltei todo o caminho por qual tinha acabado de passar, olhando novamente todas as salas de aulas. Sem sucesso, ele não tinha aparecido ali só porque eu queria.
De caminho a caminho, cheguei à entrada do refeitório e dessa vez segui o lado direito, onde era mais silencioso. Pra esse lado, ficava as salas dos clubes e a biblioteca, que em ambos era obrigatório o silencio. Era impossível que ele tivesse aqui, primeiro que os clubes eram fechados no intervalo e segundo que eu não via o Damon de agora em uma biblioteca.
Novamente passei olhando tudo e quando cheguei a biblioteca, perguntei para a bibliotecária se tinha vista alguém no perfil do Damon entrando ali, sua resposta foi não. Na verdade tinha no máximo uns cinco alunos ali. Sai dali e suspirei alto. Não estava em nenhum lugar.
Já tinha desistido de procura-lo, quando ouvi sua voz mais a frente. É claro, eu não tinha olhado o corredor perto da sala do conselho estudantil! Ele devia estar por ali, já que a sala só permitia a entrada de alunos que fizessem parte do conselho.
Caminhei toda contente até o lugar, até que ouvi a voz de uma garota e isso me fez parar. Damon estava com uma garota? E em um lugar tão vazio? A imagem do que ele fez comigo em meu quarto explodiu em minha cabeça e senti medo de ver o que ele estaria fazendo ali.
O que me deu coragem de pelo menos me aproximar foi a voz do Damon dizendo meu nome. Ele parecia nervoso com a garota, mas parecia que o assunto ali era eu. Me aproximei o bastante para ouvir a conversa escondida e o minimo para que não me vessem.
— Se abrir a boca pra ela vou fazer com que aquela sua paixonitezinha te odeie e te ache a mais puta desse colégio!- a voz dele saiu mais fria que o normal e até eu que estava longe senti medo.
— Não tenho medo de você, Damon! — pela voz reconheci a garota, era Rebekah Mikaelson, irmã metida do Klaus. — Abre a boca para o Matt e conto tudo pra ela.
— É mesmo? O que seria pior em? Ele saber que a garota em que está interessado é uma vadia e que deu para o melhor amigo dele sem pensar duas vezes ou ela saber da verdade e me odiar no começo, mas acabar me perdoando? Porque é isso que vai acontecer, ela pode até me perdoar, mas duvido que ele te perdoe.
— Você devia ter morrido! Seria bem melhor pra todo mundo!
Senti um arrepio e uma raiva por ter ouvido aquelas palavras dela. Ela não entendia o quanto Damon era importante para todos seus amigos e família, para mim! Sem pensar sai de perto da parede e apareci na frente deles e me arrependi amargamente. Damon estava com ela prensada na parede. Sua perna estava no meio das delas, esfregando desinibidamente o meio de suas pernas. Sua boca estava na orelha dela, sussurrando algo que a fez corar e gemer um pouco. As mãos com aquelas unhas pintadas em tom forte de vermelho estava apertando com firmeza os braços musculoso dele. Senti uma ânsia de vomito tão grande, uma dor no peito e lagrimas encheram meus olhos. Tentei ao máximo segurar minhas lagrimas, mas no momento que ele me percebeu e me lançou o sorriso mais irônico possível, as lagrimas começar a banhar meu rosto. Com o soluço enorme, Damon percebeu minha presença e soltou a Rebekah, mas já era tarde o suficiente. Dei a volta e corri o máximo que conseguia com minha pernas pequenas. Ouvi sua voz me gritando e passos em minha direção.
Eu não queria vê-lo, não queria vê-lo nunca mais!
Os passos estavam cada vez mais próximos e desse jeito ele me alcançaria rapidamente. Teria que ir para um lugar para despista-lo. Quando chegou no meio dos alunos foi mais fácil, me misturei no meio deles e corri até o fundo do colégio. Ali quase não ia aluno nenhum e eu teria paz.
Quando sentei e encostei no tronco da enorme arvore, senti que meus pulmões se contraiam. Minha respiração estava desregulada e sentia que poderia ter um infarte a qualquer momento. Meus pulmões doíam, mas a dor que eu sentia no peito era maior. Ele não podia ter feito aquilo comigo! Porque ele tinha feito aquilo comigo?
Puxei minhas pernas até o peito e enterrei a cabeça nos joelhos. Tudo que eu estava acumulando veio em uma enxurrada e desabei. Grandes soluços feios, lagrimas salgadas, tremer do corpo todo. Era nesse estado em que eu estava quando senti dois pares de mãos em meu ombro. Não precisei levantar a cabeça pra ver quem era. Eu senti no momento em que se aproximou.
— O que você quer? – sussurrei entre um soluço e outro.
— Você entendeu errado, não tava acontecendo nada. – pelo tom de voz parecia preocupado. – O que você ouviu, Elena?
— Não é da sua conta! – levantei o rosto banhado em lagrimas e olhei diretamente em seus olhos – Porque se importa afinal? Tudo que tem feito desde que voltou e me tratar mal. Parece que nunca te conheci de verdade, Damon! Me diz: Qual é o Damon real? Aquele que me beijou quando eu tinha doze anos ou esse na minha frente que desde que voltou não fez nada alem de machucar a pessoas que se importam com ele! Me diz quem é você? – Gritei a ultima frase. Estava machucada. Estava cansada. Não podia mais continuar com aquilo. Essa obsessão por Damon estava tanto me machucando quanto me arruinando.
— Me desculpe. – foi tudo o que ele disse, se recusando a me olhar nos olhos. Isso só fez minha raiva crescer.
— Me deixa em paz! – sussurrei enquanto lagrimas silenciosas escorriam pelo meu rosto. Foi então que ele me olhou e vi tanta dor em seus olhos. Sua tristeza estava tão estampada em seu rosto que não sei como não notei antes.
Então ele fez algo que me surpreendeu mais do que tudo: com tanto carinho ele passou suas mãos em meu rosto, limpando minhas lagrimas. Em um impulso, ele me puxou para um abraço. Seus braços ao redor do meu pescoço me abraçavam com força, como se temesse que eu fosse desaparecer. Senti seus lábios em meus cabelos, como antes de tudo se complicar. Passei meus braços ao redor do seu corpo e o apertei. Era real. Aquele que eu abraçava era meu Damon novamente.
— Eu amo você. – sussurrei enquanto o apertava e senti seu corpo ficar tenso. Depois de alguns segundos ele se afastou e olhou em meu olhos. Ele ficou longos minutos apenas me olhando e então aproximou do meu rosto e colou seus lábios nos meus. Como antigamente, seus lábios se encaixaram perfeitamente no meu, mas durou nada mais que segundos. E quando se afastou estava estampada dor e ao mesmo tempo carinho. O carinho que eu tinha sentindo tanta falta, estava ali naqueles olhos. Mas a dor também estava tão presente que não sabia se eu ficava feliz ou triste.
— Sinto muito, Lena... – E com essas palavras, soadas com tanto carinho, ele se afastou e correu colégio adentro. Me deixando confusa e triste. Confusa e feliz.
Encostei minha cabeça no tronco da arvore e decidi o que faria. Não iria mais chorar, tinha que ser forte, porque era isso que Damon precisava. Ele precisava de alguém forte para ajuda-lo no que quer que tivesse passando. O meu Damon ainda estava ali naquele garoto, eu só precisava traze-lo de volta!
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