Infiltrados
1 I - Alison
Notas iniciais
Capítulo 1
Alison
Olho para as árvores ao redor e para o lago pequeno onde as pessoas aqui da fazenda tomam banho. A água do lago é doce e a correnteza corre tranquila. Ao redor de toda a beleza desse lugar há alegria, porém uma tristeza permanece. A tristeza de saber como viemos parar aqui.
- Allie – diz meu irmão Peter enquanto corre em minha direção – O senhor Pretamere está convocando todo o pessoal para a mansão, ele vai dar uma reunião para dividir as tarefas do mês para cada grupo.
O senhor Pretamere sempre foi muito rigoroso. Não o culpo afinal, as coisas mudaram depois da Praga e mesmo sendo o ranzinza que ele é, ele nos acolheu na sua fazenda quando não tínhamos para onde ir.
- Então vamos – digo enquanto faço cafuné nos cabelos louros dele, em seguida seguimos pela estrada – Por que veio para a floresta? Você nem gosta de caçar.
- É verdade, eu odeio caçar – ele ri – Mas gosto de vir pra cá no silêncio da floresta.
Sorrio para ele, mas me perco em meus pensamentos após observar o que ele disse, sobre a floresta. De repente, lembro quando ele era só um bebê, mas quando olho para seu rosto novamente é quando lembro que agora ele tem quatorze anos, e eu quinze.
- Você é muito filosófico Pete.
- Eu sei – ele murmura.
Eu sei. A última vez que ele me disse isso faz um bom tempo.
Parece que foi á mil anos que Peter, Matthew, meu outro irmão e eu estávamos passando os dias na cidade.
Mas aí vieram os protestos contra o governo pela desigualdade e os impostos abusivos, o que iniciou uma revolução que parou os Estados Unidos. O povo foi á rua reivindicar os seus direitos, mas o presidente Luca Spark negou os pedidos da população. Os rebeldes ficaram revoltados e derrubaram a Estatua da Liberdade.
As aulas foram suspensas e as empresas fecharam. As pessoas ficaram escondidas em casas, esperando o decorrer dos fatos.
O governo, em crise econômica, estava com a defesa e os recursos em queda, então o presidente optou por sua ultima opção: ele contratou cientistas para produzir um vírus letal.
Eu estava em casa com meus pais quando ocorreu uma explosão de fumaça acompanhada do tal vírus. Os sintomas foram profundos, as pessoas começaram a tossir e suas peles ficaram escamosas e enxadas. Minha família se safou porque meus pais de alguma maneira sabiam o que ia acontecer e conseguiram mascaras respiratórias, então assim que começou a confusão, colocamos as mascaras e saímos de nossa casa em Nova Iorque e fomos para o Texas para fugir dos efeitos do vírus.
- Allie, tá acordada?
- Ahñ... ah não, eu só tava pensando.
Abro o portão da fazenda e entramos, as pessoas estão se dirigindo á casa de Alby Pretamere para a reunião. A mansão de mármore branco está alguns metros de distância de nós, mas já observo como está limpa e bela como sempre e também vejo a direita, as cabanas onde os desabrigados vivem.
-... Isso porque eles eram os melhores cientistas do país – ouço um homem falando com o outro.
- Eram tão bons que acabaram com nossas vidas – diz o outro.
Eles se referem á falha ocorrida no vírus. Cerca de poucos dias depois do lançamento do vírus, foi descoberto que o vírus havia se implantado em corpos de pessoas mortas recentemente. Incrivelmente, essas pessoas se levantaram, mas sem a consciência de antes. Começaram a atacar pessoas como zumbis, fazendo com que essas pessoas também virassem um deles. Os contaminados pelos mortos são chamados até hoje como Alucinados.
Já no Texas, minha mãe, ao sair para o posto de gasolina no meio da estrada foi atacada por um desses Alucinados foi morto. Meus irmãos e eu assistimos a morte dela horrorizados dentro do carro. Logo em seguida, o Alucinado partiu para frente do meu pai com a intenção de devorá-lo e meu pai, na esperança de fugir, fez com o carro capotasse e caísse de um morro. Meu pai morreu naquele dia, assim como minha mãe e por um milagre nós não os seguimos no mesmo caminho. Conseguimos sair daquela picape, contudo Matthew ficou cego de um dos olhos.
- Allie! – grita Matt na distante grama amarela – Onde estava?
- Na floresta com o Pete. Como vão as coisas com o pessoal? Espero que a gente não tenha que cuidar dos cavalos esse mês.
- Há coisas piores, como limpar a mansão.
- Realmente – começo a rir – Limpar essa mansão é o pior castigo desde que estamos aqui.
- Quase um ano e meio e já – murmura Pete.
Um ano e meio. Há um ano e meio, nós três estávamos na floresta desesperados e abatidos pela perda de nossos pais. Ficamos por meses vagando pela vasta vegetação amarela do Texas com medo de sermos pegos pelos Alucinados ou até mesmo pelos policiais do governo, começaram a caçar as pessoas que não tinham ido prestar lealdade ao presidente Shelby Sparks depois da Praga, sendo considerados rebeldes. Como não atravessamos metade do país para ir prestar lealdade a ele, nós e outros milhões de pessoas foram considerados rebeldes, caçados desde então. Ser morto por eles era sempre uma possibilidade.
Então um dia avistamos uma enorme fazenda com placa de Rei do Texas. Na entrada, fomos recebidos por Alby Pretamere que nos contou que estava abrigando os rebeldes caçados na sua fazenda. Ele aceitou nos abrigar contando que cumpríssemos nossas tarefas junto dos outros.
Tudo funciona perfeitamente aqui. Todos os rebeldes foram agrupados em grupos de A á F. Cada grupo marcou território em uma parte da fazenda. Meus irmãos e eu somos do grupo C e nosso grupo fica abrigado em cabanas ao lado da mansão dos Pretamere. É uma vida boa, temos vários amigos: Scarlett, Will, a senhora Roslin... mas me entristeço por estar tão longe de casa.
- Allie, depressa — diz Matt — A reunião vai começar.
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